Pessoais

Sou eu assim sem você

Cheguei, abri a porta de casa e estava tudo no lugar. Ninguém correu até mim, não havia uma coleira jogada na mesa ou um tapete revirado na sala.

Não havia nada.

Abri a geladeira e derrubei um pedaço de queijo no chão. Ninguém correu pra pegar. Meus pés estavam livres, eu podia transitar sem olhar para não tropeçar em ninguém.

Deixei a porta do quarto meio aberta por hábito, embora pudesse fechar porque o ar ficaria ainda mais eficiente. Me deitei sem ter que conferir a água e a comida, não tive que me esticar na cama pra conseguir dar um beijo de boa noite em quem, velhinho, não conseguia mais subir.

E então tentei dormir. Era a primeira vez em 16 anos que antes de dormir eu não sorria porque ele estava ali. Mesmo quando viajando, eu abria sua foto no celular pra ver. Doeu muito mais do que eu achei que fosse doer. E me preparo pra isso há exatos 16 anos.

Desde o primeiro dia, quando o segurei nas mãos, eu pensei: “e quando ele morrer?”.

Foram 16 anos, o amor aumentando, e dia após dia meu medo de perde-lo era maior e mais assustador.  Tivemos sustos, cirurgias, momentos em que eu perdi o controle sobre o bem estar dele e descobri nesse período que a única coisa que me tira do eixo na vida é não ter controle sobre algo que eu preciso proteger.

Agora faz exatamente 24 horas que meu telefone tocou com o Fred, meu veterinário de confiança, dizendo que havia acabado.

Serão milhares de vezes que vou sentir essa saudade. Mas hoje é a mais forte sensação que vou ter do quanto valeu a pena ter passado por isso e do quanto é insignificante a dor absurda que eu estou sentindo perto do que ele me deu.

Sim, eu faria tudo de novo. Mesmo agora, no ápice da dor, eu garanto que faria.

Virei alguém melhor todos os dias. Aprendi a dar e receber carinho, a me importar, a não ser egoista e, hoje, especialmente hoje, aprendi o quanto a gente perde tempo esperando o pior.

Eu me preparei pra perde-lo. Mas eu esqueci de prepara-lo pra partir. E então, um dia antes dele morrer, eu tive que ir até o hospital onde ele estava internado, sentar no chão com ele e dizer pra ele que ele podia ir.  Que ele não precisava sofrer aquilo tudo, que eu entendia e que ficaria bem.  Como se eu tivesse que convence-lo a não lutar mais contra aquela dor que o fazia nem me olhar direito mais.

E então ele se foi no outro dia, antes que eu voltasse a visita-lo.  Foi nossa despedida. E a última coisa que fiz foi dar um beijo na cabeça dele e dizer “obrigado”.

Eu sou ateu, vocês sabem. Mas hoje eu queria ser o cara mais religioso do mundo só pra acreditar que ele está em algum lugar que ainda vou encontra-lo.

E porque eu estou escrevendo isso? Porque eu quero pedir que vocês nunca percam um minuto do tempo com seu animal de estimação imaginando a morte dele. Vai doer, e vai ser pior do que você pensa. Então não pensa.

Eu pensei. Muitas vezes, todos os dias. Me torturei anos por algo que eu não podia dimensionar, programar e nem evitar.

Eu daria um braço só pra ver ele correr mais uma vez com o brinquedinho na boca me pedindo pra tentar tirar dele.

Bom, eu sempre disse que eu era ateu. Ele nunca me disse nada. Então…

Vai com Deus, filho. E me espera. “Pai já vem”.

RicaPerrone

Cara a Tapa

Eu?

Eu acho Coca melhor que Pepsi. Gosto de Zezé e Luciano. Adoro pagode, meus grupos preferidos são o Sorriso Maroto e o Molejo. Minha escola a Mocidade. E se você perguntar “qual? A do Rio ou de SP?” eu quero te dar um soco.

Prefiro mata-mata, não sou mais o mesmo torcedor do SPFC de 15 anos atrás, mas serei sempre no mínimo louco por este clube.

Torço pra seleção. Pra caralho.  Tipo igual torço pro meu time na Libertadores.  Sim, sou minoria.  Mas prometo não fazer uma ONG por isso.

Acho esquerdista fofo. A causa é nobre, o argumento que o motiva idem. O desenrolar da sugestão é absurdo e os resultados onde foi aplicado a idéia deles é uma tragédia. Logo, ser de esquerda pra mim é optar pela teimosia. Ou burrice. Vai de cada um.

