eurico miranda

A mão de Eurico

A espetacular série da Globoplay é um curto circuito na cabeça dos mais jovens, céticos, chatos e web-perfeitos da nova geração.

Como pode um homem fazer tudo aquilo e ainda ser uma referência? Como gostam dele? Ele passava por cima de regras, ele as criava, decidia, confrontava, perdia a mão.

Perder a mão e a cabeça é o que falta no mundo moderno.

Os maiores casos de sucesso do mundo não ouviram ninguém, fizeram o que achavam certo e atropelaram o “certo” e “errado” pré estabelecido socialmente.

Eurico é um case. Como foi Castor de Andrade, entre tantos outros mais ou menos criminosos, mas todos protagonistas em mudanças importantes para seus setores.

Quando você assiste a série de Escobar se pega gostando dele diante das barbaridades humanizadas ali contadas. A mesma coisa vale pra qualquer criminoso. Você tenta entendê-lo, é uma magia louca da nossa cabeça que os psiquiatras explicam e eu não vou tentar reproduzir a tese. Mas ela existe.

Eurico não matou ninguém. Foi apenas um dirigente meio maluco que não tinha medo de nada e de ninguém. Que defendia o que ele acreditava até mesmo quando não acreditava porque o personagem havia o consumido.

O Vasco de Eurico já foi um sucesso e um fracasso. Mas foi o Vasco de Eurico goste você ou não.

Eu não gosto dele. Estive com ele uma vez só. E não gosto.

Mas eu não renego o que ouço de quem de fato o conhece. O que a mídia lhe vende é o que a ela convem. Em todos os casos, nunca feche sua opinião sobre alguém pelo que quem não o conhece te contou. Sua chance de errar é enorme.

Todos os jogadores e dirigentes que conheço falam de um Eurico que a mídia nunca vendeu. Um sujeito de palavra, com mil defeitos, mas mil qualidades.

E repito. Eu não gosto do Eurico.

Mas entre gostar e não compreender seu papel vai um abismo.

Na real essas pessoas que citei tem o papel que tem porque onde o estado não atua alguém atua. Milicianos são assim. Eles encontram um local onde o estado deixa faltar e faz as regras. Em qualquer outro setor é assim que funciona. Onde ninguém manda, alguém vai aparecer pra mandar.

Quem mandava no futebol brasileiro na década de 90? Ninguém. Eurico tomou pra si as decisões e se fez nesse vazio de regras e liderança.

Se sua idéia principal era colocar o Vasco no papel do Fluminense na história do Fla-Flu, conseguiu.

E a história humanizada, com família falando, bastidores, um pouco da fragilidade de um homem sempre muito forte pros outros mexe com você.

Porque embora muito do que ele tenha feito seja ruim, havia um proposito na maior parte dos erros. E o seu proposito maior era movido por um amor. O Vasco.

Um dia uma chefe me disse a frase que mais gostei na vida. “É melhor segurar um maluco do que empurrar um imbecil”.

Eurico é o maluco. E o futebol brasileiro era comandado por um mar de imbecis. Quem você acha que ganharia no grito?

Eu não gosto do Eurico.

Mas eu gosto do filho dele. Euriquinho, com quem já tive problemas em redes sociais, e hoje pode frequentar minha casa se quiser.

Como?

Pessoalmente tudo é 200 vezes menor do que parece. Levamos 9 anos sem nos falar. 4 minutos pra um abraço e pedidos de desculpas, tudo certo, pega a cerveja, vamos contar história.

A vida como deveria ser, e foi um dia. Na época do Eurico, inclusive, pra ser mais exato.

Mas ainda assim, eu não gosto do Eurico.

Talvez porque eu tenha um lado parecido com o dele. Talvez eu seja o trangressor da mídia esportiva e isso me remete a algumas atitudes dele das quais não me orgulho, nem julgo, pois faria igual se preciso.

Eu seria o jornalista mais insuportável da vida dele se existisse naquela época. Iriamos nos odiar, mas nos respeitar. E rapaz… como eu queria ser o Rica de hoje na época do Eurico. Teria 20 vezes mais material pra trabalhar. E eu seria o cara que conseguiria sentar na mesa com o Eurico e no outro dia com o Julio Brant.

Aliás, fui por curto período antes de sua morte.

10 minutos de porrada sem perder a amizade. Eurico me parece esse cara.

O Vasco poderia estar melhor não fosse ele. Talvez pior. Mas o mesmo, nem pensar. E isso faz de um personagem protagonista. Séries, livros e documentários existem para protagonistas, não pra figurantes.

Minha esposa é Vasco. E ao ver a série ela disse a frase mais espetacular que essa série poderia gerar.

