Santos

O pêlo, o ovo, o Ganso

Por incrivel que pareça acho que a mídia ainda não conseguiu lidar com a possibilidade de não haver nada “absurdo” numa negociação.  Assim, sem ter o que condenar, ela tenta cravar o final pra dizer que acertou.

Negócios não são como a relação simples de funcionário/patrão de 99,6% das pessoas. Tenho a oportunidade de conhecer este outro lado por ser, além de jornalista, empresário (não de jogador).  Eu nunca noticiei nada como fato antes de estar assinado, nem mesmo uso o “fechou”, “ja é do…” ou “a novela acabou”.

Entendo a visão simples da coisa, afinal, pra 99,6% das pessoas existe o certo e o errado. O que paga (vilão) e o que recebe (coitadinho).  Mas num acordo entre 4 partes a possibilidade disso ter um fim antes de assinar é nula.

Sempre, em qualquer negociação, haverá cada lado tentando o melhor pra si. Quanto mais em cima do prazo, mais o Santos vai pedir, mais o SP vai ceder, idem pra DIS, que quer leva-lo pra lá.

Se você, leitor, fosse presidente do Santos, faria rigorosamente a mesma coisa. Se fosse do SPFC, talvez tivesse tentado resolver a vista semana passada. Não fez, e agora, na pressa, corre um risco.

Tem 4 lados, eles são claros, simples, e sobra concordar ou não com cada atitude. Mas não cabe chutar decisões finais, nem tentar taxar alguém de desleal ou desonesto.

O Santos fez, manteve, assinou e pagou por Ganso na expectativa óbvia de um dia ver uma bela grana nas mãos e, enquanto isso, ver futebol em campo. Não viu o futebol e agora, quando os empresários querem vender e ele não, é forçado pelo jogador a concordar com um valor abaixo do sonhado e acordado verbalmente.  Jamais o projeto foi pra vende-lo pro Brasil. Essa multa nunca foi o objetivo, tanto que no mesmo dia que Neymar recebeu a oferta pra multiplicar seu salário por 5, Ganso recebeu rigorosamente a mesma oferta.

Recusou, é seu direito. Ficou 2 anos sem jogar nada nos DMs da vida e andando em campo quando lá estava. Ainda assim, recebendo em dia e com a proposta “do Neymar” na mesa, se disse desvalorizado.

É direito dele. Acho de uma ingratidão absurda! Mas é direito de qualquer um ser ingrato.

Assim sendo, pelo óbvio motivo da DIS ter comprado 55% de um “passe” que deixa de existir dentro de 2 anos, ela PRECISA vender o Ganso. E por precisar disso, fez com que ele concordasse em sair.

O Santos, porém, não quer que ele saia. E se você não quer vender seu carro, não será vendido.

Ah, mas se meu carro falasse seria diferente. Seria, mas até onde sabemos, o Ganso não fala. Falam por ele.

Instatisfeito, quer sair. Esperando o retorno do que planejou ha 2 anos, o Santos não quer vende-lo pra um rival dentro do país e por 23 milhões. Sonhou com 50, o dobro.

O SPFC, que não tem nada com isso, foi lá e as claras tentou comprar. No seu direito, que cabe você gostar ou não, mas não de colocar num patamar irregular, ilegal, nem nada. É um direito do clube querer um jogador, mesmo que ele esteja bem e feliz no Santos.

Só que amanhã, no SPFC ou no Santos, continuará sendo um negócio. A DIS não está fazendo isso pra ele JOGAR no SPFC. Está fazendo isso para ele PASSAR pelo SPFC e ser vendido. É o óbvio do óbvio.

Bom pro Tricolor, que pode recupera-lo e ter até mais do que os 23 paus na mão, além de um jogador diferenciadíssimo em campo por alguns meses.

Eu, pessoalmente, não suporto a idéia de um jogador formado num clube se colocar na situação de “aqui não jogo mais”.  Até porque, não fosse o tal clube, ele talvez não pudesse escolher nem o almoço. Vai além da relação empregado/patrão. Vai além de um acordo de negócio, mas não torna nada disso ilegal, digno de julgamentos ou condenações.

SPFC, Santos e DIS são 3 empresas buscando lucrar com um produto. Ganso é o produto.

