Santos

Neymar e só

Cada um vê o que quer numa grande partida.  Alguns ficaram com a discussão do penalti, outros com o gol anulado, outros com o gol validado.  Centenas de milhares focarão no erro do Denis, que falhou, como todos, e pediu desculpas, assumiu, como poucos.

“Foi o Paulo Miranda!”, “Foi o Denis!”, “Foi sorte!”, “Foi o juiz!”. Procure o que melhor lhe confortar.

No Morumbi tivemos uma aula do que é futebol. E não, o Santos não jogou sequer melhor que o São Paulo. Mas Neymar, que também não fez uma partida o tempo todo acima da média, pegou na bola umas 5 vezes para fazer o futebol ter sentido.

Ele dribla, corre, apanha, levanta, se joga, irrita o adversário, faz o gol, aguenta a gozação da torcida alheia e devolve na mesma moeda.

Neymar é futebol na sua forma mais pura. Não aquele que hoje discute se “pode ou não”  dar um drible quando está ganhando. Mas aquele que dá o drible e não perde um minuto ouvindo a discussão sobre ele.

Neymar não está preocupado em fazer um gesto feio pra torcida do São Paulo. Mas se ela cantou que “Eu quero Tchu, Tcha, quero a bunda do Neymar”, é de enorme bom gosto fazer o gol, eliminar o São Paulo e dançar o “Tchu, Tcha” de frente pra eles.

Ele goza de quem tenta pará-lo.

Disse o Cícero que “Neymar tirou sarro que ja era”, reclamando do craque quando o expulsou. Mas sim, já era. E você, bobo, foi mais cedo ainda.

O nhe nhe nhe ganhou proporções enormes. Hoje não há um ato espontâneo que não venha seguido de um discurso moralista e irritante.

Neymar pegou na bola 5 vezes. Fez 3 gols, expulsou um e obrigou Leão a substituir outro. Ao final, Leão foi lá falar sobre “como agir”, sendo ele o sujeito mais arrogante de todos os tempos no futebol brasileiro.

Neymar jogou, resolveu, irritou, apanhou, simulou e saiu ganhando. No final, abraços nos rivais, festa com sua torcida, nenhuma ofensa aos derrotados, e muita gozação com quem o xingou.

Neymar é o puro futebol brasileiro. Aquele que tentam destruir inventando “códigos de ética” modernos para se adequar ao mundo politicamente correto.

Neymar é politicamente craque.

E se você não gosta dele ou torce contra ele… azar seu. Como hoje, como quase sempre, ele vai rir no final.

Não venceu quem jogou melhor no Morumbi. Venceu Neymar.

E precisa mais?

abs,
RicaPerrone

Boas “escolhas”

Se pudessem escolher, Santos e Inter escolheriam Bolivar e Fluminense. O fizeram, e jamais saberemos se intencionalmente ou não. Sabemos que os dois jogaram hoje muito menos do que podem, mas sairam da primeira fase bem felizes com seus adversários.

Não, o Flu não é moleza. Na real, acho mais time que o Inter. Mas entre pegar o “ajeitado” Corinthians e o irregular Fluminense, é sempre mais possível aprontar pra cima do irregular. Hoje o Flu não passa segurança, o Corinthians passa. Aposto alto que se pudesse escolher, o Inter escolheria o tricolor.

Se por acaso ou não, aconteceu. Será o grande jogo do ano até aqui. E que jogo!

O Santos teve o risco de pegar Vasco, Cruz Azul. Mas vencendo no fim pega o Bolivar, que é bem inferior a ele.  Não diria que escolheu adversário, apesar de ter causado enorme desconfiança em relação a vontade de “ajudar” o Inter.

Noite “estranha”, com resultados incomuns. O Santos venceu, é verdade, mas só fez no final. Foi uma atuação horrível, daquelas de quem não tá muito preocupado em vencer. Ou, talvez, até achando bacana perder.

Não dá pra afirmar isso, é muito difícil. Mas que pareceu, em vários momentos, pareceu.

No final das contas, classificados os dois, ambos com os adversários que “preferiam” dentro do que era possível.

abs,
RicaPerrone

A.N. / D.N.

