Cristiano Ronaldo

Ele fez mais que Messi

Não vamos entrar nos números. Eles no futebol são como bikinis, mostram tudo menos o que interessa. Vamos aos feitos.

Cristiano não tem o talento natural de Messi. Messi não tem o carisma e a liderança de Cristiano. Os dois travaram uma disputa que excluiu todos os jogadores do mundo por mais de uma década. Você pode preferir um ou outro, tanto faz.

Mas Messi não mudou o patamar da sua seleção e fez tudo que fez num só time, num só campeonato.

Cristiano passou por 4 clubes, foi campeão e brilhou em todos eles. Portanto em 4 ligas diferentes. E ao contrário do argentino, fez enorme diferença em seu país.

Portugal sequer disputava Copas. Não fazia mais que figuração na Euro.  Era uma das “babas da Europa”. Agora é campeã da Euro e da Nations League.  Disputou uma Copa das Confederações e foi terceiro. E mais do que isso: Das 4 Euros que disputou, foi a duas finais e uma semifinal.

Isso é mudar de patamar. É pegar algo menor e melhora-lo. A seleção argentina não teve no Messi alguém que fez algo grande ou sequer a qualificou. Ao contrário, Messi é parte da geração que talvez por não fazer gols de mãos, comprar adversários ou dopa-los em campo vê a Argentina agonizar ano após ano sem conquistar nada.

Ao final das contas, equivalentes nos clubes, Cristiano fez história em mais lugares.  E para sua gente Cristiano representa conquistas, Messi, a frustração.

Ainda há mais uma Copa pra ambos. Mas sabe-se lá em que situação física ou técnica. Até hoje, 2019, Messi pode até ser melhor que o Cristiano. Mas não fez mais do que ele.

RicaPerrone

O creme de avelã raiz

Veja você que loucura. O Cristiano sacaneou o Atlético, Simeone fez um gesto “obsceno” e o melhor do mundo o repetiu em campo após atuação de gala. Lá, foi “rivalidade”. Aqui, seria 2 horas num mesa redonda qualquer de debate sobre o limite do entusiasmo após um gol.

O futebol é tão lindo quando tratado como futebol.

Comemorações como essas não são pra entender, são pra você guardar. Mais estúpido ainda se você tentar discuti-la do alto do seu estúdio como se tivesse idéia do que se sente quando o mundo é jogado aos seus pés pelo seu esforço.

Não, não estou comparando com Felipe Bastos ou com Diego Souza imitando arma na eleição.  Menos ainda com o escândalo que se faz quando o Felipe Mello diz uma palavra. Me refiro apenas ao quanto isso “incomoda” quando se quer criticar e o quanto passa batido quando se quer exaltar.

Eu adorei o que fez o Simeone, mais ainda a resposta do Cristiano. Mas se o Felipão ganha do Corinthians e faz aquele gesto, está morto. Se na semana seguinte após condenado por toda bancada moralista brazuca o Romero vira e responde, seria duplamente massacrado.

Ignorariam o clássico. Fariam dele apenas argumento pra explorar o mimimi. Lá, no entanto, ficou a bela imagem do show de Cristiano.

Na real o que brigo nem é pra que se trate mal o futebol europeu. Apenas para que se dê o mesmo critério do que pode ou não lá e cá.

Em 2019 o Viola não imitaria o Porco. O Edmundo não rebolaria e, se fosse brasileiro jogando no Cruzeiro por exemplo, o Cristiano apontaria pro céu e dedicaria o gol pra Jesus.

Se for aprender com eles, aprendam também que show é show. E futebol não passa de um espetáculo.

RicaPerrone

Mais do que um jogador

Eu fico realmente preocupado quando vejo pessoas do futebol discutindo o valor do Cristiano Ronaldo atrelado a sua idade e capacidade técnica de se acertar no time da Juventus. Eu tenho a impressão de que ainda acreditam que clube de futebol é um ideal e não uma empresa onde pessoas trabalham.

Cristiano tem 33 anos e está em queda. É ÓBVIO. Físico. Normal. Esperado. Fosse o contrário mandem o sujeito pra ser estudado pela NASA.

“Vale?!”

Você realmente acha que essa discussão se limita ao atacante? A Juventus está comprando por um valor surreal um ícone, uma idéia, uma expectativa, um acréscimo de mídia, alguns milhões de jovens torcedores de jogador e não de clube, dezenas de acordos comerciais paralelos e, também, um atacante.

Se eu pagaria 100 milhões no CR7 com 33 anos? Mole. Sou capaz de apostar que esse dinheiro volta cedo.

A mistura de “bom moço” com carisma e resultados que Cristiano transformou sua imagem após anos sendo contestado por molecagem, prepotencia e “viadagem”. O telão passou a olhar mais pra ele do que ele pro telão. E aos 33 anos temos um homem maduro e referência mundial de desempenho.

Vende camisa, shampoo, camisinha, lacinho de menina e até batom se quiser. Cristiano é uma marca não um atacante.

