Fluminense

A fábrica de quase heróis

Era noite de para super herói.  O Fluminense é aquela cidade violenta onde quase toda semana alguém aparece para salvar o povo e permitir uma noite feliz.

Semana sim, outra também, Fred é a esperança tricolor.

E o roteiro hoje era impecável.  Uma perna só, no sacrifício, tendo a favor de vosso discurso um pênalti mal marcado no Maracanã que fatalmente, não fosse uma goleada, seria o grande “motivo” da derrota.

Ele joga, fica, grita, marca o gol e leva o jogo pros pênaltis. Lá, onde toda a história do futebol diz que ele tende a perder a façanha dos 90 minutos, se coloca pra bater o decisivo.

Quis o destino que Fred não terminasse vilão de seu próprio show.

O Fluminense jogou melhor que o Palmeiras em 180 minutos, teve um pênalti mal marcado no Maracanã (embora também ache que o gol do Palmeiras tenha sido mal anulado)  e hoje teve um discutível pênalti que começa fora da área e termina dentro.  Eu não daria. Daria falta. Mas passo longe de chamar isso de “roubo”.

O discurso da eliminação, salvo uma goleada, estava pronto de véspera. E a imagem do pênalti no Maracanã será reprisada pra sempre quando o assunto for Fluminense/Arbitragem.  Previsível.

O ponto mais interessante do jogo hoje é que Fred teve seu dia de Thiago Neves, nas devidas proporções, é claro.

Fez tudo que tinha que fazer pra salvar a cidade em mais uma noite de super herói. Mas, como o mocinho morreu no final, ninguém vai contar essa história pros netos. Por mais que ela merecesse.

abs,
RicaPerrone

Os números dos centroavantes do Brasil

Você já deve ter se perguntado se é impressão sua ou se o Luis Fabiano passa mesmo o jogo impedido. Se o Love é tão menos efetivo assim que os mais aclamados neste campeonato. E se o Guerrero tem ou não um papel fundamental no Flamengo em 2015.

Pois algumas de suas respostas podem estar neste quadro exclusivo com dados oficiais da Opta para os 6 principais centroavantes do campeonato.

Note:

  • Ricardo Oliveira e Love são os que mais fazem gols pela média de minutos jogados.
  • Pratto é o que mais chuta a gol.
  • Love é o pior passador entre os 6 escolhidos.
  • Guerrero é o que mais cria oportunidades proporcionalmente.
  • Love é, também, o que mais desarma.  O que menos bate.
  • E o Fred é o maior vencedor de bolas divididas entre os centroavantes.

abs,
RicaPerrone

Os “Flus” e suas “torcidas”

Existe um Fluminense com Fred, um sem Fred.  Talvez o que vá ao Allianz seja sem, o que torna o jogo muito mais equilibrado do que o que, com ele, fez vantagem no Maracanã.

O Tricolor é um clube de duas verdades.   E isso é claro desde um raio de 500 metros em volta do estádio.

A torcida do Fluminense também não é uma só. São várias.  Existem 15 mil torcedores que merecem ganhar todos os jogos, receber honras do clube e serem tratados como parte do elenco.

Deve ter uns, sei lá, 40 ou 50 mil, dispostos a fazer festinha e postar no face. Essa galera que passa o ano na web enchendo a porra do saco e quando o time dá motivos ou pede sua ajuda, ele se recusa a ir porque…. “é muito tarde”, ou talvez porque “é longe”.

Tarde será quando você perceber que é um mero oportunista de tudo isso e que suas reclamações virtuais “de direito” não são tão de direito assim, já que você não é parte disso.

Mas hoje quero falar dos 15.

Dessa galera que, mesmo me irritando com algumas argentinisses desnecessárias (risos) é incrivelmente fiel a seus valores e as tradições do clube que os representa.  Uma turma que se junta pra comprar bandeira, que briga com sua própria torcida (sem violencia) para pedir que ela seja parte deles.

E não. A resposta é quase sempre “não”.

Eu já fui um torcedor desses, como esses 15 mil tricolores. Sei como é juntar seu dinheiro, comprar camisa, fazer bandeira e a puta que pariu pra chegar lá e ver meio estádio vazio porque estão esperando que você ajude a levar o time pra final pra irem lá comemorar.

Eu sei a raiva que dá.

Tricolores sentem raiva de outros tricolores em dias como hoje.  Porque 35 mil pessoas, hoje, foi um público ruim. Eles esperavam os outros 35 mil que deveriam estar lá com eles e não foram.

