drogas

Punir ou tratar? Que tal separar?

A polêmica está de volta. Jogador dopado com cocaina é “vítima” pra alguns, vilão pra outros.  Eu vou morrer abraçado a minha “ignorancia” de achar que ninguém é vítima de um pó assassino que voa para as narinas de pessoas indefesas que estão trabalhando dignamente. E mais: vou morrer sabendo separar as funções.

A Conmebol pune. Quem trata é ele, a família, o clube, quem ele quiser, e se quiser. Não cabe a Conmebol decidir se ele é merece ou não, se tem problema em casa, se está chateado. Cabe a ela ver a regra e cumpri-la.  Portanto, jogador que usa cocaína tem que ser punido.

Ponto.

Daí pra frente o discurso do Casagrande e semelhantes passa a fazer sentido. É um cara que requer tratamento. Mas o fato dele usar algo que a regra diz que não pode é pra ser punido SIM. Esse papo de querer vitimizar o viciado em 100% é irritante.

Existe alguém mais vítima do que ele: o filho da dona Maria que foi levado pelo tráfico porque um dia o jogador quis cheirar com os amigos numa festinha. Essa é vítima.  A doença dele atinge terceiros, e vitimiza-lo em 100% não ajuda em nada, apenas cria uma falsa perspectiva de que o errado é o certo e vice-versa.

Força na recuperação. Mas o erro foi dele, e tem preço. A mãe educa, a polícia prende, a justiça julga e assim por diante. Existem funções. A Conmebol não tem que passar por cima das regras porque ele é “vítima das drogas”.  Existem outras vítimas ocultas nesse processo. Talvez um dos tiros que sua irmã levou no sinal sejam de uma arma comprada com o dinheiro desse pó.

Eu fumei a vida toda. Parei há 10 anos. Se eu tiver câncer no pulmão eu não serei vítima do câncer, mas sim de mim mesmo. E ainda assim não terei sustentado nada ilegal a minha volta por diversão.

“Rica, você é muito duro”. Sou.

Porque eu tenho amigos baleados por traficantes. Tenho amigos mortos por traficantes. E filhos de pessoas honestas que conheço que foram levados pelo tráfico enquanto algum playboy se divertia cheirando um pó numa festinha para, anos depois, ser vítima das drogas.

Separem as coisas. O Rodolfo que errou, a entidade responsável por fiscalizar que puniu, o Rodolfo que queremos ver melhor e as regras do jogo. Cada um é uma coisa.  Você pode ser inteligente o suficiente para torcer pela sua recuperação, não considera-lo vítima e compreender a função da Conmebol em apenas fazer exames e punir conforme a regra. Basta querer.

RicaPerrone

Modo Fábio Assunção

Antes de mais nada, sou desses que posso contar  que “já vivi na família caso de dependência química”. Logo, não precisa me mandar um estudo sobre ou algo do tipo.

Até gosto do Fábio Assunção. Jamais acharia maneiro ver um cara que admirava como ator virar esse personagem de auto-humilhação que se tornou. E sim, tenho pena e torço por ele. Só que mais uma vez o Brasil e especialmente a classe artistica inverte os valores por auto-promoção.

Se ele é vítima não é das drogas, mas sim de sí mesmo. Drogas não voam para as narinas enquanto você anda na praia. Elas são compradas de bandidos e usadas por diversão. Depois se tornam um problema.

Problema que o transforma em doente. Em vítima. Mas que para os lacradores do Projaquistão a história começa aqui, e não onde de fato começou. Porque ao citar o começo atinge bem mais que o Fábio, mas boa parte deles. Então ignoram.

Quando Fábio foi se divertir e comprar drogas ele deu dinheiro a um traficante que usou esse dinheiro pra comprar armas, talvez assaltar sua mãe no sinal, ou converter um menor ao crime.

A mãe desse menor é a primeira vítima. A sociedade é a segunda. E o Fábio é o financiador desse problema por diversão incialmente. Então, separando a discussão de legalização que inclusive sou a favor, o fato é que se há uma vítima e um vilão nessa história não é bem quem sacaneia e o dependente.

Fábio deu dinheiro pra bandido por diversão. Esse dinheiro nos atingiu como sociedade de alguma maneira. E agora que ele perdeu o controle a sociedade é a vilã que está rindo demais de quem virou vítima?

Calma lá.

A zoeira com o cara é errada. Também acho. Mas vítima é dona Maria que ao voltar do trabalho tomou um tiro de um bandido armado pelo traficante que vendeu a droga pra ele “zoar” numa festinha qualquer há alguns anos.

Só que se você voltar nesse ponto pra determinar os verdadeiros vilões e vítimas você não atira no Fábio, mas sim em boa parte da classe artistica.  Então eles criam uma versão e propagam se isentando de estarem fazendo rigorosamente a mesma coisa só que sem terem ainda virado “vítima”.

Outro dia um artista que já foi meu amigo disse no projac: “O Rica virou um cuzão”.

Porque quando ele comprou policia por dirigir bebado eu não fiz nada. Porque quando ele traia a esposa eu não fiz nada. Porque quando ia usar drogas com políticos corruptos eu não fiz nada. Aliás, dei carona.

Mas um dia ele foi na passeata pela Marielle. E então eu perguntei no whatsaap: “Voce??!? Revoltado com milícia, político e traficante a favor da mulher brasileira?”.

E eu virei um cuzão.

Não seja cuzão. Bata desde o princípio. Aí você evita 3 vítimas e não cria a sua de estimação pra lacrar na rede social. Artistas interpretam. Não confunda com a verdade. Eles tem uma vida completamente diferente da de todos nós. São ídolos cedo, ganham dinheiro, tem seus egos sustentados por tapa nas costas e fama. Suas idéias sobre o mundo tem poder de alcance, mas passam longe de ser referência de realidade na medida em que são possivelmente as pessoas que passam mais tempo longe dela.

Força, Fábio! Mas também a Dona Maria, que perdeu o filho pro tráfico quando o Fábio deu dinheiro pra eles se fortalecerem enquanto ele se divertia na noite.

RicaPerrone