rafael silva

Clássico é clássico…

revervr…e vice-versa, diria o filósofo e centroavante Jardel.

O que seria do resto deste domingo de páscoa não fosse o delicioso gosto de saber que o resultado deste clássico é discutível até terça-feira?  Que o goleiro pressionado errou como esperado, que o time desfalcado sentiu como previsto? Que embora tenha jogado menos, chutado menos e criado menos, o vencedor acertou um chute a mais.

Que “se tivesse expulsado…” teria sido diferente.  Mas não expulsou. Aí está seu alvará.  E não há nada que um torcedor goste mais numa derrota do que ter uma desculpa irrefutável da arbitragem.

Sim, o juiz errou ao não expulsar dois jogadores do Cruzeiro em questão de 5 minutos no começo do segundo tempo.  Pode ter errado em outros lances também, embora eu não considere nenhum dos demais tão indiscutíveis quanto as expulsões.

O que me deixou feliz neste Galo x Cruzeiro foi Rafael Silva.  Não pelo seu belo corte de cabelo, que aliás copiarei, mas pelo gesto divertido e provocativo ao fazer o gol da vitória.

Batendo asas, como um galo (ou uma galinha)  sacaneou a torcida rival e nem por isso foi pisoteado pelos adversários em campo.  Ao final do jogo, camisas, abraços e tudo certo. Afinal, é só futebol.

Pobre do sujeito que acha que a ignorância alheia é culpa da brincadeira inofensiva de alguns.  Mais pobre ainda o futebol quando condena atitudes que tornam gols épicos em busca de um ambiente enlatado e babaca.

O Cruzeiro talvez não tenha merecido vencer o jogo pelo que jogou. Mas Rafael Silva, este sim, pelo que fez após o gol, merecia.

abs,
RicaPerrone

 

O sorriso voltou

Nunca deixaram de te respeitar. Você sabe disso. A questão nunca foi esse respeito mas sim a dos “bastidores”.

Quando o vascaíno comemorou “a volta do respeito” via eleição presidencial, entendi. Não concordei, mas entendi. Eles diziam que “não seremos mais roubados”. O que pra qualquer não-vascaíno soava como “eles vão ganhar no apito”.

Entre as lamentações extremistas dos dois lados, discutíveis posturas políticas e muito blá blá blá, havia uma busca velada pela confirmação da frase “slogan” do Vasco 2015.

Se por um lado os não-vascaínos torciam mais por um gol irregular do que pela derrota, por outro tudo que queriam neste domingo era mais uma  vitória na bola, incontestável, grandiosa e que representasse a volta do respeito pelos pés, não pelas mãos.

Hoje sim, “o sorriso voltou”.

E voltou com o Maracanã lotado, com uma torcida barulhenta e assumindo o nervosismo pela grande final.

Grande final. É lá que devem estar os grandes clubes. Ora pra ser vice, ora pra ser campeão. Mas é preciso fazer parte delas.

Acho que nem o mais fanático e doente vascaíno acha que tem um timaço, que vai pra Tóquio ano que vem e que o clube será um modelo estrutural e administrativo com essa antiga-nova direção.  Mas honestamente, de forma imediatista, apaixonada e irracional, tal qual nossa paixão pelo futebol, eles precisavam desse título.

Porque em 2014 eles mereceram, ganharam e um erro aos 46 os tirou das mãos uma taça conquistada. Sim, um erro. Como eventualmente todos que em 2015 aconteceram contra e a favor do Vasco. Até que se prove o contrário.

As vezes você perde a razão, toma um porre e passa uma noite feliz.  E talvez a razão tivesse ainda mais razão se pudesse ter coração.

Eurico pode ser uma cachaça com consequências terríveis a saúde do Vasco e a paixão do vascaíno.  Mas hoje, pelo menos hoje, enquanto o efeito do alcool não passar, deixem-nos serem felizes.

Não vicie, mas uma dose de alegria não faz mal a ninguém.

Parabéns Vasco!

abs,
RicaPerrone

Tanto fez, tanto faz

Pro Botafogo tanto fazia. Um gol ou nenhum lhe daria a vantagem do empate na segunda decisão. E por isso, talvez só por isso, tenha ficado mais resguardado defensivamente durante parte do jogo.

Pro Vasco, não. E teve a posse de bola, algumas boas chances, um volume de jogo conservador que não ponderou em momento algum a “desmotivação” do regulamento em não sofrer um gol.

Era molezinha entender:  Pro Botafogo atacar era um risco, pro Vasco, sofrer um gol nem tanto.

E mesmo neste cenário a partida alternou os dois times no controle. Inacreditavelmente, já no final, quando pro Botafogo pouco importava fazer o gol, ele pressionava o Vasco.

E num lance de bola parada, como a maioria dos gols do Vasco na temporada, uma falha da zaga, uma bola que passa por todo mundo e encontra Rafael Silva para mudar o rumo das coisas.

Se até aqui um gol pro Botafogo era “tanto faz”, não é mais.  E o Vasco, que “tanto fez”, agora sim, joga pensando que buscar um gol “tanto faz”, desde que não sofra nenhum.

Coisas do futebol. Que hoje, deliciosamente, é protagonista e assunto único do pós jogo.

abs,
RicaPerrone