Critério simples: Ser campeão dá 200 pontos. Ser vice dá 80, pela lógica simples de que dois vices não valem um título a ninguém. 30 e 20 pontos para terceiro e quarto respectivamente.

Critério simples: Ser campeão dá 200 pontos. Ser vice dá 80, pela lógica simples de que dois vices não valem um título a ninguém. 30 e 20 pontos para terceiro e quarto respectivamente.


Neymar é o brasileiro da vez a ser massacrado após uma Copa que não vencemos. É um enredo chato, bobo, repetitivo e previsível de um povo apaixonado pelo fracasso e que torce contra pelo prazer de ver seu fracasso nivelado aos dos demais.
Nada novo.
A questão é o que nosso melhor jogador fará com isso em 4 anos. Dunga pegou todo o absurdo que a mídia fez com ele em 1990 e transformou em raiva e foco para em 1994 poder ver as mesmas carinhas de merda do massacre tendo que aplaudi-lo.
Outros se afundaram e sumiram. Outros brigaram contra o impossível até serem destruidos. Neymar é bem assessorado, tem pai e mãe, equipe, e provavelmente vai ouvir onde errou e onde acertou sem doses de fanatismo nem ódio.
Cai muito e faz de cada queda uma cena maior do que é. Fato. Mas faz porque foi orientado a cair pra não se machucar. É o jogador que mais apanha no mundo, disparado. Só na Copa apanhou o dobro do segundo colocado até onde foi.
Provoca, chama, prende e adora o protagonismo. Características dos polêmicos, mas também da maioria dos campeões. Campeão ele já é de quase tudo, e não dá pra dizer que não funciona seu estilo. Não estamos falando de um moleque de 16 anos começando. É de um “moleque” de 26, mas consagrado, campeão e um dos melhores do mundo.
Foi o jogador que mais tentou o gol na Copa. Estatística da FIFA. Parou nas quartas, e se não acertou em todas, foi quem mais tentou e pediu o jogo.
Talvez Neymar seja um meme pra você. Talvez você leia matérias estúpidas sobre a relação dele no vestiário do PSG de jornalistas que sequer conhecem Paris e leve a sério. Talvez você veja os fatos.
Fato é que Neymar foi pra Copa machucado, sem ritmo e inseguro. Tentou ainda assim ser o cara da seleção e foi num dos jogos. No que perdemos, deu o gol mais feito do jogo pro Coutinho em lance individual dele.
Mal? Não. Apenas não no seu nível. E seu nível é de outro planeta.
Tem 4 anos pro Neymar engolir, transformar o deboche em raiva e a raiva em foco. E em 2022 olhar pra todos como quase sempre olhou pra quem desconfiou dele até hoje por onde passou.
Neymar é um sucesso na seleção. Perto de recordes aos 26 anos, artilheiro do time, dono da 10, resolvendo olimpíadas e Copa das confederações, jogando uma Copa machucado e a outra saindo contundido até onde íamos bem.
Você vê Neymar como quiser. O importante é como ele verá tudo isso. E se ver bem, aceitando os erros e ignorando a quantidade absurda de críticas vazias, teremos um time ainda mais favorito em 2022.
Esse país massacrou Zagallo, Zico, Falcão… Acho que não é exatamente um bom pilar de credibilidade a fonte do massacre contra Neymar.
É só mais do Brasil que não funciona explicando porque nunca vai funcionar.
abs,
RicaPerrone

Sim, é quase o time da França. Mas não é difícil entender os motivos. Numa Copa nivelada e fraca tecnicamente, sobram os mais competentes. E a França foi disparado o time mais competente da Copa.

