paquetá

Mau negócio não é

Uns dizem que por 50, outros 35.  Vamos avaliar os dois cenários e tentar entender o negócio que o Flamengo está fazendo.

Quando um jogador quer ir embora, o clube tem apenas que achar a melhor oferta. Não adianta segurar jogador insatisfeito querendo ter saido. Isso é básico no futebol.

Se a multa é 50, o valor estaria indiscutível. Se foi por 35 com multa a 50, significa que foi o máximo que o mercado pagou pelo Paquetá.

Lembre-se sempre que existe um valor pra torcida e outro pra vida real. O Valdívia, jogador de Colo-Colo, é um craque para os palmeirenses, um jogador comum para o mundo. O Lugano, Deus no SPFC, um zagueiro bom pro mundo. E assim por diante.

O Paquetá não é uma estrela internacional.

E se vier a ser? Ótimo negócio pro Flamengo, que por inteligencia ou falta de opção vendeu pra um mercado que hoje é secundário. Do Milan, em boa fase, ele será revendido por valores absurdos para Real, Barça, City ou PSG. E o Flamengo volta a lucrar em cima dele.

Se tivesse ido pra um desses, a revenda seria menos provável.

O Fabinho, do Monaco, foi vendido por 45 milhões de euros. Sim, o Paquetá deve jogar mais do que ele, mas ainda não está devidamente testado. Portanto, gostem ou não, ainda é uma aposta.

Boa aposta. Mas ainda uma aposta.

Qualquer um dos cenários é aceitável.

Por 35 porque foi o melhor que conseguiu, tendo o jogador deixado claro a vontade de sair pra Europa. Por 50 é multa, não se discute.

E nos dois casos, indo pro Milan, tem provável revenda futura.

Não, não é um mau negócio.

Vocês é que estão putos com a diretoria e portanto rejeitam 100% do que ela faz. Porque no futebol infelizmente é assim: Se a bola entra é tudo 100% bom, se não entra são 100% ruins.

abs,
RicaPerrone

É proibido mudar?

O post é baseado no Flamengo, mas honestamente cabe a todos os times do Brasil e talvez do mundo.

O futebol é um mundinho de muito conservadorismo e medo de sair do manual. Se treinadores consagrados não tem coragem de sair da “tendência”, imagine os que não tem bagagem pra segurar o emprego.

Esse esquema tático acima, que pode virar um 4141 conforme o time tem ou não a bola, é a regra há alguns anos. Dificilmente você verá alguém fugir disso.

E então os resultados não surgem, trocam todas as peças do mundo, o treinador, o diretor de futebol menos a porra do esquema tático.

Porque o Flamengo tem medo de tirar alguém dos 4 nomes de peso e voltar mais um volante? Não tá claro que o Diego joga bem mais com o Arão ali do que com o Paquetá?

Porque? Porque ele não tem que ficar recompondo o tempo todo. É a mesma coisa da Copa com Coutinho no meio. Ele estando ali prejudica o Paulinho. Sua função era do lado direito, não ali no Renato.

Veja você que curioso. Como todo time joga assim, é cada vez mais raro a jogada do lateral na linha de fundo. Ele fica pra marcar o “ponta” do outro time. E assim as jogadas vão se limitando a abrir pra ponta e esperar cruzamento ou um volante que chega batendo.

Se é que dá pra chamar os meias de hoje de volantes. Não existe mais isso. Mas você entendeu.

A impressão que eu tenho é que se você colocar um cara nas costas do Paquetá impedindo sua liberdade, dois no centroavante o Flamengo não fará gol nunca mais.  O Paquetá vira volante, o Diego se sobrecarrega e o centroavante não recebe uma bola que não seja cruzamento na área.

É fácil marcar o Flamengo.

Mas como a gente pode aceitar ser fácil marcar Paqueta, Diego, Everton e Vitinho no mesmo time?

Simples. Você pode ter as peças que quiser. Se você sabe exatamente o que elas vão fazer, pouco importa quem são. O futebol hoje é de quem destrói. O futebol privilegia a defesa há anos. E se ficarmos presos a um único sistema de jogo, aí…

abs,
RicaPerrone

Mais favorito do que antes

Se o empate fora parece um bom resultado, os 90 minutos de Flamengo e Corinthians contrariam essa avaliação.  Como cada vez mais comum no futebol moderno em virtude de sua força física, intensidade e espaços reduzidos, o time que abre mão do jogo consegue anular o que tenta jogar.

Na Copa foi assim, hoje também.

O Flamengo saiu vaiado por parte da torcida que está mais irritada e frustrada pelo empate do que observando o jogo em si. Foi intenso, bem escalado, com alterações que fizeram sentido e o time amassou o Corinthians a maior parte do tempo.

