Botafogo

A graça e a burrice

Sabe quem vai ganhar a próxima Libertadores? Um brasileiro. E quem sabe, faço votos, seja o seu time. E sabe o que vai acontecer se 95% de nós achar engraçado o que fizeram com o Botafogo por mero clubismo? Vão tirar o seu ano que vem.

É inaceitável. É tosco. É covarde. É a cara da CBF do Ednaldo e da Conmebol atual permitir que o futebol sulamericano não apenas jogue uma partida a mais pra aliviar pro europeu como isso seja feito após 70 jogos no ano, uma sequencia de decisões, um voo de 20h sem executiva e 3 dias após uma decisão.

Não é possível que a gente não entenda que isso é um crime contra os nossos e que ano que vem será o seu. É muita burrice ignorar esse fato pra ser a próxima vítima.

Passou da hora de rir, zoar, mas entender que, numa manifestação pública temos que nos opor. O sentimento de “está tudo bem” pra esses dirigentes de merda não pode existir simplesmente porque não está.

A seleção está fodida, o nosso futebol é um destruidor de projetos, o calendário é um caos (conforme vídeo que mostrei no canal) e a Conmebol insiste em absurdos como a final única em continente desse tamanho e sem estrutura.

O “nosso futebol” foi tomado de assalto na nossa cara e estamos rindo de quem perdeu mais dinheiro na última leva.

Estamos de 4 pra um bando de engravatado que, aposto, nunca frequentou arquibancada mas não faltou a uma aulinha de marketing esportivo. São pilotos de flight simulator pilotando o seu avião e você está rindo dentro dele ignorando os perigos.

O Botafogo viveu hoje a mais forte consequencia da puta que estão fazendo conosco. E talvez seja mais engraçado do que preocupante. Mas a piada acaba amanhã. A Libertadores de 2025 começa em fevereiro. E em dezembro é você quem vai chorar.

O Brasil é um mendigo esfaqueado rindo do mendigo ao lado porque ele tomou uma facada a mais.

Rica Perrone

Vendidos!

Teimoso é aquele que vê algo acontecer 10 vezes na frente dele e ainda discute como aquilo funciona. O que assiste por 130 anos já ultrapassa esse limite e se torna burro mesmo.

Futebol é cíclico. Sempre foi. Sempre será.

Todo ano tem alguém pra dizer que “daqui pra frente será assim”, e todo ano tem alguém pra ter que explicar que “veja bem”. Não tem “veja bem”, tem lógica.

Time grande não precisa ser refeito. Acerte 11 e um treinador e você está no topo. O impossível no futebol é comprar história, tradição, paixão, gente, poder e grandeza. Quando se tem isso você está sempre a 11 jogadores da glória. Quando não se tem você está a tudo que não se compra dela.

Ver o Botafogo campeão de novo é mais do que um simples investimento. Tivemos dezenas de investimentos enormes no Brasil e a maioria deles não deu em nada porque foi mal feito. Quando você investe de baixo pra cima e numa camisa já pesada e de torcida você tende a vencer.

A vitória do Botafogo é a mesma vitória de 1968.

Naquele momento o futebol brasileiro se moldava a um estilo, criava sua identidade e direcionava gerações até o crime de 1986, onde Telê Santana foi crucificado por preferir jogar futebol do que ganhar a qualquer custo.

Em 2024 o Botafogo novamente da as cartas e mostra pro futebol brasileiro o caminho da nova era: SAF.

“Ah mas o time foi vendido não existe mais!”, diz o otário que em 5 anos vai ter que torcer por um time que não existe mais segundo ele mesmo.

Qual a diferença entre ser vendido e ajudado por movimentos políticos ou corruptos para se manter vivo? Eu lhe digo: a venda é honesta e clara.

Manter um clube corrupto por natureza não é um ato de resistência mas sim de burrice. O clube que hoje não buscar uma SAF é apenas uma estatal onde muita gente gasta o dinheiro dos outros rindo da sua cara.

O Botafogo não se vendeu. Vende-se aquele que precisa de 5 deputados pra conseguir o que quer. Vende-se quem precisa de esqueminha com a emissora pra vender um patrocinador. Vende-se aquele que pega empréstimos que serão pagos sabe-se lá por quem daqui sabe-se lá quantos anos.