Poucas vezes concordei tanto com um campeão quanto na Copa de 2018. Se a França irritou a Bélgica por ter se fechado e não buscado o gol, a mesma Bélgica devia se lembrar que chegou as semi exatamente por ter feito isso 4 dias antes.
A França não tem tesão em fazer gols. É nítido que ela faz o que precisa, mas é impressionante a facilidade com que ela fez o que era preciso.
Era precisar de um gol e eles faziam. Em todos os jogos foi assim, dando a nítida impressão do primeiro ao último jogo que a França estava apenas cumprindo um cronograma para erguer a taça.
Quase todos os seus jogadores foram muito bem. Especialmente Umtiti e Mbappe, por motivos diferentes. Enquanto o zagueiro se matava pra brigar por cada bola o atacante dava o toque genial de quem sabia quando aparecer.
Dizem que o craque de hoje em dia é o Modric, porque joga pro time os 90 minutos. Eu lhes digo que esse é fundamental! Mas craque, o que resolve, é o que resolve. Não o que dá suporte.
A importância é discutível. Mas o prêmio, pra mim, não.
O craque da Copa é o Mbappe porque quando precisou resolveu. Outro jogador qualquer pode ter feito ótima Copa, até mesmo o Griezmann, mas craque na Rússia eu só vi um terminar a Copa. Se dessa história formos contar daqui 30 anos quem fez a Copa de 2018 aposto meu braço que não será a incrível história de Modric que seu filho ouvirá na mesa do jantar. Mas sim a do Mbappe.
A França fez o que quis, quando quis, e ganhou com uma propriedade assustadora. Sem ser brilhante, porque o futebol hoje praticamente pune o brilhantismo e brinda o pragmatismo.
Vide Croácia, que com sua bela história de superação chegou a final com um glamour inexistente. Não venceu nenhum dos 4 jogos de mata-mata, e d0is deles foram contra inexpressivas Russia e Dinamarca.
Não há nada demais na Croácia além de uma história legal pra contar de um time surpreendente e que chegou na base do chaveamento e do “deus me livre”.
O time é a França. Os melhores jogadores idem. E hoje o vice, como previmos quando saiu o chaveamento das oitavas, era só uma mera questão de figuração. Do lado de lá não tinha nada. E a França nem fez esforço para golear o melhor de lá.
Campeã incontestável. Vice de bela história. Copa de pouca técnica, nenhuma novidade, raríssima genialidade e muito pragmatismo.
Foi o que a Russia nos deu.
abs,
RicaPerrone
Conforme previsto por qualquer pessoa de bom senso, a Copa flertava com uma zebra. Nas semi, havia duas. Na final, uma delas chegou. A Croácia é a “surpresa” que aproveitou o chaveamento para fazer história.
Se não temos das 32 seleções nenhuma que tenha enchido os olhos, temos uma imagem para guardar dessa Copa fraca e nivelada por baixo: o final do jogo desta quarta-feira.
Croatas não carregam a irreverência brasileira, mas conseguiram sem a bola fazer o que ninguém ainda fez na Copa: encantar pessoas.
A entrada das crianças no gramado vestidas com as camisas dos pais e comemorando com eles a classificação é, sem dúvida, a imagem da Copa.
E se foi no perrengue é porque é isso que dá pra fazer. Não falamos aqui de uma seleção favorita que deveria jogar um grande futebol. Falamos da zebra. E a ela toda forma de chegar é aceitável.
Melhores que a Inglaterra, que parecem não conseguir evoluir nada mesmo com o melhor campeonato do mundo. Um festival de cruzamentos sem sentido, muito tamanho, alguma correria e pouquíssimo futebol.
Na Copa que não tinha Itália e Holanda, que logo saíram Espanha, Argentina e Alemanha, que o Brasil perdeu seu único jogo recente e que ninguém jogou quase nada, a zebra era inevitável. E das zebras, ao menos a mais condizente com a realidade.
A Croácia não tem mega geração, escola croata, base forte, a puta que pariu. Tem apenas um time com vontade que foi se arrastando na base do deus me livre fazendo uso do chaveamento fraco e chegou. Méritos dela, sem mais teorias mirabolantes como a da super base alemã, ou a do planejamento norte americano.
“É só futebol”. As vezes a bola entra, as vezes não. A da Croácia entrou. E só.
abs,
RicaPerrone