Se eu fosse corintiano comemoraria o empate e ficaria altamente preocupado com o que foi apresentado. Se eu fosse Flamengo estaria bem otimista com a volta mesmo sendo fora de casa.

Os números do jogo são constrangedores. É valido? É. Concordo? Jamais.

Time grande tem que jogar bola. Não me importa se com Juquinha, Messi ou 11 mancos. Sentar dentro da área e impedir um jogo não é condizente com o Corinthians.

Compreendo? Até que sim. Treinador novo, time fraco, etc.  Mas ainda assim, não concordo com o que foi proposto hoje.

Se havia um favorito antes do primeiro jogo era o Flamengo pelo time que tem. Agora pelo time  e pela covardia do adversário.  O Corinthians tem sua camisa e casa para acreditar. Porque futebol…

abs,
RicaPerrone

É foda!

Eu também torço pro meu time, embora o tempo e a vida neste meio escroto do futebol tenha me tirado boa parte da paixão. Eu sei o que a seleção hoje representa – eu entendo a sua birra – mas eu preciso brigar contra a sua lógica.

Sua lógica faz sentido. A CBF comete a barbaridade de desfalcar times no torneio dela mesma numa decisão para enfrentar El Salvador e você portanto tem todo direito de se sentir lesado, afinal, pagou ingressos até aqui para chegar a essa decisão.

O esforço que eu faço e sugiro a você não diz respeito a lógica, mas sim a paixão.

A gente não pode aceitar que um vascaíno deixe de ser Vasco por causa do Eurico. A gente aceita que ele brigue para tirar o Eurico.

Um rubro-negro não pode renegar seu clube por um dirigente ladrão. Idem a um tricolor, um colorado, seja qual for. É como odiar o Brasil por causa de um político. É como aceitá-lo.

A vitória do corrupto é quando não se importam mais que ele seja corrupto. A não briga contra o sistema atual do futebol brasileiro e a “birra” com a seleção e não contra os dirigentes (incluindo o do seu time) é a vitória deles.

Nós assinamos um atestado que abrimos mão de nossas paixões porque sabemos que eles são cheios de esquemas, má vontade e corrupção, e portanto nós não vamos mais brigar.

É nossa maior perda.

A seleção brasileira não tem culpa das burrices cometidas por clubes e CBF em sua gestão inacreditável do futebol brasileiro. Nos também não. Mas ao direcionarmos nosso “ódio” à vítima, que é a camisa da seleção, nós estamos validando o sistema.

Tá errado! Tá muito errado. E eu sei o quanto é foda olhar pra seleção em campo com seu jogador te desfalcando e curtir isso. Mas é o que eles querem.

Quando a gente “nem liga” mais, eles deitam e rolam.

Precisamos resgatar nossa cultura, nosso futebol, nossas torcidas e nossa vontade de brigar contra o que está errado.

É foda? É. Mas é isso ou entregar pra “eles”.

abs,
RicaPerrone

Não é política. É burrice.

Talvez eu seja a pessoa na mídia que menos cobre a CBF exatamente por entender que ela nada mais é do que a opção dos clubes e federações em não se unirem por algo melhor.

Continuo achando. E mesmo entendendo que, por exemplo, a seleção é super bem administrada e que a CBF com todos os seus defeitos nunca foi tão pouco corrupta e incompetente, tem momentos que minha vontade é ir até lá, sentar toda a diretoria em circulo e dizer:

“Amores, vocês são burros mesmo ou é de sacanagem?”

Porque convocaram caras que estão no momento em que os clubes mais precisam para um amistoso de merda sem valor que só serve pra polemizar vocês, gerar rejeição à seleção e diminuir a sua própria competição?

Ah foi o Tite? Então manda ele parar. Porque vocês são os chefes dele.

Ah mas a gente tem que pensar na seleção….

Não. Vocês pensam no futebol brasileiro. Inclusive o Tite, que deveria querer ver os jogadores em decisões aqui e não em amistosos nos EUA para avalia-los de fato.

Após tudo isso eles não conseguiram ainda ter a dignidade de vir a público e dizer:  “Erramos. Estamos devolvendo os envolvidos nas semifinais após o primeiro amistoso e assim permitindo que estejam servindo a seleção e ao mesmo tempo não lesando os clubes”.

Mas não. Eles PRECISAM do Paquetá contra El Salvador. Porque como vai fazer sem o Fagner contra EL Salvador nessa decisão? Não dá!  Precisamos mesmo prejudicar um grenal, uma semifinal e gerar ódio contra o próprio produto.

Pelo amor de Deus, CBF! Você pode morrer abraçada na merda ou limpa-la. Escolhe ai. Embora a gente já saiba o final.

abs,
RicaPerrone

Me ajuda a te ajudar, CBF!

