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A verdade sobre as bets

Por muito tempo trabalhei de perto com bets. Hoje posso dar aula, pois anuncio há mais de 15 anos, fui o primeiro no Brasil a aceitar divulgar e aposto pelo mesmo período.

O problema não está nas bets. Como sempre, está na burrice do brasileiro e na falta de educação. Além, especialmente, da permissão para que bons vendedores vendam sonhos e fiquem ricos te dizendo que te fará ficar.

Todo mundo que diz que vai te deixar rico é charlatão. Todo mundo que diz que vai te ensinar a ganhar dinheiro está ganhando “te ensinando”. Caso contrário ele só ganharia, não venderia um curso pra você.

O problema das bets é esse tipo de gente. As bets pagam os anuncios de duas maneiras: ou por exposição de imagem pra validação de mercado ou por % de retorno. O que chamam de afiliação. Algo comum em tudo que é produto online. O livro que você compra na amazon dá % pra quem pagou a divulgação. É um mercado invisível e muito grande que a maioria desconhece. E legal. Sem nenhum problema.

O que fazem os vendedores de sonho? Mostram Ferraris, viagens, vida de novela e te dizem que se você for na dica deles vai ganhar tudo isso com apostas. Você vai, ele aposta nos 3 resultados, pega o que acertou e te mostra. Perdeu, né? Não. Ele convenceu 100 de vocês a entrar no link dele e ganha em cima do % que você gerar pra casa. E ele não te sugeriu apostar 50 reais. Ele apostou 10 mil. Você vai fazer o mesmo e talvez perder essa grana.

Ou seja, não haveria nada de errado em divulgar e ganhar o %. O errado é que ele criou um método onde ele mente pra você pra te fazer acreditar em algo que não existe e o lucro dele não está na aposta mas sim na dica que fez você perder dinheiro.

Hoje cedo saiu na Globo que a polícia virou a mira pra essa gente.

O problema não é a bet. É como algumas pessoas as vendem. E note que nem mesmo a casa de apostas faz esse tipo de propaganda mostrando você rico, deitado no dinheiro apostando 100 e ganhando 20 milhões. Quem faz isso e deveria ser combatido são terceiros. Eles são o problema.

Ninguém deixa uma casa no Bingo. E se deixar é burrice, não culpa da existência da opção do bingo. Ou você quer que proibam a cerveja por ela destruir famílias, levar gente frágil pro fracasso e doença? Não, né? Então. Para de ouvir discursinho vazio.

Você parou de fumar por educação, não pelo fim do cigarro na sua frente em cada caixa que você passa. Você não é alcoolatra porque sabe que faz mal, não porque a bebida não existe. Você não é viciado em cocaína porque é inteligente, não porque ela não exista ou você não possa compra-la. E olha que me refiro ao extremo caso que nem legal é.

A lógica de um ser humano de sucesso é educa-lo, informa-lo e permitir que ele tome as decisões dele. O mesmo sujeito que vota, usa faca, dirige e cria filhos é o cara que vai apostar. E porque você acha que ele tem que ser tratado como uma criança ou um animal nesse caso?

As bets regulam sacanagens nos esportes. É pela inclusão delas digitalmente que você descobre o que sempre aconteceu: manipulação. Ela é a lesada, portanto ela bate os números suspeitos e entrega a denúncia ou a confirmação delas. As bets existem informalmente em pontos da cidade há décadas. Não é uma novidade. É apenas uma oficialização.

Sair do informal e vir a público com clareza, regulamentação e impostos revertidos pra (em tese) população não pode ser pior do que ela existir clandestinamente como sempre existiu e vai continuar existindo.

O Boxe foi por muitas décadas um esporte rico exatamente por movimentar bilhões em… apostas. Hoje quem banca a mídia, o esporte, os clubes? As bets. Por obviedade parte do entretenimento esportivo há a possibilidade da aposta. E por motivos óbvios a gigantesca maioria do planeta dos apostadores não perde sua casa, carro, etc.

Faca na mão de bandido é arma. Na mão de cozinheira é ferramenta. Nos dois casos é faca.

Eu aposto há mais de 15 anos, divulgo e nunca disse que você ficaria rico, que eu ganhei a vida com isso e que você deveria vir na minha porque eu te faria mudar de vida. Apenas qual a casa é melhor, qual a oferta pra você optar por ela e como se divertir com isso.

Antes que você confunda o assunto, gestão de banca como existem por aí não é promessa de riqueza. É algo interessante que feito por gente séria faz todo sentido. Indicação de apostas menores onde você ganha mais do que perde por estatística. E não te promete multiplicar dinheiro a rodo como alguns fazem.

Enfim. O mercado é esse. A sacanagem é essa. As bets não são o problema, impedir o jogo não condiz com o conceito de liberdade e tentar frear a inteligencia em virtude da overdose de burrice é reforça-la como padrão.