Lá se vão 61 dos 64 jogos da Copa, onde tudo se avalia e espelha. Segue a França, que é boa, mas que flerta a kilometros de algo memorável ou encantador. Elimina a Bélgica, que foi pra Copa como estrela para a molecada e passou sofrendo do Japão e nem ela sabe como do Brasil.
Nada demais.
O problema não é quem passa. O problema é que quem está fora também não mostrou nada demais. Inglaterra e Croácia podem fazer 2 jogos épicos e virar essa imagem. Mas é muito difícil. A tendência é que a Copa siga sendo disputada por exclusão até que fique com quem “errou menos”.
Não há uma seleção e 90 minutos que possa se dizer até agora “partida de campeão”. Fosse carnaval, diria que a campeã não desfilou ainda. Mas como todas as escolas já passaram, acho que a campeã passou e ninguém notou.
E se ninguém notou algo de errado aconteceu.
Digo desde o final da primeira fase (tem diversos textos sobre isso aqui) que se rascunhava a pior das Copas. Sem Itália e Holanda, com Alemanha fora e jogando mal, Brasil jogando menos do que podia, um chaveamento horroroso nas oitavas, Argentina tosca, Espanha mal. Enfim.
Espera-se da surpresa algo positivo. Mas não. Essa Copa as surpresas são a sobra do que deu errado, não o que surpreendentemente deu certo.
Eu não vi todas. Mas das que vi, é a pior. Porque se houve Copa pior pelo menos foi quando ainda era esperado que um craque pudesse resolver. Nessa, o destaque é o VAR, os craques se foram, os gols são quase todos de bola parada, pênalti ou contra. E há quem diga que está sendo uma puta Copa, que o Dembele é craque, que só brasileiro se joga e faz cera e que o futebol moderno é ótimo porque tem menos faltas, mais passes e intensidade.
Sendo o futebol o pai, esse filho russo que acaba de nascer já é uma das ovelhas negras da família.
abs,
RicaPerrone

Toda vez que o Brasil sai de uma Copa logo surge o mais óbvio clichê jornalístico de projetar a Copa seguinte com 4 anos de antecedência. Como se fosse possível prever quem surgirá, o que farão os que já surgiram e como estarão os já consagrados.
É perda de tempo. A seleção brasileira muda o tempo todo exatamente porque lançamos jogadores o tempo todo. Perdemos dezenas deles pra vida, pra China, pra má vontade ou para a falta de maturidade.
Em 2014 dezenas de matérias como as que saem hoje surgiam para dizer que tinhamos naquele time a base de 2018. Nas listas havia Ganso, Pato, Lucas Lima, Oscar, Dória, goleiros que não deram em nada, atacantes que desapareceram e nenhuma citação a Jesus, por exemplo, titular de 2018.
Nós não podemos prever nada disso.
O que devemos fazer e raramente fazemos é ignorar esse lance midiático de tentar dar soluções para daqui 4 anos e manter uma seleção com renovação o tempo todo. Isso significa que não devemos tirar da seleção quem não vai a próxima Copa. Devemos manter sempre os 23 melhores até que um deles deixe de ser o melhor e sai do time naturalmente.
Porque você tiraria Thiago e Miranda da Copa América 2019, por exemplo? Pra que tirar Marcelo da seleção? Forçar a vinda de alguém que ainda não é melhor que ele.
Até 2022 temos 2 Copa América e possivelmente uma Confederações. Todas elas equilibram time, testam cenários e são títulos. Além da eliminatória, obviamente.
A seleção não existe de 4 em 4 anos. Talvez a sua vontade de torcer por ela sim. Mas ela é continua, disputa títulos e a manutenção de seu status o tempo todo e é assim que deve ser.
Por coerência, dia 7 de setembro contra os EUA, uns 18 dos 23 dessa Copa devem sim ser chamados.
Simplesmente porque você não pode adivinhar quem sera Rodrigo Caio, Paquetá, Vinicius Jr, etc daqui 4 anos. Então, que seja natural e constante a renovação e não feita radicalmente aos gritos de jornalistas que sequer torceram pela seleção.
abs,
RicaPerrone

Não diminui um torneio que novos times cheguem as decisões. O que o diminui é a forma com que eles chegam e o que os levou até lá.
Quando a Nigéria avançou com Okosha, era jogando algo novo. Quando a Espanha chegou em 2010, foi sendo melhor que as outras. As zebras Romênia, Marrocos, Gana e tanta gente que já protagonizou uma Copa não estiveram ali para preencher tabela.
A Copa chega às semifinais sem nada novo na parte tática, sem os jogadores protagonistas, sem as seleções protagonistas, sem um jogador revelado em Copa, sem um time sensação, sem o xodó da torcida, sem um jogo de campeão de nenhum dos 4.
A Copa chega por exclusão aos 4 times.
É a Copa do VAR, dos laterais na área, dos gols contra, dos pênaltis e das bolas paradas. Ainda que emocionante porque o mata-mata faz qualquer coisa ser emocionante, o nível nunca foi tão contestável. E as defesas nunca levaram tanta facilidade para anular os ataques como em 2018.
Existem mil explicações pra isso. Mas a que realmente importa é a que convencer a FIFA a rever algumas coisas no futebol.
E insisto, não se trata da zebra. Nós sempre a adoramos. Mas sim o fato dela ser o que sobrou e não necessariamente o que surpreendeu.
abs,
RicaPerrone

