Arena do Gremio

Páginas imortais

Era 44 do segundo tempo quando uma bola parou nas mãos do goleiro argentino e o Grêmio lamentava mais uma chance perdida.  O time recuava para recompor já no auge do desespero quando alguns poucos gremistas viravam as costas e iam deixando a Arena.

Alguns chegaram a ir embora. Outros olhavam para trás entre a saída mais rápida para curtir a dor em casa mais cedo e a fé até então inabalável dos gremistas.

A dúvida de qualquer torcedor normal é se vale a pena arriscar mais 3 minutos. A do gremista era em qual destes 3 minutos sairia o gol da vitória.

Os penaltis eram formalidade. O Grêmio tinha tudo desenhado para arrancar na Libertadores e dar ao time o que lhe falta em 2018: uma dose de sangue nos olhos.

Transbordou em 2017. Natural que tenha acabado o estoque para 2018.

De toques calmos, ritmo lento e irritante regularidade com a bola o Grêmio precisava de uma dose de Grêmio. Ela veio na veia, em dose cavalar, aos 47 do segundo tempo quando Luan bateu na bola para ela encontrar Alisson e entrar no gol do Estudiantes, estufando a rede do Tucuman.

Sim, esse gol doeu em São Miguel de Tucuman, onde nenhum ser vivo decente desejou enfrentar o campeão da Libertadores.

Se alguém deixou o estádio, não viu.  Mas ouviu.  E se não ouviu direito, eu repito pra que não erre de novo: não vire as costas pro Grêmio enquanto ele ainda estiver vivo.

Não há mais quem conteste. É preciso ser muito colorado para desmerecer o momento do Grêmio, a história escrita nos últimos dois anos e as pitadas de surrealismo que envolvem desde o comandante ícone do clube até os gols de renegados agora heróis.

E se há alguma fé nos tais Deuses do futebol, o gol do Alisson era questão de tempo. Não há entidade iluminada superior capaz de eliminar o Grêmio num dia onde Geromel comete um erro.  Não seria uma eliminação tê-lo como vilão, mas sim um crime.

abs,
RicaPerrone

Caros auditores do STJD;

Eu não sei quem vocês são e prefiro assim. Na medida em que souber posso fazer avaliações toscas como as que vemos por aí sobre o time de coração de cada um.  Prefiro não. Prefiro partir do princípio de que são pessoas de boa índole e que não prejudicariam esse ou aquele por birra ou clubismo.

Partindo deste princípio, venho lhes perguntar se estiveram na Disney.

Sim, a pergunta é essa. Vocês já foram à Disney?  Espero que sim.  E se foram, eu gostaria de saber porque não entenderam.  É tudo tão claro, é um desenho tão detalhado do que se trata entretenimento e pessoas felizes que eu custo a crer que seja difícil observar.

Vocês vão me dizer que estão aí para aplicar regras. E se as regras não fossem interpretativas, vocês não estariam aí. Logo, tudo cabe uma boa dose de bom senso.  Na medida em que os anos vão passando, o STJD vai se tornando o inimigo do torcedor, quando na verdade seu objetivo era fazer “justiça” e, portanto, nos dar o que esperamos e gostaríamos.

Ontem vocês tiraram uma torcida do seu estádio, tiraram o jogo final de uma cidade por causa de um abraço. Sim, um abraço entre pai e filha que emocionou a todos, que foi a imagem do jogo, que virou capa dos jornais e que deu um tempero extra a essa decisão.

“Ah mas eu estou aqui pra cumprir regras e ela diz que…”. Não! Não está! Você está aí pra julgar situações, não pra ler regulamentos e dizer amém.  Fosse assim não haveria julgamento, apenas a leitura do regulamento.  Vocês são seres humanos capazes de entender o que palavras num livro de regras não podem interpretar.

Não houve lesados, beneficiados, problema algum. Apenas um pai eufórico que permitiu sua filha a vir abraça-lo.  E então diante de tal punição você diz pro torcedor que é rígido ao extremo, e amanhã deixa passar um cuspe na cara como se nada fosse. Outro dia vocês tiraram a pena de um jogador que BATEU no juiz. O Petros, lembra?   Mas a Carol no campo, não! Tudo tem limites. Um abraço nem pensar.

Do que vocês estão falando, afinal? De um sistema carcerário ou de um evento de entretenimento? Será que não está claro que o que pra vocês é trabalho tem como fim a diversão das pessoas?  E que, portanto, toda ação deve buscar preservar acima de tudo a satisfação delas?

