Felipe Melo

Era mais fácil

Felipe Melo é xingado por torcedores e cuspido na saída do campo.  Ele reage mostrando um dedo e está punido por 5 jogos pelo STJD, que ao lado da Conmebol e da CBF formam o trio terrorista dos amantes de futebol no Brasil.

Você, torcedor rival do Palmeiras, dirá: “mas ele não pode mandar o dedo pra torcida!”.

Porque?

O cara pode ir lá, xingar do que quiser, cuspir no sujeito e ele não pode revidar porque o torcedor sensível aguenta falar o que quer e não pode ver um dedo do meio que se sentiu lesado?

Aposto que nenhum torcedor do Santos se sentiu assim. Até porque estavam na Vila e não em casa esperando começar Arsenal x alguma merda.

Era simples. O direito de xingar dá o direito de ser xingado.  Quantas vezes aguentei o Romário fazendo gesto pra mim na arquibancada porque passei o jogo gritando contra ele e no final ele meteu um gol e calou minha boca?

Já chega o absurdo da torcida única, que é a vitória da meia dúzia, a falência do estado. Agora vamos ter também a torcida sensível.

Se chamar de “viado”, pára o jogo. Se revidar ao torcedor com gesto, tá suspenso. Se comemora, amarelo. E entrar em campo só juntinho com musiquinha, pode. O VAR? Erra tanto quanto o juiz. E o campeonato Brasileiro segue nas mãos de gente de terno e gravata formada em marketing e administração na casa do caralho e que nunca sairam de uma cadeira cativa pra entender de fato o que é futebol.

RicaPerrone

“Respeite quem pode chegar…”

“… onde a gente chegou!”, disse Jorge Aragão num dos mais memoráveis sambas deste país.

As vezes a gente exagera. Por clubismo, paixão, burrice ou mera arrogância, tanto faz. A gente quase sempre exagera.

Você pode olhar pro seu mercado e achar os maiores nomes dele uns merdas. É um direito seu. No esporte isso se torna consideravelmente absurdo na medida em que discutimos resultados práticos.

Um país onde o Felipão é “boçal” pra alguns não pode evoluir em nenhuma direção. Onde o Luxemburgo é “uma piada”, idem. E por mais que seja honesto detesta-los, é insano desrespeita-los.

Sampaoli é ótimo. Necessário até certo ponto.  Mas a passagem de bastão é como a mudança cultural que a sociedade vive hoje: burramente feita aos gritos e nas coxas.

Pra que o novo ganhe força não é importante e nem inteligente menosprezar o “velho”. Felipe Melo é o melhor volante do Brasil. Fred ainda o melhor 9. Felipão o líder do campeonato, atual campeão e melhor campanha na Libertadores.

E as vezes, ou quase sempre, você ouve referências a eles com menosprezo e desrespeito.

Sabe que embora isso seja ruim, o fato do Brasil só ter dado muito certo no futebol deveria ser motivo de enorme respeito ao nosso futebol e não de tamanha cobrança.  Sua área provavelmente não nos representa e nem nos orgulha como a deles. E se a deles o fez, fez com eles.

Mais uma noite didática no Pacaembú. Aos novos, toda sorte do mundo. Aos que fizeram história, respeito.

RicaPerrone

Exagerados

Felipe Melo é um exagero em forma de volante. Ele briga mais do que precisa, corre mais do que precisa, fala mais do que precisa, se entrega mais do que precisa.  Diria que ele é até mais jogador do que precisa.  Mas também entendo que ninguém “precisa” ser de uma forma determinada. Não há manual.

Contrataram esse Felipe, não um Kaká. Esperam o que dele? Ele vai explodir as vezes, vai tomar cartão bobo. Ele sempre foi assim.  Porque a surpresa?

Aliás, o maior dos exageros é a surpresa.

Felipe tem 35 anos, a curva pra baixo é natural e previsível. O atraso na jogada idem e por consequência mais e mais faltas.  Ele confunde a vontade com o personagem com a função. Nesse bolo sai essa figura interessante pro futebol e as vezes ruim pro time.

Hoje ele quase eliminou o Palmeiras. E quando foi contratado esperavam que ele pudesse elimina-los e também classifica-los. Por lógica não muda muita coisa, apenas a expectativa que ele ainda os classifique.

