kaká

O SPFC não cabe numa Arena

As vezes eu acho que passa. Tem dia que eu até penso nem me importar mais, tamanho o desgaste que isso dá no dia-a-dia. Mas quando um  clube não precisa nem de uniforme e nem de uma bola pra parar o futebol e se fazer protagonista, algo está muito vivo ali dentro.

O Morumbi que já foi de Raí, de Luis Fabiano, Kaká, Hernanes e Lugano foi entregue a Daniel. Ao vivo, a cores, ali mesmo.

As vezes você se baseia apenas em o que ganhou, quando na verdade não é bem isso. Ou, pelo menos, não é só isso.

Ali havia gerações que não ganharam. Mas marcaram. Ídolos sem taças. Mas ídolos. E outros lendários, hoje criticados em suas funções como meros mortais que jamais serão.

O capitão da seleção brasileira, recém chegado da Europa onde jogou em dois gigantes, emocionado porque pela primeira vez na vida, já rico, campeão e consagrado, estava onde de fato sonhou estar.

Ali no palco havia títulos. Mas não era isso.

Identidade. Pertencimento. Saopaulinismo.

Sim, inventei agora essa última.

Não sou bobo de achar que é só o meu, ou de ignorar as festas alheias. Quero mais é enaltecer os rivais, pois ganhar deles torna-me ainda maior.

Moderno, o futebol clama por arenas, ingressos caros, piso de marmore e cadeiras estofadas.  Mas que espere. Ou pelo menos que de nós, desista.

As arenas são belas, lucrativas e cheias de atrações. Mas não tem do nosso tamanho.

RicaPerrone

Eu nunca fui fã do Kaká

Kaká se aposentou. Aos 35 anos encerra sua carreira brilhante por notar que há algum tempo não é mais o mesmo jogador e que ao contrário da maioria, pode continuar sendo ótimo profissional em outras áreas.  Kaká não limita sua capacidade aos pés, e por isso é quem ele é.

Ao contrário do que era previsível pelo meu time ser o São Paulo, eu nunca fui fã do Kaká. O que não significa que não gostasse dele, apenas que nunca o tive como referência de personalidade ou mesmo de jogador. Sempre gostei mais do perfil menos correto, e também do jogador mais fortemente identificado com um clube brasileiro.

Kaká teve tudo. E ao contrário do Ronaldinho, não teve a “sorte” de se tornar “jogador de alguém” aqui antes de parar.  Ronaldinho ia encerrar sendo o ídolo de todos, mas também o de ninguém.  O Galo lhe abriu a porta e ele levantou um caneco ao apagar das luzes que lhe deu uma camisa para ostentar por toda sua aposentadoria.

Kaká sempre vestirá a do SPFC, mas não cabe a ele o rótulo de um dos grandes ídolos do clube exatamente por não ter deixado muita coisa ali, nem mesmo muita grana. Por azar, por fase, seja lá pelo que for, faltou ao Kaká uma taça aqui dentro. Aquela imagem que eterniza o jogador num clube.

Ao final de 2010 me lembro de ter discutido com o amigo Diogo, assessor dele, que ele viria para o  São Paulo novamente. Era meio que uma esperança que eu tinha de ter um “melhor do mundo” campeão no meu time. Não aconteceu. Kaká embora tenha ido bem, passou como outros tantos.

É a hora em que uso o exemplo Kaká para refletir. Ele tem absolutamente tudo. Rico, bonito, jovem, ídolo pelo mundo, exemplo, títulos, saúde. Onde ele passa é aplaudido.  Mas eu gostaria muito de perguntar a ele se não faz falta, tendo tudo que tem, ser  um grande ídolo do “nosso time”.

Conca, que recentemente fez a estupidez de abrir mão da única coisa que ele tinha além de dinheiro que era a idolatria do Flu para ser encostado no Flamengo, que o diga.

Kaká não teve essa escolha. Não cometeu um “erro”. A vida não lhe deu esse título. Acontece.

Mas eu queria saber o que o Kaká diria para essa geração de jogadores que saem daqui em 2 semanas de profissional se vale a pena tentar marcar sua historia num clube nosso ou se não faz a menor diferença.