O futebol brasileiro vive um momento maravilhoso. Com receitas dobrando, triplicando, jogadores voltando, estrelas ficando e os clubes crescendo, só não nota os “chupa-euro”, mas esses não tem conserto.

Pra estes, que infelizmente não são poucos, “shit” fede menos do que “merda”.

Neymar assume um papel assustador e jamais visto antes. Ele quebra todos os dias o discurso moralista de que “jogador não pode pensar em fazer propaganda”, “muita mídia atrapalha”, “quando se faz muito trabalho paralelo cai o rendimento”, “se não focar só no futebol não rende”, entre outras idiotices que só sendo criado em condominio pra acreditar.

Neymar vive, sai, faz festa, vai em todos os programas, se vende, faz propaganda, tem agenda cheia e voa em campo.

O problema não está nele. O problema está em quem não consegue gravar algo sexta a noite e jogar bola sabado a tarde. Neymar consegue, afinal, sabe o que quer, onde quer ir e, apesar de viver ouvindo que “sem ir pra porra da Europa ele não será o melhor”, ele fica, e será o melhor.

Ele não é ainda por ter 20 anos, passar menos na tv mundial e por ter alguém mais velho a sua frente. Até por respeito ao que Messi ja fez e Neymar poderá fazer, o argentino é hoje o melhor. Neymar não se incomoda, concorda, como quem soubesse e tivesse certeza que isso é questão de tempo.

Também tenho, devo confessar. Mas não posso afirmar que será, só opinar que está perto de ser.

O garoto sorri, joga bola, brinca, cativa os fãs, não se mete em problemas, vai na tv e dá um show de carisma sem ser polêmico. Se veste como quer, ganha mais do que se jogasse no Real Madrid, é feliz e faz tudo isso num time de torcida “menor” que as maiores massas do país.

E aí aquele discurso todo do “impossível” começa a ser contestado com fatos. É possível, e está ai pra quem duvidar, um garoto ganhar aqui o que ganha lá. E se é possível no Santos, que não tem a mídia de um Flamengo, ser o que ele é, é bem claro que os 12 grandes podem ter seus “Neymares”.

A Copa vai mudar nossos estádios, as empresas vão notando o quanto podem ajudar. Neymar está aqui porque vende, e as empresas estão bem felizes com ele. Ronaldo abriu uma empresa pra ensinar brasileiro a parar de babar e começar a trabalhar. Dá pra fazer. Não há nada que um europeu faça que eu ou você não possamos fazer. Somos tão humanos quanto, basta se organizar e querer.

No Brasil queremos emprego. Não tem. Mas trabalho, tem. Se procurar, acha. Trabalho é diferente de emprego, e mudar uma situação histórica e cultural dá trabalho.

Se ele quiser, fica. Se ele quiser será o melhor do mundo sem ir até a Europa. E se o fizer, além de já ter feito do “salário europeu” um mito, vai quebrar outro tabu. Se sair, jogará com times muito mais fracos mais vezes e, obviamente, fará mais nome ainda. Se ficar jogará contra times menos fortes que os tops da Europa, mas jogará mais vezes. Lá, conforme conta que já apresentei aqui, se finalista da Champions, um Real Madrid pega 7 adversários de nivel por ano.

Não, não me convença que isso é “crescimento ou desafio profissional”. Isso é melhor oportunidade de fazer história, afinal, é mais fácil.

Duro é fazer o que ele está fazendo aqui. Inteligente será a CBF quando tiver um Ronaldo na presidencia, ou quando os atuais notarem que “doar” o Brasileirão pras TVS do mundo todo seria uma jogada genial, ao invés de ficarem brigando até com FiFa soccer pra tentar pedir algo por um campeonato ainda mal explorado.

Neymar é um marco. Pode se desfazer, mas hoje é. Se amanhã topar sair pra um grande da Europa terá feito o que os outros genios também fizeram. Se ficar pode até ser o maior gênio de todos. Talvez não com a bola, pois Pelé é Pelé. Mas fora dele, mudando pra sempre a história do “coitadinho” futebol brasileiro.

Neymar não se acha coitadinho, não acha o Santos menor que o Inter de milão e faz com que não seja. Quando também acharmos isso do que é nosso, seremos como Neymar.

