impedimento

A web de todos os santos

Ao final de mais uma decisão, polêmica. Normal, é disso que vivemos.  Mas essa polêmica passar perto de se cobrar de um jogador o “fair play” de avisar o juiz sobre um impedimento que óbviamente ele não faz idéia se estava ou não, beira a sacanagem.

É a polêmica a todo custo. É a vontade de dar voz a 10 como se fossem 100 mil.  A comparação com o lance do Rodrigo Caio é quase inacreditável.  Mas essa geração que joga FIFA e acha que é atleta por isso não pode mesmo saber a noção que se tem de um impedimento em campo.

E mesmo se tivesse noção, Jô estaria numa situação diferente, em outro patamar de fair play. Talvez se ele tivesse feito o gol com a mão, ok! Caberia a discussão.  Embora eu não tenha a menor dúvida que mais uma vez o discurso virtual é o oposto extremo do bar da segunda-feira.

Eu confio no bar. Ali ninguém dá like, nem o deseja.

O saopaulino odiou o que fez o Rodrigo. Mas fingiu que não, porque é correto dizer e porque não se pode ir contra a corrente.  E hoje, fosse o Jô um santo com ultra poderes capaz de saber sua condição na hora do passe, o torcedor também não ia aprovar.

Mas estaria no facebook falando em “honestidade”, “caráter” e “fair play” por um país melhor, enquanto guarda a carteirinha falsa de estudante que lhe dá 50% de desconto em todos os eventos mesmo tendo largado a escola há uns 20 anos….

abs,
RicaPerrone

A maior evolução que o futebol pode ter

Todos os esportes evoluem e mudam suas regras conforme tecnologias e melhoras físicas deturpam o real protagonista do jogo. O futebol é mais resistente a mudanças por ser o esporte mais popular do mundo e também por “funcionar” a qualquer custo.

Veja você que hoje, num cenário onde o planeta não ostenta nem 5 craques fora de série, vende-se futebol pra todo lado e quem não vende busca entrar no jogo.

Imagine você que o futebol, tal qual qualquer esporte, vive de ídolos e talento. Quanto maior o poder físico, maior a importância tática. Quanto maior a importância tática, menor os espaços. Quanto menos espaços, menos a habilidade vale.

Correria, corpo a corpo, jogadores altos, fortes e o fim do baixinho que dribla geral. Essa é a realidade. O futebol virou um grande confronto coletivo e equilibrado entre pessoas de tamanho padrão e técnica regular.

Discute-se mil formas de mexer no jogo, mas na minha cabeça a mais óbvia delas não está em pauta.

Veja a imagem acima. O que você conclui disso?

Que em 20% do campo joga-se uma partida de futebol. Que não dá mais para ninguém parar a bola, que é muito mais importante pensar rápido do que saber dar um passe espetacular de 50 metros.

E eu lhes pergunto: O que aconteceria com o futebol se o impedimento existisse apenas dentro das áreas?

No mínimo abriria mil novas possibilidades táticas, devolveríamos espaço a quem sabe jogar, limitaríamos a importância do físico perante a técnica e transformaríamos o jogo que começou num campo de 100 metros novamente num de, pelo menos, 80.  O de hoje joga em 30 metros.

Essa regra foi testada num sub qualquer coisa há muitos e muitos anos, quando fizeram uma risca da grande área a linha lateral. Não me lembro o resultado, mas sei que é de enorme interesse dos europeus que o jogo se torne cada vez mais pensado e menos qualificado tecnicamente.  Afinal, da África e da América do Sul saem talento, dos países de primeiro mundo, gente mais preparada.

Quanto menor o espaço, maior a importância intelectual do sujeito. Menor a relevância técnica. Sim, é um fato: não formamos jogadores que pensam rápido. Formamos jogadores que destoam na qualidade técnica. Para tocar de lado, pensar rápido e jogar em grupo, não somos os melhores.

Aliás, os melhores não são mais os melhores.

Quando fizeram o impedimento provavelmente foi uma forma de evitar a banheira e os bicos de área a área. Tal qual o “gol fora”, as regras tem hora e também prazo de validade. As duas citadas hoje fazem mal ao futebol. E passam longe de ser pauta para revisão.

Assim, seguimos gerando mais volantes “brilhantes” que preenchem espaço. Cada vez menos meias que decidem num passe e cada vez mais atacantes altos, fortes e rápidos em busca do chute mais forte.

O futebol venderia mais com Iniestas, Zidanes e Robinhos do que com Robbens, Fabregas e Hulks.

abs,
RicaPerrone