hipocrisia

A hipocrisia, a desonestidade e a burrice

Imagine um acidente bobo de trânsito.  O rapaz bate na traseira de um carro, desce todo educado e cheio de culpa. Pede perdão, dá o telefone, diz que vai pagar e educadamente se desculpa pelo ocorrido.

Aí ele atende o whatsapp uma vez. Duas. Na terceira fica grosso quando viu que não era tão barato a merda que fez. E então ele para de atender. Bloqueia. Some.

Mas nas fotos do carro que a vítima tirou dá pra ver o rosto do idiota no reflexo. E pelo whatsapp, o nome. Fácil.

Na primeira busca pelo covarde, encontramos ele sendo citado por um político grande, candidato a governo do Rio e tudo. E então vamos fuçando, vendo que é da UERJ, que é um puta militante engajado de um partido político. Busca um país melhor. Vejamos.

Sua última postagem no facebook é sensacional.

Ele prega um país melhor. Teme pela vida. Tadinho.  Fofo.

Passado um mês do acidente e de seu sumiço, já com os devidos 3 orçamentos nas mãos e o processo pronto, faltava o endereço do cidadão pra entrar com a causa.

Eis que num telefonema meio que de “última tentativa” o engajado e honesto lutador da causa atende. Quando vê quem era, diz que o número não é mais dele. Se passa por outra pessoa.

Não direi o nome do sujeito ainda. Após o processo encerrado eu conto. Mas veja você. Os pilares morais deste país gritam com microfones em porta de faculdade, arrastam um bando de desinformado atrás deles, se tornam referências de políticos importantes e…

A vítima vai no instagram e acha o sujeito. Eis que no primeiro storie ele publica que está indo pra um congresso pelos direitos humanos não sei onde e posta sua ficha com telefone, endereço e dados completos.

A falta de caráter tem saída. A de inteligência, não.

#Nãovaitergolpe

RicaPerrone

Blá, blá, blá….

Voltamos do comercial. Se despede da assistente de palco, tira a mão do peito dela, ajeita a camiseta e vem!

A apresentadora fecha a cara, chama a negra que ganha mal, nem obrigado diz no final. Vamos pro ar, Brasil? Puta que pariu, ainda falta o especialista.

Aquele jornalista. Não dá pra ser só com artista.

Chama um esportivo. Mas a gente não fala de esporte, ué?

Não falávamos. Mas hoje tem lacração pra falar da decisão.

Então chama o convidado. Alô rapaziada! Direto do estúdio do esporte. E aí, viado?!

Bem baixinho pergunto pro colega ao lado. Já ouvi que ele é safado. Mas… viado?

Viado!

Gente, coitado!

Qual a pauta além da homofobia? Olhei em volta, cheio de artista, ninguém sabia.

Produção! Manda a plateia calar a boca!

Calma, você tá loca!

Loca é o caralho. Odeio essas caravanas de gente feia enchendo o saco.

4, 3, 2, 1… no ar!

Bom dia! Hoje vamos falar sobre racismo, o respeito a mulher e homofobia.  Mas antes disso, quero dar bom dia para essa platéia maravilhosa que veio da Vila Mandioquinha e trouxe tanta gente linda, humilde e que nos representa.

Posso interromper, fulana?

Claro, fulaninho!

Eu queria só aproveitar pra deixar um beijo pra minha esposa amada que está em casa e também dizer que chego a me emocionar aqui. Eu morei perto da Vila Mandioquinha quando pequeno, é muito ….  (choro contido)

(aplausos)

Gente, é muito forte rever nossa gente, nosso lugar né? Vamos aplaudir fulano! Que sensibilidade! Que artista!

Mas nem só de gente como o fulano é a vida. Ciclano, direto dos estúdios do esporte, fale pra nós do absurdo que foi um jogador repetir uma música de torcida após o titulo ontem!

Pois é, fulana. Dormi mal hoje, realmente não é o Brasil que quero pra mim. Até quando? Nossa piada mata, o futebol precisa se reinventar. Não dá mais.

Pois é. Intervalo, voltamos já!

E Ciclano ri, grita com a redação: “ô viado! pega ali o texto pra mim!”.

Eu?

Não, manda aquela gostosa da redação. Alias manda ela vir rebolando que eu prefiro!

(risos, muitos risos em volta).

No estúdio o artista seduz a apresentadora que, casada, aceita e troca o telefone. Juntos ignoram a funcionária mais humilde, fazem piada baixinho sobre a condição daquela gente pobre na platéia.

E voltamos pro ar.

Fulano, a mulher no Brasil é vítima de muito desrespeito. Como você lida com isso?

