jornalismo

A imprensa

Nós, jornalistas, e vou me incluir numa tremenda tentativa imbecil de fingir que me considero parte disso, não entendemos ainda o que é o futebol.  Menos ainda no que trabalhamos, qual nossa função, pra quem fazemos e que atrás de tudo isso existe um departamento comercial.

Profissão não é ideal. Se é, não é profissão.

Não gosto do que é feito hoje. Acho burro, inconsequente, movido pelo ego e não pelo cérebro.

Futebol é entretenimento e como detentor ou não dos direitos de transmissão, não sou isento. Nem posso ser. Estou sempre de um lado.

O do público, afinal, sou um apresentador de espetáculo, não o sujeito que diz pra fila do cinema que o filme é uma merda.

Eu vivo da bilheteria do cinema.

Mesmo que eu me faça de idiota e não queira entender isso.

Eu não posso achar engraçado a queda de um time grande. Nem ser hipócrita de ir na tv me fazer de mega interessado na queda do Náutico.  Afinal, sabemos, não estou.

Mas a partir do momento em que você liga o rádio e vê diversos jornalistas paulistas achando graça e comemorando a queda de um grande do Rio, por exemplo, você precisa rever o rótulo que carrega. Ou ao menos  se opor a isso publicamente.

Não é engraçado, senhores.

E se você acha engraçado perder mais de 40 clássicos nacionais na tabela do ano que vem, fica fácil saber porque você não ri no fim do mes, quando o salário de jornalista te revolta.

Se é engraçado perder 2 das maiores atrações do meu circo sabendo que vai afetar minha história profissional, meu bolso, meu mercado e meu público, fica claro, de vez, porque quem apresenta o show ao público muitas vezes é o palhaço.

Palhaço é o sujeito que olha pro público, puxa o bolso vazio, mas segue rindo.

Nós vivemos deste circo. Mesmo que como palhaços.

abs,
RicaPerrone

Ela não presta

Marcelo era um garoto comum. Sonhador, estudante, trabalhador e cheio de vida. Um dia encontrou seu amigo Pedro, que estava ao lado de duas belas mulheres e os apresentou.

– Marcelo, esta é a Adriana. Adriana, este é o Marcelo.

E trocando olhares, fazendo daquele minuto um julgamento definitivo de tudo que precisava saber para se declarar apaixonado, Marcelo decidiu que queria passar a vida com aquela moça.

Precipitado, quase idiota. Mas perfeitamente normal, pois assim surgem 99% das mais belas paixões já contadas.

Marcelo então passa a procurar Pedro para que, através dele, possa rever sua amada. E consegue.

Pedro combina pizza, chopp, os aproxima. Marcelo se apaixona de vez. Ela sempre linda, cheirosa, arrumada. Ele, bobo, só olha e diz “amém”.

Até que um dia, pronto para vê-la, a caminho, Pedro diz a Marcelo que Adriana tem um passado não tão bom. Marcelo releva, não se importa. Se diz moderno pra aceitar.

Na volta de mais um chopp, Pedro dá indiretas para insinuar ao amigo que Adriana tem mau hálito. Ele, que ainda não a beijou, ouve pensativo.

Na mesma semana o amigo passa a tratá-lo um pouco diferente. Distante, quase num ar superior. Marcelo se pergunta se é “ciúmes”, mas não. Não tem porque se o próprio Pedro tanto a desmerece.

E os dias passam, Marcelo consegue apenas conhece-la, mas é intocável. Distante, quase impossível pra ele.

E então, a admiração aumenta, cria-se um mito. E desde mito, uma doentia relação de paixão e ódio que sustenta aquela relação platônica.

Adriana não o ignora. Nem dá trela. O cativa, joga o cabelo, mas passa reto.

Pedro então envia um e-mail para Marcelo e diz que na verdade não queria relatar, mas a moça é de família ruim. E seu trabalho não é lá dos mais honestos.

Marcelo custa a crer. E não crê. Não porque não quer, mas porque não pode. O que construiu em sua mente é forte demais para se destruir em palavras, boatos, insinuações.

Pedro insiste. Mostra fotos, comprova que a moça além de tudo é alcoólatra. Sim, bebe na madrugada e cai na rua. E então, ele chora.

Mas se motiva a recuperá-la desta vida. E uma nova obsessão o possui e aumenta ainda mais aquela paixão platônica.

Insistente, quase cruel, Pedro faz um levantamento da vida da Adriana e apresenta ao amigo. Lá está sua infância, seus podres, defeitos, amizades ruins e até mesmo doenças que já teve.

Marcelo luta, mas lê o “dossiê” do “amigo”. E ao final, surpreendendo novamente, ignora tudo que de ruim acaba de ler e diz: “Ela já passou por tudo isso! Merece ser feliz. Eu vou fazê-la feliz!”.

Pedro quase desiste. Mas seu recalque em não ter tido Adriana o atormenta demais. E inconscientemente, faz uma fama ruim da moça por toda cidade.

Marcelo se afasta. Adriana se prostitui porque não encontrou ninguém que a amava de verdade. Enquanto Pedro, diante da moça sentada na sarjeta segurando uma bolsinha e ofertando o corpo a míseros 100 reais, diz ao amigo: “Eu avisei”.

Marcelo acredita. Tolo, agradece ao “amigo” e se afasta. Pedro se aproxima de Adriana, oferece apenas 80 reais, e finalmente dorme com ela.

Pedro é covarde. Ajudou a destruir Adriana por não poder tê-la. E pior: a tirou do coração de Marcelo, disposto a tudo para vê-la melhor e feliz.

Bastava fomentar aquela relação que Marcelo e Adriana melhorariam juntos, cresceriam e Pedro poderia apadrinhar um belo garotinho no futuro. Mas burro, mediocre em sua natureza, Pedro preferiu ter razão.

E agora tem.

Pedro é jornalista esportivo. Marcelo, torcedor. Adriana é um clube brasileiro qualquer.

abs,
RicaPerrone