Tite é o melhor treinador que temos na América do Sul. Não há qualquer contestação sobre seu trabalho, qualidade ou seriedade. Mas as escolhas de Tite nessa Copa do Mundo foram parte responsável pelo futebol da seleção ter tido uma queda tão grande das Eliminatórias pra cá.
Foi incoerente ao trocar o Marquinhos do nada e bancar outros até o fim. Se o Thiago Silva ganhou a posição em um treino, como que Jesus, William e Paulinho não perderam as suas em 4 jogos?
Porque mudou o time? Porque sucumbiu a convicção da imprensa e da torcida por Coutinho no meio? Perdeu poder de marcação, perdeu distribuição, altura e marcação. Perdeu o Paulinho na área. Perdeu muito do time que nos fez sonhar em troca de considerar fundamental um jogador que é muito bom, mas que não merece mudar um time todo.
Coutinho poderia ganhar a posição do William em 2 jogos. Bastava manter a convicção no trabalho que aconteceria naturalmente.
Quem era o reserva do Casemiro? Não havia nenhum volante ali de marcação tão forte quanto. O perdemos e perdemos com ele todo a cobertura dos meias do Brasil.
Renato Augusto era fundamental no time. Único jogador de articulação no meio. Perdeu a vaga, perdemos a alternativa e viramos um time dependente de um drible ou de um chute.
Jesus correu muito, mas não estava bem. O Firmino entrou algumas vezes com mais força e presença de área que ele.
Coisas que o Tite obviamente tem explicações pra ter feito, mas não concordo com elas. O time das eliminatórias era ótimo, brilhante. NADA, nem a vontade de ter Coutinho e William, justifica mexer nele.
O Tite abriu mão do que construiu e atrasou o processo da seleção na Copa. Fosse uma sequência natural do que vinha sendo feito, estaríamos jogando muito bem desde a estréia. A “nova evolução” do time se deve ao tanto que recuamos para refazer o sistema de jogo.
E não era preciso.
Mais 4 anos ao melhor treinador da América. O hexa vem será com ele por merecimento. Mas parte de não ter vindo agora é também por conta das mudanças do próprio Tite.
abs,
RicaPerrone

Especificamente sobre o jogo da eliminação, o Brasil teve seu melhor da Copa em alguns momentos e a condenação dos erros em outro.
Não acho que jogou mal, nem passa perto de ter jogado menos que o adversário. Ao contrário, jogou muito melhor. Mas um gol contra e um contra-ataque deixaram o jogo perfeito pra Bélgica.
O que eles tinham era exatamente a idéia de fazer um gol e deixar o Brasil vulnerável pro contra-ataque. Fizemos o gol pra eles, abrimos espaço, cometemos um erro grotesco de marcação no segundo gol e não fizemos os gols que construímos.
A Bélgica não foi desleal, não fez cera demais, não deu pontapés. Apenas se defendeu e fez o que podia com as armas que tinha. Nós misturamos erros individuais com escolhas ruins do Tite e gols perdidos.
Não vou caçar bruxas. Isso é coisa de covarde. O Fernandinho jogou muito mal, mas ele joga na função do Casemiro? Não. Então faltou um “volantão” reserva na convocação.
O Coutinho fez outra partida horrível, tal qual a do México. Tiraram pra por o Renato? Não. Então…
Marcelo joga uma barbaridade, mas defensivamente sempre foi uma avenida. A cobertura dele no segundo gol é inacreditavelmente ruim.
Neymar não pode ser acusado de se acovardar. Pediu a bola o tempo todo e tentou. Mas não acertou.
Essa soma nos anulou. E mesmo assim tivemos chances claras de vencer o jogo. Somos melhores que a Bélgica, que todos os demais times da Copa. Mas em 90 minutos o “tudo pode acontecer”, aconteceu.
Por erros nossos sim. Mas tem outros fatores também. O Tite sequer seria o treinador não fossem 3 cm a mais nas luvas do Cássio há 6 anos. E hoje estaria classificado caso 5 cm pra lá e pra cá tivessem sido diferentes.
É do jogo. Esse time não saiu da Copa devendo esforço e seriedade. Saiu devendo um futebol bem jogado que lhes foi tirado por contusões, convicções do Tite e jornadas individuais ruins.
Perdemos todos. Porque concordamos todos com o que foi feito.
abs,
RicaPerrone