Libertadores

Eu não sei do que vocês estão falando

As vezes eu vejo tv em programas esportivos. Não gosto, vejo 99% das vezes pra rever gols e lances, mas a gente pesca uma coisa ali, outra aqui.  Ao Galo ouvi críticas. Fui numa rede social e li criticas.

Não entendi bem.

Assisti apenas a 4 jogos no ano, é verdade. Mas foram 3 de Libertadores, um no estadual com time titular. Eu gostei do que vi. Teve altos e baixos, normal. Estamos em fevereiro. Mas o Atlético fez dois jogos na Libertadores onde o primeiro tempo parecia um treino.

Se enrolou no segundo.

Hoje, de novo, parecia dono do jogo. O campo parece sempre mais largo quando o Galo ataca. As chances surgem, o time adversário tem raros surtos no jogo e o controle é quase todo do Galo.

Mesmo fora de casa, mão na vaga de novo.

No estadual, embora ninguém se importe, é líder com melhor ataque e defesa.

Há momentos de muito bom futebol. Há também alguns apagões. Mas não há motivos para críticas e cobranças exageradas.

O Galo vai muito bem, obrigado.

RicaPerrone

Quando a eliminação é o menor dos problemas

O Morumbi tinha muita gente e um vazio insuportável.  O São Paulos segue sumido e novamente não deu as caras. A vontade não foi, o algo mais se perdeu no caminho e o futebol sequer foi convidado.

Uma noite onde a eliminação para o Talleres foi o menor dos problemas.

Um time sem nada. Uma torcida esperando qualquer coisa. Um desejo nada escondido de ver o sobrenatural resolver a questão, pois o óbvio estava gritando aos 15 do primeiro tempo já.

Um bando na frente, outro atrás. Bolas pro alto e seja o que deus quiser. Uma várzea. Eu diria tranquilamente que aquilo era o primeiro treino de um time de juniores que acabou de se conhecer. Não há uma jogada, uma tendência de jogo. É bola pro alto e foda-se os 90 minutos.

O emocional não existe. O treinador não tem idéia do que fazer e se presta ao absurdo de colocar um garoto aos 42 do segundo tempo.

A torcida pede Muricy, mas esse time precisa é de um Cuca.

Não adianta meter mais um especialista em super-defesas com bola alta. Tem que mexer é com o brio, transformar jogos em histórias, jogadores em lendas. Ninguém faz isso melhor que o Cuca, convenhamos. Ele leva um auxiliar, um preparador e a alma.

Hoje o Morumbi viu um São Paulo muito pior do que eliminado. Um São Paulo morto, rastejando, se humilhando chutando bola pro alto contra o décimo colocado do campeonato Argentino.

Vexame? Não… raramente vejo vexames no futebol. Zebra, sem dúvida. Vexame seria perder hoje em casa também, ser goleado, algo assim.

Mas se não há vexame na derrota em si, há um muito grande no que se apresenta em 90 minutos.

O São Paulo hoje foi mais do que eliminado. O São Paulo hoje foi inaceitável!

RicaPerrone

O eterno “vexame”

Todo ano acontece a mesma coisa. Nós olhamos a tabela, os elencos, achamos que estamos na Espanha e decretamos que tal time não vencer é vexame.

Ignoramos o fator “formador”, que nivela muitas vezes pelos jovens talentos, o fator campo, a pressão, o estilo de jogo em cada país das Américas e no final tentamos jogar pros clubes a “vergonha” que fizemos ao avaliar o cenário.

Passa o Galo? Sim. Todos achavam. Mas aí começa a palhaçada de achar “vexame” se não passar. A mídia transforma a glória em alívio, a vontade em pressão e o jogo se torna um inferno.

Vamos sim perder algumas vezes em pré Libertadores e em semi de Mundial. Porque? Porque somos passionais, a mídia transforma nossos jogos em obrigação e quando erram ao invés de reconhecer que “não era tão fácil”, dizem que “quase foi vexame”.

É uma puta tática. Funciona. Mas de covardia ímpar.

Jogo de Libertadores é duro. Sempre foi, e embora hoje seja menos do que já foi um dia em virtude dos campos padronizados, a proibição das festas e a palhaçada de se achar europa que a mídia sempre apoiou (essa pica ninguém assume né), ainda há um fator de equilíbrio muito forte.

Há favoritos, mas não “vexame”.

O Galo foi só o primeiro a ver uma “conquista” virar  “obrigação” e virar um quase “vexame”. Outros virão.

Porque pode até ser uma “zebra” perder pra um time menor. Mas repetir a mesma avaliação arrogante e equivocada ano após ano eu chamo de “vexame”.