As palavras acima não indicam que eu ache os ideais da direita bons. Apenas menos imbecis.

Respeito a burrice. É involuntária. Não respeito quem apoia bandido. É caráter. Logo, pra mim, toda pessoa que está abraçada ao Psol, ao PT ou a qualquer condenado é um tremendo filho da puta.

Porque só PT e Psol? Porque não conheço outros partidos que tenham torcida, paquitas e que unificam o apoio ao crime de forma oficial.  O Freixo abraçou o Lula na quarta, pediu justiça pela amiga Marielle  na quinta.  Isso pra mim o torna um hipócrita.  É pela justiça ou pelos amigos?

Entre uma cabra e o Jean Willys, eu prefiro discutir com a cabra.

Rio ou São Paulo?  Rio. Pra caralho.

O Bolsonaro? Não sou paquito, nem odeio o cara. Conheci em ambiente familiar, com os filhos, em casa. Sujeito engraçado, gente boa. Não significa que tenha o mesmo ideal político que eu. Mas eu não odeio quem não me roubou. Só talvez discorde.

Se votaria nele? Depende do adversário. Mas ele não é nem de longe minha última opção.

No PT? Jamais apertei o 13. E não fiz isso porque “sabia que eram bandidos”. Fiz porque sabia que era mentira. É diferente. Meu PT agora é o Psol. A mentira adotada pela classe artistica maconheira hipocrita da vez.

Sou liberal. Só que eu só consigo explicar isso pra quem não é militante. O militante é quase sempre um imbecil. Ele não pondera e nem ouve. Só grita.

Aborto, maconha, cocaina, jogo, arma. Pra mim TUDO pode ser liberado. O que não significa que esteja a venda nas Casas Bahia. Significa que ha POSSIBILIDADE de dentro de alguns pre requisitos você ter de forma legal.

Estado mínimo. Por mim privatizaria até o último orelhão do país. Aliás, simpatizo com as leis americanas que dão aos estados o poder de se administrar sob as proprias leis abaixo de um estado maior.

Acreditei muito no Brasil. Briguei por ele, fiz papel de Pacheco e otário. Após a Lava Jato ser exposta e ver a reação do povo brasileiro eu desisti. Hoje não só moraria fora como pretendo morar.

Não acho que todo mundo que faz algo errado no Brasil é totalmente culpado. Simplesmente porque existem sistemas que OBRIGAM a pessoa a fazer merda pra ter o que ela deveria ter por meios limpos. Se o rio está sujo e você tem que atravessar, você se suja. Ou fica do outro lado.

Eu odeio o politicamente correto. E mais ainda o fato de sermos enorme maioria e permitirmos que a gritaria desse bando de frustrado seja mais alta do que nosso bom senso em saber o que é ou não um exagero.

Enfim, entre Bolsonaro e Lula, votaria no Bolsonaro.

Raí ou Socrates? Rai, é claro!

Intervenção militar? Quero não. Mas prefiro a ditadura militar do que ser Venezuela ou Cuba.

Acho que transar com meninas de 13 anos tendo 40, crime. Um absurdo! Pena que a mídia só se revolta quando convém.

Não tenho medo da Globo, nem a odeio. Lamento pela emissora covarde e lacradora que ela virou.

Dou nota 10 pro Zico. Dou 4 pro Juninho, 6 pro Bolsonaro, 0 pro Lula, 2 pra Dilma, que tem o mérito de ter chegado ao poder sendo extremamente limitada. Quase um milagre. Ou, no caso, uma indicação de Judas ao povo de menor discernimento.

Agora você já me odeia ou gosta de mim. Mas eu escrevi tudo isso porque outro dia alguém me disse que se eu queria perguntar no meu programa sobre tudo isso e expor as pessoas a opiniões que lhes tirariam da zona confortável de não rejeição, eu devia ter a coragem de fazer o mesmo.

Concordo.

Ah! Uso “porque” de uma só maneira em tudo que escrevo há mais de 10 anos. O motivo disso é um texto antigo que nem tenho mais de alguma repercussão na época do Orkut onde eu dizia que a lingua portuguesa não é “rica”, mas sim, como quase tudo no Brasil, “burra e desncessária”. Desde então disse que não separaria mais os “porques” e que isso não mudaria em absolutamente nada a leitura. Mas eu sei a regra. Embora não pareça, eu estudei e não cheguei aqui sendo amigo do editor ou dando a bunda pro diretor. Fiz sozinho e trabalhando.

Acho que agora você pode se inscrever no Cara a Tapa e saber o que pensa o entrevistado já conhecendo quem de fato é o entrevistador.

