flavio

O silêncio não é defesa

Eu quero saber o que o Queiroz fez e se o Flávio estava envolvido. Como todas as pessoas de bem do país, devemos esperar esclarecimentos de tudo que possa nos prejudicar.

Há neste caso diversas questões políticas e como sempre digo, embora seja difícil pra alguns, eu escrevo sobre comportamento, nunca sobre a política em si.

O comportamento é irritante. Flávio e Queiroz se não devem, poderiam ir lá, falar e acabar com isso. Quanto mais enrolam o caso, mais desconfiados ficamos todos.

Mas o comportamento em volta disso é genial. Observe.

Há uma turma que beira a cafajestagem que diz “eu sabia”  ou “eu avisei”.  Além de desonestos, acusarem sem provas e atingirem terceiros, são mentirosos. Em nenhum momento da campanha anti-bolsonaro o discurso foi “ele tem um esquema de laranja no gabinete do filho”.  Portanto, mesmo se isso acontecer, você não avisou. Tal qual todos nós, você não sabia.

O que você avisou é que ele ia “matar viado”, “bater em mulher”, “jogar travesti da janela”, “fazer ditadura”, esses absurdos pra atingir uma classe menos favorecida intelectualmente que compra qualquer terrorismo.

O Queiroz, que sequer tem ainda o rótulo de réu, você não avisou e não sabia.

Mas a melhor parte disso é a forma com que os radicais de esquerda se perdem na alegria em ver algo dar errado.  Eles não notam que não há movimento popular pró-Queiroz. Ou seja, ao contrário do que fizeram, ninguém está defendendo ou pedindo que não seja investigado um suspeito.

Eles não percebem, ou fingem, embora pra fingir tenha uma dose de inteligência que desconfio não haver ali, que os partidos estão mudos sobre o Queiroz porque ele é o penúltimo da lista. E só está apanhando o Queiroz porque a Globo está fodida desesperada pra tentar ter o Bolsonaro nas mãos.

Há, no topo da lista, o PT com 50 milhões. O Queiroz tem 1,2.   Eu daria um conselho de amigo: se seu partido tá quieto, não grita muito porque pode chamar atenção pro detalhe dele ter na mesma lista uma suspeita CINQUENTA vezes maior do que o alvo.

Em resumo. O Queiroz e o Flávio estão sendo investigados e nenhum de nós está impedindo isso ou se posicionando contra. Menos ainda o condenando por antecedência, como muitos já fazem por ai cometendo um crime, o que também não impressiona vindo de eleitores do Haddad, que é Lula, e portanto, se diz ladrão.

Se eu fosse o Flávio, em nome do bem maior, que é o governo do pai, iria lá, falaria o que tem que falar e se fez merda pede pra sair. Mas se ele não for, continuar investigado, chegar a réu, até ser culpado, eu aposto com vocês que não haverá nenhuma comoção nacional por #FlavioLivre ou pedido que julguem Queiroz nas urnas.

Porque o que vocês estão gritando neste momento é exatamente o que nos separa. Nós não estamos defendendo ninguém. Vocês nem estão citando o mesmo caso, do mesmo relatório, so que com 50 vezes mais dinheiro suspeito envolvido.

De novo, pra variar: quem é que tem bandido de estimação?

RicaPerrone

Acreditar é fundamental

Talvez você seja da turma do “eu avisei”.  Esse tipo de pessoa é o que há de pior na sociedade, pois é alguém que se presta a torcer contra um bem maior pelo simples fato de ter razão.  Mas tem, e muito.

Flávio Bolsonaro e seu pai não estão sendo investigados e talvez nem sejam. Talvez sejam culpados. Não importa agora. Existe um processo de investigação, denúncia e julgamento que deve ser respeitado em todas as esferas para todo cidadão.

A discussão boba é sobre “acreditar” neles.

Ora meu caro, se você partir do princípio que as pessoas são todas corruptas, falsas e mentirosas, não há porque viver. Seu Natal é uma farsa, seu casamento uma mentira, sua vida uma palhaçada e tudo que você sustenta como valores pode simplesmente não existir.

Acreditar é uma premissa básica de quem se propõe a ser feliz.  Por mais ingênuo que seja, é um combustível necessário ao ser humano para levantar todas as manhãs.

Você tem que esperar o melhor porque o contrário se chama depressão.  Esperança gera expectativa, euforia, metas e é disso que vive qualquer ser humano. Não há vida se você tiver certeza pra você mesmo que nada pode melhorar.

Será uma enorme frustração nacional se o Bolsonaro e sua família estiverem envolvidos em corrupção. Diria até que é o fim deste país, porque após os dois lados serem condenados não sobra nada para acreditarmos.

Mas existem duas formas de acreditar. A por esperança e a pela teimosia.

Tem gente que aposta tudo na honestidade dos Bolsonaros. E esses chamamos de otimistas.

Tem gente que, após julgado e provado, acredita na honestidade do Lula e do PT. E esses chamamos de idiotas.

Entre a pureza do otimismo e a má fé egocentrica de negar os fatos para “ter razão”, não precisamos de muito para saber quem tem uma melhor definição de “caráter”.

O ponto não é acreditar. É a reação à frustração se ela acontecer.

Temos uma turma que defende bandido se for parceiro e relativiza crime. A outra, hoje, apenas torce e acredita.

Tal qual acreditam no Bolsonaro, eu acredito que em caso de frustração não cometam o petismo de acreditar até quando as suspeitas viram fatos.

Eu?

Acredito. Sempre acredito. Até que os fatos me façam mudar de idéia. Aí o caráter sobrepõe a fé. E então quem fica do lado de bandido é cúmplice, quem acreditou e se decepcionou é vítima.

Posso até ser vítima. Cúmplice, jamais.

Aguardem a justiça. A mesma que imploram por Marielle, que renegam por Lula e que relativizam quando não dá voz a suas causas.

RicaPerrone