brasil 2014

O exemplo do futebol argentino

O que aprendemos com a derrota do Brasil para a Alemanha? Segundo especialistas, ela representa um futebol mal administrado, tecnicamente pobre, covarde em campo, de má qualidade tática e com um treinador ultrapassado.

Representa a roubalheira dos dirigentes, a incompetência da CBF e até mesmo a dependência de um só jogador.

Isso tudo veio a tona com uma derrota numa pane de 6 minutos. Justíssimo, nenhum 7×1 pode “não dizer nada”.  Até porque, sabemos, estamos muito atrasados em relação ao futebol europeu. E por isso perdemos.

Mas hoje, 24h depois, descubro que pela lógica e coerência mínima do que dizemos como papagaios, o futebol argentino merece ser exaltado.

Um time que joga pra frente, futebol alegre, toque de bola rápido.  Dentro das características do seu futebol.

Moderno, bem adaptado ao novo estilo jogado na Europa, com um treinador conceituado, experiente e ao mesmo tempo moderno.  A AFA, que é a CBF deles, um exemplo de organização e calendário.  Dirigentes honestos, acima de qualquer suspeita.

Seus jogadores não jogam todos na Europa, tem identificação com os clubes e os torcedores. Fazem poucos amistosos fora, jogam sempre em casa e é absolutamente comum vê-los em finais e conquistando títulos.

Esse futebol que não está falido, que não paga 5x menos que os vizinhos que tomam de 7 ao maior salário de sua liga, merecem estar na final e ter tudo isso exaltado.

Afinal de contas, senhores, eles ganharam. Mesmo há 28 anos sem vencer um grande adversário em Copas, mera bobagem.

Hoje, meus caros, temos que reconhecer: o futebol argentino vive grande fase!

Afinal, o que vale é o placar do último jogo e nada mais. Que aliás…. foi 0x0.

abs,
RicaPerrone

Una mierda (Argentina 2×1 Bósnia)

Fifa.com

Com a Copa tive a oportunidade de estar pela primeira vez na vida diante dos meus maiores rivais. E acredito que isso seja novidade para 95% de brasileiros e argentinos, já que nos “odiamos” a distância quase que o tempo todo.

Tão longe que até surgem pequenos surtos de “até gosto deles” de ambos os lados em períodos sem confronto. Até que eles vieram ao Brasil participar da nossa Copa do Mundo.

Atuaram num Maracanã mais deles do que nosso, com uma vitória contestável, uma atuação muito fraca e um adversário que estreava em Copas.  Se foram pra ver um show ou um time favorito, viram apenas um covarde time com 5 zagueiros, 3 volantes e bico pro Messi resolver.

Taticamente a Bósnia é muito melhor treinada que a Argentina. Mas tecnicamente, não dá pra comparar.

O jogo era pano de fundo. Na verdade o que todos queriam ver naquele Maracanã era como seria um jogo de futebol com brasileiros e argentinos lado a lado, mesmo que só um deles estivesse em campo.

E sim, deu muita confusão. Todas bem resolvidas pelos seguranças, mas deu. E se o jogo fosse entre Brasil e Argentina uma tragédia teria acontecido no Maracanã. Numa visão otimista, que tento levar sempre comigo, o jogo desta tarde serviu para dizer à Fifa que existem jogos de futebol e “Brasil x Argentina”.

Se tratar um possível confronto desses como um simples jogo, terá sido co-autora de qualquer tragédia anunciada.

São fanáticos, são orgulhosos do país deles e fora do estádio até gentis. Mas quando a bola rola não se comportam como quem vê futebol, mas sim como quem disputa os limites de um continente com o vizinho.

Provocam, tentam ir no seu limite e não agem em momento algum como visitantes. Querem tomar sua casa e fazer dela o que bem entenderem.

Não. Não é assim.

É um delírio sem igual achar que podemos misturar os dois numa mesma arquibancada e ver argentinos chamando negros de “macacos”  e “putos” quando fazem um gol sem que isso cause reação. As pessoas aqui, mesmo as mal educadas, estão em sua casa e devem receber visitas, não se adaptar a elas.

Há uma lei na arquibancada que quem frequenta conhece bem. Quem vive de Chelsea na TV não sabe o que é futebol, tem apenas uma idéia.  Você não pisa no território inimigo passando dos limites. Um dia eles virão no seu e essa relação é muito complicada.

É o jeito deles. Honestamente, por mais que eu os odeie quando o tema é esporte, eu nem acho que seja madoso. Mas é muito irritante.  É um convite a uma confusão e ela vai acontecer, como várias vezes aconteceu isoladamente no Maracanã hoje a tarde.

Curioso ver o número de brasileiros que foram lá torcer pra argentina e mudaram de idéia durante o jogo. Ou a simpática relação de “vamos ver o Messi” que aos 30 do primeiro tempo já era um sonoro “Messi vai tomar no cu”.

Eu nunca tive qualquer pudor em dizer que precisamos odiar a Argentina e vice-versa para que exista paixão pelas seleções. Sem rivais não há sentido, mas tem um preço.

Brasileiros e Argentinos não podem assistir um jogo de futebol sentados lado a lado.

É o que acho. E pelo que vi hoje, vamos continuar achando sem saber a resposta.  Esse time deles não chega na final pra descobrir.

abs,
RicaPerrone

Porque você? (Chile 3×1 Austrália)

Porque torcer por Chile ou Austrália?

Quando a bola estava perto de rolar na Arena Pantanal fiz uma rápida viagem pela história e descobri que ambas não dizem quase nada ao futebol mundial.  Mas que o Chile diz um pouco mais.