Nunca negocie seu direito de escolha. Portanto, se você não gosta ou não se acha capaz de controlar o ímpeto, não faça. Mas não peça pra que não exista pra te blindar da sua própria irresponsabilidade.

RicaPerrone

Tigrinho: A maior covardia do ano

Nós temos que tentar, embora no Brasil, sermos o mais honesto que pudermos. Vejo uma onda de influenciadores sendo perseguidos por promover o tal jogo do Tigrinho e do aviãozinho.

Segundo dizem são jogos de azar e não pode. E portanto eles são uns filhos da puta que devem pagar e ser cancelados por receber dinheiro pra promover um produto disponivel no mercado.

Eu vendo publicidade. Eu não sei se tudo que vendo está correto, pois obviamente eu recebo a oferta, vejo se a empresa funciona legalmente e anuncio. Eu, a Globo, a Folha, o UOL, quem quer que seja. Quem diz se a empresa pode ou não funcionar não são os meios de divulgação.

Mas é fácil espancar uma galera que está ali anunciando algo que não convém.

Ok, mas me dá um minuto do seu dia antes de bater o martelo.

Eu anuncio Betano. A Globo anuncia todas as casas de apostas. Os portais de internet TODOS anunciam casas de apostas.

Os clubes anunciam casas de apostas.

E nenhum de nós esta fazendo nada de errado.

Mas dentro de todas essas casas esta lá o Tigrinho e o Aviãozinho.

Me explica. Porque meia duzia de influenciadoes? Quem é o Fantastico, da Globo, pra explodir esses conteudos se a casa anuncia e lucra com o mesmo produto?

Que diabos de hipocrisia deslavada é essa?

Pesquise você mesmo. O Tigrinho e o aviãozinho estão aqui no meu canal, na camisa do seu time, no intervalo da emissora.

Como que você escolhe meia duzia, condena e finge que não é parte disso?

Ou estamos todos errados ou estamos, pra variar, vendo a imprensa escolher pessoas pra destruir enquanto ela faz igual.

Ou será que o % que os influenciadores levavam tirava das emissoras uma parte?

Porque o brasileiro segue o que a porra da imprensa diz sem se perguntar o óbvio?

Ou tem alguma explicação pra que todos anunciem o cassino onde está a maquininha que é polemica e quem fala direto da maquininha está mais errado?

Acho mais simples. Ninguém tá errado. O jogo existe. A maquina de pegar ursinho de pelucia tambem. Nos dois casos alguns vão ganhar e a maquina vai lucrar mais do que as pessoas.

Qual a diferença? Não jogue, ué. O Estado quer ser nosso pai e mãe. Eu me nego a ser um filho da puta.

RicaPerrone

Influenciador não é profissão

Formador de opinião, famoso, influenciador.  Esses três termos tem em comum algo que deveria ser básico a quem os ostenta, mas pelo jeito não é.

Esses termos representam o STATUS atingido pelo pessoa, não o trabalho dela.  Você não trabalha de famoso. Você fica famoso. Você não trabalha formando opiniões. Você as forma por ter um trabalho midiático. Você não influencia pessoas por profissão. Você faz algo admirável e por isso passa a influenciá-las.

Meio básico. Mas pela reação de alguns perfis e sites de fofoca, parece que alguns não compreendem. O que justifica se acharem “influenciadores” como profissão.

Influencia, meus caros, é uma condição atingida. Não há a profissão de influenciador.  Eu sou influenciador. E não porque escolhi, mas porque o que faço gera gente me acompanhando e no meu caso eu formo opinião pelo que escrevo e falo.

No de outras pessoas, viram tendências de roupas. Em alguns casos de alimentação. Em outros só da vida fútil mesmo de mostrar algo irreal numa rede social para que pessoas invejosas adorem um ser que na verdade não existe.

Funciona. Influencia. É pequeno, triste, opaco. Mas ainda assim, não é uma profissão. É uma condição. Status. Uma consequência.

O que se faz para não entrou em pauta. Embora seja simples, o fato do que eu disse se tornar motivo de debate já mostra a limitação intelectual de alguns dos tais “influenciadores”. Ou até de quem os gerencia, que por sinal é ainda mais grave.

Enfim. Estando em pauta em sites que tem por motivação falar da vida alheia, discutir a roupa da atriz famosa ou o novo corte de cabelo de fulano, já explica muito da reação.

Em um país onde milhões acordam discutindo o BBB enquanto um deputado tem uma hidromassagem no gabinete, não é de se assustar que os “influenciadores” se ofendam com a constatação de que muitos deles não tem qualquer profissão que não seja “buscar fama para gerar engajamento”. No português claro, “influencia”.

RicaPerrone