Talvez vocês estejam presos demais ao jogador quando pensam nesse mega “negócio”. E não se trata apenas de futebol.

abs,
RicaPerrone

O que procuram nas redes sociais na Copa?


Qual seria o time dos sonhos com os jogadores mais populares na internet? A SEMrush, líder global em marketing digital, preparou essa escalação inédita. Para a elaboração do material, foram analisados os nomes mais populares globalmente durante um ano.

Destaques no campo e também nas redes sociais, Neymar (7,4 milhões), Cristiano Ronaldo (6,1 milhões) e Lionel Messi (1,8 milhões) foram os atacantes selecionados no time. Os laterais brasileiros Marcelo (550 mil) e Danilo(165 mil), convocados ao mundial para representar o Brasil, também entraram pelo levantamento da SEMrush.

O europeus Isco (550 mil), Paul Pogba (550 mil) e Ashley Young (74 mil) entrariam no meio campo do time, que contaria com Pepe (1,5 milhão) e Sergio Ramos (1 milhão) como zagueiros. Defendendo o gol, empataram o costarriquenho Keylor Navas e o alemão Manuel Neuer com 368 mil pesquisas de média mensal no período.

E quem comandaria esse time de estrelas? O atual técnico na Seleção Brasileira, o gaúcho Tite ganhou nas pesquisas com 1,3 milhão de buscas, seguido pelo francês Didier Deschamps com 1,1 milhão de pesquisas.

Qual a religião do Tite?
A SEMrush estendeu a pesquisa e mapeou as palavras-chave relacionadas ao Tite no Brasil e revelou pontos curiosos. Qual a religião do técnico Tite?, quem Tite convocou?, quanto ganha o Tite?, qual o nome do técnico Tite? e qual o salário do Tite? foram os termos mais buscados.

 

Portugal 1×0 Marrocos

Cristiano precisou de 4 minutos para fazer um gol e outros 86 pra rezar pra bola não entrar.  Portugal fez a mesma coisa que Brasil, Inglaterra e tantos outros favoritos nessa Copa: fez o gol e parou de tentar o segundo,

Marrocos dominou o jogo, fez por merecer o empate mas não tinha um Cristiano pra fazer o gol.

Ainda que com chances de não se classificar, Portugal faz uma Copa abaixo coletivamente e totalmente baseada na qualidade do craque.

Cristiano deveria ser a parte determinante da engrenagem, não a única.  Se Portugal continuar a atuar dessa forma e um dia ele falhar, acaba a Copa.

Marrocos poderia ter jogado assim contra o Irã. Teria vencido. Não jogou. Está eliminado.

abs,
RicaPerrone

Cristiano – Não são os números

É comum hoje em dia defender teses sobre futebol dando números. Eu gosto de números, os uso, mas no futebol ainda os entendo como biquini: mostram tudo menos o que interessa.

Cristiano pode ter 120 mil gols, ou 600. O que faz dele um dos maiores de todos os tempos não é matemático.  Você só sabe que se trata do melhor do mundo quando olha pra ele.

Não, não! Sem viadagem. Me refiro a postura do sujeito. A confiança, a forma com que chama pra si a responsabilidade e a alergia que ele tem a ser coadjuvante em grandes jogos.

O craque normalmente, em algum momento, se encosta no fato de ser craque. Talvez por ter se feito muito mais do que nascido craque, Cristiano não se acomoda. Ele atua num limite irritante o tempo todo e nem mesmo o peso de ser cobrado como o dono do time lhe afasta de ser, de fato, o dono do time.

É impressionante. Jogos como os de hoje deixam a gente sem saída ao tentar encontrar “poréns” que o desqualifiquem da lista de maiores de todos os tempos.

E por mais que os números comprovem isso, eu diria que os números são os que menos me impressionam. Não há dado estatístico capaz de medir o que significa um sujeito pegar uma bola aos 40 do segundo tempo, morto, após ter feito 2 gols, e cavar uma falta, cobra-la com perfeição e resolver mais um jogo.

Desta vez não era o Getafe. É a Espanha e numa Copa.  Nos clubes a gente faz ídolos. Nas seleções se determina quem são os super heróis.

abs,
RicaPerrone

Espanha 3×3 Portugal

A diferença entre Portugal e Espanha é conceitual. Um time joga coletivamente para buscar o gol, o outro joga pro Cristiano buscar o gol.

O resultado é parecido. O Cristiano encontra o gol tanto quanto os 11 da Espanha. Até porque a referência ofensiva dos espanhois é dar pro Diego empurrar pro gol. Os portugueses dão pro Cristiano inventar um gol.

Pode sofrer um pênalti, uma falta, inventar uma bicicleta ou um passe genial. Não importa. Ele tem o dom de enxergar apenas o gol na frente dele, e por isso, só por isso, Portugal empatou a partida de hoje.

