Internacional

Era esse o seu melhor?

Sabe, eu costumo tratar a queda de um time grande com mais pesar do que qualquer outra coisa. É ruim pra todos, não tem como achar “legal”, a não ser pra série B que ganha um atrativo a mais.  Mas honestamente, dane-se a série B. Nós queremos é a série A forte, não a B.

Essa imagem acima me mata.

Porque quando você vê isso atrelada a um time derrotado em campo,  você entende. Faz parte do jogo que amamos. Mas quando vê essas carinhas de quem viajou mais de mil quilometros pra ver um time andar em campo no jogo que definiria a dignidade de um clube, parte de sua história e um dos seus pilares de grandeza, aí revolta.

Que time é esse? Por mais que a diretoria tenha cometido todos os erros do mundo e a queda seja mais do que merecida, quem são esses caras para “andar” em campo num momento tão decisivo?

O que era o Inter ontem diante do Flu jogando “o que dava”?

É inaceitável aos olhos do torcedor que uma queda seja disputada como um jogo qualquer. E embora as lágrimas dos jogadores insinuem o contrário ao fim do jogo, o que vimos em campo não justificam o choro.

Roth, Argel… pediram! Mas se não pelo diretor, pelo técnico, então pela torcida.

O que vi o Inter fazer ontem foi pior que a queda.  Cair, quase todos já cairam e quem não foi um dia irá.  Você joga, sobe de volta e segue a vida.  Mas cair sem luta?

Achava justo. Hoje acho até necessário o rebaixamento.

E você, Colorado, que nada tem com isso, mantenha sua paixão intacta, aproxime-se do clube porque é agora que ele precisa de ti, e não na final da Libertadores. Vá aos jogos, cobre, empurre, traga-o de volta.

O Inter é seu. Não de pra quem “tanto faz” .

abs,
RicaPerrone

Normal

Custo a entender o dia seguinte de certas partidas na mídia.  Qual a surpresa no Inter, em casa, vencer alguém?  E o Corinthians, de atuação muito respeitável, perder um jogo pra um time grande, fora de casa, por 2×1 depois de 17 incríveis rodadas invicto?

Porque diabos é tão difícil olhar pro lance do Paulão ou pro jogão em si do que procurar um culpado, uma crise ou uma “possível queda” do líder na manhã seguinte?

Que país de fracassados. Que mania de ter que falar de algo ruim, de desmerecer o vencedor pra procurar defeitos no derrotado.

Senhores, o Corinthians fez boa partida. O Inter fez melhor.

“Perdeu pra ele mesmo”.  Haja paciência! Quem perde pra si mesmo quando é campeão ganhou de quem?

Segue o Inter em retomada para busca de um G4 e o Corinthians em campanha incrível no campeonato. Aliás, vou além, a partida de ontem só confirmou o bom momento de ambos. Jogaço de bola, intenso, rápido, pegado e disputado.

Bom dia pra você também.

abs,
RicaPerrone

Inter, 105

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Cresci ouvindo e constatando diversas “verdades” sobre o futebol. Poucos clubes me fizeram repensar velhas certezas como o Internacional, que completa 105 anos nesta sexta-feira.

Quando garoto eu fui a Porto Alegre visitar uns parentes e meu pai me levou ao Beira-Rio. Acho que tinha 10 anos, era uma segunda-feira sem jogo,m em janeiro, férias. Dali, da ponta do gramado onde subornamos um guarda para entrar, ele me contou sobre Falcão, os títulos e os grenais.

Guardei a idéia de que aquele time vermelho era um dos pilares de sustentação do futebol brasileiro. Sim, pois sem ele, não há grenal. Sem grenal, não há futebol no sul. E sem isso, somos 10 grandes, não 12.

Mas enforcado sim pelos títulos do rival, o Inter precisava buscar uma forma de voltar a ser competitivo e fazer jus a seu nome, ganhando espaço fora do país.

E lá pra metade dos anos 2000, surge um clube que pela primeira vez em mais de 120 anos de futebol, desafia a mais velada regra do futebol brasileiro.

Ninguém se mantém competitivo por muito tempo.

Os campeões no Brasil são invariavelmente gerações que duram em média 5 anos, seguidas de um período de seca, até que o clube encontre uma nova geração. O que pode durar 5, 10, 20 anos.  Nunca se sabe.

O próprio Internacional levou, talvez, 20 anos pra achar um novo “grande momento”. E então, se propôs a torná-lo regra.  Fez-se então o clube da exceção.

Desde 2005 o Internacional consegue, pela primeira vez no futebol brasileiro, não viver de surtos e sim de uma constância. O clube é sempre, no mínimo, competitivo.  Mantido por sócios, sempre com um ou dois jogadores de muito alto nível, sempre disputando títulos e revelando jogadores sem parar.

O Inter, senhores, é o primeiro time do Brasil que ousa interromper a rotina de fases vivida desde que a bola rolou pela primeira vez por aqui.  Agora, com um novo Beira-Rio, mais dinheiro disponível e menos verba comprometida, o foco volta pro gramado e não há nada que esperar senão títulos e mais títulos.

Desconfio que o Inter tenha sido o primeiro clube brasileiro a entender uma nova era e abrir mão de viver de mágicos momentos para ser uma estrela constante, brilhante, mesmo que não vencedora todo ano.

Pragmático como todo gaúcho, o Colorado não quer escrever belas páginas, nem fazer belas capas de livro. Quer apenas que eles existam para contar suas glórias.  E assim, diante de um novo e imponente estádio, com registros recentes de títulos e campanhas incontestáveis, campeão de tudo, sempre protagonista, o Inter sopra velinhas  de veterano como um garoto.

Cheio de energia, sonhos, planos e perspectivas.

Hoje, 4 de abril, até gremista devia sair nas ruas de vermelho para comemorar. Afinal, o que seria do Grêmio se ao seu lado não tivesse algo tão grande quanto e vice-versa?

Parabéns, Inter!

abs,
RicaPerrone