E principalmente, note pelos entrevistados, ver opiniões absolutamente contrárias as minhas no canal.

abs,
RicaPerrone

Eu só queria que tu soubesse ler

Se hoje você soubesse, saberia que faz 15 anos. Talvez entendesse a importância disso para os humanos, talvez só usasse pra me chantagear e pedir mais um doguitos.

Eu não me importaria. Aliás, filhote, se tem uma coisa no mundo que eu não me importo é em “perder” pra você.

Sei que esse pode ser o último e tenho certeza que será “um dos”, na melhor das hipóteses.  Hoje você não está doente, ainda faz quase tudo que fazia com 8 aninhos.  Então ainda dá pra te olhar sem sofrer.

Você chegou com 28 dias, mal saia da caminha pra beber água. Foi meu parceiro em todas as merdas que fiz na vida, e a primeira “lambida” quando eu tinha algo bom pra contar.

Agora tu tá aqui no meu lado, branquinho, me olhando escrever sem entender nada. E eu louco pra que você pudesse voltar 10 anos no tempo e correr pra pegar a corda pra brincar.

Eu não ia escrever um post sobre você, afinal, você não vai ler então não faz sentido algum. Mas por outro lado se é tão comum dividir aqui a dor quando perde-se vocês, porque não quando ainda os temos conosco?

Você aprendeu tudo que eu ensinei. Do lugar do xixi a não pedir pra brincar na hora do jogo. Do jeito certo de comer maça a deitar, rolar e fingir de morto. E quando você não estiver fingindo vai ser foda.

Te dei e tirei algumas “mães” nessa vida, né cara? Desculpa. Deve ser insuportável pra você vê-las sumir sem entender como isso acontece.  Coisa de humano. Não se preocupe, nunca foi culpa sua.

Dizem que eu nunca tive filhos. Porra, carinha… eles não sabem de nada, né? Até câncer a gente encarou.

Vem cara! Sobe aqui. Vamos dormir. Eu acho que nem sei mais acordar sem que sua alegria seja a primeira coisa do meu dia. E sabe o que é melhor? Nem preciso ainda me acostumar com isso.

Te amo, filhote! Obrigado por me fazer alguém melhor todo santo dia. E desculpe os meus mil defeitos. É q eu sou só um humano, não consigo ser como você.

Feliz aniversário, Schummy!

RicaPerrone (Pai)

Feliz dois mil e hexa!

Em 2018 eu quero que você reuna seus amigos o máximo de vezes que puder. Que faça churrascos com muita cerveja, risadas sem noção e futebol sempre que puder. Quando não puder, dê um jeito.
 
Não precisa ser a picanha mais cara. Se não der, pega aquela de 30 reais. Tudo bem. Compra latão, tanto faz. Mas junta gente, brinda coisas sem sentido, abraça os amigos e promete qualquer merda mesmo que seja só um conhecido.
 
Sorria. Aliás, gargalhe. Morra de rir.
 
Não brigue com seus amigos por causa desses filhos da puta da política. Discuta, mas quando a chapa esquentar, muda de assunto. “E o Corinthians?!”. Pronto, foda-se o Lula, o Bolsonaro, o Doria….
 
Se veste de amarelo. Pinta a cara. Curta a Copa e não seja um idiota que reclama do pão e circo no mes de junho. A gente precisa de circo pra vida ter sentido e pão pra ela continuar. Uma coisa não exclui a outra.
 
Se juntas pessoas para celebrar, cantar o hino, sentir orgulho e confraternizar não é motivo para parar o país, cancela a porra do Natal.
 
Vai ter hexa! Tem que ter.  
 
Não importa onde, mas sempre com quem. E se for com os nossos, o lugar tá ótimo.
 
Um ano cheio de muita risada gostosa, amigos leais, romances surreais, jogos memoráveis do seu time, churrascos com mais pão de alho que picanha e, ainda assim, os melhores churrascos do mundo.
 
Pára de esperar ficar rico. Ser feliz custa menos de 100 reais.
 
Um 2018 do caralho pra vocês! Inclusive pra quem vive aqui só pra me encher a porra do saco.
 
Aos meus, em especial, e quem é sabe, um beijo enorme e obrigado por mais um ano de amizade e tudo que citei acima. Eu tenho os melhores amigos do mundo. Agora pega o cavaco, bota a cerveja pra gelar, acende a churrasqueira chega de papo!
 
