mando de campo

Caros auditores do STJD;

Eu não sei quem vocês são e prefiro assim. Na medida em que souber posso fazer avaliações toscas como as que vemos por aí sobre o time de coração de cada um.  Prefiro não. Prefiro partir do princípio de que são pessoas de boa índole e que não prejudicariam esse ou aquele por birra ou clubismo.

Partindo deste princípio, venho lhes perguntar se estiveram na Disney.

Sim, a pergunta é essa. Vocês já foram à Disney?  Espero que sim.  E se foram, eu gostaria de saber porque não entenderam.  É tudo tão claro, é um desenho tão detalhado do que se trata entretenimento e pessoas felizes que eu custo a crer que seja difícil observar.

Vocês vão me dizer que estão aí para aplicar regras. E se as regras não fossem interpretativas, vocês não estariam aí. Logo, tudo cabe uma boa dose de bom senso.  Na medida em que os anos vão passando, o STJD vai se tornando o inimigo do torcedor, quando na verdade seu objetivo era fazer “justiça” e, portanto, nos dar o que esperamos e gostaríamos.

Ontem vocês tiraram uma torcida do seu estádio, tiraram o jogo final de uma cidade por causa de um abraço. Sim, um abraço entre pai e filha que emocionou a todos, que foi a imagem do jogo, que virou capa dos jornais e que deu um tempero extra a essa decisão.

“Ah mas eu estou aqui pra cumprir regras e ela diz que…”. Não! Não está! Você está aí pra julgar situações, não pra ler regulamentos e dizer amém.  Fosse assim não haveria julgamento, apenas a leitura do regulamento.  Vocês são seres humanos capazes de entender o que palavras num livro de regras não podem interpretar.

Não houve lesados, beneficiados, problema algum. Apenas um pai eufórico que permitiu sua filha a vir abraça-lo.  E então diante de tal punição você diz pro torcedor que é rígido ao extremo, e amanhã deixa passar um cuspe na cara como se nada fosse. Outro dia vocês tiraram a pena de um jogador que BATEU no juiz. O Petros, lembra?   Mas a Carol no campo, não! Tudo tem limites. Um abraço nem pensar.

Do que vocês estão falando, afinal? De um sistema carcerário ou de um evento de entretenimento? Será que não está claro que o que pra vocês é trabalho tem como fim a diversão das pessoas?  E que, portanto, toda ação deve buscar preservar acima de tudo a satisfação delas?

Por favor, volte na Disney. Passe uma semana olhando em volta e tentando entender porque aquela porra de rato está sempre pulando e os funcionários todos sorrindo mesmo num dia ruim.   Porque trata-se de ENTRETENIMENTO.  E ninguém no mundo paga pra se irritar. Você paga pra ter prazer. Perder, ganhar, faz parte. Mas se sentir lesado, “roubado”, feito de otário… ninguém paga por isso.

O STJD já é o inimigo número 1 do  torcedor brasileiro. E me custa crer que este seja o objetivo de vocês, tal qual imaginar que isso não lhes incomode.

Mudem. Está tudo muito errado. Os critérios são sem sentido, os pesos e medidas absurdos e vocês conseguiram sugerir que um título saísse das mãos de sua torcida porque um pai abraçou uma filha em área proibida.

Pelo amor de Deus… não passa pela minha cabeça que vocês salvem o nosso futebol. Mas pelo menos tentem não estraga-lo ainda mais.  Ontem vocês chegaram ao fundo do poço.  Fiquem por lá, mas deixem seus cargos para alguém menos rancoroso, infeliz e amargo. Alguém que na Disney abrace o Pateta, e não que o rejeite pra fazer o papel dele por aqui.

abs,
RicaPrrone

O melancólico fim do Campeonato Carioca

Está cada dia mais claro que o futebol caminha pra uma LIGA entre clubes, o fim dos estaduais e um nacional ano todo, com datas mais razoáveis e espaço para seleções, Copa do Brasil e tudo mais.

É o óbvio do planeta: cada vez mais pedindo resultados, lucro e cada dia menos aceitando o jeitinho, o esquema, o amigo do amigo.

Algumas pessoas ainda não perceberam isso. Como costumo dizer, Deus limitou a inteligência e não fez o mesmo com a burrice, portanto, não podemos condena-los.

Já sem contar com a atenção de Flamengo e Fluminense, o Carioca de 2016 tinha que ser o campeonato mais razoável possível pra tê-los de volta.  Mas a birrinha, a vontade de ajudar o amiguinho e o coronelismo são mais importantes do que o bom resultado.

O regulamento é estranho, mas até que legal. São 2 grupos de 8 que se cruzam. Após 8 rodadas, forma-se um grupo com os 4 primeiros de cada lado e eles jogam entre si. Depois disso semifinal e final.

Inchado, exagerado, cheio de perda de tempo pra times que precisam faturar alto pra manter o nível.  O futebol socialista do Brasil segue brigando com a lógica. Mas neste caso, ao contrário do que insinuam, a CBF não pode fazer nada. Só os clubes podem mudar.

E eis que olhando o regulamento noto uma “camaradagem” adotada em 2016, pra favorecer os “amigos” da FERJ e causar mais uma polêmica enorme sem necessidade.

Puta que me pariu, FERJ, com todo respeito.  Porque diabos vamos ter mais uma vez a briga pelo lado da porra do Maracanã, que note, não é mais um estádio sob administração pública e portanto não cabe a você escolher lado de porra nenhuma?

Porque dar a Botafogo e Vasco o mando dos dois clássicos da primeira fase sendo que são 2 pra cada time, e facilmente seria lógico e justo que cada um mandasse um em casa, um fora?

Porque caralhos vamos prever em regulamento mais polêmicas como um possível Fluminense x Vasco no Maracanã e seu mando de campo inviável?

Eu custo a entender a lógica brasileira de resolver problemas. Quando tudo te empurra pra simplificar, baixar a polêmica e fazer bem feito, eles conseguem piorar em detalhes irrelevantes meramente a troco de mostrar que manda.

Qual o beneficio nesse regulamento? O que temos a ganhar com essas duas regras?  Polêmica, briga, distanciamento de Fla e Flu, problemas com Maracanã e mais enfraquecimento do estadual.

Então, meu charmoso Cariocão, morra em paz. Mas assuma o suicídio.

abs,
RicaPerrone