Eu sinto falta de tê-lo como ídolo.  Embora ele não precise disso, acredito que ele também tenha essa vontade guardada com ele de ter sido o ícone de uma grande conquista no São Paulo.

Parabéns Kaka! Você foi brilhante. Pena que sempre tão distante.

abs,
RicaPerrone

Dunga e o grupo

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Dunga é gaúcho, um sujeito duro, firme em suas convicções e gostem dele ou não, sua filosofia é essa. Se querem mudar o conceito, mudem o treinador, não tentem mudar o Dunga.

Dentro de suas certezas está e sempre esteve o grupo. Dunga não convoca jogadores que podem causar desconforto ao vestiário porque ele acredita que isso seja enorme parte do sucesso.

A lista é bem coerente com as anteriores. As polêmicas são também previsíveis.

Marcelo: Tá machucado.

Thiago Silva: Não satisfeito em jogar bola pra cacete, não consegue ficar 2 semanas sem dar uma entrevista que o coloque em situação desconfortável com o grupo da seleção.  Ele se boicota. Eu também não chamaria até que ele parasse de expor o grupo da seleção da forma que tem feito.  Acho o melhor zagueiro do mundo, mas…  Ele não pode contestar a tarja de capitão de um grupo pra imprensa e não internamente, por exemplo.

Jefferson:  Apesar de um grande goleiro e incontestável no que faz, Jefferson também tem personalidade forte e não é um cara tão fácil assim de lidar. Ele não é unanime nem no grupo do Botafogo como todo capitão de personalidade não é.  Logo, não é um absurdo imaginar que ele tenha feito algo que gerou um desgaste de relacionamento. Sua não convocação não é técnica.

As pessoas que acham que “não ser unanime” significa ser odiado pelo grupo precisam aprender a ler. Não ser unanime é não ser 100% bem aceito por todos.  O que a maioria das pessoas com um pingo de personalidade não são.  Pra se ter idéia, no meu programa “Cara a Tapa” eu editei a pedido do entrevistado uma nota “2” pro Jefferson.  O que não me faz achar nada sobre ele, mas apenas constatar que é um sujeito de posição firme e que isso pode cair bem ou mal. Acho sua não convocação resultado dele ter reclamado da sua saida do time titular na mídia.

Mas só acho.

Jonas: Não acompanho campeonato portugues. Não posso opinar! #SomosTodosGloriaPires

Kaká: Não entendo bem a convocação dele. Deve ser o mesmo critério de Thiago e Jefferson: o grupo.  Bola ele não joga pra isso há algum tempo, embora tenha tido um bom momento no SPFC antes de ir pro Orlando City, onde perde-se a referencia.

Hulk: Está jogando muito.  Mas é o Hulk, logo, no primeiro gol perdido, levará toda a porrada sozinho.  É uma convocação ousada.

R. Oliveira: Esse tem que ir se estiver num momento muito especial. Pela idade e falta de perspectiva, só se for fundamental. Hoje, não é. Mas tem outro?

abs,
RicaPerrone

 

Sim, Kaká!

No meu ideal de seleção, “futebol não é momento”.  Momento é quando um jogador mediocre pega confiança e começa a fazer o que ele não faz por rotina. Ou quando um genial jogador começa a errar por algum problema pessoal, enfim.

Fato é que sabemos que em breve os dois voltarão ao normal. E pra mim a seleção devia ser um time, um cargo por merecimento a médio prazo, onde pra ser convocado você tivesse que passar por etapas e então, quando convocado e parte do grupo, não perderia sua vaga ao primeiro rapaz que jogasse 6 rodadas bem no Brasileirão.

Kaká nunca foi na seleção o que foi no Milan, e depois do Milan nunca mais foi em lugar algum.  Mas é um jogador de alto nível, experiente e melhor que William e Oscar ainda.

Aos 32 anos contesta-se a “renovação”. Não tem que haver renovação forçada, nem com data. Ela acontece todos os dias, o tempo todo.  Quando ele não for mais o melhor meia, entra outro. Quando esse outro perder espaço, entra outro. Não precisa a CBF ou a mídia determinar que “agora é pra renovar”.

