anderson leonardo

Sim, o lixo da sociedade!

Uma vez eu disse numa live que a imprensa era o lixo da sociedade.

Frase forte. Deu alguma polêmica, mas a parte mais divertida disso é ter 90% dos colegas concordando em off e no ar não podendo dizer o que pensam por motivos óbvios.

Você ouve de 9 a cada 10 jornalistas num bar que o nível está baixo. Mas o corporativismo burro é aquele que permite a deterioração de uma classe em troca de ficar bem com todo mundo.

Hoje eu consigo afirmar sem nenhum medo de errar que vivemos o pior momento da imprensa em todos os tempos. Hoje ela milita, vende espaço, vende notícias falsas e coloca a narrativa que quer a troco de cliques desesperados de quem está falindo aos poucos.

Pior do que falir. Perder o respeito do povo. O que já aconteceu, convenhamos.

Enquanto alguns brigam como sindicalistas pela classe outros como eu expõem os absurdos pra que a gente melhore. Adivinha quem tá contribuindo de fato? Enfim.

Nosso Anderson morreu. A primeira manchete da Globo era a morte. A segunda era que ele havia assumido ser bi e relembrando uma falsa acusação de estupro contra ele.

Eu pergunto ao editor: porque? Pra que? Ele está morto, levou alegria a vida toda, atendeu a vocês sempre. Porque a manchete da morte dele é essa? Porque a lembrança é essa? Ninguém lembrava.

E então o maluco que o acusou surgiu de novo, óbvio. Viu oportunidade. A imprensa agora noticia cada frase do sujeito que fez falsa acusação de estupro com credibilidade e espaço relevante.

Vamos aos fatos?

Um maluco que casou com si mesmo e fez uma falsa acusação de estupro. Um cantor adorado pelo Brasil que nunca fez mal a ninguém. Qual o sentido em dar espaço pra o primeiro falar do segundo no momento da morte dele?

Chamar o cara de “ex”? Cacete, o que tem no coração do cara que faz essa notícia? No cérebro claramente nada, mas que tipo de ser humano vê uma família aos prantos e ressuscita um assunto morto que o deprecia?

Isso dentro de uma Globo. Fosse num blog qualquer de um alucinado por espaço, compreenderíamos pela insignificância. Mas numa Globo?

O crime já foi relativizado por ideal. Agora vamos usar pessoas mortas pra achar polêmica enquanto o corpo é velado? Pior! Um parceiro da casa que sempre esteve ai quando convidado.

O Brasil precisa de fatos pra poder combater o mal. E enquanto os responsáveis por entrega-los ao povo se submeter a venda escrota e sem critérios de cliques custe o que custar, seguiremos com narrativas, pão e palhaço. O circo já somos.

Que você, caro editor jornalista que está dando esse espaço, tenha uma vida feliz e que quando morrer seja anônimo. Porque se tiver alguma notoriedade pode colher a linha que ajudou a plantar.

Sim, é o lixo da sociedade.

RicaPerrone

Vai em paz, amigo!

Cantor,

Eu perdi a chance de me despedir de você. E das poucas pessoas no mundo que eu faria questão, você é uma delas. 

Na última noite antes de viajar eu fui ao bar do Zeca pra te ver porque me falaram que você não demoraria a partir.  

Você não se sentiu bem e não foi. Eu viajei sabendo que provavelmente não voltaria a te ver e por isso fiquei trocando mensagens de WhatsApp contigo, pra tentar de alguma forma te dizer o que eu queria antes de você descansar. 

Disse que você é meu ídolo, que ser seu amigo era um privilegio, que você era o sorriso mais lindo do Brasil mesmo quando os dentes não ajudavam. Aliás, acho que ainda prefiro aquele sorriso do que o novo, sabia? 

Porra, irmão. Você não tem idéia do que foram os últimos meses “pelas suas costas”.  Não queríamos que você ouvisse, mas eu adoraria que você soubesse. Todos preocupados, rezando a sua maneira e se telefonando pra saber de ti. 

Ontem falei com Dudu. Ele foi te ver, né? Nem sei se você sabe, mas ele me confortou de alguma forma ao dizer que você estava sofrendo. Porque de tudo que eu te desejo, por mais que sua presença seja fundamental pra nós, sofrer você não pode. 

Você foi o sorriso mais fácil que eu conheci. O vírus mais contagiante de alegria que já vi num ambiente.  Meu aniversário de 40 anos você que cantou parabéns. Foi o melhor que já tive e não há nenhuma chance de outro ser mais especial. 

E agora tá um silêncio, irmão… tão triste, tão vazio, tão sem sentido. Parece que ninguém mais vai sacanear o cabelo do Claumirzinho e nem falar pro André que ele é mau humorado só pra deixa-lo de mau humor. 

Quem vai me chamar de “Rica Perone” com um “r” só? 

Não fizeram dois Andersons, cara. De modo que sem você vai ser bem difícil.

Mas vai. Se é pra ir, vai. A gente aguenta, se vira, se reune, chora e depois morre de rir contando suas histórias. Vira lenda, cantor. 

O Brasil chora pelo cantor que se vai, o artista, o personagem. Nos choramos pelo insubstituível Anderson que conhecemos. O amigo. O rei da resenha. O único cantor que conheci que era pago pra fazer 2 horas de show e quando chegava a 4 o dono da casa tinha que pedir pra ele parar porque ele estava se divertindo e não trabalhando. 

Eu fui seu fã, sou seu fã e eu amei ser seu amigo. 

Vai em paz, irmão. Obrigado, obrigado e obrigado! 

RicaPerrone