Você pode ser contra a contratação dele. Mas desde que ela aconteceu, era mais ou menos isso o esperado. Um cara que faria um elo legal com o torcedor, que criaria polêmica pra cacete e que entraria quebrando tudo em jogo pegado.

Qual a surpresa?

Felipe Melo é um exagero. Se necessário ou não, outros 500. Mas ele nunca foi um problema e nem uma solução. Sempre foi uma bomba relógio podendo explodir a seu favor ou contra.

abs,
RicaPerrone

 

Quando vamos sair do armário?

Toda vez que vou fazer alguma reflexão sobre a imprensa esportiva uso o “nós” pra não soar arrogante, mas eu não sou parte dela. Por opinião, acho uma bosta o que é feito. Por coerência faço diferente e por consequências trago resultados que sustentam minha opinião.

Nada pessoal, apenas um negócio.

Algumas vezes me irrita muito acima do normal, como hoje.  Corinthians x Palmeiras é um clássico, uma decisão e ninguém pagou ingresso pra ver espetáculo. Pagaram pra viver uma tarde memorável de disputa e óbvia tensão.

Espetaculo você vê contra o Novorizontino. Clássico é outra coisa.  Aí vem alguém e diz que esporte não é isso, e blá, blá, blá.  Mas vende NFL que tem por um dos seus maiores atrativos a pancada.

Vende Hockey no gelo, que é quase um UFC. Vende Nascar, onde os torcedores vão pra ver acidente, não a corrida.

Torcedor gosta de ver cenas épicas e ter história pra contar. Toda vez que um time perdendo um clássico não se destemperar, é fraude.  Vai alegrar o comentarista da tv? Vai. Mas a torcida, que é quem importa, não.

É NATURAL que numa decisão de futebol haja momentos de descontrole emocional. Estão pressionados, decidindo futuro, milhões vendo e cobrando, inclusive nós.  Algumas pessoas são sangue de barata, outras não. E quem jogou meia partida no condominio sabe disso.

Quem não jogou, nem sei porque comenta futebol.

É lamentável, é ruim, “nós odiamos ter que ver e relatar isso”. Aham! Olha as capas dos sites. Olha as perguntas das coletivas. 99% briga, 1% jogo.

Quem é que odeia o combustivel que te leva adiante?

Deixem de ser hipocritas. Todo mundo quer ver o circo pegar fogo. Não queremos morte, facada, briga de torcida. Mas um belíssimo empurra-empurra com leves tapas e cenas lamentáveis para esquentar o jogo de volta é sempre muito bem vindo.

Não?

Então desafio a imprensa que acha lamentável a promover o jogo de volta sem focar 99% na briga e sim no título.  Quer apostar?

abs,
RicaPerrone

Nunca aconteceu

Acabou. O nosso direito de conversar com amigos, brigar com a namorada, falar mal do chefe e dizer que de fato acha determinado local “uma merda”, acabou.

Sem nosso consentimento, diga-se.  Mas acabou.

Não sei se você já se deu conta que todas as brincadeiras racistas, homofobicas e aberrações machistas ditas entre amigos num boteco qualquer, hoje, estão arquivadas e podem leva-lo a julgamento.  Não o da justiça, esse é até tosco perto do massacre virtual que se faz.

Talvez você não perceba, mas tudo que você acha da mãe da sua mulher está também gravado. Tal qual o que você pensa sobre seu chefe, aquela amiga que você suspeita ser lésbica e aquela fofoca maldosa que “sem querer” você passou adiante.

Era tudo besteirinha. Agora é crime.

Eu não vou fazer o papel ridículo de fingir que não falo absurdos com amigos, nem falo mal de ninguém ou xingo pessoas para terceiros. TODOS nós fazemos. Em algum momento nós falamos que odiamos um lugar, uma pessoa, ou que queremos que fulano se foda.

Pegar isso e expor a público como uma “declaração” de alguém é de uma falta de caráter incalculável.

Quando Eduardo Paes falou de Maricá, falou o que amigos falam entre si numa mesa. Sim, Maricá é um lugar menos bom que Angra. A piada era essa.

“Como prefeito ele não pode dizer isso”. Ele não disse.  Ele disse como “Dudu”, ao telefone com um amigo.  E sim, ele pode. Do mesmo jeito que você pode falar que seu ex é um filho da puta broxa pra suas amigas.