Eu não carrego comigo nenhuma “raiva” da CBF como a maioria foi induzida pela mídia a ter. Entendo que ela é uma organização política e portanto qualquer exigência sobre sua motivação pró espetáculo é uma ilusão de quem não conhece o sistema e quer muda-lo pelo twitter.

Mas entendo que ela tem defeitos graves. Especialmente a falta de relacionamento entre marketing, presidência, futebol, comissão técnica, clubes.  Todas devem funcionar, afinal, a seleção é extremamente bem estruturada, respeitada e vencedora. Os patrocinadores sempre estão lá, o Brasileirão segundo 99% dos clubes é super bem organizado e portanto não há do que se reclamar.

Há sim.

Qual a dificuldade que a CBF tem em ver que houve uma burrice imposta por Globo, clubes, ela e Conmebol em permitir que a data FIFA caia próxima de uma semifinal?  É mais bonito fingir de morto do que assumir publicamente “erramos, vamos corrigir”?

Já nem deveria ter jogo em data FIFA. Mas a Globo quer jogo, paga, os clubes baixam as calças, pegam adiantamento e dizem amém. Depois vem na cara de pau na tv dizer pro torcedor que são vítimas do calendário. E nós, otários, acreditamos.

Mesmo assim, em casos como esses, a CBF poderia sim ter o bom senso de aliviar a antipatia sobre ela mesma, ajudar o futebol brasileiro que é seu dever, e zelar pelo seu torneio.

Quer convocar? Convoca! A gente fica feliz em ver nossos jogadores na seleção. Tira os caras da rodada do Brasileirão, ok.  Mas da semifinal?

Custa a humildade de reconhecer um erro e liberar os semifinalistas do segundo amistoso, por exemplo? O adiamento dos jogos eu duvido, a Globo não vai deixar e não tem calendário pra isso. Mas se está em suas mãos o meio termo de dizer pro torcedor que você o respeita, porque não?

Jura que é fundamental ter o Paquetá contra El Salvador? Que sem o Fagner não dá pra enfrenta-los? O Dedé não pode perder a chance de parar esse ataque?

Vocês sabem que não. Eu sei, todos sabem.  Mas a vontade de ficar calada diante dos erros é tamanha que invalida até mesmo as tentativas de entende-la, CBF.

Faz 4 dias que você poderia ter dito: “Erramos. Vamos liberar os jogadores das semifinais”.

Mas não. Vão gerar mais antipatia a entidade, a seleção e prejudicar um torneio fantástico em troca de que? De nada. Absolutamente nada.

As vezes a gente entende pela parte política, pelo sistema, pela burocracia. Outras a gente não entende nem fazendo esforço.

abs,
RicaPerrone

Se enxerga, Mengão!

Se o Real Madrid pudesse ter algo que não tem, escolheria fazer os jogadores que compra. Seria mais lucrativo, criariam um padrão desde a base e se tornariam ainda mais fortes.

Os clubes brasileiros compram a megalomania da torcida e entendem burramente a necessidade de um ou dois grandes reforços para movimentar o mercado. As vezes, muitas vezes, quase sempre, compram o time todo.

Causam expectativa, nenhuma identidade e frustração.

O Flamengo comprou pra caralho, e quem levou o time pra liderança? Os meninos.

Quem brilha e decide é Paquetá, Vinicius, hoje até o Vizeu.  A zaga perdeu dois titulares, pânico! Nada… os meninos entraram e resolveram.

É inacreditável que o maior produtor de soja do mundo compre soja. O futebol brasileiro compra o que ele mesmo fez para suprir o que ele tem em estoque.

O Grêmio ganhou tudo e não há uma contratação de peso nesse elenco.

Os maiores times do Santos em todos os tempos não custaram nada.

Será que falta muito pra entender que com o salário de 1 mes do Geovânio você cria 3 melhores do que ele?

Tua grandeza tá dentro de você, Flamengo. Quem tá te levando ao topo é você mesmo e não o que você pode pagar. Porque quem compra futebol é europeu. A gente faz.

abs,
RicaPerrone

As planilhas seguem ok

Outra vez o Flamengo vai a campo sabe-se lá pra que. Talvez pelas premiações por conquistas, talvez pra “não perder”. Quem sabe por mera obrigação de bater ponto.

Mas pra ganhar o jogo não foi.

Ninguém que tem nada a perder e precisa de ousadia para ganhar algo mais pode ser tão previsível, precioso e covarde. O que aconteceria se o Flamengo fosse buscar a vitória?

No ruim, perderia o jogo.

Quanto toquinho de 3 dedos, quanta jogadinha individual. Nenhum coletivo, nenhuma ousadia. O conformismo de quem olha o relatório e vê crescimento de 0,4% e entende que está tudo ok.