Olha, fulana, eu amo as mulheres. Respeito mais do que tudo, acho que chegar em 2019 a gente permitir piadas e atitudes que não condizem com o que elas merecem.

(aplausos enlouquecidos)

No whatsap ele escreve em meio aos aplausos para a garota da produção. “Te chupo toda”.

Ela ri.  Responde “bobo, não me ilude”

Quando acaba ele vai embora.

Ela também. Transam no carro e só são interrompidos quando a esposa que ele ama, respeita e defende telefona e pergunta se ele quer lasanha na janta. É seu prato favorito. Ele aceita enquanto recebe um sexo oral de outra.

No caminho, já aliviado de suas tensões sexuais, posta no instagram que “fim de uma jornada de trabalho. Hora de voltar pro ninho pra ver meu amor”.

Ela sorri, se emociona.

O colega de esportes liga.

Gostou do programa?

Porra, achei foda! Ganhei 10 k no Insta!

Tamo junto, viado! Aliás, comeu aquela putinha da produção?

Quem não comeu né?

risos, muitos risos.

E aquele papo feminista? Virou viado agora?

Ahahahaha é o que elas querem ouvir né caralho?

Tamo junto, viado!  Vou pegar um negocinho ali pra fumar logo mais. Quer?

Parei. Muito violenta essa cidade. Nem dá pra sair a noite pra comprar mais a nossa maconha.

Tá foda. Tudo bandido armado.

Até quando, né?

Abraço, viado!

Seguimos a programação normal.

Seus merdas.

RicaPerrone

Precisamos falar sobre o Instagram

Ele não tem culpa. Aliás, é extremamente competente na arte de nos jogar na cara o que negamos por um século: “sim, a opinião alheia importa. E pra caralho!”.

“Mas eu não posto pros outros…”, não fode. Então bota no mural de casa a foto.

O entendimento de que ali é uma ferramenta para se contar vitórias é que nos falta.  Ninguém posta boleto, foto com dor de barriga no banheiro, nem o risoto queimado.

Ninguém posta foto dividindo conta no restaurante. Não se escreve na legenda: “esse famoso nem me conhece mas eu pedi a foto ele nem me olhou e tirou, e eu to aqui fingindo que somos parça”.

A vida que queremos mostrar não é a vida que temos. É a vida que eu quero que você saiba. Por ego, vaidade, ostentação, mera estratégia de marketing pessoal. Tanto faz. Eu nunca postei o quanto tenho de parcelas pra pagar do carro ainda. Nem vou.

O problema é quando as pessoas começam a se sentir inferiores por não ter a vida que eles assistem no Instagram.  Mesmo sabendo que ela não é real.

E então vem surgindo uma geração de pessoas malucas por um objetivo impossível, que é a vida perfeita.  Se em 30 segundos a Doriana enganou o Brasil com aquela família de lençóis brancos, imagina o que acontece na cabeça das pessoas vendo isso a cada 30 segundos, não mais por 30 segundos.

É mentira. É quase tudo mentira.

Sua foto é a sua melhor foto. Aquela que deu certo no angulo, a luz, o tapinha no photoshop. E por mais que a gente queira dar uma de diferentão e dizer que “nem se importa”,  o fato de estarmos na rede social implica em nos importarmos.

Gente, eu preciso dizer pra vocês algumas duras verdades.

Atriz gostosa tem diarréia. Maridos de terno fofos que postam a semana toda quanto amam a mulher, também traem.  Ator galã fica sem contrato e mantém a pose pegando até o último centavo de empréstimo no banco pra pagar o aluguel.

Dirigente torce contra o time pela força política e lá ta de camisa “juntão” com a massa que tá chateada pela crise.

Aquele jantar caro é permuta. As roupas que você não pode pagar são merchan.  E existe um aplicativo que clareia os dentes nas fotos.

Cachorro vomitando na sala ninguém posta.  Mas eles vomitam no sofá.

Ontem desejaram o corpo de uma menina que tem cancer no estomago. E pessoas chegando a dizer que “preferem ter a doença se for pra ter aquela barriguinha”.

Caras, é quase tudo mentira. Se espelhe no seu pai, no seu avô, não no seu youtuber favorito.  Até porque você jamais saberá de fato quem é o seu youtuber favorito.

E se souber… deixa pra lá.

abs,
RicaPerrone

Não vejo tantos fantasmas

Talvez por estar meio desacreditado no ser humano, talvez por ser um cara prático. Mas eu não consigo ver metade dos fantasmas que a maioria vê no caso Jô.

Foi mão. Ponto. Gol irregular e fim de conversa.

A discussão é:  Ele deveria ter se acusado como fez Rodrigo Caio num lance contra ele uma vez?

