
Cá estou. Há quase 3 meses vivendo sob regras, horários e sem cheddar McMelt. Longe dos amigos, do meu pagode, mas ainda que respirando por aparelhos tentando me adaptar a outro mundo, estou bem.
Os EUA é um pais que eu admiro muito por diversos motivos. Sempre que posso paro aqui um pouco desde 2011 e fico admirando o óbvio que pra nós é tão complexo. Dessa vez tive que tirar minha habilitação no país e por consequencia fiquei muito irritado.
Tinha prova em ingles e espanhol. Eu falo ingles do mesmo jeito que jogo futebol. Espanhol do mesmo jeito que jogo tenis. Eu jogo tenis melhor que futebol. Estudei um pouco e notei logo que eu não saberia entender aqueles termos técnicos em outro idioma. Faltava um dia pra prova. Foda-se, vou reprovar feito homem mas eu vou.
O pouco que estudei foi espanhol. Uma parte em ingles, mas eu não entendia nem as perguntas nem as respostas logo só decorei as figuras.
Era as 10h40. A moça nos chamou as 10h40. Eu fiquei puto.
E meu direito ao atraso? Eu hein. Passei a última década no Rio e, que eu saiba, 10h40 é entre 11 e meio dia. Gente implicante. Mas fui, já tava lá mesmo.
No meio da conversa de sinais com a moça ela disse que não precisava me preocupar porque a novidade é que agora tem prova em portugues. Ela me dando a boa notícia e eu ficando puto porque o pouco que sabia era em espanhol.
Ela disse que nos chamaria em 10 minutos. E em 10 minutos, chamou mesmo. Que ódio. Eu só conseguia pensar numa coisa: como que eu vou fazer essa prova sem ter ligado pro amigo do amigo que conhece alguém no Detran? Isso nunca tinha me acontecido.
Peguei minha senha e fui lá ser atendido em outro departamento, que encaminhava pra prova teorica de vez.
A outra moça me atendeu bem. Eu queria saber que diabos eles tem na cabeça pra atender as pessoas bem em orgãos publicos? Mas enfim, se ela quer… “bom dia pra você também”.
Me deu a prova em portugues. Eu passei, não me pergunte como. Na saída a moça me parabenizou e me encaminhou educadamente pro último setor.
Outra moça me atendeu sorrindo. Que ódio desse povo educado as 10 da manhã! Marcou pra mim a prova prática, juntou meus documentos, anexou num grampo bonito, me entregou de volta e se despediu.
Eu fiquei na mesa dela uns 30 segundos ainda. E ela me olhando tipo “vaza, gordo”. E eu ali esperando o problema que ia dar ou algum esboço de mal trato da atendente. Nada. Fui embora frustrado.
Dias depois teve a prova prática. Aí sim, drama! Porque mano… sejamos honestos. No Brasil voce tem que ser legal pro cara te passar. Aqui você tem que saber dirigir! Absurdo isso.
Em espanhol. Fudeu. “Deternese!”. Que? Deter quem? Eu paro? Acelero? Fico nu? Parei né? Deter, sei lá. Ela anotava e seguia. Porra, nem pra me mostrar com os olhos se eu tava indo bem. Que nervoso.
Teve uma hora que ela mandou eu fazer algo em não sei quantos pés. E eu lá sei quantos pés da um metro, porra? Fui no instinto.
E outra coisa que irrita. “Vai pra leste”. Leste é meu piru! Eu tö sem bussula, não sei se a senhora notou.
Enfim, podia errar até 30 pontos. Errei 29. Aqui é Curintia, tia! Passei.
“Uhu! Estoy dientro! Bamoooos, tiazita!”, e ela achando que era uma dança local ou uma reza brasileira, sei lá.
Me deu um provisório. Perguntei pra um amigo se ele conhecia alguem no Detran daqui. Ele não entendeu. Que inferno! Paz.
RicaPerrone



Não temos ódio no coração. Aliás, temos sim. Não suportamos aquele amigo ex-gordo que “agora corre”. Pelancudo filho da puta! Se toca! Você era gordo, agora você tem cara de doente! Só que as pessoas acham que você nos inspira, quando na verdade você nos envergonha.
Nos deixem em paz. Nós não queremos controlar o mundo, nem mesmo impor um padrão estético pra todos os demais. Queremos apenas uma picanha com polenta e arroz.
Me pergunto, sempre que me deparo com uma delas, quem foi a pessoa que criou algo totalmente sem sentido.
Eu era pequeno, coisa de uns 10 anos. Minha mãe era religiosa, testemunha de Jeová. Eu, que ainda estava na fase de ir na “igreja” sem saber bem o motivo, simplesmente achava tudo aquilo meio idiota. Passaram 30 anos e eu ainda acho, na verdade.
Essa o próprio Donizete me contou. Estavam concentrados para um jogo qualquer e naquele hotel o colocaram no mesmo quarto que o Odvan, zagueiro.