“Eu não sei se gosto ou se odeio o Eurico”.

E é isso. Absolutamente isso.

Mas indiferente a ele você não pode ficar. Então, assista. A única coisa que a Globo não desaprendeu a fazer foi conteúdo desse tipo. Aproveite.

Ainda que no fim, tive o prazer de conversar e apertar a famosa, controversa e forte “mão do Eurico”.

RicaPerrone

Que droga, Vasco!

Remédios são drogas. Cocaína é droga. A maconha é droga para cura e diversão. O termo “droga” é amplo, e o Vasco sabe bem disso.

Drogas curam, destroem. Drogas viciam, nos prendem, aliviam da dor e geram outras.  Drogas não seriam necessárias no mundo ideal, mas são. Todos nós, um dia, usamos uma droga.

Dizer agora que está livre dela que ela nunca lhe fez mal é covardia. E mais covarde ainda seria também ignorar quando ela o ajudou.

O remédio é amargo mas necessário. O uso constante dele cura uma doença e causa outras. A droga muda a dependência, mas segue no mesmo paciente.

O Vasco foi a paixão do Eurico, virou o trabalho e um dia virou seu refém.  Nessa frase vemos um puro torcedor, um profissional e um sujeito egoísta e sem limites. Eurico foi as três coisas e uma não anula outra, por incrível que pareça.

Viciado em tratamento o Vasco não pode confundir respeito com saudades. Eurico foi muito importante, um remédio necessário em doses cavalares num passado amador do nosso futebol.

E foi uma droga pesada para um momento mais profissional onde o clube precisava se livrar do vício.

Até mesmo neste passo dado recente para tal houve a última dose de Eurico numa eleição vergonhosa que gera até hoje dúvidas sobre a real intenção dos envolvidos.

Mas hoje, e só hoje, foda-se tudo isso.

Morreu o vascaíno. O guardião da honra cruzmaltina, o folclore e um dos últimos exemplares que tínhamos de quando o futebol era mais do que “trabalho” pra eles.

Descansa em paz, Eurico. Acho que você seria um grande contador de histórias se não tivesse tentado se manter nela por tanto tempo a qualquer custo. E acho também que essa história não seria tão rica e gloriosa sem você ali.

RicaPerrone

Quem é você, presidente?

Um dia eu fui entrevistar Campello e Brant, candidatos da mesma chapa pela presidência do Vasco.  Foram horas ouvindo duas pessoas claramente desalinhadas em diversos pontos, mas muito focadas em falar sobre moralidade, tirar o Eurico, fazer eleições honestas e transparentes.

Bom, eles brigaram. O Campello fez uso da brecha que teve para ser eleito pelo Eurico Miranda, o que eu já acho baixíssimo e oportunista, embora legal.

Aí vem a esperada decisão da justiça que os dois tanto queriam e diz: “a eleição foi uma fraude”.

É óbvio que foi. Não só essa como a anterior. O que o Eurico e sua turma fazem no Vasco é o retrato de um país que mudou e ainda tem pessoas que não perceberam isso.

Mas enfim, a verdade prevaleceu. E então o que esperamos de Campello, Brant e todos que tanto queriam a transparência?

Festa.

Não, porque Campello está onde queria estar. E portanto, foda-se o que é correto, vamos ser contra uma nova eleição.

Porra, Campello! Cadê o cara que me deu entrevista há alguns meses falando de honestidade, transparencia, eleições corretas, não se juntar a Eurico, etc?

Quando no poder as pessoas mudam muito. O argumento do Campello pro “olé” que ele deu no Brant e ser presidente é ter sido enganado pelo poder dado ao Julio, que tomava decisões sem ele.

E agora que o poder é seu, Campello, o que te torna especial se até manter uma fraude te convém por ser você o “prejudicado” para se ter a justiça que um dia te interessou?

abs,
RicaPerrone

O fim

 

Um dia tudo acaba. Sua vida, seu emprego, seu namoro, sua paz.  Sua saúde, seu direito de dirigir, sua força, sua relevância.  Saber conviver com o fim é algo muito difícil e pouco condenável, pois todos passam por esse processo e tem dificuldades.

Eurico mistura dificuldade com dignidade. E se perde no meio do caminho.

Não entende que acabou. E sim, acabou.  O coronel que gritava na CBF e resolvia hoje grita e vira piada no outro dia.  Ninguém mais ouve.  Suas bravatas são humor, não causam mais terror.

É um ex dono de morro prometendo matar geral só que desarmado. Um cão sem dentes latindo na porta de casa.

Mas a casa, essa sim, é preocupante.