Feliz 2018
abs,
RicaPerrone

20 anos de Rica Perrone

Era 11 de março de 1997 e, portanto, faz 20 anos. Eu entrei na Band FM em São Paulo a convite de um vizinho que era diretor da rádio, nem me lembro o nome. Morreu já.

Cheguei umas 17h. A primeira pessoa que vi na Band foi Luciano do Vale, que passava na catraca na minha frente.  Fiz Palmeiras 7×1 River-PI pela Copa do Brasil, 3 gols do Viola.

Foi a primeira vez que “trabalhei com futebol” na vida.

Pouco depois fui demitido e, puto, resolvi que faria o material e venderia pronto pra emissoras.  Veja você, moleque folgado, aos 19 anos, querendo produzir jogo pra Sportv, Rádio Globo, Rádio Record e Tv bandeirantes. Nem faculdade eu fazia ainda.

Fiz pra todos. Todos eles usaram. A Band me contratou pra TV após isso. Eu fiquei dois dias, pedi demissão.

Ninguém acreditava. “Maluco! Saiu da Band com 2 dias! Puta chance!”.

Chance o caralho. Se era pra fazer aquilo eu preferia ser veterinário. Odiei. Só filha da puta, ego pra caralho, panela pra cacete, nego veterano tratando mal quem chegou. Peguei um ambiente péssimo, era a época da Traffic. Enfim, não era aquilo.

Sai. Fui cobrir F-1 para um site do Deva Pascovic na AOL. Deva morreu no acidente da Chape. De reporter de F-1 fui fazendo, fazendo, até vender pra America On Line um site de Fórmula 1. Ele se tornou de automobilismo, depois foi pra outros parceiros e em um momento, acho que 2003, eu asseguro que tinha o maior site de automobilismo em lingua portuguesa no mundo. Era bizarro! Tinha transmissão ao vivo de Nascar, irmão!

Dali fiz a Rádio F-1 na WEB, há quem diga que foi o primeiro “programa de rádio” sobre o tema na web. Nunca confirmei. Em seguida começou a ter “blog” de menininha postando a vida delas. Eu fui o idiota que pensou: Porque as colunas semanais não viram blogs e postamos quando queremos sem data fixa?

Fiz isso. O primeiro. E voltei atrás com uns 3 meses porque não entendiam aquele mecanismo. Em 2006, quando já tinham alguns, voltei e está até hoje. Mas quem transformou a “coluna” em blog pela primeira vez entre os jornalistas foi esse cara aqui.

E de 2005 pra cá eu fiz SPnet, criei a Rádio SPNET, fiz a Estação Tricolor, fechei o F1naWEB, fiz do meu blog referência na web e passei por um período onde o blog foi parceiro da Globo.com. Note: Eu jamais TRABALHEI lá. Fizemos parceria, ao contrário do que pensam.

Minha carteira de trabalho está em branco. Eu abri uma empresa com 19 anos. Nunca tive um décimo terceiro, férias, nem mesmo uma indicação pra prêmio ou algo do tipo.

Batalhei todos os meus patrocínios, consegui meus views, escrevi meu livro e fui o único jornalista sem um grupo de mídia credenciado pela FIFA na Copa do Mundo. A sugestão da própria FIFA.

Não fiz grandes amigos no meio porque não gosto do meio. Não frequento, não ando em bando, pouco os conheço. Não sou “jornalista”.  Trabalho com entretenimento.

Mas nos clubes, entre os treinadores, profissionais, jogadores e gente que de fato faz a coisa girar, tenho amizades e o respeito que gostaria. Não tenho inimigos no futebol. Só na imprensa esportiva.

Conheci os meus ídolos, o Zico lê meu blog. Na Copa os jogadores compartilhavam meus textos no grupo deles de whatsatp. E a CBF me pergunta o que acho sobre algumas coisas.

Fiz o texto dos 19 clubes da série A para a Chapecoense a convite deles, lido pelo Galvão na Globo.  Fiz textos que rodaram a internet, que viraram do Verissimo, de outros tantos. Mas eram só do Rica.

Briguei pra ser o Rica enquanto o Ricardo já existia no UOL, na Folha, na Placar. Adotei o apelido e hoje sabem que tem dois Perrones. E as diferenças.

Eu não fiquei rico. Continuo sendo apenas “Rica”.  Conheci muita gente legal, muita gente escrota.  Vi jogos memoráveis, 95% da arquibancada mesmo credenciado. O 7×1 eu vi de imprensa. Talvez porque eu como torcedor não merecesse aquilo.