Por favor, volte na Disney. Passe uma semana olhando em volta e tentando entender porque aquela porra de rato está sempre pulando e os funcionários todos sorrindo mesmo num dia ruim.   Porque trata-se de ENTRETENIMENTO.  E ninguém no mundo paga pra se irritar. Você paga pra ter prazer. Perder, ganhar, faz parte. Mas se sentir lesado, “roubado”, feito de otário… ninguém paga por isso.

O STJD já é o inimigo número 1 do  torcedor brasileiro. E me custa crer que este seja o objetivo de vocês, tal qual imaginar que isso não lhes incomode.

Mudem. Está tudo muito errado. Os critérios são sem sentido, os pesos e medidas absurdos e vocês conseguiram sugerir que um título saísse das mãos de sua torcida porque um pai abraçou uma filha em área proibida.

Pelo amor de Deus… não passa pela minha cabeça que vocês salvem o nosso futebol. Mas pelo menos tentem não estraga-lo ainda mais.  Ontem vocês chegaram ao fundo do poço.  Fiquem por lá, mas deixem seus cargos para alguém menos rancoroso, infeliz e amargo. Alguém que na Disney abrace o Pateta, e não que o rejeite pra fazer o papel dele por aqui.

abs,
RicaPrrone

Crescer e não chorar

O Grêmio de Roger foi taticamente superado. Ok, foi massacrado.  Sejamos justos.

O Rosário fez isso com o Palmeiras, mas… ah, é o Palmeiras! Em crise, trocando treinador, etc, etc, etc.  Pois foi a Porto Alegre e fez rigorosamente a mesma coisa com resultados muito semelhantes.

Gráfico de posicionamento médio do jogo de ontem - Veja o Rosário quase no campo do Grêmio.

Gráfico de posicionamento médio do jogo de ontem – Veja o Rosário quase no campo do Grêmio.

 

E era o Grêmio, do Roger, do estádio meio vazio, dos preços abusivos e do time não tão qualificado que ganhou um status técnico que não merece ao conseguir a vaga na Libertadores.

A realidade do Grêmio é de um time comum bem treinado. E isso significa que quando anulado coletivamente, ele pára porque não tem nada especial individualmente.   Mas ontem, caros tricolores, o Grêmio errou até passe de meio metro, e isso não é tático.

Se como reação ao domingo, se num dia ruim, se cansados, se bem marcados, não importa! Absolutamente nada justifica jogadores de futebol jogarem uma decisão em casa, estádio meio vazio, contra argentinos, e sem a gana que esse cenário sugere.

Todos erraram. E o Rosário acertou.  Poderia ser pior, aliás, me arrisco dizer que até merecia.

O Grêmio que sai jogando foi marcado no seu campo. Fim do Grêmio.  Se por um lado não tiveram a ousadia do Audax que entrega uma ou duas bolas por jogo pro adversário fazer o gol, também não tiveram opção.  Ficaram presos ao adversário assistindo ao jogo e sem tesão algum em buscar algo mais.

Enxergo como uma sequencia de decisões erradas. A de usar titulares domingo, a de vender ingressos pra rico e não pra torcedor, e as questões táticas e técnicas do jogo em si.

O Grêmio tinha que ter entrado ontem 100%, inteiro, pronto, focado, sem o desgaste de uma eliminação e com o estádio entupido até o último centímetro.  Ali, pelo menos, entenderiam um jogo que não entenderam.

O grande clube aprende com os erros e os corrige. O clube grande manda o treinador embora e foda-se o projeto, o planejamento e o ideal.

Vejamos que Grêmio teremos na quinta-feira que vem.

abs,
RicaPerrone

“O cara”, o detalhe a mais

Pra mim este era o confronto mais importante da noite. E não vou ser medroso de revelar que acredito que destes dois sai o meu favorito a título, pelo menos um ligeiro favoritismo.

Porque? Porque o Grêmio é o melhor time que ainda estava na Copa do Brasil. O mais competente e organizado, vide Brasileirão.  E o Fluminense é o time grande em situação pior (tirando o Vasco)  nesse momento. O que isso significa? Que ele não está entrando em campo com “obrigação” de nada, nem em casa.  E isso nas mãos de um grande é uma tremenda arma.

Enfim, não me frustrei.  O Grêmio foi bem melhor, deu 21 chutes a gol, posse de bola acima dos 60%, trocou o dobro de passes, mas… O Fluminense surpreendeu.  Eles não esperavam ver o Flu com essa formação, e finalmente ( é pra glorificar em pé, aleluia!) um treinador colocou o Gerson no meio e os velozes abertos.