RicaPerrone

Devolva-me

Era dezembro de 2008 quando o São Paulo conseguiu um improvável tricampeonato brasileiro contra o Goiás em Brasília.  Naquele dia o clube engoliu todos os seus sapos afim de comemorar e tripudiar nos demais. A sujeira foi pra baixo do tapete, nunca mais saiu, e desde então o “soberano” foi a “soberbo”, até virar este barco a deriva que hoje briga pra não afundar.

Eu, você, o Juvenal, o Leco, tanto faz. Não houve saopaulino disposto a rejeitar a idéia estúpida de que no futebol brasileiro quem está por cima lá ficará.  Tem que ser mais do que bairrista, talvez ignorante mesmo.  A história nos diz que entre os grandes há sempre uma alternância de poder. E que acreditar que ela acabou justo na sua vez é empáfia, soberba e falta de noção.

Algo que nem o mais tricolor dos tricolores negaria é a falta de noção do clube/torcida naquele final de década.  Após mundial, Libertadores e 3 brasileiros, lá dentro ninguém acreditava que era possível regredir.

Esquecemos rapidamente das vacas magras assim que ganhamos o primeiro bom prato de filé. Dos humilhantes 7×2 pra Lusa e pro Vasco, dos anos e anos sem títulos, do Morumbi em reforma e o time em campo que beirava um catadão de série B. Mas aconteceu. Tal como esquecemos que o time campeão do mundo chegou a Libertadores jogando pra 300 pessoas diversas vezes no Morumbi.

O futebol nos causa amnésia.  E com ela vem uma chuva de problemas como esquecer quem você foi, quem você queria ser e o que te trouxe aqui. Viramos “o clube da raça”, usando uma camisa vermelha escrota que manchava o símbolo.

Raça? Vai pra puta que pariu. O São Paulo nunca rasgou cara na grama pra ser campeão. Sempre conquistou seus títulos jogando futebol bem demais e não apenas suando mais que os outros.  Não somos o inacreditável, embora todo clube assim se veja quando convém. Somos os merecedores, os conquistadores. Não achamos títulos, os construímos.

Éramos referência, clube de elite. Viramos o time da organizada violenta, que ainda por cima manda e-mail pra sócio torcedor.  Fomos pioneiros com organizadas, hoje “mato um, mato cem”.

O São Paulo não afundou de dentro pra fora. Afundou junto. Torcida, clube, diretoria, raízes, valores e identidade.

Talvez seja a hora de olhar pro espelho e aí sim apontar o dedo. O São Paulo errou quando perdeu a noção de quem era, não quando vendeu fulano, elegeu ciclano ou emprestou beltrano.

Eu, você, Leco, todos nós. O São Paulo joga limpo, bonito, não pisoteia em rivais, não rejeita o que assinou, tem honra em sua gestão e não ostenta ídolos que nos faltam quando precisa.

O São Paulo é grande e não grita pra isso. Somos um passe do Gérson, uma matada do Raí e um chute do Careca num Morumbi lotado de bandeiras tricolores, camisas brancas e pó de arroz.

O São Paulo vermelho que tem num carrinho de um volante, uma breve passagem do Kaká e uma expulsão do “ídolo” Luis Fabiano sua identidade não pode ostentar qualquer título, e menos ainda um lugar representativo na história do que citei anteriormente.

Seremos novamente protagonista. Mas antes disso é preciso ser mais São Paulo. Eu não reconheço você em campo, fora dele e nem mesmo na arquibancada.

Quarta-feira é dia de São Paulo na Libertadores.

Qual? Escolhe. Vá de branco gritar “ole ole ole” ou “mato um, mato cem”.  Peça futebol ao invés de raça. E não torça pra menosprezar o Palmeiras ou o Corinthians.  Torça pela volta, não pela reviravolta.

Somos grandes. Os maiores. E nunca pedimos esse lugar. Apenas o ocupamos sem contestações.

Voltemos.

A quem nasceu outro dia, compreensão. A quem viveu o São Paulo que me refiro, reflexão.

“Tuas cores gloriosas
Despertam amor febril
Pela terra bandeirante:
Honra e glória do brasil”.

RicaPerrone

Trata-se de dignidade

Não espero muito dignidade de sulamericanos já que somos um bando de colonizados que se orgulham de liberdades que conseguimos e não necessariamente usamos direito. Menos ainda quando se trata da Conmebol, ou dos engravatados pais de pequenos torcedores do Chelsea que comandam nosso futebol.

Vocês são um lixo. O caminho mais curto pra morte da nossa cultura e a prova disso veio hoje.