Passei por umas rádios. A última, a BET 98, onde fiz por 3 anos um programa de humor e futebol com Marcelo Adnet, Gustavo Pereira e Paulo Beto.

Eu não sou sortudo. Eu trabalhei pra caralho.

Eu tenho 20 anos de independência “jornalistica”, falando o que bem entendo e NENHUM processo contra mim.  Eu jamais criei uma crise, jamais menti sobre uma transferência, cravei uma notícia por ejaculação precoce ou causei mal a alguem do futebol.

“Chapa branca”. Não… honesto. É diferente.

Acrescente também a coerência do que prego em ter feito 2 cursos de treinador e um estágio com o Espinosa pra aprender e melhorar o meu conhecimento sobre o tema e me tornar, de fato, “especialista” em alguma coisa.

As vezes nego pergunta de onde vem o blog, o sucesso, etc.  E eu respondo: “Sou sortudo”.  Mas é só preguiça de contar tudo isso.

Eu abri um mercado. Eu criei uma alternativa que será usada por diversos novos jornalistas e até os atuais.  Não porque sou gênio, nem melhor do que ninguém. Mas porque fui maluco, teimoso e abusado.

Falo demais. Mas ainda assim, nunca me deu problemas o que falo.

Sou a falsa bomba relógio que os velhos acham que é questão de tempo pra “se explodir”. Mas não explode. E nem vai.

Porque atrás dessa marra toda tem alguém que sabe exatamente o que está fazendo. E que embora tenha tido sorte, teve bem mais do que isso pra ser a referência, o alvo ou o “filha da puta que eu odeio” de tanta gente.

Não vão ter mais 20. Eu fiz da minha meta parar com o hexa em 2018 e fazer outra coisa dentro do futebol que não mais “jornalismo”.  Talvez você tenha notado com os textos sobre outros temas.

A melhor coisa que fiz foi o Cara a Tapa. A pior foi o Futebol na WEB, um site que não vingou.

E a que mais me orgulho é de ter todo dia um e-mail na minha caixa de alguém dizendo que não concorda comigo sempre, mas que corre pra me ler quando o time dele é campeão ou ganha algo épico.

Era isso que eu queria. Mais nada.

Obrigado a quem ajudou, me desculpe com quem fui injusto e um abraço pra quem duvidou.

Porque eu tô escrevendo esse post? Porque poder escrever o que eu quero, quando quero, da forma que sinto e ter quem leia é a maior conquista da minha carreira.

Abs,
RicaPerrone

365 dias no Rio

Versão em inglês.


 

Faz 1 ano. Desembarquei com esposa, cachorro e umas malas. A mudança veio no dia seguinte.  Levei 33 anos imaginando “como seria”, e agora tenho 1 pra contar “como foi”.

O Rio de Janeiro é a minha Paris. Eu não sonho com a tal de torre, nem me importo com o Louvre e nem acho do cacete tomar café naquela tal de Champs-Élysées. Eu acho charmoso ir a praia de Copacabana, tomar cerveja de chinelo no leblon e ir a um samba numa grande escola.

Sou paulista, nunca tive rivalidade bairrista em casa. Nunca me ensinaram a odiar o estado vizinho, ao contrário, sempre me foi dada a idéia de que estando no Brasil, estou em casa.

Ouvi mil mentiras e outras mil verdades sobre o Rio enquanto morei em São Paulo. Todas justas no final das contas.

Carioca exagera tudo, pra baixo e pra cima. Se elogiar a praia, ele exalta dizendo que é “a melhor praia do mundo”. Se falar que é perigoso, ele não nega. Diz que é “perigoso pra caralho”.

Trata sua cidade como filho. Só ele pode falar mal.

Cariocas não marcam encontro. Simplesmente se encontram.

A confirmação de um convite aqui não quer dizer nada. Você sugere “Vamos?”, eles dizem “Vamo!”. O que não implica em ter aceitado a sugestão.

Hora marcada no Rio é “por volta de”. Domingo é domingo. E relaxa, irmão. Pra que a pressa?

Em 5 minutos são amigos de infância, no segundo encontro te abraçam e já te colocam apelidos.

Não te levam pra casa. Te convidam pra rua. É curioso. Mas é que a “rua” aqui é tão linda que se trancar em casa é desperdício.

Cariocas andam de chinelo e não se julgam por isso.  São livres, desprovidos de qualquer senso de sofisticação.

Ao contrário, parecem se sentir mal num ambiente formal e de algum requinte.

“Porra” é um termo que abre toda e qualquer frase na cidade. Ainda vou a uma Igreja conferir, mas desconfio que até missa comece com “Porra, Pai nosso que estais…”.