Embora eu veja assim, ainda reconheço que não vi o pênalti e vi a falta do Diego no Pepe. O que não vimos, então, foi a serventia do tal do VAR.

Aberração dar ao arbitro o poder de decidir quando ele quer ou não ser contestado. Obviamente ele não vai usar como gostaríamos e deveríamos.

O que gostaríamos de ver, vimos.  Belos gols, um craque, um jogo emocionante e mais do que isso: a obrigação que o resultado deu a Portugal e Espanha jogaram por gols contra Irã e Marrocos.

abs,
RicaPerrone

Sim, é possível discutir

Vou comparar com algo mais simples e próximo: Quem foi melhor, Raí ou Socrates?

Qualquer pessoa que viu os dois, o que exclui por completo essa geração de fãs de esporte que são 90% da web e portanto distorcem qualquer pesquisa virtual a respeito, dirá que o Socrates era mais talentoso, o Raí mais jogador.

E então a pergunta se torna interpretativa. Afinal, pra você, o que é ser melhor? Dirão que preferem ter os títulos do Raí. Mas a pergunta não é o que você prefere ter. É quem foi melhor.   Ser melhor é brilhar mais individualmente num esporte coletivo ou ser parte de um coletivo vencedor?

Todas as idéias sobre são válidas, porque não se trata de uma ciência exata. Apenas de uma pergunta de bar, divertida, sem consequências, logo, banal.

O que o Renato talvez tenha dito é que se você jogar uma bola no peito dos dois, na melhor fase, o Renato dominaria mais fácil. E concordamos. O Renato tinha mais talento NATURAL que o Cristiano.  O que não quer dizer tudo, já que o Messi também tem e com treino o Cristiano se igualou a ele.

Números no futebol são biquini. Mostram tudo menos o que interessa. Logo, foda-se quantas bolas de prata ganhou um, quantas bolas de ouro ganhou outro. Estamos falando de uma década onde ser o melhor do Brasil era consideravelmente superior a ser o melhor da Europa.

Porque hoje alguém discute “ele não deu certo na Europa”  sobre o Renato?  Seria como dizer que o Van Basten não é tudo isso porque não jogou no Boca.

Os dois com 19 anos, o Renato era melhor. Com 30 anos, o Cristiano se tornou melhor.  Não pelo que ganhou, porque joga numa potência absurdamente desigual com seus adversários, mas porque chegou perto do limite do seu tempo.

O que o Renato tem em mente, imagino eu, é o seguinte: Se eu treinasse o que ele treina hoje, no time que ele tem hoje, eu seria melhor que ele.

E sim, seria.

Mas não é o caso. Então não tem como apagar o que fez o Cristiano Ronaldo e toda a mídia que existe hoje em cima dele pelo que imaginamos que poderia ser caso, talvez, quem sabe, fosse assim com o Renato.

Assim sendo, é uma hipótese contra um fato. O Cristiano foi melhor.

Mas por incrível que pareça, por mais incoerente que seja, se me der os dois num par ou ímpar… eu escolheria o Renato.

Sou apaixonado pelo talento natural. Respeito demais o treino, o mérito é ainda maior. Mas eu sou daqueles que ficava vendo o Djalminha jogar e achava ele muito melhor que o Kaká. Mas quem foi além? Quem fez mais? Quem tornou real? O Kaká.

Mas… a pergunta não é quem foi além. É quem foi melhor. E aí você decide o que é “melhor”, se o que conquistou ou se o que fez com a bola.

Eu não acho o Cafu melhor que o Leandro. Mas …

abs,
RicaPerrone

Incontestável

Num futebol nivelado e que hoje divide suas atenções entre 2 ou 3 craques no máximo em todo planeta, Cristiano Ronaldo e Messi disputam ano após ano o título de melhor do mundo.  Chega a ser monótono.

Mas é realidade fácil de perceber que não há uma “falta de craques” no Brasil mas sim no planeta. O jogo físico, tático, coletivo e com menos espaços tirou muita técnica de campo e deixou a possibilidade de brilhar muito acima da curva pra quem joga na Espanha que, por coincidencia ou não, disputa um campeonato fraco fazendo números absurdos.

Em 2016, não há dúvidas. Cristiano foi melhor.

Não que esse prêmio seja a coisa mais criteriosa e justa do mundo, já que Messi conseguiu ganhar melhor da Copa outro dia sem jogar mais nem que o Mascherano.  Vota-se muito também pelo nome, pelas conquistas coletivas. E mesmo Cristiano não tendo sido tão brilhante na Eurocopa, o Real Madrid ganhou tudo e com ele no comando.

Messi segue sendo um jogador melhor tecnicamente, enquanto Cristiano é resultado de esforço e treinamento.  Num par ou ímpar pra escolher time pra pelada, escolheria o Messi, apesar de sua nacionalidade (#paz).  Mas trata-se da eleição de melhor do mundo de 2016, e este foi Cristiano Ronaldo.

abs,
RicaPerrone