Não satisfeitos em ao invés de confrontar 100 marginais por respeito a milhões de torcedores de bem, correram feito galinhas para outro país. Pior. Foram a Madrid.

O nome Libertadores da América é uma homenagem as pessoas que libertaram o continente da colonização que veio…. da Espanha!

E onde será a final?

Eu tenho vergonha de muita coisa nossa. Mas nada me deixa mais humilhado do que ver brasileiro imitando argentino, sulamericanos adaptando o nosso futebol ao europeu e nossas crianças torcendo e escalando Manchester City.

E aí a entidade máxima do continente vai lá e faz isso.

Fica difícil lutar contra o que o se torna regra. E agora é oficial: somos uns bostas!

RicaPerrone

River é “favorito” na final de amanhã

A final mais esperada da história da Argentina é bastante equilibrada por dois fatores:

  • O Boca adora decisões
  • O River tem fama e histórico de pipocar em decisões

Mas mesmo diante de tal cenário, as casas de apostas no mundo todo não indicam esse equilibrio. Costumo dizer que favorito se vê na casa de aposta, já que falar todo mundo pode, botar o dinheiro só se coloca em quem de fato acredita.

O River paga em média  2.15 para cada dolar apostado. O Boca 3,8. A opção do empate no tempo normal paga 2,9.

Para quem não entende é simples: Se você colocar 100 reais no River e ele vencer, ganha 215. Se colocar no empate, 290. No Boca, 380 reais.

Você pode apostar no Sportingbet.

Apesar de você

Caros dirigentes da Conmebol;

Nós decidimos ficar.

Em respeito aos mais de 100 anos onde clubes enormes criaram uma linda história e carregaram milhões de apaixonados, nós vamos ficar.

Ignorando o despeito de ter em você, entidade corrupta por DNA e de nenhum bom senso esportivo, ético ou moral, continuaremos aqui.

Com todos os seus esforços para que nós deixemos o futebol para você, nós vamos ficar.

Se fizer uma final única na lua, nós vamos.

Se roubarem mais e mais vezes nossos times e sairem rindo de nossa cara, continuaremos jogando, enchendo estádio e considerando a Libertadores o sonho maior.

Nós temos vocação pra palhaço. Mas palhaço ganha a vida dignamente e pode olhar na cara dos filhos quando chega em casa e tira a tinta do rosto.

Somos tão idiotas que nem mesmo tendo o poder economico do continente nas mãos usamos para tirar vantagem através de politicagem em vossa suja sala de reunião.

Dos nossos são raros os que vocês não atingiram. Mas não são raros os que, apesar de você, conquistaram a América dignamente.

A sua final de 2018 é porca. Nojenta. Uma farsa. Mas ainda que seja tudo isso, é memorável porque Boca e River conseguem ter na paixão de sua gente uma cortina forte o suficiente para fazer disso maior do que o que você esconde.

Nós vamos continuar, Conmebol.

Nem me iludo.  Sei que em janeiro estará todo mundo louco por uma Libertadores novamente, que ninguém se importará mais com o que fizeram esse ano com Santos, Grêmio e Cruzeiro. Sabe porque?

Porque nós somos o que há de mais honesto no futebol: a paixão, a rivalidade, a estupidez ao negar fatos para desmerecer um rival. A burrice de sustentar seu torneio nefasto e sem critério. Porque nós amamos futebol, a noite de quarta-feira e o ritual que envolve um grande jogo.

Nós somos o futebol. Vocês, o que tenta matá-lo.

Se o futebol estivesse nas mãos de 5 bêbados doentes e rivais apaixonados estaria mais honestamente entregue do que em suas mãos, Conmebol.

Você é o que há de pior no futebol em todo mundo. Mas pra sua sorte acabou sendo responsável por organizar o que há de melhor, que é nosso talento, nossa paixão e loucura por essa doença chamada futebol.

Vamos continuar aqui. Com suas proibições estúpidas, com suas regras descumpridas, seu jogo político sujo e seus árbitros tendenciosos.

Porque quando um pai e um filho se abraçam num gol memorável você se torna tão insignificante que nós conseguimos ainda fingir que não estamos vendo o que todo mundo vê.

Mas infelizmente, graças a você e sua gente aí dentro, esses pais precisam sentar com seus filhos ao final de uma partida para explicar a regra que não é regra, o gol que não foi gol, a festa proibida, as pedras permitidas e que nem sempre o bandido acaba mal.

Nós vamos continuar.

Apesar de você.

abs,
RicaPerrone

Ele já pode morrer

Que me perdoe o Michel, eu deveria falar de hoje. Mas ele vai entender.