Desta forma, não há nada de irregular nem na tentativa do Santos em zerar uma dívida com quem o está “forçando” a perder seu 10, nem do Ganso em sair, nem do SPFC em querer.

Parece injusto, feio, etc. Mas só parece. Neste meio, como em qualquer outro, é apenas um negócio.

O que se combina aqui, muda ali com uma nota de 100 a mais na mesa. E hoje, as 14h41, com a proposta do SPFC aceita, se um clube telefonar, der os 23 e acertar com o jogador, ele será vendido as 15h para este clube.

São negócios. E mantenha assim por coerência, pois se passar disso, o sãopaulino não pode querer leva-lo, o santista deve querer demiti-lo e a DIS, que manda no produto, fica a ver navios.

Então, sem amor. Só nos fatos.

abs,
RicaPerrone

Legião da boa vontade

E convenhamos, haja “boa vontade”.  Muricy segue a rotina: Sai de um clube, assume outro prontinho pra ser campeão e confirma. Vai destruindo o futebol do time na medida que implementa sua filosofia até um dia sair, normalmente inventando uma situação onde ele seja o exemplo de ser humano a ser seguido contra um futebol amador demais pra seu talento.

No Santos, tudo igual.

Há 1 ano, meus caros, o Santos não joga futebol. Quem joga é o Neymar, e as vezes basta. Cada dia que passa o Santos joga menos, é o “vale a pena ver de novo” mais chato do mundo, mas estão passando.

Não são resultados que me fazem contestar Muricy. Nunca os usei para avaliá-lo positivamente, não estou esperando o Santos perder pra repetir. Fiz na boa, faço na pior, sem crise.  Digo a mesma coisa do professor desde 2006, e cada dia tenho mais certeza da razão.

Cozinheiro de comida congelada. Corre pro mais fácil, vive em situação confortável desde 2006 e a médio prazo destrói qualquer resto de futebol que tenha num grupo.

Dirão que “ele foi tricampeão no SPFC”. É, foi. Mas senhores… ele assumiu o time 2 semanas após serem campeões do mundo!!!!  Não foi projeto, montagem, manutenção, porra nenhuma. Foi apenas um empurrar com a barriga somado a uma forte defesa que não perdia jogos. E quem  “perde pouco”, em pontos corridos, fica pertinho do caneco.

Muricy conquistou títulos, respeito e principalmente: medo.

A imprensa morre de medo de contestar o ogro sob a possível ameaça de ouvir uma respostinha atravessada do possível próximo campeão de alguma coisa. É duro, eu sei. Cansei de bater no cara enquanto ele ganhava aquele festival de títulos mediocres de futebol sofrível no meu São Paulo.

Uma legião de fãs, uma legião de guardas que o blindam de tudo e todos. Nunca é culpa dele, nunca estoura na dele.

Muricy é imune as criticas. Se Luxemburgo, Mano ou outro não tão “amedrontador” faz o Santos passar 1 ano sem jogar bola com esse investimento feito pra segurar os meninos, tens idéia do que estaria ouvindo/lendo?

Mas é o Muricy, a “musa do brasileirão”.  Ele pode, porque se der errado, foi o acaso, o dirigente, o bandeirinha, a bola, o gramado. Se der certo, “foi ele”.

Se cobrado como os demais, não teria a moral que tem pra chegar e fazer o time acreditar nele a curto prazo. Se dignamente  não fizesse o tipo de “sujeito perfeito”, “pai modelo” e “treinador de moral única”, seria avaliado pelo futebol.

Não é. E, de novo, assiste a um fracasso tático sem ser citado como culpado.

É fácil ser Muricy. Duro é olhar além do que diz o placar de uma partida.

O Santos merece mais, muito mais.

abs,
RicaPerrone

A mão do técnico

Você sabe quando está vendo algo ensaiado, algo coletivo ou um espetáculo individual.  Você conhece futebol o suficiente pra ver o que é um time bem armado e um time bagunçado.

Sabe que não é mole fazer um time jogar bola e vencer. Sabe também, com exemplos próximos e recentes, que é bem mais fácil vencer sem apresentar futebol.

