abertura

Um por todos…

Talvez pela ansiedade, talvez pela carga da obrigação de vencer bem. Talvez pela expectativa criada na “magia” do trio de ataque. Seja lá qual for o motivo, a seleção jogou uma partida impressionantemente igual hoje. Repetiu do primeiro ao último minuto as mesmas tentativas esperando que uma hora desse certo.

E daria, é verdade. Gabriel Jesus quase fez e ali estaria tudo resolvido. Mas até a bola entrar, a seleção parecia ter absoluta certeza de que o gol viria por uma jogada lenta onde um dos craques pegaria, pararia na frente do beque, faria uma ginga e daria o passe decisivo.

Foi tentado isso em TODOS os lances de ataque do Brasil. No máximo uma corrida lateral para procurar espaços.

Faltou coletivo, velocidade, fluidez. Time leve que jogou parado cada um na sua. Sem troca, só esperando que o companheiro resolvesse.

Bem longe do que se espera. Bem menos catastrófico do que se prega.

Fomos melhores, tivemos a chance de ganhar, e se tivesse entrada a bola do Jesus agora estaríamos só lamentando a não goleada. Então, não é pra transformar um tropeço e uma estréia ruim no fim do mundo.

Domingo sim, agora, virou decisão.  E não só pelos pontos, mas pela confiança. A seleção vai precisar se impor de outra maneira.

Renato mais perto da área, menos Gabriel esperando bola, menos “joga no Neymar e espera”, e mais troca de posições. Faltou tudo hoje. Até o gol, que embora pudesse ter acontecido, não isentaria o time da partida ruim e cheia de preciosismo nos lances individuais.

Que seja o tropeço do ouro. Aquele pra acordar o time, e não para nos acordar de um sonho.

abs,
RicaPerrone 

Acéfalo

Captura de Tela 2015-05-10 às 20.38.36Houve um vencedor no Morumbi. E nem cabe muito avalia-lo além de parabenizar pelo resultado, afinal, sabemos, o time não é esse.  Mesmo com reservas o elenco do SPFC é suficiente para vencer o Flamengo.

Vamos então avaliar o Flamengo, que jogou com o que tem.  E não tem time pra cair, mas tem um dos times mais desequilibrados do país.

Nenhum jogador do Flamengo em campo hoje era capaz de pensar uma jogada. E mesmo se fosse, sozinho não se pensa jogadas trabalhadas.  É um time acéfalo da hora que toma a bola até o último passe, onde normalmente a jogada termina.

Todos os jogadores de frente do Flamengo são carregadores de bola. Portanto, toda vez que o Flamengo tem a bola ele olha pra frente e tenta fazer a ligação pra usar a única arma que tem: velocidade.

Quando o adversário não sai igual louco pra cima dele, não sobra quase nada. O time não pensa, apenas corre.

E aí você pode reclamar do Luxemburgo, como se ele pudesse fazer Mugni e Maia pararem pra pensar o jogo. Mas também são dois caras que correm com ela. Aliás, vou além: Montillo também corre com a bola. O alvo está errado.

Não adianta trazer “um camisa 10”.  O Flamengo não tem o 8 e nem o outro meia pra construir uma jogada. É preciso pelo menos dois jogadores capazes de criar alguma coisa. Que façam a bola correr.

Ou o Flamengo será o time mais previsível do campeonato. Não cai. Mas assim como seu meio campo, não fará nada que todos  já não estejam esperando.

abs,
RicaPerrone

O jogo que ninguém perdeu

Ganhava o Galo até os 49 do segundo tempo. Quando Rafael Marques empurra pra dentro nos acréscimos dos acréscimos o Allianz Parque explode e confirma um de seus primeiros jogos memoráveis.

Com boas jogadas, duas propostas de jogo bastante diferentes e um Galo que mesmo desfalcado não abriu mão de tentar atacar quando teve a bola, a abertura do Brasileirão foi em grande estilo.

Sem interferência de arbitragem, jogo corrido, bem jogado e com emoção até literalmente o último segundo.

Pro palmeirense pode parecer uma tragédia empatar em casa contra um time misto. Mas pelo que apresentaram em campo, não foi.  Aliás, no fim das contas, o Palmeiras saiu quase no lucro com o empate.

