jorge wilsterman

Acadêmicos do Vasco da Gama

Ja é quinta-feira.  Chove no Rio de Janeiro como há tempos não chovia. Falta luz, o transito está um caos, há indícios de alagamento e até em show já deu merda.

Há dois lugares na cidade em que não falta luz, não alaga, não há qualquer preocupação e essa “garoa” é só pra refrescar: Nilópolis e São Januário.

A primeira comemora mais um título. O segundo comemora ainda sem saber se já pode. Mas pode. É claro que pode.  Deve.

O Vasco encontrou sem Nenê uma forma de jogar coletiva, que não obriga a equipe a ir numa direção.  Se com saudades do ídolo ou não, outros 500. Mas é fato que o time ficou mais leve.

Fez 10 gols em 3 jogos, não sofreu nenhum.  Está com os pés na fase de grupos, aterrorizando a noite daqueles que juravam que seria um fiasco.

Zé, o “culpado” de lá, pouco pede holofotes. Mas merecia. Seu time sabe exatamente até onde pode ir, como e joga perto do limite.

Não dá pra dar show. Mas dá pra entender que o coletivo é a única salvação deste Vasco. E através dele o time se encontrou, destroçou os dois adversários e segue firme na Libertadores que pra muitos era tombo certeiro.

A luz voltou. A chuva diminuiu.  Não há nada alagado e só não vai abrir o sol porque não tem como.

Avisa lá que altitude é distância do nível do mar. Grandeza é a distância que separa o Vasco do tal do Jorge.

abs,
RicaPerrone

Não há desculpa

“Futebol é foda”. “Faz parte”.  Eu conheço todas, você também.  Mas esse time do Atlético pode até não ganhar nada, mas tem por obrigação jogar futebol.

Pela forma que foi montado, pelo tempo juntos, pelas boas competições que esteve na briga, pelo apoio da sua gente e por toda expectativa gerada em torno de tantos bons nomes.

Dá até dó um time desses não ter dado em nada. Mas não deu. E mesmo que corra muito, provavelmente não vai dar. Já é agosto, o time passa longe de brigar por algo na única competição que restou.

O futebol apresentado não é aceitável. É um time cheio de talento no chão e que joga a bola pro alto. Não faz o menor sentido o que o Galo faz em campo.

Vi uma torcida mobilizada e gritando alto o tempo todo, mesmo vendo o jogo ruim, sabendo e lembrando que Libertadores não é bem futebol. Então, que seja no grito, no abafa, tanto faz. Mas uma hora o juiz apitou. E aí o apoio virou uma enorme e merecida vaia.

Poucos times tem na sua torcida a mobilização que o Galo tem em torno dele. E quando digo isso milhões de torcedores não conseguirão entender, e é óbvio, pois se a maioria não tem, não sabe mesmo do que estou falando.

O Atlético pulsa. Toma a cidade de assalto, faz do dia do jogo um “dia de Galo”, e o time não conseguiu passar de uma equipe boliviana que não consegue trocar 3 passes.

Não, não tem desculpa.

É uma pena que um dos melhores times no papel que vi montarem tenha se limitado a cruzar bolas na área.

abs,
RicaPerrone

A hora que quiser?

O Atlético Mineiro tem o melhor time do país. Acho bem pouco discutível que entre os 11 titulares alguém tenha nomes como Fred, Robinho, Elias, Cazares, Leo Silva, Victor, Marcos Rocha. Enfim.  O que não significa que vá jogar ou ganhar algo por isso.

Entre o bom time e o bom futebol é um elo complicado de encontrar que passa obrigatoriamente com o tesão em fazer o que está fazendo. E futebol só se ganha com olho brilhando. Ainda mais mata-mata.

Atleticano sabe bem disso porque viveu na era Cuca o simbolismo máximo do que cito aqui. E hoje vive, com mais time, o sentimento inverso. Um time de potencial enorme, mas… “pica sonsa”.

A impressão que dá é que o Galo acha que ganha e faz gols a hora que bem entender. Eu nem chego a discordar, mas nunca vi isso dar certo. O time não vibra, toca demais pro lado, corre só quando precisa e não explode em momento algum da partida.

É o equilíbrio exagerado de um caixa de supermercado.  Ele pega, passa, cobra, próximo. Pega, passa, cobra, próximo.  É um processo repetitivo e sem tesão.  Feito pela mera obrigação de se fazer e sem a menor obrigação de ir além.

O Galo tem sim a obrigação de ir além. Se não na tabela, nos 90 minutos pela camisa que veste.  O mínimo possível não é compatível com as expectativas desse Galo.  Se um dia esse time se olhar na cara no vestiário e dizer: “Vamos ganhar”, dificilmente ele não vai ganhar.

Mas a impressão que dá de fora é que eles acham que vão ganhar quando bem entenderem. E a história é muito cruel com esse pensamento.

Já diria o filósofo Luxemburgo: “já comeu alguém com a pica sonsa?”.

E nem vai.

Bota sangue nesses olhos, Galo.

abs,
RicaPerrone