libertad

Cada um vê o jogo que quer

“À lá Grêmio”. Com todos os ingredientes que despertam nesse time já não tão esfomeado uma necessidade incrível de caçar. Com expulsão, drama, altos e baixos, vaias e aplausos, heróis e vilões e, óbvio, uma noite de copa vitoriosa.

Era 5 do segundo tempo quando Geromel, o mito, resolveu o jogo.

Notando a dificuldade de Renato Gaúcho em tirar seu centroavante, do Grêmio em entrar no jogo e da fase do Tardelli, o zagueiro “sentou a pua” no paraguaio e propositalmente foi expulso.

Foi expulso se sacrificando para forçar a saída de André. Pronto, agora o Grêmio continuava com 10.

Geromel é esperto. Ele sabia que o David era mais perigoso que ele no ataque. Sabia que sairia o André. Sabia que ele teria que repor atacante e que esse seria o Tardelli.

Com “um a menos”, o Grêmio passou de favorito a desafiado. E então surge o gremismo em estado puro. Jogo de Copa, situação complicada e a obrigação virou superação.

Gol de Tardelli, gol de Deivid. Renato em paz, Tardelli de volta, jogo resolvido, clima de Libertadores pra um Tricolor que as vezes parece distante daquela gana de 2017.

A parte mais importante do futebol é o direito que cada um tem de ver a mesma coisa de forma diferente. E se algum gremista não viu isso hoje, está cego.

RicaPerrone

Enfim, a estréia

Em 2019 o Grêmio já foi até campeão, mas ainda esperava aquela atuação de Grêmio. Não me refiro a um jogo do estadual qualquer, nem mesmo a uma goleada. Mas a um jogo decisivo onde o Tricolor fosse manter a bola, controlar o jogo e construir a vitória com calma.

As características de um Grêmio vencedor estavam faltando. Ontem sobraram.

Longe de um show, mas com a segurança de um time que volta a ter confiança e fazer o que sabe. Não adianta tirar desse time sua principal característica e esperar resultados semelhantes. O Grêmio do começo da Libertadores queimava a bola. O Grêmio dos últimos anos não entregava a bola de jeito nenhum.

Ontem houve controle, protagonismo, iniciativa e calma. Falta o Alisson soltar um drible antes a bola, o André ser mais centroavante do que pivô, uma aproximação mais criativa do meio, mas num geral o time voltou a ter postura.

O Libertad perde pouco em casa. Esse ano foi só pro Olímpia, clássico, e ano passado foram 6 derrotas, sendo 2 pro Olímpia, uma pro Boca.

Ganhar lá não é a moleza que pareceu ontem. Como nada do que o Tricolor conquistou nos últimos anos pareceu fácil como em alguns momentos foi. O Grêmio faz do jogo “fácil”. E não vinha fazendo.

Enfim, o Grêmio.

RicaPerrone