Enquanto não sabemos como fazer, aplaudimos qualquer arroto em ingles e menosprezamos qualquer poema em portugues.

Neymar ainda não pode ser colocado num pedestal, é cedo. Mas desde Ayrton Senna não vemos um sujeito que não tenha complexo de inferioridade por ser brasileiro como ídolo. Neymar não tem.

E por isso pode mudar o nosso futebol para Antes de Neymar / Depois de Neymar.

abs,
RicaPerrone

Santos, o “atrevido”

Atrevido, segundo o dicionário, é aquele que atreve, ousado, audaz.

No futebol atrevido é o garoto marrento que sem ter sequer moral pra isso mete uma caneta num veterano zagueiro adversário.

Atrevido é o clube que, da praia, se fez um dos grandes. Único, diga-se, fora das maiores capitais do país.

É preciso atrevimento para ignorar o Jabaquara, determinado como rival pela geografia, e ir buscar o Milan, o Boca, o Corinthians.

Foi preciso pensar grande para manter em um time da praia o tal Pelé, que poderia muito bem ter optado por jogar num clube do então glamoroso futebol carioca ou num dos maiores da capital.

Com ele, através dele e apesar dele, o Santos se fez gigante.

Quando se experimenta o topo, nada além daquilo satisfaz. Clubes grandes são cobrados sempre pelos seus grandes momentos, nunca com tolerância pelos “novos tempos”. Imagine ter que ser cobrado sempre com a “era Pelé” como referencia.

Ali, na praia, longe do dinheiro, da grande mídia e dos grandes rivais. Num estádio pequeno, ostentando uma torcida antiga, diferente, não tão grande.

O Santos era aquele clube que não podia errar. Se errasse, encolheria, pois andava no limite entre um time praiano de uma grande safra e um gigante do futebol brasileiro e mundial.

Anos se passaram e, de novo com um negro magrelinho e ousado, o Santos foi protagonista. Sempre ao seu estilo, a sua maneira, sem jamais se permitir mudar pra agradar a maioria.

O Santos é aquele clube que dá alegria pra poucos mas que encanta todo o resto. Não faz dos seus títulos meras histórias de conquistas comuns. Faz de cada um deles uma recheada história cheia de atrevimento, dribles, garotos e saudosismo.

Quando campeão, é aquele Santos brilhante, raramente o pragmático e comum.

Retomou, atrevido, com garotos, usando da mesma fórmula que o fez existir, sua condição de protagonista. Ali, com Robinho, Diego e cia, se colocou na condição do clube das safras maravilhosas.

Quando bem reforçado nem sempre brilhou. Aliás, convenhamos, raramente brilhou. Quando apostando em seus próprios frutos, fez história.

Hoje com Neymar e Ganso, outro dia com Robinho e Diego, lá atrás com Pelé e cia. Santos sempre Santos, daquele jeito, do mesmo jeito.

O time de Pelé deu ao Peixe a chance de “aparecer”. Como raríssimos clubes, gostou e ficou.

Hoje, centenário, não é dono de uma das maiores torcidas do país. Sequer do seu estado.

Mas é, facilmente, o mais conhecido clube do seu estado e provavelmente de seu país.

Talvez não por ser “O Santos”, mas por inevitavelmente ser “Aquele Santos de Pelé, hoje Santos de Neymar”.

O maior do passado e a maior perspectiva de futuro brotaram do mesmo chão.  Não pode ser um chão qualquer.

Atrevido, peitou a Europa e disse “não! Meu garoto fica!”. E ficou.

Hoje, dos badalados times brasileiros cheios de dinheiro, com cotas de 100 milhões e ex-jogadores de Barcelona, Real Madrid e Milan em seus planteis, brilha mais forte o “menino da Vila”.

Como sempre, ou quase sempre.

Nasceu pra ser mais um, não aceitou. Atrevido, ousado, audaz, foi ser gigante. Não satisfeito, os superou, foi número um.

Imortalizado, hoje, revive nos pés de Neymar a história que lhe fez gigante.

Desconcertante, humilhante, atrevido e aplaudido.