Não mudou. Ainda é uma mansão que guarda ouro, história, valores e muito poder. E lá está o cachorro, agora idoso, sem dentes, ainda latindo na porta.

O respeito acabou. Ele não morde mais.

Mas late. Porque é o que ainda dá pra fazer: latir, latir, latir.

Mais um dia que prova o sequestro do Vasco. O quanto o clube tem um dono ilegítimo, que tomou a “boca” por pressão, que comprou a oposição e deixou mudo o conselho.

Eurico é o ser que menos ama o Vasco no planeta hoje. É ele, ele, ele.  A guerra do cão sem dentes pra tentar morder alguém.

Eurico, meu caro, você não morde mais. Ninguém mais teme você. Seus pares estão todos no fim, o reinado acabou. A “gangue” acabou.

Mandam no carioca. Que também está no fim. E deve ser constrangedora a reunião de vocês com charutos bradando que podem, que fazem, que resolvem, e que no fundo estão apenas simulando uma sobrevida impossível.

Acabou, cara.

Sai.

Mas sai feito homem e deixa o Vasco em paz. Ou além de acabar pro clube, você vai conseguir destruir a única coisa que levou da vida: a certeza de que foi um grande vascaíno. E então, sem isso, você não só não será mais nada como terá o dom de também não ter sido.

Acabou.

abs,
RicaPerrone

A sorte do Eurico é trabalhar no futebol

O futebol é a única maneira que o ser humano encontrou para levar pessoas ruins ao sucesso absoluto e ótimos profissionais ao fiasco completo.

Eurico Miranda, em outro setor, seria limado aos 25 anos. No futebol, pela bola ir entrando as vezes, foi se perpetuando e, literalmente, tomou um clube pra ele.  Na base do “quem falou que a boca é sua?”, o dirigente que em 1995 era ultrapassado voltou em 2015. Imagine o saldo.

Aos berros, fez o “respeito voltar”. Aliás, aos berros impõe seu cargo, sua tentativa desesperada de ainda existir como um pilar do futebol brasileiro. Eurico foi engolido pelo tempo, mas mesmo soterrado não tira o terno, não apaga o charuto e não percebe que ninguém mais o enxerga como uma ameaça.

A não ser o vascaíno, é claro. Esse foi ameaçado, amordaçado e sequestrado. Ainda está sob sequestro, diga-se.

Cristovão caiu. E a sorte do Eurico Miranda é poder fazer isso. Já pensou se houvesse uma forma de demitir dirigentes? Mas não há.  Ele vai cumprir seu mandato e trocar de culpado toda vez que o futebol lhe cobrar resultados.

E com o “agravante” que faz ele ainda transitar no futebol com “propriedade”: as vezes a bola entra.

E se amanhã um treinador entrar, fechar o time e começar a ganhar, “o respeito voltou, ponto.”.

Se não, ele muda. E se não quiser reconhecer o erro, é “racismo”, “perseguição”, qualquer baboseira que ele acha que em pleno 2017 sairá no jornal de amanhã e não haverá retorno.

Cristovão é fraco. Mas é a melhor coisa que o Eurico podia ter nas mãos hoje. Alguém pra carregar a culpa pra fora do clube.

abs,
RicaPerrone

Sistema em xeque

Pela primeira vez desde que o futebol brasileiro foi criado, o sistema Clubes>Federações>CBF está em xeque.

Na tarde desta sexta feira, em reunião do Conselho Arbitral da FERJ, a entidade conseguiu o apoio da CBF para tentar vetar a Liga Sul Minas RJ, agradando assim Eurico Miranda e Rubinho, os principais maestros do retrocesso do futebol carioca.

Na reunião a CBF, que autoriza a Copa do Nordeste e a Copa Verde, não deu o mesmo aval à Liga. Exigindo que ela seja autorizada pelos clubes das devidas federações, ou seja, levará um “não”.

As punições pela disputa do torneio não são em multas, mas sim nas divisões de base dos clubes.  Além de impedir um progresso natural rumo as ligas, a federações ainda prejudicam o futuro do futebol do país.

A CBF, que muitos entendem como dona do futebol brasileiro, na verdade é uma representante das federações, que por sua vez representa clubes. Todo veto está relacionado ao sistema que dá aos clubes menores o poder de decidir o que quer a Federação e, portanto, se faz representado na CBF.

Ouça um trecho do discurso de Eurico Miranda na FERJ hoje  e a confirmação da punição aos clubes que disputarem a LIGA.

Flamengo e Fluminense devem jogar a LIGA mesmo sem o aval da Federação Carioca.

