Diego Tardelli

Mercenários

Tardelli é anunciado no Grêmio e vejo a mesma reação dos atleticanos como fizeram so rubro-negros no caso Renato Gaucho.

“Ah mas ele disse que ama o clube e foi pra outro”.

Porra gente… 2019 né? Já deu pra entender como a banda toca, não ser mimado, hipócrita e nem tentar se fazer de burrinho pra pagar de fanático.

O Tardelli disse que ama o Galo. E ama.

O Renato disse que quer treinar o Flamengo. E quer.

Mas ué.

O Atlético disse ontem através de seu treinador que NÃO TEM DINHEIRO pra pagar o jogador. Ponto. Decisão correta do clube, dele mais ainda porque é um profissional e vai jogar em outro clube onde receberá o que o mercado lhe diz que vale.

Você, atleticano, faria rigorosamente a mesma coisa.

O Diego não deixou de amar o Galo, apenas não pode voltar pra lá agora. É o trabalho dele, não a organizada que ele frequenta.

O Renato pode querer ir pro Flamengo um dia sem ter ido agora. É óbvio! Eu quero um monte de coisas que não posso agora. Se a minha escola de samba que tanto amo me pedir pra trabalhar lá e eu não puder em 2019 eu sou filho da puta porque disse que a amava anos e anos?

Parece que torcedor de futebol insiste em ter 14 anos pra sempre.  E eu acho legal que tenha em diversos fatores, mas não para desfazer uma relação de idolatria por causa de uma decisão simples e que você faria exatamente o mesmo.

Mercenário é um termo no futebol que o tempo provou ser mero folclore. Todos nós somos, e mesmo que a gente possa ponderar situações, não estamos falando de rivais diretos da mesma cidade. Os dois mantiveram seus desejos de voltar um dia, o carinho pelo clube, mas… a vida não é exatamente como a gente quer.

Ninguém foi mercenário. Foram profissionais e aceitem algo simples e óbvio: hoje o Grêmio é mais seguro. Paga em dia, está forte, estruturado e competitivo.

Porque não?

Não joguem seus ídolos fora porque eles não são seu playstation e você não comanda 100% das ações deles. O seu “desejo pessoal” pode desequilibrar uma disputa equilibrada. Não há qualquer equilíbrio entre “não posso te pagar e quem eu deveria pagar não estou pagando” x “pago em dia e estou oferecendo mais”.

Por favor. Menos hipocrisia.  Ele não foi pro Cruzeiro por 50 mil a mais. Foi pro Grêmio.

RicaPerrone

O “novo” Tardelli

Poucas vezes vi uma estréia como a dele. Foi um São Paulo x Juventude se não me engano. Ele entrou, mudou o jogo, fez lances de efeito e nunca tinhamos ouvido falar dele na base.  Era uma surpresa fantástica ao torcedor que nos jogos seguintes já o pedia em campo, ele entrava e resolvia.

Durou pouco. Tardelli logo passou a titular e os gols foram sumindo, as noitadas aumentando, as polêmicas, a tentativa de vendê-lo até se desfazer do jogador por empréstimo. Foi, voltou, foi, voltou. Não rendia mais o esperado. Tardelli era mais uma promessa que não deu certo.

Passou pelo Flamengo, também não foi o promissor atacante que esperavam ter contratado. Até chegar no Galo e lá sim, pela primeira vez, conseguiu identificação com um clube, uma torcida e rendeu mais que o esperado. Chegou a seleção, mas não se manteve. Logo, sumiu de novo lá nas Arábias.

Com 28 anos, Tardelli voltou ao Galo. A única torcida do mundo que acreditava estar contratando um craque era a do Galo. Os outros todos tinham um Diego muito menor em mente. Mas eles bancaram, apoiaram, e um novo Tardelli apareceu.

Esse do Galo sai da área, cria, corre, pede a bola e não some. Usa a técnica na hora certa, não corre a toa, é muito mais maduro e merecedor até mesmo da vaga na seleção brasileira.  Talvez não seja aquele “9” nato, e talvez por isso tenha dado mais certo.

Me lembra Muller, que foi um craque acéfalo durante anos correndo e girando até ficar velho e, então, virar gênio.  Diego aprendeu uma forma de jogar que o beneficia. Inteligente, sem se colocar como “cabeceador”, nem como o poste que espera as bolas. Uma função quase de meia, quase de atacante, mas hoje moderna e importante.

Tardelli se reinventou a tempo. Eu diria que aos 44 do segundo tempo e, enfim, vingou a promessa de 2oo4.

Com quase 30, nem acho que seja “o cara” pra ser companheiro do Neymar daqui 4 anos. Terá 33, difícil manter o nível. Mas não impossível. Até porque aquele Diego que corria hoje pensa mais do que corre. E cérebro não envelhece aos 33.

Enfim, Tardelli! Aquele que esperei, acreditei, duvidei, detestei, confirmei e hoje vejo em campo parte do “craque” que imaginamos há 10 anos.

Que bom! Pra ele, pro Galo, pra nós!

abs,
RicaPerrone

Enfim, Diego!

Faz 100 anos.

Brasil e Argentina se encontraram pela primeira vez há 100 anos pra relação mais longa que não deu certo da história do universo. Desde 20 de setembro de 1914, eles nos temem, nós os consideramos irritantes.

Tentamos criar um monstro que nunca existiu pra poder ter com quem confrontar. E eles, sabendo ser um poodle, latem como pastores pra não perder a pose e fingem acreditar nas mais delirantes ideias, como a de que Maradona “és mas grande” que Pelé.

Quando é pra valer chega a ser constrangedor. Mas alguns vivem de ensaio, outros do show.

100 anos buscando um feito. E feito bandidos nos doparam, compraram um goleiro pra nos eliminar. E só assim, diz a história, conseguiram.

Hoje era amistoso. O dos 100 anos. Aí pra comemorar deram a ele o status de torneio e uma taça.  Pronto, estava resolvido o jogo.  Só não sabiam os argentinos que além da taça e da paulada, ainda teriam que amargar mais uma.

Nos 100 anos de confronto, Maradona fez 1 gol contra o Brasil.  Tardelli fez dois.

Temos, portanto, agora, o maior Diego dos confrontos Brasil x Argentina.

E tem pior: Na seleção sub 15 do Brasil tem um Leonel…

abs,
RicaPerrone

Em busca do indiscutível

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Diego Tardelli não diz nada ao sãopaulino, diz quase nada ao rubro-negro e muito ao torcedor do Galo. Lá, sabe-se lá como, é tratado como ídolo.

Sendo, pelo que de fato joga, deve abraçar e aproveitar a chance de ter cada passe certo supervalorizado por quem o adora de véspera.

Tardelli não deixou boa impressão em lugar algum, só no Atlético.  Desconheço os critérios para alguém ser ídolo de um clube grande por uma passagem curta de algum sucesso, mas procuro respeitar, mesmo contestando.

Técnico, preguiçoso, vaga-lume, indisciplinado e longe de ser um craque, Tardelli não é um jogador pra compor elenco. Dizem que ganha um salário de craque, e o erro é de quem paga, não dele.

O Galo tem um time capaz de brigar pela Libertadores. Nela, pouco importa a regularidade, muito representa o poder de jogar em casa, a força de vontade e comprometimento do time.

Que sejam felizes, então.

Eu não teria contratado. Mas também não acho o Marques um jogador sequer acima da média. Portanto, não compartilho da linha de raciocinio da maior parte dos atleticanos.

Quem sabe lá os critérios sejam outros para se buscar aquilo que todos buscam e, enfim, tornar o contestável indiscutível?

abs,

RicaPerrone