marin

É hora de separar

Caros leitores, colegas e paraquedistas que não vem aqui nunca, é hora de sermos coerentes.

Na foto acima estão pessoas que foram acusadas, outras investigadas, tanto faz. O fato é que não gostamos de ter pessoas envolvidas em escândalos cuidando de coisas que amamos, como por exemplo o futebol.

Tite foi à CBF da mesma forma que Bandeira aceitou o cargo na Copa América pelo motivo mais óbvio, justo e simples do mundo: a seleção brasileira é um time de futebol. A CBF é uma entidade política. As duas coisas não se relacionam quando cobramos melhorias e condenamos pessoas por erros passados.

Não faz o menor sentido cobrar e descontar no Coutinho um erro do Ricardo Teixeira. Nunca fez. E se fizesse, amigos, chamariamos o Corinthians de “time do Andres”, o Chelsea de “time do mafioso”, o SPFC de “time do Aidar”, entre outras aberrações que por bom senso e medo de perder audiência de torcedor ninguém é macho e nem trouxa de fazer.

Com a seleção pode. Seleção não é apaixonante ao nível de um clube. Ninguém vai se revoltar, e alguns vão até engolir.

“Tite assina manifesto e vai lá falar com o Del Nero!”.  Sim, é claro! Ele foi convidado pra ser treinador da seleção não pra ser gerente administrativo de uma entidade.

O termo “seleção da cbf” é a coisa mais cafajeste da história da imprensa brasileira. Quem o usa não conhece nada de hierarquia, administração e entretenimento. Além de ser burro o suficiente para jogar contra seu próprio ganha-pão, o futebol.

Tite e Bandeira não são hipócritas. Você talvez seja.  Treinar o Vasco não implica em concordar com Eurico Miranda. Trabalhar na polícia não implica em concordar com os corruptos do batalhão. Estar onde você quer estar nada tem a ver com a presença ou não de pessoas a sua volta que você não aprova.

Veja os jornalistas que falam isso onde trabalham.  Alguém ali responde pelo chefe? Se a emissora der um calote na praça você se demite? Se o editorial do Jornal Nacional for politicamente contra o que você pensa, você sai do Globo Esporte?

Sejamos menos hipocritas em busca de parecermos os reis da ética. Socialistas da Disney, comunistas com senha no wi-fi.

CBF é órgão político. Seleção brasileira é time de futebol e deve ser cobrado, amado, apoiado e SEPARADO como tal.

Tite e Bandeira tem toda coerência do mundo. Você é que, se tiver dúvida, não tem.

E se acha que tem, porque não gritou “Uh Ricardo Teixeira!” em 2002 ou 1994 quando campeão do mundo bebado na rua abraçado aos amigos?

abs,
RicaPerrone

A hora é essa

A sensação de nunca fomos tão roubados  é também consequência do fato de que nunca tanto ladrão foi preso.  Hoje a FIFA teve seu esquema, investigado há muitos anos, levado a público.

Prenderam uma duzia, tem mais uns 30 investigados, inclusive o presidente da UEFA, antes que algum delírio vira-lata comece a dizer que “o brasileiro faz mal ao futebol mundial”.

Pois bem. O que acontece na FIFA é simples. Estão cobrando dela através de meios legais algumas questões que nós não conseguimos, por exemplo, cobrar de federações no Brasil.  Na maior parte da Europa a lei também blinda esses caras. Mas nos EUA acharam um jeito de pegar.

Ótimo! Que os culpados morram em cana. E principalmente, que sirva de lição.

Mas a hora da verdade está chegando. Cada dia mais as coisas caminham pra um futebol globalizado onde todos se interessam em se dar bem. E neste dia os lavadores de dinheiro e bandidos internacionais terão que deixa-lo.

Insisto, boto a mão no fogo: O Eurico Miranda é estagiário perto dos dirigentes  de clubes europeus. Não na administração, mas na “malandragem”.

No dia que estourar, vai ser nossa chance, talvez a última. O futebol cairá no colo de alguém.  Esse alguém pode ser os EUA, pode ser o Brasil, até mesmo um país da Europa que consiga se esquivar da crise.

A Itália não conseguiu. Amarga um futebol bem inferior e menos rentável desde as denuncias de corrupção.  Vai acontecer também na FIFA, na Copa, na UEFA, na Libertadores…

Surgirão mais e mais Ligas. Menos poder a federações e confederações. Mais negócios claros e menos lavagem de dinheiro. Menos ricos de passado “estranho” brincando de Football Manager em times a venda. O Brasil, talvez, então, o único grande centro onde os clubes não foram vendidos.

E este dia pode chegar nos dando um tapa na cara que não nos permita levantar tão cedo ou nos empurrando pro topo de volta sem muito esforço.

Mas esse dia vai chegar.

E hoje ficou bem claro que ele não vai demorar. Eu conto os dias.  Porque de todos os “defeitos” do nosso futebol, o de não sermos “empresas” pode acabar salvando nossos clubes quando a casa cair pros “donos”.

abs,
RicaPerrone

Quem?!

Li que o Diego Costa decidiu ser espanhol. Ok, legal, direito dele. Vá em paz.

Li também que os espanhóis, em enquete no site marca, disseram que se fossem ele, preferiam jogar no Brasil.

Li que no Brasil há quem ache mais importante jogar na Espanha do que na nossa seleção.

Li muita merda.

Mas nada se compara ao presidente da CBF dizendo que vai “brigar” pelo Diego Costa. Talvez vá a FIFA.

Eu, torcedor da seleção como a maioria dos brasileiros, não consigo imaginar a cara do Romário, do Careca, do Ronaldo e tantos outros ao saber que a seleção hoje corre atrás de Diego Costa.

Sim, Diego Costa.

E eu nem sei o quanto ele joga porque não serei hipócrita de dizer que vejo a porra do Atlético de Madrid jogar toda semana. Mas sei, pelo que vi, que não se trata do Pelé.

E mesmo se fosse um novo Pelé, que diabos de inversão de valores é essa onde o maior time de futebol do planeta vai “brigar” por alguém?

Ele quer ser espanhol. Pois que seja! Não importa. É uma escolha dele, ninguém tem nada com isso. Diria até que “azar é dele”.

Mas ver a minha seleção querer “brigar” por esse cara? Disputar sua nacionalidade?

Por favor. Mais respeito com essa camisa, Marin.

abs,
RicaPerrone