venezuela

O gol que não fizemos


A diferença entre Argentina x Venezuela para Brasil x Paraguai foi uma bola. Logo no começo a Argentina fez o gol e não permitiu que o adversário pudesse manter sua proposta de jogo. Desmontou, ganhou espaço e ainda assim não jogou bem.

Mas o gol no começo que nos daria uma goleada ontem saiu pra Argentina hoje. Ao contrário do confronto entre nós, as quartas tratavam-se de jogos onde um dos times não ia jogar. E só um gol mudaria essa idéia.

Messi mal, a Argentina ainda com problemas e sem um plano de jogo muito claro. Mas com uma arma importante: ser uma seleção grande sem obrigação.

Isso é um perigo enorme. Vamos coloca-los na condição de zebra através da nossa mídia pouco brasileira. Faremos um terrorismo do cacete até terça falando do perigo do Messi, do fulano, do beltrano e gerar obrigação pra nossa seleção e nenhuma pra eles.

Os inimigos são fáceis de identificar: a própria imprensa brasileira e a esperta mídia argentina que vai aceitar o papel de zebra exatamente pra tentar fazer uso disso.

A diferença entre nós é que eles querem ganhar, a gente quer ter o que criticar. O perigo é esse. Só esse.

Time por time, bola apresentada até aqui, nós ganharíamos fácil. Mas também ganhariamos fácil do Paraguai… Futebol é futebol.

Não aceitem o favoritismo. É tudo que a Argentina quer e a única chance dela.

RicaPerrone

Porra, Tite!

Serei breve. Direto. Quase grosseiro.

O Coutinho não é meia armador pra jogar atrás do atacante centralizado. Na Copa isso nos prejudicou, segue prejudicando.

Arthur e Casemiro são dois “meias” que jogam a bola de lado a maior parte do tempo. Não são volantes que entram como era o Paulinho, por exemplo. O time fica previsível, o único armador é o Coutinho e ali nem é a posição dele.

O Neres tá cru. O Cebolinha entra e faz rigorosamente o que dele se espera.

Neymar faz muita falta. Não só pela técnica, óbvia e gritante, mas pelo senso de protagonismo.  Ser fominha as vezes é ruim, outras vezes é a representação do cara afim de correr o risco de errar mas também de resolver o jogo.

O Felipe Luis é muito bom lá atrás, muito fraco na frente. O Marcelo era bom na frente, fraco atrás. A seleção segue sem ter equilíbrio daquele lado. E não tem opção.

Jesus e Firmino são bons. Mas passam muito longe de serem os substitutos de Careca, Adriano, Romário e Ronaldo. Muito longe.

E por fim, o Tite.

Brilhante até a Copa. Confuso nela, perdido depois dela.

Decisões sem critério. Falta de coerência com o que pregava, prejudicial aos clubes e sem ousadia alguma. Buscando na “mesma praça, no mesmo banco as mesmas flores e o mesmo jardim….”

Mexe nesse time, professor. Ou vão mexer em você.

RicaPerrone

Tite e o prazer em vestir amarelo

Nunca acreditei que os problemas da seleção se limitassem a Dunga e menos ainda a CBF. Esse discurso, pra mim, é vazio e de quem pouco conhece o futebol.

O que mudou?

Além da óbvia melhora técnica de treinador e no relacionamento com os jogadores, mudou o olhar. Não só o deles, mas o nosso. Ao invés de virem pra seleção ser massacrados porque a imprensa não gosta da CBF e do Dunga, eles agora pegam o voo sabendo que estamos esperando por eles e ansiosos pelo jogo.

Jogador do Brasil vinha puto, hoje vem feliz e blindado.

Tite colocou sua marca acima de CBF e o escambau, que é o certo. E pra quem não achava isso, repare quanto jornalista que por ser corintiano, passou a achar por simpatia ao Tite.  Acabou a pancadaria.

Não é mais “Neymar e o resto”. Temos um time, como tínhamos antes e nos recusávamos a aceitar.  São quase os mesmos caras, com a diferença que sorrimos pra eles, eles pra nós e que acima deles enxergamos um aliado e não um inimigo.

A mídia tem um poder massacrante sobre o futebol. E o Tite é o remédio mais eficaz de todos os tempos contra o azedume jornalístico que segue a seleção.  Tite sorri, brinca, da entrevista, é gente boa pra caralho. E isso satisfaz os colegas e conceitua 90% da analise do treinador.

A seleção hoje se diverte. Antes, jogava por obrigação. E essa sim é a maior diferença de todas.

Ou alguém realmente acha que nos jogos anteriores, em 3 treinos, o Tite fez um time que jogava mal e perdia passar a jogar bem e golear?

abs,
RicaPerrone

Não nos ouçam mais uma vez

Existe uma grande culpada pela falta de personalidade do futebol brasileiro e, por consequência, sua perda de identidade. Chama-se: imprensa esportiva.