O que não quer dizer que o time jogou mal. Na verdade teve alguns defeitos, mas passou longe de ter jogado mal.

Tal qual o Galo, que considerando ter entrado com time misto, fez uma partida espetacular.

Naquele Allianz Parque com bom público não apenas empataram Palmeiras e Galo, como não perdeu ninguém. Nem mesmo o mais doente alviverde com seu ingresso criminoso a preço de diária de hotel de luxo.

Além do grande jogo e da emoção no fim, ainda teve a dignidade de participar do coro que, enfim, teve palmeirenses separando organizada deles. Afinal, palmeirenses torcem pro Palmeiras, não pra torcida do Palmeiras.

abs,
RicaPerrone

Perfeito! (Brasil 3×1 Croácia)

Brasil x Croácia © 2014

Hoje é 12 de junho de 2014, um dia incriticável.

Dia em que as ruas de São Paulo foram coloridas pelas mais diversas cores e não, eles não vieram a negocios.

Dia que pegar um metrô foi motivo para sorrir e cantar. Divertir-se com a fila, achar parte do espetáculo a espera e se entregar aos mais simples gestos ao nosso redor.

Dia que fizemos Copa, história, três pontos e “dar certo”.

Dia que David Luiz atingiu a perfeição, que Oscar aprendeu a dizer “não” e que Neymar se colocou na história das Copas.

Dia de festa. Dia de colocarmos definitivamente a maioria diante dos fatos:  O futebol não pode e nem merece pagar por problemas que ele não causou.

O futebol, tão injustiçado nos últimos 12 meses, enfim coroado em sua terra natal.

Numa arbitragem perfeita que conseguiu encontrar um pênalti tão bem marcado que a olho nu é quase imperceptivel.

Aquele povão de amarelo, esperando a vitória e derrubando teorias.

Tem Copa sim senhor!

A seleção que restava provar o que faria quando saisse perdendo, já que na quase perfeita Copa das Confederações ela não nos proporcionou tal desgosto.

Pois bem, saimos perdendo. E tão dispostos a provar que não há circunstancias para nossos triunfos que nós mesmos fizemos o gol adversario.

E viramos.

Hoje, meus caros, nada dará errado.

abs,
RicaPerrone

Esse é seu dono

Apresentar a casa aos seus donos e frequentadores é algo bastante comum. Demora, na verdade, é pra casa conhecer o dono, não o contrário.

Neste domingo de festa, onde as piadas acabaram, os sonhos viraram concreto e o povão foi conhecer sua mansão, tudo podia dar errado. Uma chuva, uma derrota, um gol dos adversários, nenhum do Corinthians.

Eles não sabem ainda como é ver a Arena pulsar. Vão continuar sonhando com a primeira vitória “em casa”, na casa própria. Por mais 2 meses vão imaginar como e de quem será o primeiro gol do Corinthians na “Arena”.

O que são 2 meses, no entanto, pra quem esperou 10 anos?

O maior vexame da história do clube? Hum, por um momento, pensei que sim.

Mas se Arena e Corinthians querem construir uma grande história de amor, que seja baseada em verdades e não em mitos. Verdade é que o Corinthians deste domingo era favorito. O que o torna quase zebra.

Não há vitória fácil e não haveria hora pra Arena descobrir que conviverá com as mais incríveis histórias de superação e também com as mais absurdas tardes e noites de revolta e dor.

Ser Corinthians é ser sofredor, lembra?

Maloqueiro, agora, talvez não caiba mais. É chique, moderno, novo, caro.  Mas ser “sofredor”,  não tem como mudar. E a Arena conheceu sua Fiel torcida no estado que mais odeiam estar, mas que não sabem viver sem:  Sofrendo.

A Fiel queria conhecer sua casa nova e conheceu.  Bonita, imponente, novinha em folha.  Mas a Arena quis conhecer o Corinthians, e então, deu Figueirense.

Afinal, era muito fácil pra não ser sofrido. E sem sofrimento não há Corinthians.

Lar, doce lar. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Agora sim, até que a morte os separe.

abs,
RicaPerrone