ladrão

Desculpe, não falo “mimimês”

Eu tento acompanhar o ritmo do mundo mas essa língua me recuso a aprender. Toda piada gera um mimimi e todo mimimi ganha espaço na mimimídia e vira a polêmica do dia. E assim vai, dia após dia, mi após mi, até que a mimimiserável geração não problematizadora consiga superar a barulhenta geração 7×1.

Wellington, jogador do SPFC, apareceu num vídeo fazendo a piada mais velha da história do SPFC x Corinthians. Os “mano bandido” x  os “playboy fresquinho”.  Oh! Que terrível!

Mimizentos, gambás ou bambis, ladrões ou playboyzinhos de merda, tanto faz. O ponto é que toda vez que uma piada ofende, procura-se evitar a piada. Na verdade primeiro precisamos saber se era pra se ofender.

É tão inaceitável quanto isso a acusação de “homofobia” porque a torcida do Corinthians gritava “bicha!” pro goleiro batendo tiro de meta.  Agora o “mimitroco” vem com a reclamação de “rotular pessoas de bandidos”.

Ora, faça-me o favor. Mais boteco e menos rede social nessa vida. É óbvio que o moleque não quis dizer que todo corintiano é bandido, como é óbvio que todo corintiano entendeu. Mais óbvio ainda é o uso disso pra ganhar o próximo clássico, e mais ainda o pedido do clube pra ele se desculpar dando atestado pros chorões.

Toda vez que uma piada perde pro “tem gente ignorante que não entende e isso gera preconceito”, temos o placar aumentado em número de ignorantes x número de gente de bom humor.

Acho que não precisamos ser muito inteligentes pra saber qual das duas deveria ganhar esse jogo.

abs,
RicaPerrone

Minha tese sobre arbitragem no Brasil

Primeiro vamos parar com o papo de “só aqui”, blá, blá, blá porque toda porra de campeonato, Copa ou Champions League tem erros grotescos de arbitragem, com a diferença de que a mídia não fica em cima disso porque o time do jornalista não foi eliminado.

Todo ano inventa-se uma nova tese. Outro dia era pró-Rio, agora os de SP ganhando é uma campanha pró-SP, e assim vai até que na final da Copa do Brasil dois mineiros se enfrentem e digam que, ou foi pró-MG, ou contra tudo e todos.

Fato é que as vezes eles erram mais pra um e menos pra outros.  E na minha cabeça é razoável entender como acontece.

(Sim, eu vou partir do princípio que são profissionais honestos)

O futebol brasileiro é completamente político. Do seu clube ao presidente da CBF, a meritocracia é muito baixa e na falta de estrutura empresarial, a politica move quase tudo. Assim sendo, juizes tem que estar bem com a CBF e para isso devem receber menos pressão dos clubes.

Quando o Corinthians é prejudicado pesa X. Quando o Fluminense é prejudicado, pesa meio X.  Logo, toda vez que o juiz tiver uma dúvida entre os dois, ele vai apitar pro Corinthians.  Ele, eu você, qualquer um de nós.  Você está ali defendendo o seu e não uma paixão.  Ele quer errar o menos possível. E se for errar, contra quem menos tiver força de pressiona-lo.

“Mas então você está dizendo que…”

Não! Devagar. Estou tentando explicar onde encontro lógica para a arbitragem pender para lados em determinados momentos.  Porque os times do RJ estão reclamando da arbitragem mais que os paulistas?  Porque a diretoria toda da CBF hoje é paulista. E não quer dizer que eles digam pro juiz: “Ajude o paulista”.  Quer dizer que o arbitro sabe disso e que se influencia psicologicamente.

O arbitro tem dúvidas o tempo todo. Imagine você Grêmio x Chapecoense, um lance na área, aconteceu, você não viu com detalhes, o bandeira não pode ajudar, você tem 1 segundo pra apitar.  Você apita pro Grêmio, irmão! Vamos ser honestos com o instinto humano de sobrevivência.

Arbitro nenhum é burro de querer eternizar seu nome como o cara que “roubou” um time de massa.

Não acredito em nada de armado até que me provem. E se você acreditar e continuar vendo e vibrando com isso, és um tremendo babaca.

Poderíamos ser o primeiro país a profissionalizar a arbitragem num nível acima de confederações e federações, diminuido a influencia política sobre as decisões e portanto dando mais tranquilidade ao arbitro?

Não. Não podemos.

Porque a base do futebol de qualquer país são os clubes. E se eles são totalmente políticos, sem critérios e baseados no relacionamento para determinar poderes, é impossível que acima deles haja algo que seja diferente disso.

Insisto até o último dia que escrever sobre esportes: Reclame com seu time. Ele pode mudar tudo.  A CBF, a Federação, a puta que pariu, são nada sem os clubes. Nunca o contrário.

abs,
RicaPerrone