Este é o Santos. Centenário, glorioso, invejado e, de novo, protagonista.

abs,
RicaPerrone

Vai ou racha!

Faltando uma ou duas rodadas, dependendo do grupo, saiba o que cada brasileiro precisa fazer para garantir sua classificação para a segunda fase da Libertadores 2012.

[box_light]Grupo 1

Santos -Um empate contra o The Strongest, na Vila, garante a classificação do Peixe. Em caso de derrota por 5×0, classifica-se caso o Inter não consiga vencer o Juan Aurich. Menos do que 5×0 pro The Strongest… nada feito. Santos nas oitavas.

 Inter – Vencendo o Juan Arich lá, se classifica sem depender de ninguém. Se empatar ou perder, precisa que o The Strongest não vença o Santos na Vila.  [/box_light] [box_light]Grupo 2

  Flamengo – Tem a matemática mais simples, apesar da situação mais complicada. Precisa vencer o Lanus em casa na quinta-feira e torcer para que Olímpia e Emelec empatem no Paraguai. Qualquer resultado que não seja o empate entre Olímpia e Emelec elimina o Flamengo, porém, não classifica ambos, o que evita a “marmelada”. [/box_light] [box_light]Grupo 4

  Fluminense – Faltando 2 rodadas o Flu já está 100% garantido na próxima fase. Mesmo se perder os dois jogos. O que ele disputa é a “melhor campanha”  da primeira fase, o que lhe daria direito de decidir em casa até a final. Com um porém. Se conseguir a melhor campanha e o Flamengo se classificar no grupo 2, teremos um Fla x Flu nas oitavas da Libertadores.  Aí, neste caso, no mesmo estádio os dois jogos, não há “gol fora” e vantagem de decidir em casa. [/box_light] [box_light]Grupo 5

  Vasco – Já classificado, porém, ainda brigando pela liderança do grupo. Vasco e Libertad tem 10 pontos e jogam fora de casa. Se mantido o resultado atual, os cariocas encerram na liderança do grupo.[/box_light] [box_light]Grupo 6

  Corinthians – O Timão tem 2 jogos pela frente. Nesta semana encara o Nacional (PAR), único que ainda pode tomar sua vaga. Se perder, depende de si mesmo semana que vem contra o Táchira em casa. Se empatar ou vencer, classifica ainda nesta rodada. [/box_light]

abs,
RicaPerrone

Solteira, mas gostosa

Muricy foi ao baile de carrão. Lá chegando, sabendo que sua ex estava solteira até então, não imaginou qualquer possibilidade de constrangimento, afinal, estava por cima.

Bem casado, de carro novo, Muricy manteve sua pose e não quis beber nem dançar, pois pra ele a vida é pragmática, o que acabou desgastando seu relacionamento com a tal ex, que era feinha, porém, bem casada.

Ao entrar no baile ela chama atenção. Ainda solteira, porém, belíssima, magrinha e sorridente.

Muricy não dá trela, se faz de difícil e nem olha pro lado. Mas todos olham e notam que, as vezes, antes só do que mal acompanhada. Bela, ousada, sorridente e feliz, sem mais ter que adaptar suas características ao ex turrão, chama atenção.

Corre o risco de entrar e sair sozinha do baile, mas vai.

Muricy segue de mãos dadas com sua atual, também muito bonita, mas a impede de dançar, diz que não quer vinho e sugere uma água, já que beber não é legal.

Sua ex se esbalda na pista gargalhando com amigos e bebendo todas, com juizo, é claro.

E no fim do  baile, incomodada em saber que poderia ser ela o destaque da festa, a atual de Muricy discute e fica brava.  Brigados, vão embora.

No carro ela discute a relação e pede que ele viva mais, a deixe mais solta, seja mais feliz e menos pragmático, metódico, medroso.

Palavras que irritam o todo poderoso professor. Mas ele engole, sabendo que, como sempre, está com o melhor que pode na desesperada tentativa de “ter alguém”.

Sua ex fica, não pega ninguém, mas sorri, dança, pula e dá risada alto. E nem liga.

Porque ela sempre foi assim, menos quando “adestrada” pelo seu insuportável ex.

