marcelo oliveira

Nunca o contrário

Assisti Atlético MG e Ponte hoje com aquela certeza irritante de que os 2×0 construídos com um futebol convincente e de forma bem imponente não cabiam a quem os fez.

Embora melhor em campo, em boa fase e em casa, a Ponte Preta é sempre a Ponte Preta, o Galo sempre o Galo.  As vezes a gente esquece e, durante um jogo, aceitamos que “as coisas mudaram muito”.

Acho que desde o momento em que o Galo achou o 2×1, todas as pessoas que esqueceram a discrepância de peso nos trajes tiveram que procurar desculpas para explicar o óbvio que viria a seguir.

O Atlético empataria. Como empatou.

Poucas vezes vi um gol que deixasse o segundo tão óbvio.  O Atlético se classificou quando fez o 2×1. O gol de Robinho era mais previsível que o mau futebol coletivo do Galo de Marcello Oliveira.

O Atlético é um time que tem o imponderável a seu favor. Ou, o talento. Como preferirem.

Sabe aqueles times que não precisam de treinador? Então.  Tá aí a prova.

abs,
RicaPerrone

Estatísticas: Palmeiras 1×2 Nacional

Em parceria com a #Opta, o blog mostra os gráficos e alguns números que explicam a derrota do Verdão no Allianz Parque.

Veja os passes errados do Palmeiras no campo de ataque. Note a quantidade absurda de bolas jogadas na área adversária ao invés da troca de passes.

O posicionamento médio estatístico do time em campo mostra uma centralização clara para receber cruzamentos. Os que entraram, entraram também com a função de encontrar essa bola.

Os jogadores com maior precisão no passe:

Zé Roberto 94,8%
Lucas 90%
Jean 89,1%

Os jogadores com pior precisão de passe:

Gabriel Jesus 75%
Cristaldo 79%
Dudu 79,3%

  • O Palmeiras trocou 500 passes no jogo.  Destes, 50 foram longos.
  • Foram 27 cruzamentos na área o jogo todo.

Captura de Tela 2016-03-10 às 14.20.07A troca de passes mais comum do jogo foi entre Robinho e Lucas. Foram 13 passes. Veja no gráfico ao lado onde aconteceram e leia com facilidade as características do jogo.

Robinho é um jogador de meio campo que tem a bola de frente pro adversário.  Sem opções de jogadas pelo chão, estica a bola na lateral para que aconteça um cruzamento.

Essa foi a jogada que o Palmeiras mais fez na partida.  Seria curioso, não fosse há tanto tempo a única jogada do time.

abs,
RicaPerrone

Mais do mesmo

Resultados são tão questionáveis quanto a falta deles. Quando Marcelo Oliveira montou aquele Cruzeiro que jogava um bom futebol, poucas pessoas sugeriram não ser tão filosofia dele quanto vocação do elenco. Hoje, passados alguns anos, temos mais fé em Goulart e Everton do que em Marcelo Oliveira.

Seu bicampeonato com o Cruzeiro já terminou o ano só com bolas cruzadas. O torcedor menos doente do Cruzeiro já notava isso e questionava a queda. Mas o time era campeão, dane-se como.

Marcelo pode ter perdido peças, um momento onde “o que dava” era pra viver de bola na área. Vamos em frente.

No Palmeiras, contratou quem quis. Teve opção pra montar o time de todo jeito que possa imaginar e, se não for pelos pés de Dudu e Jesus, nenhuma bola chega ao ataque palmeirense sem voar.

Não há jogada, não há padrão.  Não há nada de novo, mesmo quando funciona.

E note a diferença fundamental de discussão: O que é novo x o que funciona.

Muricy funciona. Jamais se questionou isso.  Mas é de mais Muricys que precisamos ou de mais Tites com filosofias modernas, competitivas e ao mesmo tempo bem trabalhadas?

O futebol permite que se chegue a resultados através de detalhes isolados. Quando fechamos um time e buscamos a bola parada, temos todo jogo pelo menos 5 chances claras de fazer o gol.  Se ela entrar, o técnico é bom. Ganha 500 mil. Se não entrar, dificilmente vai gerar uma grande má fase porque o treinador do outro lado normalmente também faz isso.

Pobre do nossos times que dependem tanto do medo de perder.

Marcelo pode ser campeão mais 15 vezes. Nunca se contestou o resultado, mas sim a forma.  Não há nada de novo no que faz Marcelo Oliveira. Nada.

abs,
RicaPerrone

Constrangedor

Talvez não haja termo melhor para definir o jogo deste domingo. Uma coisa é ser rebaixado, outra é ser humilhado.

O Palmeiras não tem nada com isso e honestamente, embora o resultado seja incrível, não fez nada de absurdo no jogo para conquistar algo tão histórico.  Jogou bem, é claro! Mas quando se fala em 4×1 em São Januário contra o Vasco imagina-se um show do time de 96.

Os gols foram saindo de forma quase peladeira. Goleiro que fura, zagueiro que cai sentado. O que o Vasco está fazendo ofusca até mesmo o brilho do Palmeiras nesta noite.

A forma com que jogadores como Dagoberto, Guinazu, Andrezinho e outros que não são tão ruins assim se apresentam no clube é constrangedora. Dá margem pra imaginar mil coisas e ter uma certeza: Ou o Vasco acorda amanhã e muda muita coisa, ou não vai se salvar.

