Del Valle

“O cara” era outro

image (1)Cazares, Patric, Robinho, Pratto ou Luan?  Quem você queria ver hoje?

O gringo de boa movimentação, ótima estréia no primeiro tempo ou o “pedalada” no segundo?  O matador? O corredor?  O craque do jogo anterior?

Enquanto todos esses desviavam do brilho dos holofotes numa partida de 30 minutos muito bons, 15 razoáveis e 45 bem contestáveis, um rapaz de pouca mídia colocava o Galo nos eixos.

 

Mapa de calor: O dono do meio campo

Se na saída de bola, foi o jogador que mais vezes tocou na bola na partida (87). E ainda assim, pasmem, foi o que menos errou passes (94%).

Na defesa, o cara que retomou 14 bolas pro Galo.  No alto, o que ganhou todas que disputou.

O dono do meio campo, do time, do equilibrio entre um time que ainda oscila e não encontrou uma fórmula para evitar que, por exemplo hoje, perca mais de 50 posses de bola para o adversário.  E enquanto acontece, o reequilíbrio vem atrás daqueles que poucos correm pra entrevistar no final, mas que sem ele, talvez houvesse outro final.

Rafael Carioca, “o cara” de um Galo que ainda não mostrou “a cara”, mas que tem cara de que vai dar muito certo.

abs,
RicaPerrone

Eles entenderam

Foram muitos anos sem para criar saudades.  Fracassos para gerar interesse. Um sufoco danado pra alimentar a paixão. E apenas 6 jogos pra criar intimidade.

Botafogo e Libertadores não falam a mesma língua.  Nunca se entenderam bem, mal se olhavam.  Ao confirmar o encontro para 2014 o inevitável pessimismo nos levaria a crer que “eles não sabem jogar Libertadores”.

Como que por instinto, nos surpreendem.

Longe, bem longe, de jogar um grande futebol. Como se a Libertadores fosse um torneio de futebol…

Aqueles que nem iam agora vão. E lá, ao invés de cobrar, empurram.  Entendem que o sufoco desnecessário é, as vezes, inevitável. E se uma vaia puder ajudar a atormentar um dos inimigos, cá estou para vaiar.

Sofrido, suado, quase injusto.  Foda-se.

Ninguém convidou o Botafogo para um espetáculo artístico com a bola, nem mesmo uma campanha monótona de pontos corridos em busca de  regularidade.

O chamaram pra guerra.  Pra um confronto de camisas, pontapés, divididas e, também, futebol.

Talvez hoje, como há alguns jogos, tenha faltado o futebol.  O resto, não.

Nem mesmo torcida, marca registrada do pós jogo do Fogão, está em pauta. Foram 26 mil, não é muito. Nem pouco.

São suficientes, desde que entendam o que foram fazer lá.

Hoje, quando a bola do Independiente começou a rondar a área do Botafogo a torcida tinha duas escolhas.  Cobrar um futebol melhor ou empurrar a bola pra longe com eles.

Escolheu certo.

E no final, onde tudo poderia insinuar uma vaia, ouviu-se uma explosão.   Não teve “eles”, “nós”, “vocês”.

“Vencemos!”

Eles já entenderam tudo.

abs,
RicaPerrone

O drama é um detalhe

35 do segundo tempo, dois jogadores expulsos, jogo empatado, adversário em cima e jogando em casa.  Se empatar fica tranquilo na liderança do grupo, se perder… só não tão tranquilo.

Mas é Libertadores, logo, requer um toque extra de imponderável e até o “azarado” Botafogo pode se dar bem.

15 minutos de uma segunda chance.

Dali em diante o Fogão transformaria toda porcaria que jogou nos minutos anteriores numa jornada épica se conseguisse dar bicos pra frente por 15 minutos.

Com 9. De atuação horrível a heróica.

E entre as mil formas de evitar que o time adversário ( de quem, aliás, jamais ouvi falar) chegasse na área, todas funcionaram.  Então, bateram de fora da área.

E nos acréscimos da redenção, o inferno e toda aquela má atuação volta à memória.

Ninguém prestou.  Um show de horror, incompetência e clara falta de segurança dos 11, do chefe, dos suplentes. Um Botafogo perdido, sem auto-confiança, confuso e que recebeu de presente a chance de ser herói.

Nem essa.

Seria melhor perder com 11 de 3×0 e abrir os olhos para o mau futebol apresentado do que abrir possibilidade de interpretarem a derrota meramente como “quase heróicos” jogadores que não resistiram no fim.

A forma que o Botafogo vai enxergar este jogo determinará o que vem pela frente.

abs,
RicaPerrone