E deliciosa, decotada, dona da festa, vai embora de carro popular.

Mas é dela. E ao final do baile todos comenta: “Como ela está diferente! Solteira, é verdade. Mas tão mais feliz…”.

abs,
RicaPerrone

“É preciso ir pra Europa”

É comum, chato, repetitivo e cansativo ouvir que, para evoluir, Neymar precisa ir pra Europa. Eu entendo pelo reconhecimento, pela fama, pela moral mundial. Afinal, se nós que aqui estamos “precisamos ver ele pela tv” porque ao vivo não basta, é de fato preocupante.

Mas defendo que não. Neymar não “precisa” ir pra Europa. Pode ir, e se for, vai brilhar. Mas não é necessário que vá para amadurecer como jogador ou atingir um outro nível dentro de campo.

Comparam a Europa com o Brasil de forma idiota. O futebol europeu soma diversos paises, o Brasil é um país. Se comparado o futebol brasileiro a um dos países de lá…  sinto pena. Tirando o inglês, que tem mais de 3 times grandes (menos de 6, porém), o resto não passa de um estadual com grife. São 20 times para saber qual daqueles 2 ou 3 de sempre faturam.

E sabemos, até porque assistimos, que o nível dos times “não grandes” da Europa é tosco. Cada dia mais, diga-se.

Você pode me dizer: “Mas o Villareal tem o Nilmar!”. Sim, o problema são os outros 10. Lá eles fazem muito isso. Contratam um grande jogador e colocam em meio a um mar de mediocridade. Vide Denílson no Betis, Nilmar no Villa, entre tantos e tantos exemplos. Não a toa são sempre os mesmos os campeões, com raríssimas exceções.

Mano Menezes quer ver Neymar na Europa. E eu quero ver você, Mano, desempregado. Pois quando um técnico de seleção fala o absurdo que você falou é motivo de demissão, cadeia e tortura.  Ficaria preso 20 horas por dia vendo campeonato espanhol e russo, até aprender a dar valor.

A questão é simples e não precisa de tanto drama. Os grandes do CONTINENTE europeu são muito grandes. Mas os pequenos são muito ruins. O Barcelona é melhor que todos os nossos times grandes. O Real, provavelmente, o Chelsea… talvez. Mas todos os outros nossos times do Brasileirão são melhores, por exemplo, que o Getafe.

E aí se faz uma conta interessante. Talvez ninguém tenha tido essa curiosidade, mas eu tive.

Na temporada atual o Real Madrid, poderoso, maior clube do mundo,  fará (SE FOR A FINAL DA CHAMPIONS), 17 partidas contra grandes clubes. Sejam eles só com camisa em má fase ou não. Tô sendo bonzinho.

Entre estes 17 jogos, são 7 adversários. Tem ida e volta e só o Barcelona ele enfrentou 6 vezes na temp0rada. Aqui, qualquer banalização de Fla-Flu vira motivo de 2 horas de debate na tv. La, é “lindo”  ver o clássico.

Enfim, esta é a conta final.

Se o Real Madrid for até a decisão da Champions League, terá feito 17 partidas contra grandes adversários an temporada, sendo que estes 17 jogos terão sido realizados contra no máximo 7 clubes diferentes. E sim, estou incluindo até o CSKA na lista de “grandes”.

Se o Santos for a decisão da Libertadores, terá feito 34 jogos contra grandes clubes num ano. Considero apenas os 12 grandes do país, que naturalmente são quase sempre jogos de bom nível,  somei uma semifinal (só jogo de ida) e a s finais de um estadual. Considerei que na Libertadores o Peixe enfrentará apenas 3 times grandes.

A soma dá 34 grandes jogos por ano, sendo 14 o número de adversários de alto nível.

Se for mal, numa temporada onde nem jogue a Libertadores, nem chegue a final do estadual, fará no mínimo 24 jogos contra grandes sendo 11 adversários.

Sim, é mais difícil jogar com o Manchester do que com o Atlético MG. Mas é incontestável que você não sabe se jogará com o Manchester. Sabe que jogará com o Getafe, enquanto aqui, sabe que pegará o Galo em Minas, o Gremio no Sul, entre outros.

