deportivo quito

Didático

Gérson foi um dos melhores jogadores do país em todos os tempos.  Tem 73 anos, trabalha com futebol dentro e fora do campo há pelo menos  50 anos.  Viveu, venceu e se frustrou 200 vezes mais do que qualquer um de nós, jornalistas ou torcedores.

Ontem, na cabine do Maracanã, perdeu a linha e explodiu com a torcida do Botafogo rodando a camisa como um garoto que estréia no estádio com o pai.

A imagem, que pra muitos é apenas “engraçada”, é exatamente o que penso sobre futebol.

“Futebol é negócio”, “Futebol é esporte”, “Futebol é coisa séria”.

Porra nenhuma.

Futebol é isso ai.  O resto é discurso.

Nada e nem ninguém seriam capazes de convencer um campeão do mundo de 73 anos a tirar a camisa e sair gritando.  Só o tal futebol.

abs,
RicaPerrone

Trago boas novas

Alô torcida do Fogão, trago boas novas!  O time que nunca chegava, chegou. O estádio que nunca enchia, encheu. O time que não sabia decidir, decidiu.  E o reforço que ninguém sabia quem era, agora é ídolo.

O torcedor que não acreditava que “torcida ganha jogo”, agora tem certeza que sim. O time que o Seedorf carregava andou sozinho, sem ele, e venceu.

Eu posso tentar falar com milhões de botafoguenses mas só vou atingir 50 mil deles.  Só quem entrou, viveu aquilo e chegou em casa sabe do que eu estou falando e não vai dormir cedo.

Hoje, onde disseram valer vaga na Libertadores, valia muito mais do que isso.  Há anos e anos o Botafogo não tem uma chance real de olhar pra um estádio cheio e vencer uma decisão.  Dizer a todos eles que “não, não é sempre igual”.  Explicar em gols que vale a pena, que o Botafogo é outro clube quando entra em campo ao som de um time grande.

Libertadores é “lá” e “aqui”.  Lá vai ser sempre foda de jogar. Aqui, depende de vocês.  Hoje foi, e o placar confirma.

A retomada da fé, da vontade de ir a um estádio ver seu time e a certeza de não ter ido perder tempo são muito mais importantes do que a tal vaga na Libertadores. Na verdade, só uma garantia de mais 3 jogos para reviver esta noite.

Acabou a angustia. A vaga é real. O Botafogo encheu o Maracanã, tem torcida pra isso e venceu o jogo decisivo.  Cadê seu deus, pessimista?

Quando o juiz apitou o fim do jogo, não tinha fila pra ir embora correndo. Eles ficaram pra ver o que raramente conseguem ver.  Não reconhecem em público, mas sabem, entre eles, que sentem falta deles mesmos.

Quando entraram em campo, se olhavam e sorriam. Veja no VT.

Hoje, pela primeira vez desde que estes jogadores vestiram a camisa do Botafogo, eles tiveram que erguer as mãos para 4 lados do estádio pra agradecer o apoio.  E tiveram dúvida de pra que lado “correr”.

Eles conseguiram a vaga, dinheiro, patrocinio, mídia, exposição internacional e principalmente… você de volta.

Seja bem-vindo, botafoguense.  Isso é Libertadores!

E sim, você pode conquistá-la.

abs,
RicaPerrone

Resolvam!

Lá, 1×0.  Pouca coisa deu certo, mas não dá pra dizer que muito deu errado. Conservador, o Fogão foi a campo pra não sofrer gols. Sofreu, tinha um centroavante fixo na frente e que não dava um passo pros lados. Ficou fácil, previsível.

Marcar o Botafogo de 3 volantes e um centroavante imóvel é tarefa das mais simples quando não se busca um gol. O Deportivo já o tinha, não precisava de mais do que isso pra repetir a dose fora de casa em busca de uma bola.

Aqui, com Elias, Henrique ou seja lá quem for, o jeito de jogar vai ter que ser outro. No mínimo com mais volume na frente da área, já que esperar os volantes do Bota chegarem dava também aos zagueiros a chance de chegar.

Mas tem uma novidade aí.

Este campeonato, que sei ser desconhecido da maior parte da torcida do Bota pela ausência de quase duas décadas, não se ganha exatamente jogando futebol.

É uma mistura de grito, pressão, força, vontade e, também, algum futebol.

O Deportivo deu ao  Botafogo um estádio meio vazio, sem grande pressão e saiu de lá com um magro 1×0, que não o coloca como favorito de nada na volta.

Aqui, onde os equatorianos estarão realizando um sonho ao pisar no Maracanã, ele não pode ter muito amarelo e azul.

Não vou repetir, a discussão é chata. A questão agora não é se você acha que o Botafogo “merece ” ou não sua presença. A questão é que neste torneio ou você joga junto ou o time entra com um a menos.

Jamais um time ganhou a Libertadores com estádio vazio.  Sequer “meio cheio”.

Neste torneio não tem “eles”. O tempo todo, do primeiro ao último jogo, é “nós” que se fala.  Nós ganhamos, nós empatamos, nós perdemos.

Nós marcamos. Nós pressionamos. Nós resolvemos.

E agora é sua vez. 17 anos depois, você está escalado para jogar com o Botafogo um torneio que você não sabe jogar. Mas vai aprender. Na marra, mas vai.

Façam barulho, muito barulho. Esbanjem fé. Jamais demonstrem o pânico interior e deixem claro para os dois times que o jogo é “aqui”. Na Libertadores um termo assusta mais do que qualquer centroavante: “Lá”.

E pra eles, o jogo é “lá”. Lá no Maracanã. Lá no Brasil. Lá na casa do Botafogo.

Ou, “aqui”. Onde na próxima quarta-feira vai ficar muito claro se há um mandante ou um inquilino.

Não assistam. Resolvam o jogo com eles.

abs,
RicaPerrone