Kaká hoje é um meia que a seleção não tem e precisa.  Sua convocação não é apenas justa como também sorte da seleção. Não por perder Goulart, óbvio, mas por ter em Kaká e Robinho dois jogadores que tiram um pouco o peso dos meninos que não apenas tem pouca idade como também tem um 7×1 pra carregar nas costas.

O Hulk e o Daniel Alves me causam espanto. Kaká, não.

abs,
RicaPerrone

Galáctico sim senhor!

Eu custo a usar o rótulo porque não e filosofia do treinador o “espetáculo”.  Mas não consigo me esquivar de olhar pro time do São Paulo e perceber que ninguém, talvez nem mesmo o clube, dê a este elenco a dimensão que deveria.

Ouço a todo tropeço que precisa de reforços, que isso, que aquilo. Como se não bastasse, como se fosse um frágil esquadrão.

Ora, senhores. No time titular, hoje, os 4 jogadores de frente foram a seleção brasileira nos últimos anos. No banco, mais dois. Oswaldo e Luis Fabiano.

Talvez uma grande quantidade de clubes pelo mundo considerados grandes não tenha tanto “nome” em seu elenco.  E tem mais!

Na lateral, o titular da seleção do Uruguai. No gol, uma lenda do futebol.  E acredite: Dos demais titular, apenas dois não foram da seleção sub 20 do Brasil.

É sim um São Paulo pra virar quadro na parede. Se não pelo título, que só pode ser de um, por um momento mesmo que breve da retomada da verdadeira alma do clube, que é jogar futebol e não fabricar resultados sem apresentar nada demais.

Há brilhantismo no time do São Paulo desde o meio campo.

Porra, me esqueci! Chegou o Michel Bastos, titular da seleção brasileira em Copa.

Ai você pensa:  “Então é mais time que o Cruzeiro?!”.  E lhe digo, sem receio algum que “sim”.  Claro que sim!  Mas isso no papel.  Não significa que ele será usado da melhor forma, apenas que tem peças para formar algo que funcione.

Muricy não é um estimulador do futebol bem jogado. Mas não tem alternativa quando um ataque será criado por Kaká e Ganso.  Nem que ele obrigue o time a fazer cruzamentos, serão de 3 dedos e não um chuveirinho.

Um São Paulo como há muito não se via, buscando aquilo que há pouco andou fazendo com frequência: ser campeão. Mas serei honesto, quase maluco, e direi a vocês que se este time não der nem quarto lugar mas devolver ao clube a cara de um time que joga um grande futebol, pra frente, no chão e cheio de ousadia, eu já estarei feliz.

Mais feliz até, talvez, do que outros que ganharam na base do Deus me livre.

“O São Paulo é um clube cuja grandeza não consiste em ganhar títulos, mas sim em merecê-los.”

abs,
RicaPerrone

Obrigação de jogar futebol

Eu não sei se esse time do São Paulo será campeão, sequer se vai ser competitivo. Mas é inegável que há muito tempo o clube não tinha um time titular de tanta qualidade técnica como o atual.

Talvez, no papel, mesmo que não funcione ainda tão bem quanto outros tantos, seja um dos melhores ataques do mundo.  Se juntassem Ganso, Kaka, Pato e Luis Fabiano no Milan, a tv aqui transmitiria todos os jogos dos caras chamando de Galáticos.

Não vou entrar no mérito individual de cada um, mas é fato incontestável que estamos falando de 4 jogadores acima da média mundial. Um tem seus problemas físicos, o outro apagão, outro pipoca, enfim. Mas tecnicamente, jogam muito futebol.

Na falta de um meia, discurso do Muricy a vida toda pra justificar a porcaria de futebol apresentado, agora tem dois. E dois que ninguém mais tem no Brasil.

Tem volantes que sabem sair jogando, um goleiro ídolo consagrado, zagueiros que considero bem aceitáveis pro Brasileirão. E não faço idéia do que estão falando quando vejo sãopaulinos dizendo que “precisam de reforços”.