E se você for mais novo, pergunte ao seu pai. Em 1982, quando jogavamos o fino da bola, tratamos como “azar”.  Em 1986, quando ainda jogavamos bola, trataram como “o fim do mundo”.  Desde então elegemos vilões e determinamos, Copa após Copa, que se não ganharmos nada prestou e tudo precisa mudar.

O Telê Santana, veja você, era ruim. A imprensa aceitou o futebol Parreira a troco de um caneco. Eu também aceitaria se fosse uma troca simples. Mas não foi.  Contestadíssimo desde sua estréia, passou a professor depois da Copa que Romário, o cara que ele não queria levar, nos deu a Copa.

Zagallo, o homem que deveria ser  mais respeitado no futebol mundial após Pelé, é chacota pra essa imprensa que ama Mourinho.

E veja você: O time que perdeu 2006 não tinha raça. Queremos raça!
O de 2010 não tinha técnico. Queremos técnico!

Veio o Mano, sai o Mano.  Entra o Felipão, contestado. Vence, passa a ser o incontestável.  Perde. Se torna o pior treinador do mundo.

Contra o Chile, jogamos mal e perdemos. Hoje, jogamos bem melhor e vencemos.

“É a Venezuela!”.  Foda-se.

Se não pudermos elogiar quando ganha, somos bem canalhas de fazer o barulho que fazemos quando perde.  A seleção não tem mais os gênios que tinha antes porque, não sei se você notou, o futebol mundial não tem mais esses gênios todos.

As coisas se equilibraram pra todos. Inclusive pra nós.

Mas os mesmos que analisam friamente o equilibrio do futebol quando a Argélia quase elimina a Alemanha na Copa, tem xilique na tv quando o Brasil perde pro ótimo time do Chile.

Somos toscos. Não temos quase nada a acrescentar, só a rotular.

No caminho certo ou errado, sigam em frente. Mas por favor, não nos ouçam mais.

abs,
RicaPerrone

Números da vitória brasileira

Estatísticas e números exclusivos da Opta para Brasil 2×1 Venezuela.

Começando pelo mapa de posicionamento médio do Brasil. Uma formação muito clara com 2 jogadores abertos, Elias e William mais pelo centro, Firmino de centroavante e o Fernandinho mais atrás.

Fernandinho que, aliás, foi o jogador que menos errou passes no jogo. Precisão de 93%, junto com Robinho.

Reclamam que Elias e William, mais centralizados na armação, não chegam na área de jeito nenhum.  Será? Veja o mapa de calor da dupla.

De fato, não entram na área.

E o coitado do Fernandinho, que saiu de campo criticado por errar demais, foi um dos que menos errou. Veja os 58 passes de Fernandinho no jogo

E nossos chutes a gol? De onde vieram? Quem bateu pro gol? Foram no alvo ou fora?

Captura de Tela 2015-06-21 às 21.02.40

É isso. Semana que vem tem mais estatísticas da seleção na Copa América!

abs,
RicaPerrone

Hum… não!

Eu sou o cara mais esforçado neste país para acreditar na seleção, convenhamos!  E acredito, sempre.  Mas se já sai do jogo com a Colômbia preocupado, hoje fiquei ainda mais.

Na minha cabeça, mesmo que a seleção tenha feito um jogo razoável e tido o domínio da partida até o Dunga surtar e encher o time de zagueiro, eu esperava outra coisa.

Eu imagino aquela concentração e se eu tô no grupo uso toda a onda “Neymar e mais dez” a meu favor. Faço o time entrar querendo dar a goleada do ano!

E não. Os caras entraram, fizeram o gol, voltaram, buscaram contra-ataques, nada muito efetivo.

Quando resolvido com 2×0, recuou o time pra não tomar e quase tomou dois.

Como explicar? Eu senti falta de personalidade. De novo.

Talvez eu seja exigente demais com isso por eu ter uma personalidade muito forte de quem não liga de ir pro risco e se desgasta por exageros. Talvez por isso eu goste tanto do David Luiz.  Mas eu, hoje, naquele time, iria pra cima fazer a atuação do século e deixar a mídia toda com cara de bunda por achar que “só tem Neymar” ali.

E não. O que vimos é que, de fato, muito acima da curva só ele mesmo.  Coutinho não jogou nada, o Robinho foi bem, mas faltou volume, ímpeto ofensivo, causar medo, ser o gigante.

Sei lá quanto o 7×1 mexe com os caras e impede que eles corram riscos. Mas a seleção ainda não me parece livre daquele jogo. É muito cuidado em não tomar gol pra um time que sempre gerou pânico em adversários.

Tá faltando medo no rosto dos adversários. Algo que só nossa atitude pode causar.

abs,
RicaPerrone