O Santos recebeu o Fogão sob o argumento dos desfalques e, de novo, não jogou nada. O mesmo, diga-se, que jogava com todos eles a disposição. Mas hoje convém falar em desfalques, então, engula quem quiser.

Pouco importa. Muricy e sua mediocridade estão consagrados e não será colocado em discussão tão cedo. O que não podemos dizer do lado de lá, onde Oswaldo voltou do Japão sendo um ponto de interrogação.

Hoje, ainda sem poder cravar, dá pra rascunhar uma idéia. E é boa.

O Botafogo joga pelo chão, tem um padrão que independe de um jogador e mesmo com limitações de elenco, tem cara. Perde, ganha, empata, erra, acerta, mas insiste.

Oswaldo não parece mais ser aquele cara assustado que passava insegurança pro time e medo pra torcida. Parece mais forte, mais confiante, maduro.

Seu trabalho é muito bom. Se hoje o Botafogo não venceu foi por detalhe, assim como o time ser quinto no Brasileirão não gozando do elenco de tantos outos badalados clubes da série A, é um detalhe.

Você sabe a cada cruzamento do Santos que viu a mão do treinador. E sabe que as insistentes jogadas pelo chão, com qualidade e tocando a bola são obra de Oswaldo.

Não estou ousando compara-los. Muricy já ganhou tudo, é incontestável. Oswaldo ainda não. Por isso, no menor tropeço, terá seu julgamento.

Mas é certo que se no primeiro semestre de 2012 o Santos tivesse jogado como Botafogo e o Botafogo como Santos, Muricy estaria pedindo aumento, Oswaldo teria sido demitido.

abs,
RicaPerrone

Moleque!

Paulo Henrique Ganso, aquele que de forma precipitada era colocado nas rodinhas de boteco como “muito mais cabeça que Neymar”, ou, “tem perfil europeu”, entre outras ejaculações precoces da bola.

Hoje, sem brilhar há algum tempo, avisa seu clube que, mesmo sob contrato, não joga mais lá.

Você pode procurar os motivos do jogador e eu compreendo que o fanatismo permita certas alucinações. Não entendo, porém, qual papel do Inter e do Ganso nessa história.

O jogador determina que não joga mais no clube que lhe fez não ser “mais um” na vida.  Pelas atitudes, pela forma de conduzir a carreira nota-se que sem o dom da bola seria complicado ter sequer um carro zero.

Te oferecem 500, você não quer. Acha que vale mais mesmo estando todo este tempo andando em campo ou no Dep. Médico fazendo fisioterapia. Seja como for, é direito seu achar que vale bem mais do que isso.

Direito do Inter comprá-lo, caso realmente o faça. Direito do Santos, que não terá coragem de fazer, encosta-lo.

Porque um “novo Ganso”  o Santos acha em 2 anos. Um “novo santos” disposto a aguentar arrogancia e petulancia de um garoto que deveria estar agradecendo e não pedindo mais, você só vai achar uma vez.

Tem nome, parece ser o Inter. O mais novo “burro” do futebol brasileiro. Aquele que acha que é malandro e que prestigia a falta de ética e de palavra. Aquele que vai virando um refugio para os infiéis, sem notar que quando abre suas portas para este tipo de caso está, também, abrindo para que façam com ele amanhã. E farão. Tenham certeza que farão.

O colorado apaixonado diz: “Se liga meu, o Inter não tem culpa que ele não quer jogar no Santos”. Verdade, mas o Oscar, o Ganso e o zagueiro do Flu que nem lembro o nome contrariam o bom senso de dizer pro jogador: “Seja grato, tenha palavra, etc”. Porque se você não tiver, tudo bem. Tem o Inter ali pra me acolher.

Tá errado, colorado. Bem errado.  Enquanto muitos lutarem por uma fatia maior de um bolo pequeno, perderão a chance de ter um bolo grande e fatias maiores. Se as portas se fecham, ele não faz. Mas elas se abrem, e eles fazem.

Como boas mulheres de malandro que são os clubes brasileiros, pode ir, pisar na camisa e se voltar daqui 4 anos chega de helicóptero. Culpa sua, minha, dos clubes, dos dirigentes, de todos nós.

Ganso é só mais um. Mais um daqueles que achamos que não seria “só mais um”, mas é.

