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A eterna burrice

A eterna burrice 1Um dia Nelson Rodrigues disse que invejava a burrice, pois ela era eterna. E é claro que esta frase não é facilmente compreendida pelo alvo, já que são burros, e portanto, não podem separar as coisas.

O mau da internet é que todo mundo tem que opinar sobre algo o tempo todo. E assim, tendo que expor algo a cada 30 segundos, procura-se o que criticar e contestar. Boa parte é de fato contestável, outra é pouca inteligência.

A discussão sobre “alimentar rivalidade com a Argentina” é de uma burrice ímpar. Chega a dar considerável pena de um sujeito que gosta de futebol e não entende a óbvia idéia de alimentar uma competição regada a “ódio” desportivo e deboche.

Você, flamenguista, já discutiu na sua torcida porque odiar o Vasco? E você, corintiano? Já fez campanha para “pegarem leve com o irmão Palmeiras”?

Não, porque sendo apenas instintivo você vai passar mais longe da burrice do que se tentar ser intelectual.

O futebol é um esporte, movido a resultados, paixão, ódio, amor, deboche, vitórias e derrotas. Ele não existe, não faz o menor sentido e não presta pra nada se não tiver adversário. E se tem, é pra ser alimentado como tal.

Sem jamais pregar que vire violência, que fora do esporte isso se torne uma barreira entre pessoas. Mas ali, naquela mesa de bar, o flamenguista e o vascaíno são rivais, não melhores amigos.

O tom usado por Galvão, Leifert, eu e tantos outros para falar da Argentina é a coisa mais simples que existe para qualquer sujeito que tenha 10 minutos livres para pensar na situação.

Mas precisa pensar, e nem todo mundo tem estes 10 minutos.

O clube tem seus rivais a troco de nada. Você encontra os caras na rua, discute, briga, tira sarro, o tempero do futebol já vem pronto.  Na seleção não.

Não encontramos rivais, apenas encontramos brasileiros. Quando com os seus colegas de time, você só exalta ou mais critica?

Óbvio! Com a seleção, mais criticamos, afinal, somos todos brasileiros.

Se não temperarmos a seleção com uma rivalidade, raiva, paixão, chacota e um alvo, ela morre.

“Ah mas eu não ligo pra seleção e não to nem ai pra ter rivalidade com a argentina”.  Ok, azar seu. O que mais posso dizer pra alguém que diz gostar de futebol e abre mão da mais deliciosa rivalidade internacional?

Isso não é uma questão de marketing ou entretenimento. É de inteligência.

E fico realmente espantado quando vejo o número de pessoas que consegue olhar pra um evento sendo armado e questionar a importância dos fogos de artificio.

De fato não são fundamentais. Mas fazem toda a diferença.

A Argentina é nossa rival. No assunto futebol são nossos inimigos, e devem ser sempre, pois é essa a graça do tal do futebol.

Questionar isso ou tentar colocar num outro patamar que não desportivo, me desculpe, é de causar inveja a Nelson Rodrigues.

Não sinta o mesmo, é seu direito. Mas não conteste o show, pois você só está aqui discutindo isso porque compra esse show sem nem notar todo santo dia.

abs,
RicaPerrone

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