Ontem em Buenos Aires já no fim do dia, quase hora de ir pro estádio, encontrei um amigo. Ele deve ter seus 40 ou 50 anos, nã0 sei ao certo. Tem um filho de uns 17 anos.

Não o conheço profundamente. Somos de estados diferentes e embora nos consideremos amigos pouco nos falamos. Ontem ele tinha tomado um goró, estava feliz da vida, rindo de orelha a orelha e a bola nem tinha rolado.

Meu normal seria tensão naquela hora. Faltam horas, e ele ria, leve, feliz. Como se o jogo nem existisse.

Perguntei da partida, da ansiedade, e ouvi uma aula do que entendo ser futebol e do porque ainda o amo tanto. Ele me disse que hoje poderia morrer.

Que naquele dia o filho dele tinha ido de onibus a Buenos Aires num perrengue pra ver o Grêmio, que estava com ele tomando uma e fazendo churrasco fardado com as cores do clube que agora é oficialmente um elo entre eles.

“Minha continuação tá ali, Rica”. E apontou pro garoto com um ar emocionado de quem vê a filha se casar.

E via.

Era seu guri “de noivo”, usando as cores que ele escolheu para declarar seu amor eterno e incondicional ao único casamento que não há “poréns”. O com o clube do pai.

Eu respeito quem tem pai que torce pra outro time. Mas acho um desperdício tremendo.

Esse amigo me fez lembrar horas do jogo que eu deveria esquece-lo. Porque na verdade, como sempre, o que menos importa num jogo de futebol é o que eles fazem dentro de campo.

O futebol está sempre em volta do campo. Ali dentro é só pretexto para, por exemplo, esse pai poder abraçar seu “guri” e dizer “te amo moleque! Voce me enche de orgulho. Agora que tu já és um grande gremista, já posso morrer!”.

Morre não, irmão. Ainda tem você, ele e o neto pra entrar na Arena juntos um dia. E então insisto: Que diferença faz quem está em campo quando se tem isso fora?

Viva o Grêmio!

abs,
RicaPerrone

Sempre foi o soldado

O Grêmio é um especialista em batalhas. Dos Aflitos, das centenas do Olímpico, de Lanus, de Tóquio, de tantas e tantas outras pela América do Sul.  Na maioria, vencedor. Em outras raras oportunidades um bom perdedor.

Nas recentes batalhas da guerra já vencida o Grêmio teve que desconstruir o poder das armas pouco a pouco até poder provar ser ele o herói.

Foram Edilson, Wallace, Arthur, Pedro Rocha, Fernandinho, Barrios, Douglas (muito tempo fora) e as vitórias sempre continuaram. As armas são fundamentais, mas o soldado é mais quem as sustenta, nunca o contrário.

Arma não atira sozinha. Sem armas o soldado fica vulnerável mas não morto.

Depende muito do soldado.

Vai sem Léo, Everton, Ramiro e possivelmente sem Luan, ainda que esteja no vôo. Perde inegavelmente as suas melhores armas para o combate. Mas ainda assim, lá está um grande soldado.

Talvez nesta terça-feira sua missão não seja matar. Mas voltar vivo. E se vivo estiver, na próxima batalha, ainda que não possa contar com todas as suas armas, poderá contar com a mais tradicional e importante delas: seu batalhão.

Vá, lute e não morra. Volte ferido se preciso mas volte vivo. As vezes a vida parece covarde por nos tirar as armas para uma batalha, mas as vezes é apenas pra valorizar o soldado.

Nós não precisamos saber escalar o Boca para pensar que “fudeu” quando ele é o próximo adversário. Eles também não.

Ninguém respeita arma. O medo é sempre de quem atira. E esse está em perfeitas condições.

À luta!

abs,
RicaPerrone

Problema é seu, River!

Já leio e ouço pessoas aterrorizando o Grêmio com o fantasma “River Plate”.

Ora, meus caros, sejamos ao menos coerentes.

É um grande adversário, um time tradicional e forte. Mas se alguém vai dormir hoje com um “fudeu” na testa não é em Porto Alegre, mas sim em Buenos Aires.

O Tucuman lidera o campeonato argentino. Foi estuprado pelo Grêmio em dois jogos.

O Grêmio disputa a liderança do Brasileirão e nem usa os titulares.

O Luan voltou.

O campeão da América é o Grêmio.

O time com fama de pipoqueiro em decisões é o River.

Peraí, meus caros. Se alguém tem um problema é o River Plate. O Grêmio é o problema.

E no brilhantismo de quem há 2 anos deita, rola e só não finge de morto, outra semifinal.

Que venha o River! Ou melhor, vamos nós até eles!

abs,
RicaPerrone