Porque é moleque.

“Eu não jogo mais aqui”, diz o rebeldinho já com a amante esperando na cama.

E todos acham que ele se deu bem.

Porque? Porque é fato.  Bateu pézinho e vai conseguir o que queria.

O Santos não precisa do Ganso, mas o Ganso precisa que “Internacionais” lhe garantam o direito de ser ingrato e infiél.

“Ah mas você queria que o Inter recusasse o Ganso?”, dirá o fanático que só enxerga 6 meses adiante.

Sim, queria. Como disse que o Palmeiras não podia dar o aumento ao Kleber, que o Santos não podia receber o Robinho de helicoptero e como insisto em dizer que o São Paulo não devia tirar jogador na justiça de clube nenhum.

Quem manda no futebol brasileiro são os 12 grandes. E se um deles vira as costas pra tirar vantagem, passam a mandar os empresários e jogadores como Ganso.

Deus limitou a inteligencia, não fez o mesmo com a burrice.

abs,
RicaPerrone

Saber perder

É difícil, eu mesmo não sei bem. Mas o dirigente de clube profissional, aquele que controla como um negócio e não como torcedor bobalhão apaixonado que não enxerga um palmo na frente do nariz, deve saber.

Perder “pra si mesmo”  é arrogancia. Perder é também consequencia do mérito alheio, algo que raramente dirigentes do Brasil conseguem enxergar.

Burros, contra seu amanhã, insinuam pra seus fiéis torcedores que seu time só pode ser superado pelos próprios erros e, assim, gera uma cobrança 20 vezes maior. Afinal, conforme disse seu dirigente, se perdeu, foi pra ele mesmo.

Pior, bem pior, é quando uma pessoa ligada ao futebol usa seu poder de mídia pra insinuar coisas que não pode provar, que muito provavelmente são bobagens e que ele só cita quando perde.

Sem Neymar e Ganso na seleção, era ataque histerico pelo absurdo. Com eles, é ataque porque “não precisava”.

Não precisa treinar o time faltando 2 meses pras Olimpíadas, Alaor?

Você acha mesmo que o Emerson, até outro dia reserva, devia estar na seleção. Ou passou a achar ontem quando num lance pelo chão, coisa que seu time talentosíssimo não fez, resolveu o jogo?

Alaor, o Emerson é naturalizado cidadão do Qatar. Ele não pode ser convocado, já jogou na seleção de lá.

Ralf e Paulinho, Alaor, tem mais do que 23 em Julho. Não podem atuar nas olimpíadas. Não sei se você notou, me parece que não, mas era um time olímpico o que viajou.

Marin é ligado ao SPFC, que até ontem se fazia de perseguido e agora não fará mais. Será alvo.

Andres ligado ao Corinthians, e obviamente, na incapacidade de reconhecer que ontem o rival foi superior e ponto, é preciso achar um complo politico para justificar uma derrota.

Bobagem. Muita bobagem.

Insinuações vazias, oportunistas, daquelas de torcedor.  O típico torcedor que só conta os penaltis não marcados a favor dele e, quando contra, diz: “Lance dificil”.

Cabe ao torcedor, não deveria caber ao dirigente. Este fala em nome do clube e, ao dizer o que disse hoje, por exemplo, a interpretação simples é que: “O Santos acha que foi prejudicado pela CBF que, por camaradagem, deixou 3 jogadores de fora da seleção pra ajudar o Corinthians”.

Isso aí tem nome, Chama-se “desviar o foco”,  “não ser grande o suficiente pra reconhecer o mérito alheio”, ou, no portugues claro,  “fugir do pau”.

Ou quando campeão alguém vem na tv falar da sorte da bola que não entrou, do erro do juiz a favor ou de algum time misto que o enfrentou dando 3 pontos “não previstos” na tabela?

abs,
RicaPerrone

Sóbrio

O alucinado Corinthians que não sabe jogar a Libertadores e se desespera em momentos mais complicados segue de férias.

Na Vila, onde escolheu jogar por considerar o Pacaembu fundamental na volta, fez um primeiro tempo de envergonhar qualquer santista.

Bola no chão,  nenhum bico pro alto, marcando forte, tocando a bola e criando as melhores oportunidades. 1×0, justíssimo, golaço.

