wellington silva

Quase injustos

Por alguns segundos a mais do que o anunciado desconto toda uma avaliação de meses foi por terra.  O Inter que não convencia ninguém, o maior pipoqueiro dos pontos corridos, o eterno “agora vai”  do Brasileirão se torna guerreiro, épico e transforma melancolia em história.

Era uns 48 já. Não havia um só colorado que não considerasse Abel um asno, Wellington um equívoco e Paulão um grosso.  Esse time “sem alma” já era um enredo anunciado para o pós jogo quando uma entidade não identificada baixou em campo.

Aranguiz recua uma bola que qualquer um teria queimado no gol ou jogado na área. Como que cativando ainda mais a ira do torcedor, ela volta ao meio campo e Paulão, o zagueiro, arrisca o último lançamento do ano.  Ela desvia levemente no volante do Figueirense para que caia exatamente na frente de Wellington Silva, o equívoco.

Ele ganha no corpo, empurra pra baixo do goleiro e o Inter entra na segunda fase da Libertadores da mesma forma que entrou na zona de classificação:  na base do Deus me livre.

E naquele momento fica claro que Abel é gênio, que o grupo é uma família, que Wellington tem futuro, Paulão é um Gamarra sem grife e que o Inter é uma máquina de buscar resultados improváveis.  Que são guerreiros, eternos, dignos, merecedores.

E que não sabemos nada sobre futebol. Além do fato dele ser, disparado, a melhor invenção do ser humano.

abs,
RicaPerrrone

Desconectando

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É hora de repensar a função das redes sociais e a real medida em que ela pode determinar uma “rejeição”.

Eu vivo disso, trabalho com isso há anos. Acho que posso falar com alguma propriedade.

Redes sociais são pautas fáceis para jornalistas preguiçosos.  Eu vou lá e digo: “Sou ateu”.

10 mil pessoas vão ler.  200 vão “curtir”.  30 vão compartilhar.  100 vão comentar. E destes, 40 vão me xingar.

“Jornalista se diz ateu e causa revolta em rede social”.

Tá certo isso?

Que “torcida do Fluminense” se revoltou por uma foto entre amigos onde NADA foi desrespeitoso com o clube?

Os 100 torcedores que fizeram um barulho do cacete por acharem absurdo, enquanto os outros 3,2 milhões e 900 ignoraram a foto.

E então, destaca-se o lado ruim. Sempre.  Afinal, aprovação não vende.

Qualquer pessoa de meia inteligência sabe que pessoas se relacionam e você, ex-funcionario da Kibon, pode ir na casa do seu amigo da Nestle. Não seria, talvez, muito inteligente se aparecesse numa foto tomando o sorvete concorrente.

Wellington não vestiu camisa rival, não fez qualquer menção a título ou gracinha com o clube dele. Apenas visitou um amigo que torce pro rival, algo que aliás, todo torcedor do Flu faz também e vice-versa.

São normais. Humanos.  Não escolhem amigos pelo time que torce. E se o fizerem, são completos imbecis.

Precisa isso tudo?

Será que a Fiat, quando fez uma brincadeira no dia dos namorados no facebook e teve 10 mil curtidas, 4 mil compartilhadas e 200 comentários negativos foi mesmo “rejeitada” pelo publico no que fez?

Estão dando importância demais pra meia duzia que quer criticar e através disso aparecer.  Quem gosta só volta, não necessariamente sai gritando que gostou.

Quem não gosta, quase sempre, grita.

É preciso aprender a ouvir o silêncio.

abs,
RicaPerrone