Uma vez um jogador falou que em Belém não tinha muita mulher bonita.  Coitado, foi pisoteado.  Como se alguém numa conversa informal não registrada soltasse por aí: “Quer ver mulher bonita? Vá a Belem! Esquece Santa Catarina! Vá a Belem”.

Não, você sabe que não.

Porque a gente tem que fazer cara de assustado pra coisas que fazemos no dia a dia? Porque é tão assustador o Felipe Melo falar “tanto palavrão” num audio pra um amigo?  Tu não fala não? Ah, tá.

Queridos, sejamos honestos, mais tolerantes e menos hipocritas.  Se o whatsapp virasse amanhã um site aberto com todo seu conteúdo publicado, não haveria um casamento em pé, um emprego mantido, uma família unida e um só sujeito capaz de se achar no direito de atirar pedras.

Felipe falou pra um amigo. Não pro Cuca. E se ele disse isso no particular, nunca aconteceu.

Ou você consegue pensar na sua vida transformando tudo que você disse até hoje em “declaração pública”?

abs,
RicaPerrone

Jogai por nós

Pela nossa honra, dignidade e tradição. Pelo verde que ostenta e pelo amarelo hoje representado sem uniforme. O Palmeiras moralizou o futebol brasileiro em diversas categorias numa só partida. E daqui, deste blog, saem apenas os aplausos.

Se quiser uma dose de ar condicionado, hipocrisia e o conceito de que a vida é uma rede social, passeie por elas. Está cheio de gente julgando Felipe Melo, dizendo que ele não deveria dar o soco, ou que o treinador não pode falar assim com a imprensa.

Ora, meus caros. Olha nos olhos de quem vos fala. É o Palmeiras, não um qualquer. Um time que acabara de virar um 2×0 do Penarol lá! Que teve o mesmo final previsivel de quase toda vitória brasileira nos países vizinhos: pancadaria e intimidação.

E então surge Felipe Melo, que é o vilão mais heróico do mundo, e senta a porrada na cara do poodle que corria em sua direção.  O coitado do rapaz estava só correndo porque tinha um time atrás dele. Sozinho, óbvio, não faria. E quando se aproximou, não bateu. Levou.

Quando eu tinha 12 anos meu pai me ensinou que “se a briga fosse inevitável, desse a primeira”. Eu não ousaria imaginar que essa cambada de retardado de rede social que acha que pode pautar o mundo por ali possa entender, até porque para essa gente quando se briga é só dar block.  Mas na vida real é diferente.

Felipe Melo fez o que eu faria. Diante de iminente agressão, se defendeu.  Aliás, só um covarde não faria o que ele fez. E tá cheio.

Covardes como os meus colegas que mentem sob o uso da “preservação da fonte”. A lei mais estúpida das leis, que permite um sujeito denegrir outro sob o argumento de ter uma fonte sem ter que revela-la.  Ou seja, é casa da mãe Joana.

Quero que se dane se foi Juca, alguém da Sportv ou da Globo. Não faz diferença. Assim como generalizamos todos os dias há décadas “o jogador brasileiro”, “o treinador brasileiro”, “o dirigente brasileiro”, eles também podem.  “A imprensa esportiva” é uma merda.  Sim, é.

E a noite palmeirense foi tão memorável, hiponotizante e contagiante que eu diria que há alvinegros e tricolores hoje indo dormir de verde.

Pois eles jogaram pelos 3 pontos deles. Mas brigaram por muito mais do que isso depois. A causa é nossa, o futebol brasileiro é vítima desses dois terroristas: o descaso da Conmebol com nossos times fora de casa e a imprensa que cria problemas e destrói pessoas para sobreviver.

O Palmeiras ganhou as 3 batalhas numa só noite. E com esse volante, essa torcida engajada, esse treinador com sangue nos olhos e os incríveis jogos da primeira fase… quem dirá que não dá pra ganhar a guerra no fim?

abs,
RicaPerrone

Salve-nos, Felipe!

Eu já não via esperanças quando ele voltou.  Achei que estavamos fadados ao futebol de Sandys de chuteiras, os gols todos marcados pelo nosso senhor Jesus e mais nenhuma irreverência, ousadia e alegria.

Ou melhor, “ousadura”.

Felipe é a melhor coisa que tem acontecido por aqui. Não exatamente pelo que joga, embora seja muito bom jogador, mas pela coragem de não ser o merda que esperam que ele seja.

Sim, uma pessoa que é o que esperam que ela seja é um merda.