Do outro lado o Santos, que há 1 ano vive de lances individuais, não foi mascarado por uma atuação de gala de Neymar.

O garoto correu, se apresentou. Não dá nem pra insinuar qualquer “medo”  do jogo. Foi, de longe, o mais corajoso santista em campo. O que pedia a bola, errava, apanhava, batia e continuava.

E o Santos, dos técnicos Neymar, Ganso, Arouca e Elano, cruzava na área e dava chute pra cima.  É o Muricybol sem a dose de Neymar.

A boa atuação corintiana contrasta com o péssimo futebol apresentado em São Januário, onde não levou perigo, deu bico pra frente o tempo todo e sofreu várias chances de gol.

Hoje, contra um Santos que tem mais time que o Vasco, o oposto.  Jogou tudo que tinha que jogar, da forma que tinha que ser e venceu com autoridade. Pra piorar, na Vila, com gol fora.

O 1×0 resolve? Não, nem de longe. Um gol é algo que o Neymar acha a qualquer momento. O problema é que o Santos jogou muito mal contra o Velez em 2 jogos e hoje, de novo, não fez nada que não fosse cruzar na área do Corinthians.

Faz 1 ano. Neymar camufla o futebol “bem armadinho” atrás e sem nenhuma organização na frente. É o jogo que consagra Muricy há anos, mas que hoje, de frente com outro time que também se defende muito bem, porém, que não dá bico pro alto, foi anulado.

É preciso mais para eliminar o mais inteligente time da Libertadores 2012.  Tite tem o time nas mãos e um foco não desesperado na Libertadores.

O segredo? Minimizaram a competição ao que de fato significa.  Libertadores, se tratada como “caso de vida ou morte”, é morte na certa.

Mas não, não tem nada sequer perto de ser resolvido.

O Corinthians conseguiu uma vantagem sensacional, desde que a use para tentar vencer e não evitar a derrota.

Se entrar como entrou contra o Vasco, vai perder o jogo no Pacaembu. Se entrar como hoje, está na final.

abs,
RicaPerrone

Cabecinhas

Imagine se eu colocasse  a Brahma nas mãos de um bêbado. Fatalmente ele quebraria e empresa, afinal, não tem condições de cuidar daquilo que, por exagero, o fez perder o juizo.

Torcedor de futebol quando tenta ponderar decisões administrativas é a mesma coisa. Tomado por paixão, acima da razão, já quase inconsequente e só enxergando o que é melhor pra ele, cometeria os mesmos erros dos nossos dirigentes atuais, que nada mais são do que torcedores de gravata.

Ontem ponderei sobre Corinthians x Santos ser ou não no Morumbi. Hoje eu cravo, sem dó: Burros!

“Ah mas o Corinthians se sente melhor no Pacaembu!”, dane-se! Passou da hora de entender que há um evento, um espetáculo, um esporte e, ABAIXO DISSO TUDO, um resultado no placar.

Maior do que a vaga na final para um deles é o jogo entre eles. E este confronto, nas mãos de gente inteligente, seria um mega evento maximizado sem moderações. Como administrado por vaidades, interesses proprios e menores, vira uma guerrinha de dois times, o que deveria acontecer apenas no dia do jogo, em campo.

Santos e Corinthians jogam o primeiro jogo para míseros 15 mil pagantes. Destes, sabemos, 95% são pessoas que podem pagar os 120 reais de ingresso de uma arquibancada. Ou seja, aquele torcedor maluco que se pendurou ali pra garantir a ida pra Libertadores contra o Naviariense na Copa do Brasil está fora. E há quem ache isso “bom negócio”.

Bom negócio pra quem colocar 50 mil pessoas em 2 jogos que poderiam receber 140 mil?  Cadê o bom negócio em entupir os dois estádios de gente rica e deixar o torcedor fiel e apaixonado, aquele que anda 3 horas de trem pra chegar no campo, vendo pela tv?

“Pro meu time que joga melhor em casa”, diria o torcedor. E quem organiza, que de fato deveria pensar o evento, o esporte, não o resultado de um jogo menor?