E o Fluminense sai de campo com um 2×1, um penalti mal marcado contra, e a um empate da final. Do clube falido que morreria sem a Unimed, abandonado o ano todo pelos seus torcedores e que mais uma vez pode lhes convidar pra uma festinha de fim de ano.

Infiéis.

Eu sinto não por vocês, que não tem cura. Que não amam futebol e seus clubes.  Que se acham mais importantes do que o clube e que sua presença é um “favor” que você faz a quem a vida toda te fez mais feliz.  Mas sinto pelos 15 mil.

Eu não sei se vocês merecem o Fluminense, se o Fluminense os merece. Sei que os 15 mil não merecem ter que dividir o rótulo “torcedor do Flu” com vocês.  Foi um ano de abandono. Time chegou ao G4, comprou Ronaldinho e você? Nada.

Mas calma! Se tudo der certo semana que vem vocês estarão fazendo fila pra, quem sabe, tirar desses 15 mil os ingressos da final que eles ajudaram o Flu a chegar.

E se ganhar, mesmo que você diga aos 4 cantos e “compartilhe” nas suas redes sociais, vocês sabem quem poderá dizer “nós ganhamos” e quem vai ter que se referir ao título como “eles”.

abs,
RicaPerrone

Flu encontra forma de jogar. SPFC segue irregular

Previsível.  O SPFC ou chegaria ao Maracanã atropelando o Fluminense, ou estaria cochilando em campo esperando o adversário ganhar o jogo.  O Tricolor paulista oscila entre esses dois cenários ha algum tempo.

E no Maracanã o Fluminense encaixou o jogo, o SPFC deu uma bela descansada em campo após dias de muito treino, e o resultado veio naturalmente.

Longe de ter visto o Fluzão fazer algo incrível, o time foi mais organizado pela lógica do Batista. Afinal, tem coisas que são lógicas e só gente com muita vontade de ser gênio se recusa a fazer.

Gérson no meio, homens rápidos nas pontas, qualidade na saida de bola, Fred pra resolver. Tá resolvido! Fluminense 2×0.

Ainda não tem um futebol pra convença, mas tem um time onde todo mundo rende. Meramente porque jogadores rápidos estão abertos, lentos e técnicos estão no meio e o time não precisa mais tentar atacar em velocidade com o Gérson puxando contra ataque de ponta direita.  Não é “genial”. É o simples.

O São Paulo comete erros bobos quando escalado.  Luis Fabiano, que parece estar fazendo um sacrifício em entrar em campo, é uma escalação equivocada.  E sem Michel Bastos sabemos que o SPFC fica travado dependendo muito da boa vontade do Ganso, que convenhamos, não é algo pra se contar com ela.

Resultado é justo embora o jogo tenha sido ruim.  O Fluminense teve, ao menos, uma forma clara de jogo e foi organizado em suas ações. O SPFC parecia esperar uma bola.

Ela até veio, mas caiu nos pés do Luis Fabiano  que, de férias e ainda em campo, não conseguiu fazer nada com ela.

Segue o barco, até porque, sabemos, os dois querem mesmo é a Copa do Brasil.

abs,
RicaPerrone

O melancólico fim do Campeonato Carioca

Está cada dia mais claro que o futebol caminha pra uma LIGA entre clubes, o fim dos estaduais e um nacional ano todo, com datas mais razoáveis e espaço para seleções, Copa do Brasil e tudo mais.

É o óbvio do planeta: cada vez mais pedindo resultados, lucro e cada dia menos aceitando o jeitinho, o esquema, o amigo do amigo.

Algumas pessoas ainda não perceberam isso. Como costumo dizer, Deus limitou a inteligência e não fez o mesmo com a burrice, portanto, não podemos condena-los.

Já sem contar com a atenção de Flamengo e Fluminense, o Carioca de 2016 tinha que ser o campeonato mais razoável possível pra tê-los de volta.  Mas a birrinha, a vontade de ajudar o amiguinho e o coronelismo são mais importantes do que o bom resultado.

O regulamento é estranho, mas até que legal. São 2 grupos de 8 que se cruzam. Após 8 rodadas, forma-se um grupo com os 4 primeiros de cada lado e eles jogam entre si. Depois disso semifinal e final.

Inchado, exagerado, cheio de perda de tempo pra times que precisam faturar alto pra manter o nível.  O futebol socialista do Brasil segue brigando com a lógica. Mas neste caso, ao contrário do que insinuam, a CBF não pode fazer nada. Só os clubes podem mudar.