Lembrei que a Austrália é uma representante do mais fraco e que adoramos ver zebras no futebol. Mas na verdade um empate ou mesmo a vitória australiana representaria o fim das chances de uma “zebra”.

É no Chile que depositamos aquela vontade muda de ver a Espanha, ex-melhor do mundo, de volta ao seu mediocre lugar.  É o fim do insuportável tic tac, é o golpe final que sacramenta a morte daquele que a Holanda já atropelou.

Não, a Austrália não pode fazer isso.

O Chile, com essa torcida que vimos hoje, com nossa ajuda em terras cariocas… porque não?

Quando ouvi o hino do Chile, não tive mais dúvidas.  O melhor pro futebol nesta noite era ver Valdívia e seus colegas “quase craques” levando o Chile, “quase zebra”, a uma possível decisão contra a Espanha, a “quase ex protagonista”.

E pelo espetáculo daqueles que viajaram para acreditar no inacreditável, pela impotência australiana e  também pela fila no Outback, resolvi: Serei Chile!

E mesmo não acreditando no ímpeto dos 15 minutos iniciais, por um segundo repensei a vontade de enfrentá-los.

Mas passou. Junto com as bolas que não entraram da Austrália, que sim, jogou o suficiente para um empate que não veio.

Mas, chileno que fui, fiquei feliz.

Porque temos um grupo cheio de alternativas onde se previa óbvio.  Óbvio é o toque de lado quase insuportável que camufla um esquema defensivo numa mentira bem contada sobre “posse de bola”.

Viva quem arrisca. Viva Chile!

abs,
RicaPerrone

Uma Copa brasileira (México 1×0 Camarões)

As últimas duas Copas do Mundo foram marcadas por uma série de jogos ruins e truncados no seu começo. Ainda é cedo pra dizer que será diferente, mas já é justo reconhecer que tem sido, e que tem nosso dedo nessa história.

Ao contrário dos estádios africanos e alemães, nossos torcedores não sabem curtir um esporte. Eles tem a necessidade cultural de tomar partido e, portanto, não assistem ao jogo sem empurrar um dos lados.

O futebol com torcida é absolutamente outro se comparado ao futebol com platéia.

Queremos mais! Eles sentem. Não é só um esporte, é uma questão de que lado estamos. E se de adotamos, corram por nós. Sabendo quem somos, arrisquem! Não vão nos conquistar burocraticamente.  Queremos ousadia, dribles desconsertantes e lances mágicos.

Somos brasileiros, oras!

Eles sabem que não podem nos encantar com carrinhos e laterais.

Diante dos Reis todo plebeu tenta algo mais. E não será diferente na Copa.  Se querem nossos aplausos, nos deem mais do que tática, correria e marcação.

Mexicanos e camaroneses entenderam isso e foram pra cima. Um pra surpreender após ameaça de greve e total descrédito. O outro para comprovar que pode vencer alguém no mundo além do Brasil.

Com erros de arbitragem que pra muitos coerentes plantadores de complôs insinuam a compra da Copa por parte de Camarões, o jogo foi bastante aberto, corajoso e bem jogado.

Aprovado! Padrão “Brazilian Art Football”.

Até aqui, dentro e fora, que puta Copa!

#TaTendoCopa

abs,
RicaPerrone

Nem tudo tem um preço

A internet virou um muro de lamentações, acusações, agressões e intelectuais. Se fossemos de fato engajados como parecemos ser, viveríamos na Suíça com taxa de suicídio recorde, já que a vida é tão perfeita que ninguém tem o que esperar dela.

Mas sabemos ser uma grande mentira. E me espanta que os delírios em busca de um lugar de destaque na web tenham chegado ao estúpido ponto de contestar o direito do cidadão em querer estar num evento sem ser por dinheiro.

Sim, pois a idéia que tentam passar é que a FIFA escravizou 4 mil crianças no interior do Acre e as levou sem água e comida para que pudessem trabalhar na Copa a troco de pão e água enquanto ela fica rica.

Mas não. São voluntários, mais de 150 mil inscritos, um recorde. Milhares de pessoas de todo o mundo querendo fazer parte do maior evento do planeta.

Talvez você não goste de futebol e não possa entender o sentido disso tudo. Mas seja ao menos inteligente para respeitar a vontade do “otário” que você agora persegue pela web.

Se a FIFA me permitisse ser orientador da entrada dos times num dos jogos da Copa, eu iria numa felicidade inexplicável. E juro, não cobraria. Aliás, pagaria pra estar lá.

Essa paixão talvez não caiba na cabeça de algumas pessoas e tudo que estamos discutindo talvez não faça o menor sentido para quem não ama futebol.

Somos idiotas? Somos, tudo bem! De fato é pouco defensável a ideia de gastarmos nosso dinheiro, vida, paz nos domingos e até amigos para torcer pra um bando de homens vestindo camisas iguais num campo sem sequer a garantia de um golzinho.

Mas nós não vamos perder nosso tempo tentando te explicar o que isso significa pra nós. E esperamos, também, que vocês não tentem me dizer o que posso ou não fazer com meu tempo e se devo ou não cobrar pelos meus “serviços”.

A FIFA abriu inscrições, como sempre fez. Não houve alistamento aos 18 anos, nem sequestro de menores. Todos os voluntários estão lá porque sonharam estar.

Afinal, quem pediu sua opinião?

O tempo livre deles será ocupado com a realização de um sonho e uma experiência incrível. O seu, os julgando.

Quem é o idiota, afinal?

Eles podem te responder, dentro de 15 dias. É só chegar neles e perguntar, eles estarão lá pra te orientar. Só não pergunte a eles o lugar onde você deve ir. Pode ser constrangedor.

abs,
RicaPerrone