digital influencer

Influenciador não é profissão

Formador de opinião, famoso, influenciador.  Esses três termos tem em comum algo que deveria ser básico a quem os ostenta, mas pelo jeito não é.

Esses termos representam o STATUS atingido pelo pessoa, não o trabalho dela.  Você não trabalha de famoso. Você fica famoso. Você não trabalha formando opiniões. Você as forma por ter um trabalho midiático. Você não influencia pessoas por profissão. Você faz algo admirável e por isso passa a influenciá-las.

Meio básico. Mas pela reação de alguns perfis e sites de fofoca, parece que alguns não compreendem. O que justifica se acharem “influenciadores” como profissão.

Influencia, meus caros, é uma condição atingida. Não há a profissão de influenciador.  Eu sou influenciador. E não porque escolhi, mas porque o que faço gera gente me acompanhando e no meu caso eu formo opinião pelo que escrevo e falo.

No de outras pessoas, viram tendências de roupas. Em alguns casos de alimentação. Em outros só da vida fútil mesmo de mostrar algo irreal numa rede social para que pessoas invejosas adorem um ser que na verdade não existe.

Funciona. Influencia. É pequeno, triste, opaco. Mas ainda assim, não é uma profissão. É uma condição. Status. Uma consequência.

O que se faz para não entrou em pauta. Embora seja simples, o fato do que eu disse se tornar motivo de debate já mostra a limitação intelectual de alguns dos tais “influenciadores”. Ou até de quem os gerencia, que por sinal é ainda mais grave.

Enfim. Estando em pauta em sites que tem por motivação falar da vida alheia, discutir a roupa da atriz famosa ou o novo corte de cabelo de fulano, já explica muito da reação.

Em um país onde milhões acordam discutindo o BBB enquanto um deputado tem uma hidromassagem no gabinete, não é de se assustar que os “influenciadores” se ofendam com a constatação de que muitos deles não tem qualquer profissão que não seja “buscar fama para gerar engajamento”. No português claro, “influencia”.

RicaPerrone

Digital Influencer não é profissão

Eu sei, as marcas não podem ver uma tendência e seus gênios do marketing abraçam até a esmagar e estourar a bolha. O tal “digital influencer” será um caso desses em breve, é óbvio.

Não tem nada de errado em ser influenciador. Desde sempre eles existem e existirão. O ponto é como ele se forma e porque influencia você.

Toda pessoa que você admira te influencia. Mas você  tem que ter motivos aceitáveis para admira-lá e de preferência por sua profissão.

Digital Influencer não é profissão. É consequência de um sucesso na sua profissão.  Hoje, para os mais preguiçosos, virou trabalho.

“Eu quero ser digital influencer”.

Oi?

Você pode ser ator, pessoas gostarem de você e então influenciar pessoas. Nunca você pode querer influenciar para depois se tornar alguém.

Mas acontece. Porque nesse mundo atual basta um ex-gordo dizer 2 vezes por dia que é foco e low carb que ele influencia milhões de pessoas em dieta. E portanto ele não é nutricionista, nem professor de educação física, mas te influencia porque era gordo e não é mais.

Marcas pagam, porque 30 segundos na falida TV custa 400 mil pra atingir os mesmos X usuários que o gordo vai atingir num stories do instagram. E assim criamos mais um fenômeno.

As pessoas sempre quiseram um guru. O ser humano espera loucamente por alguém que saiba algo que ele não sabe e o conduza ao sucesso.  Países sub desenvolvidos tem ainda mais a tendência a esperar essas pessoas.

E então, com esse cenário, uma rede social e um corpo bonito surge mais um digital influencer sem profissão definida, talento explícito ou função qualificada.

E com ele milhões de idiotas que validam seu status não merecido e seu poder agora real.

Quando eu era moleque o Zico me influenciaria. Hoje meu filho é influenciado pelo Marquinhos, 29 anos, mora com os pais, não se formou em nada, joga video game e que grita palavrão no instagram.

Influenciador não é carreira. É consequência de uma.

Ou era. Sei lá.

abs,
RicaPerrone