Mesmo que você queira dizer que nossos 12, normalmente, são 6, a conta é vantagem pra jogar aqui no que diz respeito a dificuldade que será encontrada.

Se Neymar for ser testado como jogador de futebol é melhor que seja contra o Coxa e o Atlético PR do que contra o Getafe e o Malaga.

E se numa temporada ele pode fazer 34 grandes jogos, porque é mais vantagem e “melhor pro seu desenvolvimento” fazer 17, no máximo, contra míseros 7 clubes, considerando estar em TODAS AS FINAIS? Caso contrário, meus amigos, um Real Madrid pode, se cair na primeira fase da UCL, ter míseros 2 jogos de alto nível pra fazer em uma temporada.

Então, defenda a grife, a ótima Champios League, o dinheiro, o mercado, a fama… Mas não a dificuldade do que ele irá encontrar.

Jogar no Real e no Barcelona, em 90% do tempo, é mais fácil que treinar na praia do Gonzaga e desviar dos fãs.

abs,
RicaPerrone

Exclusivo: A nova de Neymar

E o “garotão” segue voando. Além de não parar de jogar pra fazer suas campanhas, Neymar vai cada vez mais se firmando como um “ídolo de todas as torcidas”. Prova disso é que hoje, no intervalo do Fantástico, ele estrela uma nova campanha do banco Santander.

Mas não precisa esperar o Fantástico, não.  Assista antes aqui.

Alguém venceu?

Sim, eu assisti e sei que deu Palmeiras. Mais do que um irrelevante clássico em meio a um estadual de fórmula imbecil, queria ver um Palmeiras x Santos.

Daqueles onde o Santos de Neymar, Ganso, Elano, Arouca e Ibson joga como Santos.

Daqueles onde o Palmeiras se posta e joga como Palmeiras.

Não vi, como não vemos há alguns meses.

Desde a conquista da Libertadores o Santos não faz uma grande partida. E lá se vão mais de 6 meses. Talvez seja pouco para o Palmeiras, que não apresenta nada além de lances de bola parada há mais de 1 ano.

Para ambos, mesmo em situações diferentes e com cobranças completamente distantes, é pouco.

O Santos faz mediocremente há algum tempo a função de entrar em campo e fazer o minimo possível. Ok, era “foco no mundial”. Mas a partir do momento em que você é humilhado e não chuta no gol no mundial… questiona-se o que foi feito.

O esquema tático já é aquele que conhecemos do professor. Defende, se fecha e bola pra alguém resolver na frente ou espera um escanteio pra ver se sai de cabeça. Pobre Neymar, deixou de ser atacante para virar “setor de ataque”.

O Santos pode mais, muito mais.

O Palmeiras ainda pior. Não entra na minha cabeça que o palmeirense consiga aceitar essa fase mediocre onde um dos maiores times do mundo joga como um nanico em busca de um cruzamento.

Onde um elenco limitado e tido como “esperança”. Onde jogadores apenas bons são tratados como ídolos ou possíveis solução.

Longe de estar devendo boa fase ou títulos, o Peixe deve aquela alegria de jogar bola.

Longe de qualquer alternativa há alguns anos, o Palmeiras precisa deixar de ser mediocre.

Não cabe, é grave, está passando do prazo.

Hoje o futebol brasileiro tem estrelas, cresce, paga bem e tem times recheados de jogadores que, se não renderem o que podem, ao menos dão status e peso a camisa. O Palmeiras não está acompanhando o ritmo.

O futebol brasileiro precisa de um Palmeiras que não se conforme com o “comum”. E não é este.

Nem que queira e tente por mais 10 anos, o Palmeiras não se tornará um time comum.

Então talvez seja o caso de se exaltar menos algumas micro-conquistas, confiar menos em jogadores médios e se enxergar como gigante.

Antes que alguém comece a duvidar disso.

O jogo?

Pouco importa.  Queria ver um Santos jogando aquele “bolão” que pode jogar e o Palmeiras buscando algo mais do que uma bola parada.

Não vi.

abs,
RicaPerrone

Como parar o Barcelona?