E eis que olhando o regulamento noto uma “camaradagem” adotada em 2016, pra favorecer os “amigos” da FERJ e causar mais uma polêmica enorme sem necessidade.

Puta que me pariu, FERJ, com todo respeito.  Porque diabos vamos ter mais uma vez a briga pelo lado da porra do Maracanã, que note, não é mais um estádio sob administração pública e portanto não cabe a você escolher lado de porra nenhuma?

Porque dar a Botafogo e Vasco o mando dos dois clássicos da primeira fase sendo que são 2 pra cada time, e facilmente seria lógico e justo que cada um mandasse um em casa, um fora?

Porque caralhos vamos prever em regulamento mais polêmicas como um possível Fluminense x Vasco no Maracanã e seu mando de campo inviável?

Eu custo a entender a lógica brasileira de resolver problemas. Quando tudo te empurra pra simplificar, baixar a polêmica e fazer bem feito, eles conseguem piorar em detalhes irrelevantes meramente a troco de mostrar que manda.

Qual o beneficio nesse regulamento? O que temos a ganhar com essas duas regras?  Polêmica, briga, distanciamento de Fla e Flu, problemas com Maracanã e mais enfraquecimento do estadual.

Então, meu charmoso Cariocão, morra em paz. Mas assuma o suicídio.

abs,
RicaPerrone

O criador

O Brasileirão 2015 está muito bom. E uma das “novidades” no campeonato em relação aos anos anteriores é a volta dos meias que armam o jogo.  Destes, Jadson é destaque absoluto.

Uma das estatísticas mais interessantes da Opta Sports é o “Oportunidades criadas”. Consideram chances de gol que um jogador criou através de um passe, lançamento ou jogada individual.

O ranking coloca Jadson no topo, com Lucas Lima em segundo. O Grêmio tem dois jogadores entre os  10 primeiros, Douglas e Giuliano. Veja!

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Alguém que você esperava ficou de fora da lista?

abs,
RicaPerrone

Gre 1×1 Flu: Fred em números

Tal do Fred resolveu mais uma pro Flu. O “cone” de muitos segue com números impressionantes e atuações importantes em jogos decisivos. Ontem, contra o Grêmio, Fred deu um chute a gol. Gol.

No gráfico exclusivo abaixo você vê cada toque na bola do atacante nos 90 minutos.  Os em vermelho ele errou, em verde acertou. Em amarelo, assistência.

Os roxos na área de defesa representam os cortes de Fred.  Ele tirou 5 bolas da defesa, sendo o segundo maior “cortador de bolas” do Flu, perdendo pro Gum, com 15.

Os dados da Opta Sports, maior empresa de estatísticas do mundo, são exclusivas neste blog.

abs,
RicaPerrone

“O cara”, o detalhe a mais

Pra mim este era o confronto mais importante da noite. E não vou ser medroso de revelar que acredito que destes dois sai o meu favorito a título, pelo menos um ligeiro favoritismo.

Porque? Porque o Grêmio é o melhor time que ainda estava na Copa do Brasil. O mais competente e organizado, vide Brasileirão.  E o Fluminense é o time grande em situação pior (tirando o Vasco)  nesse momento. O que isso significa? Que ele não está entrando em campo com “obrigação” de nada, nem em casa.  E isso nas mãos de um grande é uma tremenda arma.

Enfim, não me frustrei.  O Grêmio foi bem melhor, deu 21 chutes a gol, posse de bola acima dos 60%, trocou o dobro de passes, mas… O Fluminense surpreendeu.  Eles não esperavam ver o Flu com essa formação, e finalmente ( é pra glorificar em pé, aleluia!) um treinador colocou o Gerson no meio e os velozes abertos.

O Flu não teve a bola o tempo todo mas quando teve levou perigo. Jogou uma partida consistente, intensa e competitiva. Algo que não vinha fazendo. O time morto que não se mexia se mexeu. E não “achou” o resultado, não.

A proposta era essa e quem tem Fred na área sabe que tem algo que o adversário não tem. Aliás, diria hoje que a grande diferença entre eles era essa. Um criava pra ninguém finalizar. O outro criava um terço, mas pro Fred.

E aí, que me perdoem os papagaios de imprensa, mas o Fred é o melhor centroavante que temos ainda, e não é de hoje. Especialmente pelo fato dele adorar jogo decisivo, coisa que a maioria não gosta.

O Grêmio melhor, mas sem ninguém pra resolver. O Flu bem em campo, mas com “o cara” pra resolver o jogo.

Vaga merecida. Como aliás, se caisse pro outro lado também seria.