Os caminhos estão muito desenhados. O Palmeiras arranca pra brigar por título nas mãos do Marcelo, que ajeitou o que o Oswaldo não conseguiu finalizar.  São vitórias em sequência, algumas delas bastante incontestáveis, como a desta noite.

O Vasco alterna entre momentos péssimos e surtos de lucidez como contra o Fluminense. Mas o momento péssimo é absolutamente inaceitável.  O time não vai de uma vitória a um empate. Vai pra uma goleada em casa.

E mesmo que você consiga encontrar argumentos técnicos para isso, eu não consigo olhar pro time do Vasco e enxergar um monte de amebas capazes de tomar de 3 ou 4 em casa.  Pro Palmeiras? Antes fosse. Mas até pro Avaí já foi!

Quer cair, caia. É do jogo.  Ser humilhado em sequência não é parte do roteiro.

O Palmeiras que me perdoe, era dia de exalta-lo.  Mas tem jogo onde o perdedor perde mais do que o vencedor ganha.

abs,
RicaPerrone

Acaba. Simples assim

Marcelo Oliveira foi um treinador bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro.  Puta trabalho, puta time bem montado no primeiro ano, um já menos agradável de ver no segundo, e agora a soma das derrotas pro rival com a má campanha em mata-mata.

Precisa ser 100% pra um dos lados?

O Cruzeiro é enorme responsável pelo Marcelo ser hoje um treinador Top, talvez mais do que o Marcelo em  fazer do Cruzeiro bicampeão.  As coisas se completam, e não tem nem um super herói nem um vilão.

Dois anos e meio é tempo pra cacete. Desgasta. Não há mal algum no Cruzeiro querer trocar o comando e tentar uma injeção de animo no grupo.

Aí anunciam Luxemburgo, um outro nome de peso. Aliás, muito mais pesado que o Marcelo.

E pela primeira vez na vida vou dizer que não acho que o Luxemburgo é uma boa. Espero errar, como tenho errado apostando nele nos últimos anos, mas não sei se um time limitado sendo cobrado pelo recente time qualificado que o Cruzeiro tinha é um grande negócio.

Se eu fosse o  Luxa ia pra casa. Felipão idem. Ganharam tudo e em qualquer país do mundo seriam tratados como referências incontestáveis.  Mas aqui, se perder domingo, foda-se os 30 anos de sucesso.

Cruzeiro troca na hora certa. Não sei pelo cara certo. Mas confesso que acho o Cruzeiro do Marcelo um time muito “sem pegada”.   Eu gosto de ver um time se superar numa decisão, de meter a cara na grama se for preciso e de correr o risco do fracasso pelo prazer de tentar brilhar.

As vezes ouço alguém exemplificar a “Europa” por causa do treinador do Manchester que passou a vida lá. Mas sabemos que não é assim. Ele é um caso. Os outros, na maioria, duram por ai mesmo. Dois ou três anos. E sabendo também que há um abismo no tipo de relacionamento profissional que se tem culturalmente com o jogador brasileiro e com o europeu.

Comparação tosca. Injusta.

Não há vilões. Nem heróis. Apenas profissionais e seus ciclos.

abs,
RicaPerrone

 

Campeões e campeões

O futebol tem espaço para campeões e campeões. Do sortudo ao brilhante, do roubado ao incontestável, todo tipo de campeão fica pra história.

Mas é muito raro um campeão ser calculista e brilhante ao mesmo tempo.

Costumo dizer que no olhar do líder de um grupo, seja ele de dança, futebol, teatro, qualquer coisa que mexa com pessoas e sentimentos, temos uma boa noção do que esperar dos comandados.

Marcelo Oliveira é um treinador que olha firme. Mas que seus olhos não brilham.

Como Muricy, como Roth, como Parreira e outros tantos (não comparando o estilo de jogo), ele olha pro campo como quem vê uma equação matemática.  O que o faz competente é o fato de saber resolver essa equação.

O que o faz contestável é o fato de que futebol não é só uma equação.

Para ser campeão em torneios com confronto direto e decisivos é preciso mais do que regularidade e um plano de jogo. O Cruzeiro é “regular” há 2 anos e meio.  Mas neste período todo foi desclassificado de maneira até apática de todos os torneios de mata-mata que disputou.

E que os “novinhos” não se enganem, o Cruzeiro não é um time de afinar em mata-mata. Pelo contrário.  Este, regular, de bom futebol, incontestável a médio e longo prazo, não entra pra jogar decisões. Apenas jogos de tabela.

De 2013 pra cá, período de Marcelo, o Cruzeiro foi bicampeão dos pontos corridos. Mas perdeu 2 Mineiros pro Galo, o que ganhou foi com 2 “zero a zero”.

Eliminado das duas Copas do Brasil. Uma delas na final no maior Cruzeiro x Galo da história. Ou, pelo menos, no mais importante em termos de título.  Fora também das Libertadores, como a desta noite, perdendo uma partida absurda por 3×0 dentro de casa com a vaga nas mãos.

Contra o grande rival, 11 jogos sem vencer.

Existem campeões que entram pra história e outros que fazem história. Este Cruzeiro, ainda que histórico, entrou na lista.

Falta um marco para este Cruzeiro. Uma grande vitória, um gol de título, um homem do título, ou, até, um título contra o vice e não contra “tudo e todos”.

abs,
RicaPerrone