O Flamengo virou empresa. Mas empresa nenhuma vende paixão, logo, todas elas são administradas de forma diferente do futebol. Não interessa ao torcedor analisar que há melhora em relação aos últimos 20 anos, embora seja justo dizer isso.

Interessa a ele ver-se representado em campo. É pra isso que gostamos de futebol, não porque é um esporte maneiro. Não a toa a maioria das pessoas diz não gostar de futebol mas sim do seu time.

Times carregam alma, características e personalidade.

Esse aí, de novo, prova que não tem a menor idéia do que representa.

Não perdeu, se classificou, está bem no Brasileiro, contas em dia e vendeu mais um patrocinio. Tem time de E-sports, paga em dia, lança camisa, bomba em canal do youtube e dificilmente será ameaçado por rebaixamento tão cedo.

Mas seu povo olha e não se vê ali. De que adianta?

Ser tão correto, grandioso, bem administrado, em crescimento e rico sem representar a única coisa que faz sentido nessa história toda?

Jogos como os de hoje explicam pra diretoria o que ela não quer ver: não se trata de resultado. Se trata de desempenho, identidade e paixão.

Mas na planilha, houve crescimento. Do não classificado as oitavas ao time que este ano passou de fase. Logo, premia-se, aplaude e segue o enterro.

abs,
RicaPerrone

Pra matar saudades

Aquele Maracanã lotado, rubro-negro e a preços mais aceitáveis até lembrava um Flamengo de personalidade forte, iniciativa de jogo e vitória no fim.

E pra matar a saudades, ele apareceu.

Com o entusiasmo da volta do Guerrero, a atuação espetacular do Diego Alves, o golaço do Paquetá, a fumaça que causa o xodó Vinícius e a vitória construída no segundo tempo, sem folga e com algum sofrimento que é pra ser Flamengo.

O Inter jogou um bom primeiro tempo, mas não voltou pro segundo. O Flamengo fez um primeiro tempo ok, mas sem tentar resolver. No segundo veio pra fazer o gol a todo custo, e fez. Dois.

Não sei o que muda. Nem sei se mantém. O Flamengo alterna jogos como os de hoje com o da Ponte.  Mas é indiscutível a alegria do rubro-negro ao se ver líder, Maracanã lotado, Guerrero de volta e Everton Ribeiro estreando pelo clube finalmente.

Quinta-feira vale vaga. No domingo liderança. Na outra semana, a mais sonhada das classificações.

O céu está mais perto do que o inferno. E pensar que estiveram lá não faz nem 1 semana…

abs,
RicaPerrone

Separem o Paquetá do Vinicius Jr.

Rubro-negro, a euforia é grande, são dois meninos diferenciados, mas não são uma dupla, nem mesmo competem entre si por um lugar ao sol.  Há sol para ambos.

Toda vez que alguém cita o bom futebol do Paquetá imediatamente usa-se a segunda frase para compara-lo ao Vinicius, ou para dizer que “o bom é ele”, como se fosse uma possibilidade limitada a um deles apenas saber jogar futebol.

São dois jogadores absolutamente diferentes. E também diferenciados. Um deles é o perfil de garoto europeu, o outro o perfil brasileiro. Mas tem coisa nessa história que precisa ser dita.

Paquetá tem 20 anos. O Vinicius 17.  O Paquetá fez a base e chegou no profissional conforme planejado. O Vinicius quando fez 17 anos nem estreou pelo Flamengo se tornou um garoto rico e com um peso absurdo nas costas de ser o “novo alguma coisa”.

Ganso já foi “melhor que o Neymar”, lembra? Na real ele era só mais velho e pronto.  O Paquetá é um jogador de time coletivo, intenso, moderno. O Vinicius é craque.

Os dois são importantíssimos, valem muito, imagino ambos com muito sucesso. Mas o fato do Paquetá estar bem aos 20 não tem nenhuma relação com o Vinicius não ser, ainda, o craque que se espera dele. E portanto um não precisa vir acompanhado do outro quando avaliados, criticados ou elogiados.

O Paquetá é o meia que a Alemanha queria. O Vinicius é o jogador que todo mundo quer.

O futebol funciona mais e garante mais resultados nos pés de um Paquetá. Mas ele encanta nos pés do Vinicius.

O Flamengo fez dois moleques de ouro. E ao contrário de uma competição qualquer, não precisa dar a “prata” pra um deles, menos ainda procurar uma forma de menosprezar um deles pra gostar mais do outro.

A diferença entre eles é que o Paquetá está pronto para, numa hipótese, ser só bom. O Vinicius tem que ser gênio. Então hoje é mais fácil ser Paquetá. O que não significa que seja melhor do que ser Vinicius.

abs,
RicaPerrone