A dívida do Botafogo tem nome, sobrenome e endereço de cobrança. E a sua? Quem vai pagar, se pagar, e quando?

Resistir a SAF não é exatamente saudosismo ou romantismo. É não entender que num país corrupto por natureza qualquer tentativa de coletivizar uma administração vai virar um cabide de empregos, esquemas e oba-oba.

O Botafogo não se vendeu. O Botafogo foi o primeiro, por necessidade é claro, a abrir as portas pro novo futebol brasileiro. E por necessidade ou não, como em 1968, lá está o Fogão pegando a caneta e dando direção ao nosso futebol.

Emblemático. Imaginem o quão triste seria ver o futebol brasileiro mudar de rumo graças a um título do Red Bull, de vermelho, sem torcida, sem identidade e sem festa segunda-feira. Tinha que ser pela mistura do dinheiro com a tradição. Tinha que ser via Botafogo.

Me orgulho de ter escrito há 13 anos: “O Botafogo será o primeiro clube a falir e vender. E será o primeiro a reerguer nosso futebol através disso”. Não era difícil a conta. O primeiro a ser vendido seria um clube em maior dificuldade financeira. E aconteceu o que eu imaginava. Inclusive em campo.

Vai haver SAF ruim. Como gestões ruins acontecem em toda parte. O ponto simples é que quando for SAF dá pra repassar. E a dívida tem dono, logo, é mais fácil ser paga do que virar um esquemão em Brasília pra sair do teu bolso.

O próximo passo é termos 8 dos 12 grandes com donos. Nesse dia eles vão se sentar a mesa e discutir como melhorar o bolo e não mais quem vai ter a maior fatia de um bolo pequeno e ruim.

E tudo isso, daqui 100 anos, será contado, de novo, via Botafogo.

Sinceramente, o título em si é menor do que o recado. O Fogão fez história e um dia vocês saberão que o campo foi só pra confirmar pros resultadistas o óbvio.

Sempre foi tempo de Botafogo.

RicaPerrone

Eu queria ser botafoguense

Eu pensei em 200 temas pra esse texto. É minha primeira vez, tô um pouco nervoso. São 27 anos de carreira, 46 de amor absoluto e descontrolado por futebol. E nesse tempo todo eu só não escrevi ou falei sobre um grande título seu.

Eu me acostumei com seu pessimismo, com suas derrotas e sua frustração. Me adaptei a ter que te compreender quando não estava presente ou quando duvidava do impossível sem notar que o que chamo de “absurdo” você chama de rotina.

Eu senti, algum dia, pena de você, botafoguense.

E nessas últimas semanas eu entendi que não era pena, mas sim respeito por nunca ter sido testado como você. Meu amor é fácil, sempre foi. Nunca foi colocado a prova.

E depois de tudo que esses 130 anos registraram criando frases como “as coisas que só acontecem com você”, você me surpreendeu.

Porque eu esperava tudo do Botafogo, até mesmo o título. Mas eu não esperava que vocês fossem busca-lo. Achei que era um estágio da relação onde, talvez, se te trouxessem na porta de casa, vocês considerariam repensar.

E quando foi colocado a venda os ingressos eu fui um dos que não entendi muito bem o que estava sendo dito. Esgotados? O Botafogo? Porque? Como? Não é racional e nem instintivo investir de novo com tanta perda e tanta dor.

Os dias foram passando, os botafoguenses foram surgindo de bueiros e tomando a América, literalmente. Caceta, eles vão se expor de novo? E dessa vez em maioria? Porque?

Me senti entre o bom senso e a inveja. Por bom senso eu não faria loucuras por um clube que me frustrou tanto. Mas eu invejo imensamente quem agora está abraçado ao seu pai comemorando o que os dois acharam que não veriam juntos. Porra, tua Libertadores foi mais comemorada que as minhas.

Você tem duas formas de “vencer” uma briga. Ou você bate ou você apanha até o limite e se levanta pedindo mais um round. Os dois impressionam.

A toalha já foi jogada no ringue e você sempre chutou ela de volta. Já acabou, sai daí! Você vai se machucar, porra.

E você ficou. Burro, louco, masoquista, sei lá eu que porra é essa.