O Flu não teve a bola o tempo todo mas quando teve levou perigo. Jogou uma partida consistente, intensa e competitiva. Algo que não vinha fazendo. O time morto que não se mexia se mexeu. E não “achou” o resultado, não.

A proposta era essa e quem tem Fred na área sabe que tem algo que o adversário não tem. Aliás, diria hoje que a grande diferença entre eles era essa. Um criava pra ninguém finalizar. O outro criava um terço, mas pro Fred.

E aí, que me perdoem os papagaios de imprensa, mas o Fred é o melhor centroavante que temos ainda, e não é de hoje. Especialmente pelo fato dele adorar jogo decisivo, coisa que a maioria não gosta.

O Grêmio melhor, mas sem ninguém pra resolver. O Flu bem em campo, mas com “o cara” pra resolver o jogo.

Vaga merecida. Como aliás, se caisse pro outro lado também seria.

Na verdade merecidos mesmo foram os aplausos no final do jogo. Que jogo!

abs,
RicaPerrone

Baile

Reunião festiva cuja finalidade principal é a dança. Movimentação de pessoas com objetivo comum. 

Em português claro e atual, “O Grenal deste domingo”.

Poucas vezes um Grenal tem outra conotação que não uma “guerra”. É quase sempre no aperto, no detalhe, na bola dividida até o fim.

Pois hoje o Grêmio jogou 25 minutos bastante didáticos insinuando uma goleada.  Num cenário convencional seria o suficiente para o Inter acordar e impedir isso.

Mas hoje, não.

Foi um dos maiores bailes que já assisti num Grenal.

Aguirre foi demitido há 3 dias do clássico. Que seja. Nem se ele tivesse sido executado a tiros no vestiário meia hora antes do jogo seria aceitável a apatia do Internacional diante do maior rival.

Mas não vou colocar isso como o principal fator do resultado. A atuação do Grêmio, a formação do Roger e as alterações dele foram absolutamente perfeitas. Em nenhum momento o Internacional conseguiu controlar o Grêmio.

O resultado normalmente não demonstra claramente o que foi o jogo. E hoje mais uma vez.

Cabia mais.  O “macaco” segue na árvore.

abs,
RicaPerrone

Não sei, não quero…

Adoro tecnologia, botões, aparelhos de última geração.  Odeio churrasco temperado ou na churrasqueira elétrica. Não suporto o desconforto da cadeira de um cinema, mas me recuso a querer ver uma poltrona num estádio de futebol.

Adoro a minha escola de samba, entendo todos os motivos que fizeram ela sair de uma rua escura em Padre Miguel e ir pra Avenida Brasil numa mega quadra. Mas não gostei dela.

Eu sei que a Copa vai chegar, os estádios vão mudar e nossa forma de torcer será distorcida pelas normas européias de conduta dentro dos estádios. Talvez até passemos a ser racistas, não sei.

Sei que não vou gostar, mesmo que eu goste.

Achei linda a Arena do Grêmio, mas prometo nunca olhar pra ela com metade da boa vontade que sempre olhei pro Olímpico.

Não por ter um argumento inteligente pra isso, mas por me proibir de aceitar certas novidades.

Meu churrasco só vai carvão e sal grosso. Mesmo que você me prove ter um tempero mais saboroso e uma forma nova de grelhar a picanha, eu não vou achar melhor do que a tradicional.

Se um dia Messi for melhor que o Zico, eu não vou reconhecer. Como ele não será,  mesmo se for, não é um assunto que me incomoda.

O Maracanã novo deve ser muito melhor que o antigo, mas eu não acho.  Não porque eu tenha ido lá experimentar, mas porque não acho e pronto.

Pelé vai terminar sendo o maior, mesmo que o superem.

Ninguém pilotará mais do que Senna, mesmo que pilote. E não, nem pense em procurar especificações técnicas para encontrar um carro melhor que a Ferrari.

Ele pode até existir de fato. Mas só de fato.

E o Olímpico será sempre o mais importante e melhor estádio que o Grêmio já teve. Mesmo que isso seja mentira.

E se for, parabéns pela Arena.

É linda, perfeita, um sonho.  Mas é real, coisa que o Olímpico deixará de ser.

Assim sendo, “eternizado pelo fim”, será sempre “a casa do Grêmio”.

Mesmo que agora ele more em outro lugar.

abs,
RicaPerrone