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Os meninos da Portela

Os meninos da Portela 1

Era um sábado qualquer de 2013 quando um grupo de amigos me convidou para ir a uma feijoada em Madureira.

Lá, conheci uma turma jovem, cheia de boas intenções, cansada de ver a maior campeã do carnaval fazendo desfiles ridículos e passando dificuldades.

Vi uma turma idosa apoiando estes jovens. E então, os apoiei.  Não porque eu tenha algum conhecimento político na escola ou de fato a frequente toda semana, mas porque são meus amigos, pessoas que acredito e que torço por elas.

Migão, Rogério, Paulo Renato, Pavão, tanta gente. Se eu for falar de todos vou me esquecer alguns.

Eles conseguiram assumir a escola na eleição passada. E a 9 meses de um desfile, tinham que fazer o que tanto prometeram fazer.

Nada é mais insuportável a um opositor do que o cargo que tanto apedreja.  Lá, normalmente, descobre-se que não era bem assim. E as pedras que se atirava começam a te atingir por pessoas que, como você, acham que é fácil.

Pois lá estavam eles.  E eu fui apenas uma ou duas vezes na Portela desde então.  Não vi nada, só ouvia eles falando que “iam conseguir”.

Fui a dispersão nesta segunda-feira esperei a Portela.  Como frequentador da Sapucaí há 18 anos, confesso que não esperava grande coisa. O passado recente nunca chegou perto de me desenhar o que eu tanto ouço falar sobre a Portela e sua história.

E a cada carro que saia eu olhava em volta e sentia uma reação de surpresa sem igual.  Enfim, Portela!

Então era isso? A tal gigante do carnaval que fazia o povo cantar sambas de raiz e que saia da avenida aos gritos de campeã era essa?!

Muito prazer, meu nome é Ricardo. Sou paulista, moro no Rio, nunca tinha te visto.

No final do desfile surge a figura de Pedro Migão, um dos diretores desta nova Portela, que me olha assustado e pergunta: ” E ai?! como foi?”.

Meu sorriso respondeu. Mas detalhei com um ousado e precipitado: “Vocês ganharam o carnaval”.

E aquele cara chato, reclamação, quase ranzinza, me abraçou olhando pro alto como quem tenta acreditar que o risco havia valido a pena. E que a Portela de tanta gente mais velha havia sido reerguida por braços fortes e jovens, capazes de amá-la pelo que ela foi e pelo que lutam para que ainda seja.

Pobre daquele que olha e espera o milagre.

Feliz de quem tenta realiza-lo.

Feliz é a gente da Portela.  Enfim, gigante de novo.

abs,
RicaPerrone

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