De onde vocês tiraram fé pra tomar a Libertadores de assalto? Porque foi isso. Vocês ganharam há 20 dias quando deixaram claro quem era o favorito e quem era o azarão. Vocês invadiram outro país, ignoraram os fatos e foram otimistas, sortudos, maioria…

Cadê meu Botafogo?

E agora eu não encontro palavras porque nunca as treinei. Passei 90 minutos olhando pra TV procurando o herói do jogo, o lance, a história pra contar. E nada, nem mesmo o monstruoso Luiz Henrique, me impressionou mais do que você.

A covardia me revolta. O que a vida faz com o botafoguense é covardia.

Precisava expulsar aos 30 segundos? Precisava. Porque você tinha que exorcizar o fantasma do “vai perder de novo”.

Precisava o gol do Galo no tranquilo 2×0? Precisava. Pra você confirmar que nem todo contratempo vai virar uma derrota sempre.

Precisava do gol no final? Sim, pra você ver que nem sempre será com o seu goleiro no chão.

O título do Botafogo teve vinte e poucos coadjuvantes e milhões de protagonistas.

Tendo a procurar quem te deu o título da Libertadores. Mas pra ser justo de verdade, “jogadores vem e vão”, e quem ficou foi você.

Cara, eu nem te conheço. Nem sei como você veio parar aqui nesse blog hoje. Mas saiba que te admiro, te respeito e de certa forma te invejo. Meu amor é frágil perto do seu embora seja também incondicional.

Mas nunca me deram condições pra testa-lo. Você teve todas, as mais dificeis, e agora “vai festejar”. Nao o meu sofrer ou penar, mas a sua impressionante capacidade de suportar o que talvez outros também suportariam. Mas que ninguém pode afirmar, só você.

Hoje eu queria ser botafoguense.

Parabéns. Vivam o melhor e mais justo dia de vossas vidas.

Rica Perrone

Negar os fatos não os altera

Vitória enorme do Fogão ontem e com ela a volta da euforia e confiança. Normal, justo, qualquer um reagiria assim.

Mas negar fatos pra comprar discurso de “contra tudo e todos” usado por 100% dos clubes envolvendo torcedores na narrativa mais fácil e vazia do mundo é um tanto quanto perigoso as vésperas de novos fatos.

Se um raio cair 10 vezes no mesmo lugar é tolo alguém dizer, numa chuva qualquer, que “chupa! Hoje não caiu”.

Nunca ninguém vai achar que todo raio vai cair ali, mas sim que cai mais do que na média. O que é fato. Brigar com fatos costuma dar errado. E os fatos dizem que sim, o Botafogo tem um fantasma histórico em decidir grandes jogos. Qualquer pessoa que tente desmentir isso ou dizer que é criação da imprensa pra perseguir o clube é um tremendo maluco.

Não se briga com fatos. Se trabalha pra mudar os próximos quando eles são desagradáveis. Ignorar os problemas não os resolve. A chuva de revolta contra a verdade absoluta da falta de poder de decisão histórica do Botafogo ontem nas redes sociais é um misto de paixão, overdose pós jogo e burrice.

Respeito as 3. São involuntárias. Mas por não sofrer da última preciso refuta-la.

Sim, o Botafogo perdeu 6 pontos que não deveria ter perdido nas partidas contra Criciuma, Vitoria e Cuiabá em casa. Sim, o Botafogo toma gols no fim que os levam a situações incomuns, mesmo quando consegue vencer. Sim, o Botafogo está há decadas sem ganhar nada e parte disso está na falta de capacidade de decisão.

Todos os fatos citados acima são indiscutíveis. Como bem disse, são fatos e não ideias.

Você pode brigar contra eles, mas nega-los é uma loucura e, pior, um passo para mante-los. Ontem o Fogão conquistou uma vitória grandiosa. A “burrice” entra aí. Na hora que você dobra a aposta e cria um cenário de vida ou morte.

Porque, veja, seria uma pipocada perder pro Inter no Beira Rio ou uma final de Libertadores? Não, nunca. Pro Botafogo, será. Porque? Porque o torcedor vai do inferno de assumir as “pipocadas” num dia pra euforia de peitar o mundo com os “cade a pipoca filhas da puta” do dia seguinte.