Sabe porque nos EUA funciona? Porque o esporte tem dono. Não tem essa de 200 clubes se matando. Tem um dono, tipo UFC, e os donos de clubes. É um negócio. E se o negócio é vender entretenimento, que assim seja.

Tão vendendo o que, afinal? Ingresso pra playboy tirando o torcedor de geral do estádio e acham que estão fazendo um “baita negócio pro seu clube”?

Seu clube, meu clube, qualquer clube. Todos vivem do futebol, que é algo acima de todos eles. Se o Galo vai mal, perde também o Cruzeiro. Isso é o básico de qualquer pessoa que tenha segundo grau.

Se o evento pode ser gigante, que seja! Porque minimizar o espetáculo em troco de uma rivalidade que dentro de campo, por 90 minutos, já basta?

Fizeram de 2 grandes jogos populares um duelo por uma vaga e mais nada.

E sim, há quem diga que “O que mais existe ali além da vaga?”. E este, não a toa, torce, não administra.

O problema é que quem administra também pensa assim. E por isso vivemos assistindo um evento virar “apenas” uma partida por 3 pontos.

Tem nome, é burrice.

E mais do que essa, dos dirigentes, é a de quem lê, avalia a situação e volta a discutir “Morumbi”, “Pacaembu”, sem notar o que de fato é preocupante e aconteceu:

O povo está fora dos 2 jogos.  O povo não tem como pagar e levar seu filho a 120 reais. Porque? Porque não cabe. E pra ganhar como onde caberia, aumentam e tiram o povo do jogo.

Se pra você isso se resume a 3 pontos, uma vaga… lamento. Sem povão o futebol vira Tênis. E Tênis, sabemos, não enche nem ginásio por aqui. Porque será?

abs,
RicaPerrone

Morumbi, Vila ou Pacaembu?

Obvio que essa disussão cabe a treinador e dirigente. Não será, ou não deveria ser, o Zé da arquibancada ou o Pedro da geral que vai decidir isso.

A questão vai um pouco mais além, e nem quero entrar no mérito do que acha o torcedor. Óbvio que o corintiano acha que tem que jogar no Pacaembu e se eu fosse torcedor também acharia isso.

Mas se torcedor soubesse administrar algo não seria torcedor, afinal, por ele, os rivais sequer existiriam. Futebol vai além do que raciocina um apaixonado torcedor.

Cabe ao dirigente fazer uso de uma dose de paixão e outra, maior, de razão. E neste caso, com razão, cabe a discussão sobre o estádio.

Dizem que o Pacaembu tem enorme peso a favor do Corinthians e por isso não devem tirar o jogo de lá. Eu acho a discussão um tanto quanto arrogante, já que há um beneficio como “troco” e ele nem citado é na discussão. O Santos também perderia a Vila em caso de 2 jogos em campo neutro.

Tirar o Santos da Vila talvez seja tão relevante ou mais do que tirar o Corinthians do Pacaembu. É claro que o corintiano não pensa assim e já esqueceu das mil Libertadores perdidas no agora “impecável palco” alvi-negro.

Mas não deveria funcionar assim. Clássicos deveriam ser clássicos sempre, e sei que a “culpa” dessa palhaçada de “mandante” em clássico regional é do São Paulo com sua decisão pouco gentil há alguns anos.

Sei também que futebol, em São Paulo, é guerra. Importa vencer, não importa como. E pra vencer, se preciso acabar com a graça de um clássico meio a meio num grande estádio, que seja. Pensando assim, torcedores fazem seus “caldeirões”.

Mas dirigentes não deveriam ser meros torcedores. Se no Pacaembu ganham 2,5 milhões com 35 mil lugares, me parece óbvio que os 70 mil do Morumbi, multiplicados por 2, valem mais a pena para Corinthians e Santos.

Aí você me diz que o fator casa pesa. E eu repito que pesa na Vila também. E você me diz que acha que, mesmo assim, podendo faturar o dobro, vale o Pacaembu.

Entendo, é uma opinião.  Talvez, torcedor, também pensasse assim. Mas não consigo enxergar o Pacaembu, casa do atual título sulamericano do Santos, como um campo tão “amedrontador” pro time santista.  Ao contrário, acho que o Santos sentiria mais em jogar 2 onde nunca joga do que a decisiva onde joga de vez em quando.