Cariocas são pouco competitivos. Eu acho isso maravilhoso, afinal, venho da terra mais competitiva do país. E confesso: competir o tempo todo cansa.

Acho graça quando eles defendem o clube rival pelo mero orgulho de dizer que “o futebol do Rio” vai bem. Eles nem notam, mas as vezes se protegem.

Eles amam essa porra. É impressionante.

Carioca é o povo mais brasileiro que há, mas que é tão orgulhoso do que é que nem parece brasileiro.

Tem um sorriso gostoso, um ar arrogante de quem “se garante”.

Papudos, malandros, invocados. Faaaaalam pra cacete. E sabem que estão exagerando.

Eles acham que sabem  o que é frio. Imagine, fazem fondue com 20 graus!

A Barra é longe. Buzios, logo ali!

Niterói é um pedaço do Rio que eles não contam pra turista. Só eles aproveitam.

Nilópolis é longe. Bangu também.

Madureira é um bairro gostoso. O Leblon, vale os 22 mil por metro quadrado sugeridos pelos corretores.

Aliás, corretores no Rio são bem irritantes.

Carioca, num geral, acha que está te fazendo um favor mesmo se estiver trabalhando. É tudo absolutamente pessoal, informal.

Se ele gostar de você, te atende bem. Se não, não.

Tá com pressa? Vai se irritar. Eles não tem pressa pra nada.

Sabe aquela garota gostosa que sabe que é gostosa? Cariocas sabem onde moram.

O bairrismo deles é único.  Nem separatista, nem coitadinho. Apenas orgulhoso.  Ao invés de odiar um estado vizinho, o sacaneiam e se matam de rir de quem se ofende.

Cariocas tem vocação pra ser feliz.

São tradicionais, não gostam que o mundo evolua. Um novo prédio no lugar daquele casarão antigo não é visto como progresso, mas sim com saudades.

São folgados. Juram ser o povo mais sortudo do mundo.

E quem vai dizer que não?

No Rio você vira até mais religioso.  Aquele Cristo te olha  todo santo dia, de braços abertos. Não dá! Você começa a gostar do cara…

E aí vem a sexta-feira e o dom de mudar o ambiente sem mexer em nada.  O Rio que trabalha vira uma cidade de férias. As roupas somem, aparecem os sorrisos a toa, o sol, o futebol, o samba, o Rio.

Já ouvi um cara me dizer um dia que o “Rio é uma mentira bem contada pela mídia”.  Ele era paulista, odiava o Rio, jamais tinha vindo até aqui.

E é um cara esperto. Se você não gosta do Rio de Janeiro, fique longe dele.

É a única maneira de manter sua opinião.

Em quase toda grande cidade que vou noto uma força extrema para fazer o turista se sentir em casa. Um italiano em São Paulo está na Itália dependendo de onde for. Um japones, idem. Um argentino vai a restaurantes e ambientes argentinos em qualquer grande cidade.

No Rio de Janeiro ninguém te dá o que você já tem.  Aqui, ou você vira “carioca”, ou vai perder muito tempo procurando um pedaço da sua terra por aqui.

Não é verdade que são preconceituosos. É preciso entender que o carioca não se diz carioca por nascer aqui. Carioca é um perfil.

Renato, o gaúcho, é um dos caras mais cariocas do mundo.

Tem todo um ritual, um jeitinho de se aproximar.

Chame o garçom pelo nome, os colegas de “irmão”. Sorria, abrace quando encontrar. Aceite o convite, mesmo que você não vá.

Faça planos para amanhã, esqueça-os 10 minutos depois. Faça amigos, o máximo de amigos que conseguir.

Quanto mais amigos, mais cerveja, mais risadas, mais churrascos, mais carioca você fica.

E quanto mais carioca você é, mais você ama o Rio. Como eles.

Gosto deles. Gosto de olhar pra frente e não ver onde acaba.  Gosto de sol, de abraço, de rir muito alto e de não me achar um merda por estar sem grana.

Gosto de como eles se viram. Gosto da simplicidade e da informalidade que os aproxima do amadorismo.

A vida não tem que ser profissional.

Tem que ser gostosa.

E de gostosa, convenhamos, o Rio tá cheio.