Estou desde o fim do jogo ouvindo, comentando, lendo e falando com amigos. A pergunta que mais ouço é, pra mim, o “x da questão”. Todo mundo diz que o Santos não jogou porque “não dá”. Que o Barça isso, o Barça aquilo, e de fato está entre os 5 melhores times que vi jogar na vida. É indiscutível a qualidade e a confiança do time.

Pondero, no entanto, diversas coisas. Até porque o futebol ensina todo santo dia que o endeusamento na boa fase é desproporcional ao que vem na sequência. Todos querem saber “como parar o Barcelona?”, e é ai que eu acho que todos se complicam.

Será que alguém já notou que este time é armado, treinado e testado toda semana para enfrentar times que se colocam como abaixo deles e, portanto, se fecham?  Será que é tão difícil notar a incrível coincidência de ver o noticiário pre jogo sempre dizendo que haverá esquema novo pra parar o Barça no adversário?

Você já viu o Barcelona mudar seu time por causa do adversário? Já viu ele tentando parar alguém?

Ele é especial por isso. Se impõe o tempo todo como o time maior, o mais forte, o que toma iniciativa. Eu adoro isso, sou fã de quem faz, e não confundindo minhas tirações de sarro com o que penso de fato, é óbvio que eu adoro ver este time jogar. Até porque vai completamente de acordo com o que defendo.

O que eu não entendo é a pergunta repetitiva de “como parar o Barcelona?”.

Queridos… não vai rolar. Eles são armados para atacar quem se defende deles. Eles jogam 90% do tempo na Europa contra times pequenos que só se defendem. Eles, ao contrários de nós, não sabem jogar no contra-ataque ou tendo que buscar uma forma de parar os outros. O tempo todo eles jogam, os outros se defendem.

Aí você vai ao Mundial, sabe que tem menos conjunto e menos time (até por questão de mercado, lá dá pra entrosar time e manter) e faz o que? Tenta, pela milésima vez, parar o Barcelona.

Quando é que um time grande, caso do Santos hoje, com qualidade técnica para fazer estrago, vai tentar fazer com que o Barcelona se preocupe com o adversário?

Quando é que vamos ver o Xavi e o Iniesta tendo que ficar mais presos para não tomar nas costas do Ganso? Porque toda vez é o adversário que segura os seus volantes com medo dos deles?

Se há uma forma de TENTAR ganhar do Barcelona é fazendo algo diferente daquilo que ele treina e faz o tempo todo há 3 anos. Ou seja, surpreende-lo.

Eu não estou dizendo pra ir pra dentro dos caras sem juizo. Mas estou dizendo SIM que é possível parar o Daniel Alves subindo um lateral e não recuando o seu para marca-lo.

Se eles quiserem o jogo franco, ok! É muito maior a chance do Santos fazer 2 e tomar 2 do que tomar 4 e não fazer nenhum jogando com 3 zagueiros ruins e 2 laterais que não querem subir.

O Barça tem opção e só dá uma pra quem joga contra ele. O que o enfrenta não causa medo nos caras.

A situação, inclusive psicológica , é sempre favorável ao Barça.

Na Espanha, esquece! Ninguém lá tem time pra fazer isso e o que tem, mesmo que seja um grande time, tem um técnico que adora inventar e mudar o time todo pra encarar o Barcelona.

Quem poderia surpreender o Barcelona era exatamente um time de fora, que pudesse causar surpresas.

Com 3 minutos o Barça olha pro campo e vê mais um Getafe parado na defesa esperando ele.

Tudo que ele sabe fazer e ensaia a semana toda. Pronto, é só atolar o pé.

Quando pararem de se perguntar “como parar o Barcelona” e começarem a fazer com que eles pensem em te parar, o jogo começa equilibrado. Antes disso, é sempre 1×0 de véspera.

E assim será. Porque quem entra pra não perder de muito, perde. Quem entra pra empatar, perde. Só quem entra pra fazer algo grandioso sai com um resultado grandioso.

Caso do Barcelona, que entra pra fazer você se perguntar em como pará-lo.

Cabe a alguém devolver a pergunta.

Não foi o Santos.

Aliás, o Santos foi só mais um a passar 6 meses buscando a resposta pra pergunta que não tem resposta.

abs,
RicaPerrone