Todo botafoguense sabe e convive com o fato do clube ser, historicamente, um perdedor de jogos improváveis. Toda vez que o Botafogo vence um jogo difícil ao invés de seguir o ritmo pra conquista parte da torcida joga um “all in” na base da teoria fácil, pobre e vazia do “contra tudo e todos” e pressiona o próprio time a não repetir a história.

Adivinha quem fica mais vulnerável e pressionado? O proprio Botafogo.

O pessimismo não é menos impactante no clube do que a obrigação de ganhar ou ser um vexame. E toda vez que essa briga vem a tona o botafoguense coloca o clube entre a glória e o vexame, sem a naturalidade da derrota que cabe a todos.

A briga do Botafogo é contra ele mesmo. Toda vez que ele joga essa briga pra fora ele perde porque torna uma decisão num risco de vexame e não de derrota.

Embora não seja o caso, o botafoguense já conseguiu elevar as duas decisões para caso de glória ou vexame tamanha insistência em criar uma narrativa de perseguição global que por obviedade não existe. Ao contrário, existem até rivais torcendo a favor tamanho o periodo sem competitividade.

Se “contra tudo e contra todos” é uma frase feita que os agrada, que tal incluir-se no todos? O Botafogo joga contra um adversário, a história, os rótulos adquiridos por ele mesmo e também contra o céu e inferno que a própria torcida o coloca toda vez que a bola entra.

Se sábado não der certo, embora qualquer análise honesta leve a um resultado normal, será taxado como “pipoca” e “vexame”. E muito disso é sustentado por essa briga burra contra “tudo e todos” quando na verdade o maior adversário do Botafogo sempre foi ele mesmo.

Se os fatos e a história o pressiona, não crie mais um empecilho pra essa decisão. É o melhor Botafogo de décadas. Mas ainda assim é um jogo, tem 11 do outro lado e a bola é teimosa e cheia de vontade própria.

Não haverá “vexame”. É contra o Galo em jogo único e o Inter lá. Pode haver glória, isso sim. O que não faz dos fatos anteriores mentira. Apenas história.

RicaPerrone

Só Nelson

Eu posso tentar mas falharei miseravelmente. Não há palavras pra descrever o que sente um não botafoguense ao tentar entender o que eles passam.

Talvez, fosse eu um torcedor que pouco ligo pra futebol, sugeriria abandonar o barco. Sabendo da impossibilidade natural do ser humano em trocar de time, tento compreender o que eles vivem, como absorvem, do que se alimentam e o quanto mereciam um título grandioso.

Entender um botafoguense é uma missão pra Nelson Rodrigues. Só ele seria capaz de explicar em palavras dignas o que nós, não botafoguenses, entendemos ao olhar aquela gente.

É um misto de “coitadinho” com “esse eu respeito”. Coitado porque sofre mais do que todo mundo, indiscutivelmente. E “respeito” porque tem que ser muito ponta firme pra estar ali ano após ano com tantas frustrações.

E não, eu não acho que já era ou sequer que vá gerar problemas o jogo de hoje. O Botafogo jogou bem. Mas pelas minhas contas em um ano, contando apenas Brasileirão, o Botafogo perdeu ou sofreu empate em 8 jogos após os 85 minutos.

Nenhum clube do mundo proporciona isso a sua gente. E se for proporcional na hora de vencer, em breve veremos a maior conquista de todas porque pra pagar tudo que eles sofrem só mesmo com um Mundial com 3×0 na final dando olé no Real Madrid.

Parece um deboche. Como se pudesse ser pensado e calculado a interrupção da alegria com a mais frustrante bola na área que ninguém sabe de onde veio mas pode apostar pra onde ela vai. Se for contra o Botafogo, no finalzinho, vai lá dentro.

Eu gosto do Botafogo. Não sei se porque consigo sentir de longe a necessidade dessa gente em revê-lo gigantesco ou se por mera gratidão desportiva pelo que somos hoje como “futebol brasileiro”. Talvez um pouco dos dois.

No final das contas o botafoguense deve ser aquele cara que aposta tudo em algo que ele mesmo é capaz de apostar que não vai dar certo. Ou seja, “louco”.