Ops! Desculpa, amor! Escapou.

abs, merrrrmão!
RicaPerrone

(O Shopping não me pagou nada. Nem sei onde fica. A propaganda é que diz muito do que quero dizer e não sei como)

“Mortos”

“Depois da chegada da internet…”, pára! Já tá errado. Internet é meio de transmissão, não uma forma de mídia. Mídia é impressa, video, áudio. A forma com que isso é transmitida às pessoas é outra coisa. Logo, não foi a internet que “fudeu tudo”.  Foi a falta de leitura do cenário.

Quando o Flamengo diz a um reporter que “você não”, logo vem os intelectuais falar em censura, blá, blá, blá.  Mas acontece, meus caros, que a mídia em geral não entendeu ainda que ninguém precisa mais dela pra porra nenhuma. E que se ainda a usam é por mera opção.

Diferente de quanto éramos reféns de emissoras e jornais, hoje temos ligação com a fonte, canais oficiais, mil “opiniões” e “informações” que, tal qual a imprensa tradicional faz, podem ou não ser verdade.

Duvida? Olha eu aqui! Chegou aqui por que emissora?

Olha quem são os maiores influenciadores do país.  Vê se foi a Globo que fez ou se eles se fizeram sozinhos.

Ninguém mais precisa da Globo. Ninguém mais é 100% direcionado pelo que diz o cara do jornal da noite. O ator da novela não é mais o galã do país. Esse cara está fazendo video no youtube e postando prato fitness no instagram.

Se você quer continuar dando furo em 2017, meu amigo, você ultrapassa a burrice. Não há qualquer importância em “furo” quando uma informação se propaga em 30 segundos pelo planeta. Ninguém sabe “quem deu”, porque quando sair “todos já deram”.

Então dê direito. Porque aí sim, quem sabe, você ainda faça alguma diferença.

Clubes, empresas, ídolos. Eles não dependem mais da imprensa para falar com os fãs. Logo, o refém agora é você, veiculo de comunicação disputando pauta com a rede social oficial do cara.

E se mentir, fizer merda, vai ficar pra fora do treino sim. Porque?

Porque você não tem DIREITO algum a estar ali. É uma permissão que o clube te dava por necessidade, hoje te dá ou não por opção.

O ídolo não precisa mais te aturar. Ele pode te destruir. Os fãs dele estão reunidos nas mãos dele, não mais na nossa. Toda notícia mentirosa será bem pior pro jornal/jornalista do que pra vítima. É uma tendência natural porque hoje nós não somos a única via.

Pior. Diria que sequer somos a principal.

O jornal Extra faz um jornalismo de merda, um sensacionalismo tosco e usa um método de 1980 tentando impactar em 2017. É óbvio que vai ladeira abaixo. Só que agora ele não tem mais a única coisa que o mantinha em pé: importância.

Ninguém liga pro jornal, pra emissora, pro jornalista famoso. Todos tem o que querem quando querem, basta querer chegar a informação que você terá. Nós somos os caras que dão de mão beijada e superficialmente, e portanto atingimos os menos interessados e/ou capacitados.

O mercado sabe ler melhor que a imprensa. Todo mundo já percebeu. Quem quer algo mais sobre política não lê o Globo de manhã. Ele vai nos mais conceituados sites de política do mundo e se informa lá.

“Nichou”.  A cobertura palmeirense é feita por torcedores do Palmeiras, não mais por nós. Modéstia a parte notei isso em 2005 quando fiz um site que cobriria o SPFC, não que replicaria notícia alheia apenas.

Hoje todo time tem 5 sites e eles todos são mais influentes em suas torcidas do que os jornais, rádios e revistas que insistem em arrotar caviar quando não comem nem mais a mortadela.

Acabou, gente. Nós não disputamos espaço mais entre nós. É contra “todos”. E a “censura” que você chora hoje por corporativismo se chama “direito”. O seu de a vida toda falar o que quer, o deles em hoje poder dizer que “Você, não”.

Eu apóio. Do lado de cá, ainda que não pratique o “jornalismo”, eu apoio.

Enquanto vocês estão preocupados em transitar bem entre colegas, tem gente que transita bem no futebol.

E é aí que a sua conta não fecha e você “morre”.  Todo mundo sabe que jornalista não tem NENHUMA especialização em futebol que o credencie a avaliar porra nenhuma.

Tem coisas que não se ensina em faculdade. Futebol é uma delas. Economia, política, culinária, também.  Ou seja, ser “jornalista”não te faz especialista em nada.  Acabou o caô. Fomos descobertos.

Descanse em paz.

abs,
RicaPerrone

Pai

Eu queria ser pai. Um dia eu sonhei em ser pai e por muitos anos eu alimentei essa vontade. Hoje, talvez não. Mas amanhã, é amanhã.

