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Eu gosto desse cara

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Eu gosto desse cara

Brasileiro tem um certo nojo de pessoas ricas. Culturalmente nos ensinaram a procurar méritos no fracasso e sorte nos vencedores. Textor é um gringo rico, tinha tudo pra chegar aqui e na primeira fase ruim se render aos pedidos apaixonados de milhões de “azarados” que querem te dizer o que fazer.

A bola entrou. É verdade. Mas antes disso, ele agiu. E agiu de forma decisiva pra que o Botafogo hoje suporte a liderança, pressão e até pontue em jogos ruins.

Nem acredito que ele soubesse disso ou tenha identificado tão rapidamente. Mas seja por ouvir um alerta ou por ter notado sozinho, Textor pegou uma jóia vendida como bijuteria e colocou caixa da Tyffany, preço de Tyffani e recolocou na prateleira.

Maluco? Você, se não entendeu. Ele, não.

O que é essa camisa cheia de marca pequena? Tira todas.

Mas senhor! Precisamos pagar as contas.

Não. A conta não fecha. Se eu vender 10 patrocinadores pra marcas ruins a marca grande não entra no meio de jeito nenhum. Tira tudo.

E a marca de material esportivo? Paga bem?

Não.

Tira. Eu faço a camisa.

Mas senhor, vamos entrar em campo sem nada?

Sim, só com o manto alvinegro. Que se não tiver rendendo merchan vai estar, ao menos, lembrando o adversário contra quem ele vai jogar.

E assim o Botafogo entrou em campo como Botafogo. Com um belo gramado, um estádio preparado pro jogo, uma camisa limpa e um escudo que era ofuscado pela padaria da esquina que anunciava ali.

O que isso muda?

Fala sério. Você sonha em ter uma Ferrari, não em ter um Corsa. Quem vende Corsa vai vender só Corsa. Não existe loja de Corsa e Ferrari. O consumidor da Ferrari não entra nessa loja.

O do Corsa entra em ambas, mas numa delas só pra olhar.

O Botafogo é caro. É grande. É pra marcas famosas e do seu patamar. Ou você acha que entra na loja da Ferrari e compra um carro só com um RG? Não, lamento te informar, mas não. Ela escolhe pra quem vende.

O Botafogo é uma Ferrari? Não. Nem o Corsa vendido há decadas em parcelas sem juros numa loja suja e sem ter onde sentar.

E veja, porque é relevante: O Botafogo não está se fazendo de grande. Ele está apenas se enxergando como ele sempre deveria ter feito.

E com isso vem confiança, o azar se afasta, a bola entra, a torcida que ontem duvidava acredita.

O jogador que ontem jogava lá porque outro não quis agora está lá porque quer.

Foi preciso um gringo vir aqui pra dizer pro Botafogo que ele era o Botafogo.

Quem diria? Nelson Rodrigues se mataria com tamanha confirmação de nosso complexo de vira-latas. Mas também hoje não reconheceria o clube que ele citava romanticamente e brilhantemente como “azarado” e “pessimista”.

Enfim, Botafogo!

RicaPerrone