Hoje foi mais um “Botafogo day”. Daqueles amargos, inacreditáveis, broxantes, aterrorizantes que trazem o passado a tona.

Mas a fé dessa gente é tão inexplicável, tão sem sentido, justificativa ou conserto que eu sou capaz de apostar, ainda que eu mesmo duvide, que o título do Fogão virá em breve e com um gol no final, assim como os tantos que ele perdeu dessa forma.

Só de sacanagem.

Rica Perrone

Deixem o Botafogo em paz

Quando falido, cheio de dívidas e nas mãos de quem não responderia por nenhum roubo, pouco se falava.

Um dia o Botafogo faz o que parte da imprensa tem pavor por ideal: privatiza. Vira capitalista malvadão, deixa o controle nas mãos de um rico e não mais de uma fofa turma de apaixonados que não sabe o que fazer.

Pronto. Como assim? Que putaria é essa?

Será que o dinheiro vai dar? E se acabar? É responsável? Ai, ai ai! Qual será o passado do Textor?

Logo você, imprensa? Logo você que ignorou o passado mais abominável de todos por ideologia?

É um pavor de liberdade que me dá medo. É uma mania de cuidar do dinheiro dos outros que me dá nervoso. E pior: uma mania de discutir o que não sabe que dá raiva.

Qual jornalista aí tem empresa? Geriu alguma

coisa? Do que cêis tão falando, nego?

O dinheiro é do cara, o clube é do cara. Agora, pela primeira vez, se ele quebrar, alguém paga por isso.

Paixão estranha por estatais. Nunca vi gostar tanto de esquema, cabide de emprego e dinheiro público.

Agora tem um dono. Como a empresa que você trabalha. E se você não receber, sabe como cobrar. Não acha bom isso?

Um “novo bicheiro”, voces tão de sacanagem. Enquanto o UOL e outros procuram algo pra justificar que um homem rico não pode ter ficado rico e ser honesto, segue o Botafogo entre erros e acertos subindo a ladeira e comprando quem ele quer.

Não é só pelo conceito, também é pela razão. Ninguém quer ter que engolir um clube que foi dado como falido por muita gente que só olha resultado e planilha como protagonista do dia pra noite.

Mas é isso. Aceita, curte, ou morre atirando pra

tentar atrasar os caras.

O futebol brasileiro é tão burro que quando surge um modelo eficiente que começa a dar uma idéia de caminho pra sairmos do mar de mediocridade que navegamos ele é mais questionado do que os meios comuns de corrupção na nossa cara dentro do esporte.

Eu lá quero saber se o Textor é fofo ou um escroto? Ele não vai ser meu genro, vai gerir um clube. Se ele está legal, comprou com dinheiro dele, ele que brinque de Elifoot quanto quiser, desde que esteja ganhando.

Nunca se fez 10% do malabarismo pra questiona-lo quando clubes de massa absolutamente quebrados e devendo salário pra jogador de 10 anos atrás comprava um craque que não podia pagar.

Porque o Botafogo, com dinheiro que não é do sócio, não pode?

“Veja bem, o ponto é o passado do Textor”, disse Joel, editor do UOL que fez campanha pro Lula.

RicaPerrone

Classificação Planejada 2024

A classificação planejada consiste numa ideia simples retirada do conceito dos proprios treinadores ao planejar o campeonato. Em busca de aproximadamente 72 pontos para brigar por título, cada clube faz as contas onde pode ou não perder pontos. E então se planeja estar com X na rodada X sabendo que nas próximas haverá confronto mais fácil ou mais difícil.

Exemplo prático da planejada: O time que tem 10 pontos e enfrentou Gremio, Corinthians, Palmeiras e Galo fora de casa não tem os mesmos 10 pontos de quem enfrentou Cuiabá, Criciuma e Goianiense. É isso que a planejada indica.

Ela não faz previsões, uma planilha não tem relação com a do outro time, e nada do que está ali é um palpite. Apenas a dificuldade do caminho em cada momento do campeonato.

