freixo

Não é o argumento, é a hipocrisia

Sim, você tem razão quando contesta a forma com que mataram esse ou aquele sendo dever prendê-los quando rendidos.  Não é esse o problema.

O problema é quando você se importa demais com uns, e nada com outros. É quando você escolhe entre as 200 vitimas da Nigéria e os 50 de Paris para se consternar numa rede social contra o terrorismo. O problema é que pra você, tal qual para os policiais em questão, umas vidas valem menos que as outras.

Morreram assassinadas aproximadamente 60 mil pessoas no Brasil em 2016. Obviamente que a maioria delas por sujeitos como estes da foto, que causam comoção em você quando mortos pela polícia.  Você se importou com quantas?

Você questionou a forma com que executaram policiais que trabalhavam numa favela outro dia quando recebidos a bala de armas de guerra?

E então quando um desses caras, ou três, são executados você se revolta e vai em busca de direitos humanos.  Eu entendo, repito, há argumento.  Mas não há qualquer linha de coerência que te credencie a isso.

Escolhemos as vítimas pelas quais “vale a pena” se consternar e os crimes pelos quais  gostamos de nos revoltar. É como uma brincadeira. Hoje vou ficar triste porque morreu gente em Londres! Mas ontem no Togo…. foda-se.

A vida de uns vale mais que a de outros e a nossa postura todo santo dia comprova isso. Rejeitar esse fato é ir contra tudo que você mesmo faz no dia a dia para escrever um textão ou parecer engajado em alguma causa.

Então, que valha diferente. Tanto faz.

Mas que valha mais a de pessoas de bem, pelo menos.  Se você não chorou a morte de dezenas de PMs em guerra por você no morro, não faça de 3 bandidos um momento de dor e reflexão.  Tu não parece engajado. Parece retardado.

abs,
RicaPerrone

Os “menos piores” do povo

Esse Rio de Janeiro atordoado e sem opções escolheu a que achou “menos pior”.  No domingo de eleição pouco importam as propostas, o ideal,  ou mesmo a carreira de cada um dos candidatos. O que importava era a discussão filosófica sobre “diga-me com quem andas e te direi quem é”.

Nós passamos 2 meses de terrorismo virtual lendo acusações, vendo fotos de quem é amigo de fulano, uma tentativa desesperada dos próprios candidatos em dizer pra nós que o outro é pior que ele.  Não há qualquer tentativa mais de nos convencer que ele vale a pena. O que se vê na política é tão tosco que a briga é claramente pra destruir o oponente, não pra eleger o seu.

O Crivella, que sequer conheço, foi “acusado” de ser evangélico.  Porra, peraí! Eu odeio religião mais do que todos vocês, não tenho nenhuma, já estive bem perto de umas 4.  Tenho uma opinião bem formada e fundamentada sobre.  Mas … “porque ele é da Universal”  é argumento?

Quer dizer então que preconceito da Universal com algumas pessoas é um absurdo, de pessoas com a Universal é legitimo? Não se contra-argumenta nada fazendo igual.

Eu gostaria de ter lido por meses que o Dória não servia porque o projeto dele era ruim, talvez porque não tivesse um bom plano na saúde, enfim.  Não. Só tentaram me convencer a não votar nele porque ele era rico. E em momento algum um oponente tentou me convencer a pelas suas qualidades. É 90% diminuindo o outro e se tornando a opção “menos pior”.

O que você espera de quem se vende como “menos pior”?

As eleições terminam e todos nós, leigos como sempre, temos mil conclusões formadas por tudo que ouvimos para desmoralizar esse ou aquele. O projeto do vencedor? Não fazemos idéia.  Sabemos que o derrotado era isso, isso e aquilo! E basta!

Ou melhor, bosta!

Tudo que sei é que o Rio de Janeiro agora é “da Universal”.  Ora, meus caros, não sejam tão índios. Ninguém vai catequizar essa porra e fazer você de escravo. Somos civilizados, grandinhos, e não me soa muito maduro se fazer de uma criancinha nas mãos do lobo mal.

Quando nós vamos impor que eles lá fazem o que nós queremos e não o contrário? Quando vamos passar as eleições pro lado certo, que é de quem decide o que quer e não de quem evita o pior?

O Crivella, o Freixo, não faz diferença. São apenas dois Marcelos que representam ideais e principalmente oposição.  No cenário atual é melhor você não ter um ideal.  Quanto menos opinião e lado você tiver, maior sua chance. No mundo, hoje, vende e vence quem fica de boca fechada.  Sobe de cargo quem não contesta nada.

Eu não estou discutindo política, planos de governo e sequer validando esse ou aquele candidato. Mas me tornei uma pessoa bem menos tolerante durante os últimos dois anos, especialmente nos últimos dois meses, onde vi pessoas se agredindo na web por um voto “contra”.

Eu nunca votei em ninguém. Faz 38 anos que voto contra o “pior cenário”.  E você? Votou em alguém ou contra alguém?

abs,
RicaPerrone