Mas o Corinthians é paixão e não costuma fazer uso da razão em casos assim. Eliminar o “gol fora”, jogar num estádio onde haverá mais torcedor do Corinthians e tirar os meninos da Vila pode, talvez, valer a pena.

O imponderável Neymar, em casa ou fora, acha gols. E tirar o peso 2 deste gol pode ajudar.

Existem argumentos para os dois lados.  A questão é o quanto os argumentos são válidos pra lá ou pra cá, e o quanto o corintiano está achando que joga contra o vento.

“Eu perco o mando”,  “Eu perco a pressão”, “Eu perco o gol fora”, enfim… E o Santos? Não perde?

Eu, se dirigente, pensaria na grana e em 2 espetáculos de casa cheia, meio a meio, recorde de renda e 2 jogos sem “gol fora”. Se corintiano, talvez pensasse mais no Pacaembu. Se santista, mais na Vila.

O que não é aceitável é achar “um absurdo” a sugestão dos jogos serem divididos no Morumbi. Porque goste você ou não, absurdo não é.

É uma idéia interessante. Mesmo que não seja a sua preferida.

abs,
RicaPerrone

Devagar, Santos

Nem sempre o garoto vai conseguir resolver sozinho. Nem Pelé resolvia todas, e nestes casos é preciso mais do que o Santos demonstrou hoje.

Tenho dito que o Santos se “salva” do Muricybol pelo talento do Neymar e os surtos do Ganso. Mas quando não rola, fica bem claro que há o dedinho do professor ali.

Muito bico pro alto, muita pressa pra resolver, nenhuma vontade de meter a bola no chão e trabalhar.

Defesa, defesa, defesa e, quando der, bola no Neymar.

É pouco, hoje foi bem pouco.

O Velez é um time organizado, forte. Dominou o Santos de forma assustadora, apesar de previsível por ser em casa.

O duro de entender é porque o time que melhor sabe jogar bola pelo chão na América do Sul passa 90 minutos chutando bola pro alto pra disputar de cabeça. Que diabos estavam pensando?

No chão, dá Santos. Nessa de depender 100% do moleque, um dia metem 2 na cola dele e pára tudo.

O perigo nem é pararem o Neymar 2 vezes, o que duvido. O perigo é que esse time do Velez chuta de longe, e bem.

Não vão precisar chegar na área pra ameaçar fazer o deles aqui. E isso sim é motivo pro Muricy pensar bem pra próxima semana.

Aguardemos. Nada perdido, longe disso. Mas o Santos de hoje não passa. Aquele que vemos quase sempre, passa.

abs,
RicaPerrone

Deu pena

Nunca, em 33 anos, vi um time tão ruim jogar algo tão importante. De todos os mediocres clubes que de vez em quando vem apanhar na Copa do Brasil de um dos grandes, nada se compara ao que vi hoje.

E pior é saber que o Bolivar ganhou do Santos lá. Ou seja, a tal altitude é realmente um absurdo. Ou, como cheguei a imaginar diversas vezes na partida, o time dos caras veio aqui pra protestar contra a diretoria e resolveu fazer graça.

Não é possível que um time que jogue o que o Bolivar jogou hoje tenha alguma credencial para disputar e chegar a fase seguinte de uma Libertadores.

Nao desmerecendo o Santos, que fez do jogo um baile. Aliás, como gosto de lembrar, assim fazem os grandes times. Ninguém goleia o Vasco, o Inter, o Corinthians. Nestes vc até bate. Mas paulada sem dó de 6×0 ou mais você dá exatamente nos menores.

O Santos fez. E isso está sim na conta para determinar ou não um time épico.

Mais do que a capacidade do Santos de praticar um futebol bonito de ver mesmo nas mãos do Muricy foi ver o nível do adversário desta noite.

Acho que nunca vi nada parecido mesmo. Não me lembro, pelo menos, de ver um time ser tão ridiculamente mole em campo numa Libertadores.

Se quisesse, seria 20 a 0. E não estou fazendo piada.

Piada são os jogadores do Bolivar. E bem sem graça, diga-se.

Aguardemos a estréia do Santos no mata-mata da Libertadores. Isso foi bullyng, não futebol.

abs,
RicaPerrone