Eu começo considerando alguns pontos importantes.

  • Não tem “escândalo”, “esquema”, e os caralho. O Corinthians, inclusive o próprio Jô, teve uns 3 ou 4 gols mal anulados no campeonato.
  • Jô teve uns 3 penaltis não marcados no campeonato, nunca um zagueiro se acusou de tê-lo feito.
  • Rodrigo Caio não se acusou e abriu mão de um gol ou pediu falta pro adversário. Ele evitou um cartão por AGRESSÃO que não houve.  É um pouco fora das questões técnicas. O Jô seria advertido por um chute e o Rodrigo avisou que ele não havia dado.

Dito isso, vamos ao que interessa.

Porque espera-se do Jô uma atitude que ninguém tem? Virou obrigação dele ser o primeiro não hipócrita da história do futebol brasileiro a rejeitar um gol importante?

Jô, se pensou em fazer, e eu duvido, pensou e logo lembrou dos pênaltis não marcados a seu favor e gols mal anulados. Alguma vez lhe devolveram um gol?  Então acho que ele tem o direito de se questionar se vale a pena ser o herói do Ivan Moré segunda-feira ou abrir mais 3 e praticamente garantir o título, já que não tem adversários dispostos a disputar o Brasileirão com pontuação próxima mais.

Porque o Jô é obrigado a ser o primeiro?

“Ele não foi! Ele foi o beneficiado com o caso Rodrigo Caio…”.  Calma aê! Até concordo, ele foi hipócrita, fez um discurso todo cheio de politicamente correto e hoje foi testado e não fez na prática.

Mas sabe o que ele deveria ter feito? Dito que pegou na mão e não se acusou por causa dos gols que ele teve anulado. Não dizer que “não sabe se foi na mão”.  Porque ele sabe. Todo mundo sabe.

Aí Jô foi de aceitável parte de um sistema a hipócrita.

Mas ainda assim, hipocrisia não é crime. É apenas um traço comum a 99% de nós, brasileiros, seres humanos, especialmente os que cagam regra virtualmente, como eu por exemplo.

Feito todo esse discurso, eu ME pergunto e sugiro que você se pergunte:  Você pararia o lance, cortaria a comemoração e diria “juiz, fiz de mão?”.

Eu não. E não porque sou desonesto, mas porque não quero ser o otário.  O futebol é um esporte de erros de arbitragem toda semana no mundo todo.  Diferente de todos os outros, é comum e aceitável que um erro interfira no resultado.

Vai você, beneficiado e prejudicado 200 vezes na vida, ser o Chê Guevara da grande área?

Duvido.

abs,
RicaPerrone

Foda-se a Nigéria

Faz quase 24 horas que um atentado aconteceu na Nigéria e mais de 80 pessoas morreram, entra elas diversas crianças, que inclusive foram queimadas vivas pelos terroristas.

Você sabia?

Não. Aposto que não.  Nem eu. E agora que sei, sigo meu dia normalmente, afinal, são só crianças pobres e pretas de um país onde eu nunca pretendo por os pés.

Destaque da mídia

Fossem crianças de Berlim, não 80, mas talvez 12, e sem a crueldade de serem queimadas vivas pelos mesmos terroristas, você sabe como estaria o mundo, o seu facebook, a televisão e o seu discurso virtual de preocupação com a vida alheia.

Não sabe? Sabe.

Mas eram “pretinhos pobres” da Nigéria. Quem você conhece que vai a Nigéria? Qual plano você faz para um dia ir até a Nigéria? Então, foda-se a Nigéria.

Como nosso amigo médico esfaqueado na lagoa, que causou sozinho a comoção nacional que os outros 5 mil mortos esfaqueados nas periferias não conseguiram nem ensaiar.

Mata, mas mata longe de mim.  Pisoteia, mas não me deixa ver.  Escraviza em Hong kong, eu compro o boné, mas não mostra na tv senão eu vou no twitter, choro e tudo.

O nude da patricinha merece um Globo Reporter. As centenas de filhas que vendem o corpo pra ter o que comer por todo planeta antes dos 18 anos, talvez uma notinha num jornal.

Queremos nos convencer virtualmente todo santo dia de que somos boas pessoas, que pensamos no próximo e que ficamos estarrecidos com a violência que acontece a nossa volta.

Mentira. Só incomoda quando acontece do meu lado, onde eu vou, com quem conheço.

Eu não tenho amigos na Nigéria, não vou até lá e nem faço planos pra ir. Portanto, foda-se a Nigéria.

Mas você viu que absurdo o Léo, filho da Carmen, a 200 metros do arrastão no Rebouças?   Viu, claro que viu.