Dito isso, as dúvidas mais comuns são:

– Todos os times, se cumprissem os pontos sugeridos, chegariam a 72 pontos.
– Alguns times podem perder clássicos, outros não. Isso porque alguns tem 2 clássicos por ano, outros 6.
– “Ah mas se meu time perder um jogo que era pra ganhar, ja era?” Não. Você calcula por outro jogo que “não era pra ganhar” e equilibra. Compensa.
– Eu não entendi! Facilitando: O importante não é seguir a risca os resultados. É chegar a rodada X perto ou com mais dos pontos planejados pra rodada X. O percentual diz o quanto seu time fez de pontos perto do que DEVERIA ter feito até aqui para brigar pelos 72 pontos. Só isso.

Saldo de compra e venda dos últimos 10 anos

Nos últimos 10 anos os grandes clubes do Brasil alternaram momentos. Alguns em profunda crise, outros nadando em ouro, mas todos ainda tendo nas receitas de jovens uma grande parte do seu faturamento.

E portanto, considerando as temporadas 14/15 até a 23/24, fizemos um balanço de acordo com os dados do Transfermark sobre o fluxo de compra e venda de jogadores de cada um dos 12 grandes.

Claro que existem salários, luvas, “compras” sem repasse ao ex-clube por fim de contrato. Mas aqui consta apenas o que é valor final e oficial.

Quanto seu clube comprou e vendeu nos últimos 10 anos?

Algumas curiosidades sobre:

  • O Fluxo de compra e venda do Grêmio, somado a resultados, nos últimos 10 anos é muito bom.
  • O Fluminense segue vendendo suas jóias e comprando pouco tendo recentemente conquistado títulos em 2023.
  • O Flamengo é uma máquina de ganhar e gastar.
  • O Botafogo tem uma divisão de base terrível. Não gera quase nada ao clube.
  • O investimento do Vasco foi quase todo feito em 22/23.
  • A temporada de maior gasto foi a do Flamengo de 19/20, com 250 milhões em contratações.
  • A maior janela de vendas também foi do Flamengo em 18/19 com 483 milhões de reais.
  • Nenhum dos 12 grandes comprou mais do que vendeu no saldo dos últimos 10 anos.

Rica Perrone

O botafoguense é um herói

Eu já tive pena de torcidas pelos mais diversos motivos. As vezes eles fazem festas lindas, viajam pra longe, apoiam o inacreditável e perdem.

Já fui parte disso em alguns momentos que meu time não mereceu perder. Mas eu nunca tinha visto em 45 anos um clube fazer com seu torcedor o que o Botafogo está fazendo com o botafoguense.

Fosse rebaixado seria menos doloroso. Ao menos seria por etapas. Hoje ele estaria apenas rezando como diversas vezes o fez esperando pelo pior.

Mas não. Não satisfeito com anos sem trégua de sofrimento eles deram ao torcedor o sonho impossível de ganhar o Brasileirão. E não era mais um sonho. Em determinado momento era um fato.

E aí, embora houvesse como perder, nem o mais pessimista de todos eles assinaria tal roteiro.

Não há flamenguista no mundo que pudesse ser tão cruel quanto os fatos. O que o botafoguense vive hoje é uma espécie de experimento social inédito para conhecer os limites do amor.

O termo “incondicional” vai ser rebatizado. Você me ama? Sim? Muito? Sim. Tipo um botafoguense?

Namoradas terão esse diálogo com seus dignissimos. Porque de fato não há amor que suporte relacionamento tão tóxico, pra usar termos modernos lacrantes.

Nunca vou ter pena do Botafogo. É um dos maiores clubes da história do futebol e não merece a pena de ninguém. Mas o que o botafoguense está vivendo desde o intervalo contra o Palmeiras é o mais cinematográfico processo de tortura psicologica que o futebol já proporcionou a alguem.

Sempre no fim. Sempre com tudo nas mãos. Sempre quando a esperança volta.

Parece sacanagem. E as vezes é tão absurdo, mas tão absurdo, que ainda acho que o Botafogo será campeão pra compensar tudo isso.

Mas não vai. Embora tivesse a obrigação de ser.

Se um dia a vida quiser devolver a altura pro botafoguense toda sua devoção terá que lhe entregar o maior título da história de um clube brasileiro em todos os tempos. E ainda assim ficará devendo.

Eu sinto pena do botafoguense hoje. E uma admiração absurda por aqueles que não vão abandonar e viver tudo de novo em 2024.

RicaPerrone