6×0

A paz de quem sabe o que faz

Enquanto alguns turbulentamente correm os riscos de uma revolução no futebol do clube, outros arriscam treinadores novos, reforços diversos e até  aposta na base.  Todos parecem saber o que estão fazendo até a primeira sequência sem vitórias.

Os estaduais não servem pra nada a não ser que você saiba o que está fazendo há algum tempo. Neste caso serve pra testar e lhe dar confiança e paz.

Alguns dos grandes crescem, a maioria só cumpre tabela. Raros são os que conseguem fazer uma campanha ruim nos decadentes estaduais. Mas é o risco que se tem ao ter que empurrar bêbado. Tá fácil, mas se ele não cair a pressão é toda em você.

O Grêmio tem padrão, uma linha clara de trabalho, um estilo de jogo e um esforço incomum para manter a base de um time incontestável.  Sobra.  Não porque tem mais time tecnicamente, mas porque tem paz.

O futebol apresentado é calmo, dá prazer, nenhuma dúvida e firma o time como protagonista, embora todo ano parte da mídia só consiga olhar pra dois ou três.

A vitória de hoje não diz nada, mas representa tudo. É fácil, natural, uma consequência não forçada de um trabalho que não começou no dia 3 de janeiro.

Talvez falte o glamour de um patrocinador, um elenco recheado ou a chegada de estrelas. Talvez seja apenas bairrismo. Mas o Grêmio começa o ano como passou os últimos 2: sabendo o que está fazendo.

RicaPerrone

Os maiores também em Olimpíadas!

E o futebol nos consegue mais uma medalha. Será a sexta, e pasmem, o Brasil se torna o maior medalhista olímpico no futebol em todos os tempos.

Falta o ouro. Mas o nosso “fracasso”, o nosso “trauma”,  é ser o maior medalhista em olimpiadas.

É inacreditável a força do futebol brasileiro e nota-se isso quando a referência de algo ruim lidera estatísticas.  Não é bom a falta do título, mas com eles ignoraremos essa dificuldade e seremos apenas os que tem mais medalhas.

O time acordou, se divertiu, brigou, foi Brasil.

Lá estamos. Falta um.

Chegou o dia?

Nunca precisamos tanto de uma medalha de ouro como precisamos dessa. E o que era um torneio “amador” de pouca importância se torna uma grande chance de respirarmos e tocarmos em frente com o nosso maior orgulho: o futebol.

Que assim seja.

abs,
RicaPerrone

A bola de neve

O São Paulo é um clube muito difícil de diagnosticar e entender. Por um lado é enorme, por outro é um time que tem pouquissima pressão.  De alguma forma é um time de muita torcida, mas não tem uma torcida de massa.

Tem em seus ídolos os mais diferentes perfis. E seu momento de futebol não é o domingo a tarde, mas sim a quarta-feira a noite contra um time internacional.  Esse é o jogo do sãopaulino. É disso que ele vive, é por isso que ele espera.

Diga a um tricolor que está “fora da Libertadores” e ouvirá que “acabou o ano”.  Ninguém gosta mais de Libertadores do que o torcedor do São Paulo.

E quando um time em fase detestável vence por goleada uma partida importante, você tem duas direções:  ou o Trujillanos é um time inferior aos do estadual, onde o SPFC encontra dificuldade jogo a jogo, ou a bola de neve vai girar pro outro lado.

Boca! Pensem no Boca.  Quando ele passa de fase na Libertadores ninguém avalia os 11, apenas pensa: “é o Boca”.  Isso acontece na América toda com relação ao São Paulo.  Um time que jogou 15 pra chegar a final de 6 Libertadores assusta qualquer um. E quando esse time dá qualquer indício de reação, sendo num meio de semana a noite contra times internacionais, implica num estádio cheio na semana seguinte.

E dessa vez, pra valer. E se valer, será contra um River e não um coitado qualquer. E então, ali, unidos, podem sair do Morumbi a mais pesada camisa do país no cenário sulamericano e sua torcida. Num ritual sagrado de toda quarta-feira até que a taça os consagre.

Acredito? Não.  Duvido? Menos ainda.

É o São Paulo.  Favor respeitar.

abs,
RicaPerrone

Desrespeitoso

É constrangedor.  Chega a ser desnecessário.  Que mais críticas o vascaíno pode ler para aliviar sua raiva ou para representa-lo em maior escala?

Há ainda algo a ser dito?

E o Colorado que jogou em ritmo de treino, chutou 8 bolas no gol  e venceu por 6×0? Cabe os elogios da goleada ou seriam como iludir o torcedor com um resultado atípico?

Qual o parâmetro para se avaliar tudo isso? O Vasco tosco que joga o  Brasileiro como que por masoquismo, ou o da Copa do Brasil que fez questão de eliminar o rival?

Esse Vasco é candidato a título Brasileiro. Só que de 2005. Do Eurico ao ponta esquerda, o time é muito bom se fosse 10 ou 15 anos atrás. Hoje, é cansado, desmotivado, já consagrado individualmente e que não vai individualizar o rebaixamento. Ou seja, foda-se.

6×0? Assim, como se fosse treino?

O respeito talvez não seja mais um assunto de fora pra dentro. Talvez seja hora de questionar o respeito que estes jogadores tem pelo Vasco.  Tanto quanto Eurico e sua turma, ninguém apanha assim dando seu melhor, sendo eles quem são.

Seja pra um 2016 melhor ou pra tentar um milagre, é caso pra dispensar 80% do time.  Porque se for pra cair, que caia correndo atrás e não assistindo o adversário treinar.

abs,
RicaPerrone