Na verdade merecidos mesmo foram os aplausos no final do jogo. Que jogo!

abs,
RicaPerrone

O final “feliz” de uma aposta infeliz

Passa da uma da manhã, Ronaldinho e Fluminense acabaram de “romper” o namoro.  Serei bastante direto pra não fazer firula em jogo encerrado.

Não gosto do Ronaldinho.  Acho um profissional frouxo, pipoqueiro em decisões, de uma personalidade fraquíssima e controlado feito marionete pelo irmão.

Não conheço o Ronaldinho.  O que pode fazer enorme diferença na minha avaliação sobre ele. O que acho, acho do jogador. O sujeito, só ouço coisas boas.

Acho que ele foi um tremendo canalha com o Grêmio e um cara covarde com o Flamengo.  Acho que ele não foi “o cara” na Libertadores do Galo, embora tenha tido seu valor.

Acho, no entanto, que na sua melhor fase jogou mais que o Messi. Um gênio, um absurdo de jogador. Raríssimo.

Ele foi uma aposta do Fluminense. Riscos são proporcionais aos índices de acerto. Era mais fácil não dar certo, por isso muito arriscado. E não deu.

Ronaldinho e Fluminense entendem que é melhor pra ambos acabar com isso e não gerar nenhuma dívida de parte alguma. Ponto. Melhor impossível.

Um acordo bem tramado que termina sem prejuízo. Ou, se você for otimista, com o lucro de 10 mil sócios torcedores.  Ou, se pessimista, com 2 salários jogados fora.

A manchete de que saiu bom pra todo mundo não vende, logo, veremos alguns absurdos nas próximas horas. Mas no planeta que eu imagino ideal, quando duas partes não estão se entendendo não há nenhuma solução melhor do que um fim em comum acordo.

Segue a vida.  Sem teorias mirabolantes.

abs,
RicaPerrone

Salvador

Com o gol, salvou o time, o ingresso e o pescoço de Ronaldinho e Gérson, que tiveram atuações horrorosas no Maracanã.  O jovem Scarpa é um dos menos “empolgantes” novatos do clube tecnicamente e, veja você, foi o autor do mais belo gol de todos eles.

De útil e tático a “decisivo foi Scarpa. De decisivo a “volante tático” foi Cícero.  E de gênio a peso morto, Ronaldinho Gaúcho segue de férias mesmo em campo.

Um erro escala-lo, outro insistir nisso. Eduardo acabou de chegar, quer testar, pois bem, está testado. Ronaldinho não está apto para jogar futebol em alto nível. Se é físico, psicologico ou mera vagabundagem, só ele sabe. Mas em campo, um a menos.

Foca no gol.

Foi só isso.  O Fluminense fez outro jogo ruim, especialmente no primeiro tempo, onde o time ficou parado cada um em sua posição esperando a bola.  Gérson, Fred e R10 fica complicado esperar movimentação. Fácil de marcar, dependente de uma jogada isolada, o Flu está longe de competir em alto nível de novo.

As entradas no segundo tempo de Oswaldo e Marcos Junior deixam isso claro não exatamente pelas suas atuações, mas pelo fato de terem o mínimo de vontade de buscar um espaço em campo e expor o quanto são nocivos, hoje, nesse esquema, Gérson e R10 juntos do Fred.

Fred que, mais uma vez, fez a parte dele. Tirou lá atrás, marcou o dele, empurrou o time e até brigou com a torcida pedindo aplausos. É um capitão invejável.

Mas vamos falar do gol. É o que tiramos desta noite no Maracanã.

Um surto de genialidade do menos genial dos garotos que o Flu inventa na fábrica de Xerém.  É dele o lance que separa Fluminense e Goiás na noite de hoje e, por consequência, coloca o Flu de novo numa situação ainda não tão dramática no campeonato.

Scarpa é um garoto que se mexe, já atuou em 3 posições diferentes e que num momento difícil do jogo puxou pro “pé ruim” e fez o gol.

Quantos jogadores de 30 e tantos anos caem sentados quando a bola vai pro pé errado?

Talvez Scarpa não seja o “menos genial” dos garotos do Flu. Talvez seja o mais moderno, o que tenha entendido melhor o jogo e suas novas cartas.  É rápido, versátil, tem qualidade e joga pro time.

Um time que depende tanto de um lance individual, veja você, quem diria, voltou a vencer num lampejo de brilhantismo de um de que privilegia o simples.

E o futebol é simples.  Mesmo quando genial.

abs,
RicaPerrone