Entre acertos, exageros e erros grotescos, Felipe destoa por ser comum.  Assumir o sangue quente, reconhecer que perde a cabeça, manda jornalista pra aquele lugar quando acha que tem que mandar e segue o jogo.

Alguns processam. Felipe responde.

Eu não vou entrar no mérito indiscutível da década que é sobre o mimimi. Mas ver um negão ganhar um jogo, meter o dedo na cara de um racista e mandar que ele tomou chifre de um negão é MUITO mais moralizador pra sociedade do que qualquer processinho.

E a coragem de arriscar ser mal interpretado? E as consequências?

Dane-se as consequências! Ele é isso, e vai errar muitas vezes. Mas vai errar sendo o que ele é, não o que a mídia espera que ele seja ou que tem como manual o bom exemplo.

Felipe, você que nos “fudeu” em 2010, está nos ajudando muito em 2017.

Quem diria?

O Dunga, talvez. Aquele… Outro que não é o cara que você queria e, talvez por isso, você o odeie.

Eu não gosto de algumas pessoas. Mas gosto tanto de não gostar delas por elas serem o que eu não esperava que quase as amo.

abs,
RicaPerrone

Faz de novo?

Fim de um clássico, uma grande virada, jogo cheio de chances de gol, goleiros pegando tudo e… pau no Felipe Melo.

“Porque um jogador não pode incitar a torcida”.  “Porque ele provoca”. “Porque ele desrespeita”. “Porque ele isso”. “Porque ele aquilo”.

O que ele fez? Comemorou, debochou do rival, fortaleceu o time dele e meteu pilha sobre o tamanho do estádio no fim do jogo. Isso tudo além de ter ganhado a partida, é claro.

Eu transito as vezes em mesas de bar com colegas jornalistas e eu nunca vou conseguir entender o que se procura.  A reclamação é enorme: “Eles so falam a mesma coisa. Antigamente que era bom, tinha o Tulio, o Edmundo…”.

Ai o cara faz o que eles faziam com o microfone e… porrada! Uai?! Tu quer cobrir santo vai fazer a turnê da Sandy.  No UFC nego provoca é “promoção de espetáculo”. No Palmeiras é indisciplina só porque ele não arrega pra imprensa e é meio maluco?

Eu acho muito bom jogador. Mas mesmo que não fosse, atitudes como as do Felipe Melo hoje só fazem bem ao futebol, a mídia, aos dois times, ao torcedor, a quem quer que seja. Só promove o jogo, gera brincadeira e assunto no outro dia. Mais nada.

Todo o resto que existe em torno disso quem cria são os mesmos caras que, ao final de um jogo 0x0 com “se deus quiser os tres pontos positivos” surge diz que “tá tudo igual. Saudades do Edmundo”.

Faz de novo, Felipe!

abs,
RicaPerrone

Felipe Melo, o vilão

Dizem que custará cerca de 600 por mes, considerando luvas e prêmios.  Dirão também que é um absurdo em virtude da birrinha criada entre imprensa e jogador desde 2009, quando Dunga o bancou na seleção contra tudo e todos.

Mas em 2010, onde era nosso melhor jogador, fez uma bobagem e foi expulso. Felipe comete 3 “erros” dos quais 1 deles é imperdoável.
– Perde a cabeça
– Fala o que pensa
– Não afina pra imprensa

O terceiro é um crime sem perdão. E Felipe não só tem problemas com os jornalistas por não ser o padrãozinho “tres pontos positivos se deus quiser”  mas também porque brigou com o ótimo PVC no ar, onde, diga-se, considerei de extrema infelicidade a pergunta do colega no minuto seguinte ao sujeito ser convocado pra uma Copa do Mundo.

Essa falta de sensibilidade faz a relação jogador/imprensa deturpar cenários. Felipe é um jogador de sucesso, renome internacional e muito bom nível.  Só que ele é “maluco”.  E as pessoas, ainda mais nesse mundo chato, não suportam seres humanos que não sejam a Sandy perante um microfone e uma camera.

Errou em 2010. Errou.  Criticamos, ponto. Segue.  É destemperado. É.  E aquela velha frase que adoro encerra meu raciocínio:

“É melhor segurar um louco do que empurrar um imbecil”.

Bem vindo ao futebol brasileiro, Felipe! Ótima contratação do Palmeiras.

abs,
RicaPerrone