E toda vez que eu queria ser pai imaginava a repetição de tudo que vivi com o meu próprio pai. Eu nunca me imaginei fazendo algo com meu filho que não tenha feito com meu pai.

Quando fechava os olhos e imaginava uma moleque com a minha cara (tadinho!), era no Morumbi comprando sorvete pra ele parar de encher os saco e me deixar assistir o jogo.

Era chegando na cama domingo de manhã pra ver a corrida comigo enquanto acordávamos pensando em que horas iríamos ao clube.

Trocam os personagens em volta, mas não a essência do que vivi. Eu queria meu filho vendo a Ferrari ganhar, com meu pai e eu viamos o Senna.

Quando imagino, tudo que imagino é o que vivi. E se queria repetir é porque como filho gostei, logo, imagino, como pai deve ser gratificante saber disso.

Talvez eu nunca tenha dito ao meu pai, mas tudo que lembro de bom na minha infância ele estava do lado. E tudo que eu sonhei em fazer com um filho que ainda nem tive, é ainda com ele do lado.

Na verdade eu queria muito mais dar a ele um neto do que ter um filho.

Pode ser que eu tenha esse filho, pode ser que não. A vida me ensinou a não prometer, nem rejeitar coisas que um dia já quis muito.

Passados 38 anos, acho que consigo entender que na verdade eu nunca sonhei em ser “pai”. Eu queria mesmo era ser “o meu pai”.

Eu nunca serei esse cara porque eu não tenho a generosidade, a simplicidade e nem as prioridades dele. Eu queria saber dizer “calma, eu to aqui” sem abrir a boca como ele. Mas eu não sou assim.

Das 10 coisas que mais amo na vida, 9 você que me ensinou a gostar.   A outra é você mesmo.

Te amo, cara!
Feliz dia dos pais!

RicaPerrone

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abs,
RicaPerrone

Nunca aconteceu

Acabou. O nosso direito de conversar com amigos, brigar com a namorada, falar mal do chefe e dizer que de fato acha determinado local “uma merda”, acabou.

Sem nosso consentimento, diga-se.  Mas acabou.

Não sei se você já se deu conta que todas as brincadeiras racistas, homofobicas e aberrações machistas ditas entre amigos num boteco qualquer, hoje, estão arquivadas e podem leva-lo a julgamento.  Não o da justiça, esse é até tosco perto do massacre virtual que se faz.

Talvez você não perceba, mas tudo que você acha da mãe da sua mulher está também gravado. Tal qual o que você pensa sobre seu chefe, aquela amiga que você suspeita ser lésbica e aquela fofoca maldosa que “sem querer” você passou adiante.

Era tudo besteirinha. Agora é crime.

Eu não vou fazer o papel ridículo de fingir que não falo absurdos com amigos, nem falo mal de ninguém ou xingo pessoas para terceiros. TODOS nós fazemos. Em algum momento nós falamos que odiamos um lugar, uma pessoa, ou que queremos que fulano se foda.

Pegar isso e expor a público como uma “declaração” de alguém é de uma falta de caráter incalculável.

Quando Eduardo Paes falou de Maricá, falou o que amigos falam entre si numa mesa. Sim, Maricá é um lugar menos bom que Angra. A piada era essa.

“Como prefeito ele não pode dizer isso”. Ele não disse.  Ele disse como “Dudu”, ao telefone com um amigo.  E sim, ele pode. Do mesmo jeito que você pode falar que seu ex é um filho da puta broxa pra suas amigas.

Uma vez um jogador falou que em Belém não tinha muita mulher bonita.  Coitado, foi pisoteado.  Como se alguém numa conversa informal não registrada soltasse por aí: “Quer ver mulher bonita? Vá a Belem! Esquece Santa Catarina! Vá a Belem”.

Não, você sabe que não.

Porque a gente tem que fazer cara de assustado pra coisas que fazemos no dia a dia? Porque é tão assustador o Felipe Melo falar “tanto palavrão” num audio pra um amigo?  Tu não fala não? Ah, tá.

Queridos, sejamos honestos, mais tolerantes e menos hipocritas.  Se o whatsapp virasse amanhã um site aberto com todo seu conteúdo publicado, não haveria um casamento em pé, um emprego mantido, uma família unida e um só sujeito capaz de se achar no direito de atirar pedras.

Felipe falou pra um amigo. Não pro Cuca. E se ele disse isso no particular, nunca aconteceu.

Ou você consegue pensar na sua vida transformando tudo que você disse até hoje em “declaração pública”?

abs,
RicaPerrone