#SomosTodosLéo

abs,
RicaPerrone

Unidos da Hipocrisia…. Dez!

beija-florAh, minha Guiné Equatorial! Quantas e quantas noites de sono perdi pelo regime ditatorial que tantos irmãos atingem naquele país.

São incontáveis as vezes que orei por eles. Que me neguei a receber um presente da Nike porque sei que sei da exploração de mão de obra pelo mundo.

Me lembro como se fosse hoje que ao assistir a um jogo do Chelsea na TV eu torci contra, afinal, o dinheiro do clube é quase todo sujo, tal qual muitos outros do adorado futebol europeu que sempre renegamos em virtude de nossa ética.

Meus deputados honestos que me orgulham e que jamais me traiam. Meu partido que prometeu “acabar com tudo isso”, dobrou, e eu sigo militando por ele.

Ah meu bairro querido, aquele que corri pra longe no primeiro dinheiro que ganhei. Esses racistas estúpidos, imagine? Minha empregada é negra…

E esse governo corrupto que diz não saber de nada e faz vistas grossas pra tudo que há de errado? Fosse eu, que denuncio os gatos da net da vizinhança e que me importo com as carteiras de estudantes dos não estudantes, nada disso seria assim.

Não é verdade?

Essa Beija-Flor, canalha, que recebe patrocínio de um governo, tal qual outras 904043 escolas já receberam um dia pra falar daquele lugar. Mas a Beija-Flor não pode, pois deveria “perder ponto em enredo”, afinal, há um ditador por lá.

A Portela falou do nosso Rio. Não citou governador, arrastão e nem ala com balas perdidas. Mas falou do Rio. E neste caso, merecia ser campeã. Porque não ganha há tempos. Se ganhasse, não mereceria por ser repetitiva em seus enredos. Certo?

Dos mil defeitos que tem a Beija-Flor, e que fique claro que também não gostei do enredo, um deles não é ser a única coisa neste país que não se importa com a origem, desde que chegue em nossas mãos.

O carnaval é organizado pela contravenção há 200 mil anos e nunca ninguém se importou com esse dinheiro. Até porque, convenhamos, a contravenção é parte fundamental e importantíssima no que se transformou o desfile do Rio, como disse o Neguinho. E concorde você ou não, aceite. Porque é um fato e citá-lo não é um erro. Fingir que não sabia, sim.

Sou capaz de apostar meu braço esquerdo que 90% dos rebeldes virtuais não sabem onde fica a Guiné Equatorial. Destes, 50% não sabiam de sua existência. E deles todos, 99% nunca souberam que havia ditadura por lá.

Nem se soubessem reclamariam. Afinal, outro dia uma escola foi campeã com dinheiro do Chavez e ninguém abriu o bico.

“Então um erro justifica outro”, dirá o desesperado hipócrita. Não, não justifica. E em momento algum alguém disse ser bom, concordar, ou renunciar a verdade. Apenas compreenda que se é pra dar xiliquinho, dê sempre.

Não quando convém. Porque aí chama-se hipocrisia.

abs,
RicaPerrone

Hipocrisia

HIPOCRISIAO “viado” ofende. O “bola” não.

Com nordestinos não pode. Com gaúchos, tudo bem.

Com “aborto” não se brinca. Com bêbado sim, afinal, cirrose não mata.

Aids é coisa séria. Mas piada com leproso, tá liberado.

Pessoas públicas que não se manifestam são covardes. As que se manifestam deviam saber que são pessoas públicas e não se manifestar.

Você não aceita opinião contrária quando rebate minha crítica. Logo, aceitar críticas na verdade é “ignorá-las”.

O BBB é uma merda. Mas o Cake Boss é do caralho. Afinal, acrescenta uma cultura ímpar na sua vida.

Luto pela democracia, desde que sua opinião seja igual a minha. Não sendo, acho um absurdo que você a diga.

Cada um deve fazer o que quiser com seu corpo! Desde que não seja meu filho.

Acho vergonhosa a falta de segurança no país, mas compro maconha de traficante pra me divertir com os amigos.

Se meu time é prejudicado, o adversário me roubou! Quando meu time é favorecido, o juiz que errou.

A camisa 100% negro não é racista. Uma que se diga 100% branco seria crime.

Ter dinheiro e não passar dificuldade é o sonho de todo cidadão. Mas se você realiza-lo não sabe o que é o mundo real. Coxinha!

Posto a vida no facebook, mas odeio que se metam na minha vida.

“Tem branco no samba” é piada. O contrário é racismo.

São Paulo pode ser uma cidade “feia pra caralho”. Manaus, não. É preconceito.

Deus limitou a inteligência. Não fez o mesmo com a burrice.

abs,
RicaPerrone