Danilo

Sem pânico

Primeiramente, lamento muito a contusão do Daniel. É nosso melhor lateral, deve ser uma pena ficar fora de uma Copa pra um jogador ainda mais aos 35 anos e tendo jogado o 7×1. Ele com certeza sonhou com essa redenção e não terá. Lamento muito.

Daí pra frente a discussão é o tamanho do estrago.

Daniel é um grande campeão, um grande vencedor, um grande jogador. Pra mim sempre foi um cara uns 30% acima do que de fato joga por estar nos times que esteve na hora em que esteve. Tanto que na seleção por exemplo nunca fez metade do que fazia nos clubes.

Fará falta? Sim, porque mesmo aos 35 era o melhor que nós tinhamos e já é titular há uns 8 anos.  É insubstituível? Hoje, aos 35, não.

Há algum tempo os jogos da seleção tem no Daniel seu ponto fraco defensivo. É pra mim disparado o jogador de defesa nosso de pior rendimento. Portanto, não acho um absurdo perde-lo.

Perder o Neymar muda o cenário. O Paulinho, talvez. Peças chave do time. O Daniel, hoje, não me causa nem 10% do pânico que tenho lido por aí.

O Fagner, se controlar sua mania de dar pontapés, está jogando muito, em time grande, acostumado a pressão e aguenta. Danilo aguenta. Mariano talvez.  Seja quem for, inclusive o Rafinha, nós perderemos em nome, alguma técnica, mas ganharemos na questão física e talvez na defensiva.

Hoje lamento muito mais pelo Daniel do que pela seleção.  Nosso lateral fundamental, em ótima fase, que pode decidir jogos, atua do outro lado, e com a 6.

abs,
RicaPerrone

Eles sabiam

Parece mentira, mas é só auto-confiança. A impressão que se tem nos últimos confrontos entre São Paulo e Corinthians é que os alvinegros não tem nenhuma dúvida do que vai acontecer.

Do primeiro ao último minuto, com 11 ou com 10, pouco importa. O Corinthians controla o jogo sem a bola ou com ela. É o tempo todo parecendo saber o que vai acontecer e no final dos últimos jogos, quem dirá que não sabiam?

Rogério Ceni nunca cobra pênaltis baixos e no meio.  Cobrou, e perdeu.

O Danilo não vem sendo nem titular no Corinthians. Hoje foi, e resolveu.

Tudo dá certo. E o mais “irritante” é que eles nem esboçam perder o controle e a certeza disso. Estão o tempo todo olhando pro São Paulo como se pudessem escolher a hora para acertar o golpe.

O São Paulo, de tanto talento individual, enxerga do outro lado um conjunto muito melhor treinado que o dele. O 1×0 pro Corinthians, hoje, representa 80% do resultado final de um jogo.  Virar contra eles é quase incogitável.

Ao apito final, eles andam sorrindo pro vestiário. O São Paulo olha pro céu e se pergunta: “Porque?”.

Ora, “porque”?  Porque clássico se ganha com “algo mais”.  Tudo que esse time do São Paulo não demonstra é “algo mais”.  O objetivo é claro: fazer o mínimo possível pra ganhar um jogo.

Existem jogos e jogos. Queira o Muricy e sua petulancia de achar que “jogo é tudo igual” ou não.  Em jogos como esses ganha, invariavelmente, aquele que mediu menos esforços pra isso.

abs,
RicaPerrone

Prontos!

É inegável o equilíbrio do clássico  em sua história tal qual a diferença dos times hoje em dia.

Pronto, o Corinthians encontrou um gol, trocou passes e não foi sufocado em momento algum na primeira etapa mesmo fora de casa e com time misto. O Palmeiras tem 20 caras novas e não tem nem como ter tido tempo de transforma-las num time ainda.

Se havia um favorito de véspera, era o Corinthians. Da compra de Dudu até a polêmica dos ingressos, amplificada pela escalação de alguns reservas, a situação foi se invertendo e dando ao Timão a condição de desafiado, não de desafiante.

Nada mais agradável do que ser franco atirador quando mais forte que seu oponente.

Se seria resolvido num detalhe, este detalhe acabou sendo mais do que o erro individual da defesa do Palmeiras. O detalhe acabou sendo, em todo segundo tempo, o equilíbrio de um time formado contra a tentativa pouco organizada de um time que ainda não se conhece.

Com 10, na justa expulsão de Cássio, o Corinthians teve não só um clássico pela frente como um teste pra Libertadores que já começou.

E a resposta é “sim”.  O Corinthians está pronto.

abs,
RicaPerrone

Rindo de quê?

São anos de muito sofrimento para a torcida do Palmeiras que, esperamos, acabem com a nova Arena que vem aí.  Neste período aprende-se muito e normalmente até aumenta sua paixão, já que é preciso defende-lo.

E então a bola rola e por 90 minutos o Palmeiras é melhor que o Corinthians.  Por esforço, atenção, seriedade, vontade.  Acima do que se espera dele, o Palmeiras flertou com uma coroação de uma retomada.

Do outro lado o time do “tanto faz” parecia fazer o menor esforço possível para, quem sabe, se desse, empatar o jogo. É assim esse Corinthians sonolento que não vibra com nada e se apresenta insistentemente  abaixo do que deve.

Aos trinta e tralalá o Valdívia resolve debochar, fazer cera, chamar a torcida e ficar se jogando no chão.  É a risadinha final do vencedor que não venceu ainda.  Contra um morto que ainda respira.

Danilo, nascido para protagonista, resolve acertar um lance no final e o que era uma festa certa vira um empate injusto, melancólico e invaiável.

Palmeiras foi melhor.  Tão melhor que em determinado momento acreditou que de fato era mais time. Mas não é. E num surto de técnica que os separa, Danilo riu por último, e melhor.

abs,
RicaPerrone