Para que pudesse piorar o cenário contra os “inimigos” Flamengo e Fluminense, a FERJ decretou mais uma vez que não está permitido a venda de ingressos com descontos para sócios torcedores no campeonato carioca.  Ou melhor, até pode, desde que o clube complete a renda no borderô. Ou seja…

Entende porque digo que a única saída é vender os clubes do que deixar nas mãos desses torcedores de gravata? Fossem donos hoje, sairiam da Federação e fariam a LIGA hoje a noite.  Mas “não podem”.

Lamentável.

Veja a opinião do Rica sobre a LIGA, a CBF, o Bom senso e o sistema do futebol brasileiro.

 

abs,
RicaPerrone

A série B é o menos importante

Qual o objetivo do Vasco em 2016?  Muitos dirão “subir pra série A”, e não deixam de ter razão.  Embora seja óbvio, tanto o objetivo quanto a realização dele, o preocupante pra mim é o que será preparado pra 2017.

De que adianta ser campeão da série B e começar 2017 tendo que refazer um time todo, tendo tido um ano num nível mais baixo par testar e adaptar jovens para formar algo realmente forte para o futuro?

O Vasco tem em seu elenco hoje 11 jogadores acima de 30 anos. Obviamente a maioria deles é titular, ganham um bom salário e não tem um futuro promissor. No máximo, um presente.

Leandro, Julio César, Martin Silva, Rodrigo, Mattos, Diguinho, Julio dos Santos, Andrezinho, Nenê, Éder Luis, Jorge Henrique e mais alguém que eu possa ter esquecido não estão em começo de carreira cheios de fome buscando seu espaço.  Talvez pra série B isso seja bem mais do que o suficiente, mas e em janeiro de 2017?

Você começa um ano na série A com um time de 33/34 anos? Ou você usa 2016 para mesclar e formar um time especialmente jovem o preparando pra dar frutos na série A?

A filosofia de montagem desse elenco do Vasco pra 2016 me preocupa. Não pra 2016, mas para o que virá depois deste óbvio triunfo que é a volta a série A.

abs,
RicaPerrone

A maior derrota

 

As eleições do Vasco em 2014 foram surreais. Quem acompanhou de perto sabe que teve de sócios fantasmas se cadastrando a ameaças de morte no dia da votação no clube. Uma baixaria digna do que viria pela frente.

Naquele dia, quando Eurico Miranda retomou o Vasco como quem toma uma boca de fumo, as perspectivas de um Vasco novo, diferente e com futuro foram tomadas de milhares de bons vascaínos por uma dúzia de indecentes cruzmaltinos dispostos a derrota-lo.

Fizeram, fizeram, fizeram, conseguiram.  Estavam eleitos Eurico Miranda e sua turma através de eleitores “novos” que surgiram dentro do prazo e viraram sócios.

Aos berros, ainda acreditando estar em 1980, o dono do Vasco foi comprando parte da torcida a moda antiga. Uma zoada no rival aqui, uma frase de efeito ali, um carioca, tudo certo! “O respeito voltou”.

Eu sinto que pela primeira vez vi um clube ser sequestrado. Os sócios vascaínos não deram o clube nas mãos do Eurico, e os que não votam menos ainda.

Desde então um festival de erros que não cabe ficar listando aqui. Era a camisa do Vasco contra o seu maior adversário: o Vasco!

Tudo resolvido na rodada 23. Mais de 12 pontos de diferença pro primeiro não rebaixado, uma chacota nacional.  “Já era”.

E foi nesse “já era” que duvidei. Porque time grande até perde, mas não perde de véspera. O Vasco reagiu, quase escapou, diria até que faltou uma dose de sorte,  um pontinho aqui ou ali a mais e a tragédia teria virado história.

Mas talvez o Vasco que evitaria a queda em 2015 seria o rascunho do rebaixado em 2016.

Uma merda tentar ver por esse lado, mas há um recado na queda do Vasco. E esse recado será interpretado da forma que o clube conseguir.

Eu já tinha visto o Vasco perder. Já tinha visto o Vasco cair. Mas nunca tinha visto um ser humano derrotar um clube. Foi a primeira vez e disparado a maior derrota da sua história.

Eurico Miranda venceu as regras, o conselho, a esperança e agora o próprio Vasco.

Sim, ele conseguiu. E neste domingo, dia 6 de dezembro de 2015, é correto dizer que um homem foi maior que o clube.  O que será na manhã do dia 7, não faço idéia. Mas hoje a noite o Vasco dorme refém, em cativeiro, sob ameaça de mais tortura e sem nenhum pedido claro de resgate.

A sorte é que ele sequestra, judia, mas não mata.

abs,
RicaPerrone