libertadores 2016

“El milagro de Medellin”

Porque não?

Me diz aí. Qual seu motivo para desistir enquanto ainda está na Libertadores a um passo da decisão?

Vai jogar contra o Barcelona, lá? Vai começar com 8 em campo?

Te falta camisa? Nasceu ontem? Nunca viu futebol?

Até as 22h nós, tricolores, estaremos na Libertadores. Ninguém pode nos eliminar antes disso, muito menos nossa própria fé.

O pior que pode acontecer é o que já aconteceu. Se já vivemos no pior cenário, o que esperar que não algo melhor pra hoje?

Se acho que dá? Não. Acho não.

Mas até a hora do jogo, me forçarei a relembrar todos os resultados impossíveis que já presenciei no futebol e me convencerei de que hoje é dia de milagre. “El milagro de Medellin”.

Eu sei que dá vontade de dizer “já era” porque assim evitamos o tanto de sacanagem do pós jogo. Mas só tem um torcedor que está na Libertadores hoje. É você. Só um pode ser tetra. Só um tipo de torcedor pode acordar hoje e passar o dia tenso esperando uma decisão.

E repito: porque não?

Temos mil motivos para acreditar que não, hoje não.  Mas temos 3 estrelas no peito pra dizer que sim, que ainda dá.

E se ainda dá, ao seu lado estaremos.

Boa sorte, São Paulo.

abs,
RicaPerrone

Só morre quem está vivo

“Caiu no Horto, tá morto”.  E assim o Galo transformou aquele estádio acanhado num templo de glórias e sacrifícios.  Estar ali era estar sentenciado a morte, quase que de forma irremediável diante do julgamento daqueles fiéis que tanto acreditam.

Ali morreram dezenas. Morrerão outros tantos ao longo dos tempos, mas hoje o Atlético teve que lidar com a inédita situação de tentar matar quem não estava vivo.

O São Paulo, senhores, morreu na primeira fase. Lembra?  O que vem desde então é um espírito, não um time de futebol apenas.  É a tal magia que há entre São Paulo e Libertadores. Uma relação um tanto quanto doentia, ciumenta, mas longe de ser torturante como a do Galo, recém paixão da tal da taça.

O Galo ama a Libertadores. Mas a Libertadores ama o São Paulo.

Mata-se de tudo de terrível Horto, menos espíritos. E o que há nesta camisa branca quando em campo pela Libertadores é exatamente isso: espíritos.

O São Paulo fez dois jogos comuns, pouco inspirados, tal qual o Galo. Com a brutal diferença de que um estava ali pra matar ou morrer. O outro, meramente pra cumprir vocação.

Passa o São Paulo.  Porque quando a Libertadores acaba no Morumbi, na verdade ela só não saiu do lugar.

abs,
RicaPerrone

Convincente

O Racing é um clube grande na Argentina e como tal deve ser tratado. Cobrar de um time brasileiro que vá até lá e vença o jogo com casa cheia num mata-mata é uma dose cavalar da tal arrogância que tanto condenamos em nós mesmos.

Mas jogar como o Galo jogou, ter o controle de parte do jogo, maior posse de bola, maior troca de passes, maior número de finalizações e as chances mais claras de gol indicam algo muito bom.

O Racing não conseguiu fazer em momento algum o que argentinos fazem de melhor: abafa.  Sabe quando o time dos caras começa a vir de uma maneira que você não consegue sair e quando vê eles cruzam 13 bolas seguidas na área e no bate-rebate uma hora alguém empurra? Não teve.

O Galo soube não apenas marcar o Racing como cadenciar o jogo no primeiro tempo. Não soube resolve-lo, porque quando se propôs a contra-atacar no segundo, poderia.  O 0x0 soa estranho quando “não é tão bom” por causa do gol fora. Mas é duro imaginar esse time do Atlético indo pra frente e não marcando gols.

É bom demais o poder ofensivo do time. Em casa, ela vai entrar.  É o melhor time brasileiro da Libertadores.  Basta lembrar-se sempre que é uma Libertadores e que ela não se trata apenas de futebol. Porque futebol o Galo tem pra busca-la.

abs,
RicaPerrone

O River e seu “beco”

Perto de casa tem um beco escuro onde muita gente já foi assaltada, inclusive eu.  São tantas e é tão comum que quase não se nota mais.  Embora já tenha sido comprovado o crime e até encontrado um dos ladrões, pouca coisa mudou.

Naquele beco ando bem vestido, bem fardado e talvez por isso, mesmo ameaçado, dificilmente me derrubam.

Outra vez, sempre os mesmos, do mesmo jeito. E segue a vida. Afinal, a graça da tal “Libertadores” é ter que passa por becos escuros de madrugada.  É “parte do show”, dizem.

Ganso, o dono do jogo. O irritante sujeito que não é um gênio com a 10 da seleção por preguiça.   E nossos goleiros que são modelos, fazem luzes no cabelo, book na internet, mas que não conseguem passar confiança e agarrar a imortal camisa 1.

O maior erro que o River poderia cometer, além de cometer pênaltis que o juiz não quer dar porque no Monumental time brasileiro é palhaço, era colocar o SPFC na situação de franco atirador.

Um time grande sem responsabilidade se torna um enorme problema. E hoje, pela fase, pelo São Bernardo e pelo atual campeão ser o River, o Tricolor era quase “zebra”.

Não tem zebra com essa camisa. E não fosse os grotescos erros da arbitragem, sairiam de lá com outra vitória, como já fizeram tantas vezes.

O Monumental de Nuñes tem seus fantasminhas.

Somos um dos maiores. “Buuuu!”

abs,
RicaPerrone

A “quase” tragédia

Não me diga que não pensou.  Todo saopaulino vivo olhou pro cronômetro da TV aos 35 do segundo tempo e pensou: “Puta que pariu, eles vão achar um gol no contra-ataque…”.

E não há nada de errado em pensar isso. Errado estava eu quando há uma semana ignorei o fato de ser uma Libertadores e falei em jogo resolvido, goleada, entre outros de quem vive disso e ainda não aprendeu que lógica e futebol não andam juntos.

Um São Paulo respeitador, quase um “mocinho” no baile. E ela ali, a vaga, louca pra se definir.

Uma hora ela olharia pro outro lado, e quase aconteceu. Sem firmeza, pouco decidido e cheio de medinho de botar a bola no chão e bailar sobre o timeco do Vallejo, o Tricolor conseguiu dar esperanças a quem não tinha.

Foram 2 jogos, 180 minutos, nenhum indício de futebol no Vallejo.

Não precisava de tanto “respeito”. Mas se teve, que assim seja quando de fato precisar. Quando o contra-ataque for mesmo um perigo e não apenas quando o medo de perder e virar piada for maior do que a vontade de golear um adversário insignificante.

Era “obrigação”, eu entendo o peso. Agora não é mais.

abs,
RicaPerrone