Me desculpe, tricolor, mas se você precisa de reforços com esse time o Palmeiras precisa do que? E o Flamengo? E o Grêmio?  Isso só pra citar times hoje bem mais fracos que o São Paulo no papel.

A obrigação desse time, e especialmente do Muricy, é fazer isso virar futebol bem jogado. Eu honestamente nem me importo tanto com resultados, afinal vivemos deles alguns anos sem jogar nada. Hoje, até por processo de desintoxicação, gostaria de ver o Sào Paulo jogando como São Paulo. Grande, pra cima, no chão.

Eu não sei como o clube está pagando tudo isso. Mas estão lá a disposição. E assim sendo, o mínimo que se pode cobrar deste elenco é futebol.

Não se satisfaça com 1×0 de bola parada. O São Paulo já é o maior campeão do país. Mas esqueceu como ser o melhor time do país.

abs,
RicaPerrone

Menores abandonados

A pior das Copas vem aí. Pressionados, num momento de renovação, abandonados pelos salvadores da pátria, apadrinhados novamente pelo antigo líder.

Neymar e Lucas são craques, vão fazer história. Mas aos 20 anos, sem experiência em Copas, sem saber ainda como jogar contra europeus de cintura dura e muita força física, não podem ser a referência emocional de uma seleção na pior das Copas.

Pior porque seria maravilhoso a qualquer outra seleção jogar em casa. Pra nós, favoritos a tudo, é o inferno.

Imprensa contra, torcida desconfiada, torcedor de final vaiando com 10 minutos. Todos esperando 1982, sendo que adoram ficar na tv babando pro futebol de 2013 que a maioria dos gringos apresentam.

Mudança e reformulação é legal no time dos outros. No nosso, paulada atrás de paulada.

A seleção não pode contar com a ajuda do torcedor, menos ainda da imprensa, que deveria estimular o apoio e não o massacre. Sabemos que não vai acontecer.

E se uma Copa tem um peso enorme nas costas de veteranos, imagine um time de garotos tendo como responsabilidade ganhar o mais difícil de todos os títulos.

Ronaldinho, Adriano e Kaká eram nossos pilares de maturidade. Nosso time de 2014 desenhado há alguns anos tinha neste trio sua base experimentada e capaz de resolver para aguentar a pressão.

Não tem. Um porque não quer, o outro nem futebol joga mais e o terceiro vive machucado.

Culpa do Mano? Do Felipão? Do Neymar?

Não. De ninguém, pois nem cabe aos três a obrigação de salvar pátria alguma. O que se espera de alguém não necessariamente é o que este alguém planeja pra si.

Felipão e Julio César foram lá dar calma e a cara pra bater.  Com eles, que ainda é pouco, os meninos devem apanhar menos até que se adaptem a seleção e ao tipo de jogo que vão enfrentar lá.

Antigamente os europeus mudavam o jeito de jogar para nos enfrentar e quase sempre perdiam. Hoje, por insistencia de uma mídia que baba por qualquer pereba com outra língua, achamos que somos estagiários e eles professores.

Eles controlam o jogo, eles colocam medo e nós, tolinhos, mudamos nosso modo de jogar pra enfrenta-los.

Perdemos, como vamos perder quase sempre. Não por sermos piores, ao contrario, por não aceitarmos mais o fato de sermos melhores.

Faltou personalidade de manter nosso jogo mesmo nas derrotas. Faltou personalidade pra não julgar como vilões cada derrotado com nossa camisa. Falta em campo, falta no dia a dia, falta no futebol brasileiro.

Temos muito talento, pouca convicção do que estamos fazendo. Fruto da nossa mania de jogar tudo no lixo quando perde, tudo pro céu quando vence.

E hoje, quando Felipão estréia perdendo um jogo onde Ronaldinho perde um pênalti e Neymar um gol embaixo da trave, além de termos “dado” um gol a Inglaterra, tudo se torna contestavel de novo.

E não é. É só um passo rumo a Copa onde teremos que ganhar deles todos e de nós mesmos.

Sendo que contra eles somos favoritos. Contra nós, não.

abs,
RicaPerrone