Os novos tempos são piores que o futebol brasileiro já viveu. Some o imediatismo da nova geração ao quão mimado ficou o torcedor e teremos uma explicação pro que estamos assistindo.
Em 2026, ainda em maio, já vimos de tudo. Tite e Roger entrarem nos empregos demitidos até de fato serem.
Abel sendo xingado lider do campeonato. Crise no Fluminense, terceiro colocado. Renato levando copo da torcida após 2 derrotas.
Alguém – sabemos quem – enfiou na cabeça do torcedor que o futebol é um jogo de FIFA Soccer e que o treinador comanda 11 bonecos do controle remoto e tudo que acontecer foi responsabilidade dele.
Os jogadores, coitados, além da pressão normal agora sofrem ameaças em casa.
E muitas das pessoas que promovem isso são os que fazem discurso contra quando acontece. Na real é um grande circo.
O clube concorda com um calendário onde ninguém treina e todo mundo se machuca. A torcida compra a idéia que os 12 grandes tem que ser campeão na mesma medida em que entendem que times de menor investimento não podem vencer o time deles.
Ué?
E o jogador, que cada dia mais quer sair do Brasil, agora é ameaçado em casa, condominio fechado, com comentários na internet do tipo “mereceu! É isso ai mesmo”.
O ponto aqui não são os casos específicos. Mas sim a óbvia semelhança entre eles. E portanto, há um novo padrão. Ele precisa ser identificado.
Querer ganhar sempre todos quiseram. Cobrar e ser cego apaixonado idem. Mas chegar ao ponto quase neurotico que estão chegando com tamanha facilidade é novidade pra mim.
Primeiro isentam os dirigentes de vender 200 jogos ruins pra fazer um dinheiro urgente e administra-lo de forma irresponsável pra no ano que vem vender 230 jogos pra pagar a dívida.
Depois cobram do time que não tem uma semana de treino que ele evolua. Isso quando não sobra pro preparador físico as contusões num cenário caótico de viagens, cobranças e jogos.
Os verdadeiros responsaveis pelo caos estão se blindando na cegueira do torcedor em achar que a responsabilidade é do treinador. Ou você realmente acha, agora que são 50% gringos, que todos são ruins?
Antes era a ladainha do “treinador brasileiro”. Pois trocamos. Agora são muitos gringos. O que mudou? Nada.
Os times mais fortes ganham com gringos ou com brasileiros. Os mais turbulentos demitem a cada 4 meses e os menores optam por surpreender mantendo trabalho pela falta de pressão.
Estamos andando em circulos. Nós, pelas viagens, calor e distância, deveriamos jogar MENOS do que na Europa. Jogamos bem mais do que eles.
Aí você precisa se responder ao óbvio; Será que TODOS os treinadores que pisam no Brasil emburrecem ou será que o formato não possibilita ninguém jogar o que você espera?
Tá fácil. Mais fácil do que isso só derrubar 2 por semana.
Rica Perrone
