Mauricio assumpção

Não abandonem o Botafogo

1024px-Mão_MaracanãNão sou botafoguense, mas também não sou atleticano. E tudo que defendi pra um, defendo pra outro desde que me tornei um jornalista mais conhecido.  Tem coisas que não se compra, como uma camisa e alguns milhões de torcedores.

É claro que pro debochado rival os dois são “pequenos”.  No máximo “ex-grandes”. Mas aí o Galo cantou e em 2 anos ninguém ousa discutir mais sua grandeza.

Se um time de fato pequeno tivesse conquistado o que o Galo tem conquistado, já estaria provavelmente voltando pra série B esquecido como um azarão que fez algum grande ser derrotado e humilhado, nada mais.

O Botafogo não vai acabar. Mas poderia.

E se acabasse, talvez, do zero, lá na série D, poderia ser o primeiro e único time grande do país com camisa, torcida e possibilidade de ser vendido de fato.

Mas não vai acontecer. Ninguém vai ter coragem de fazer isso. E então o Botafogo vai trocar a diretoria, montar um time mediocre, subir pra série A.  Passar uns anos disputando vaga na Libertadores, meio de tabela e depois entrar em crise quando algum outro presidente resolver cometer todos os erros possíveis em dois anos.

E aí, vai cair novamente.

E então vai repetir tudo isso. Até que uma alma corajosa não nascida na década de 30 apareça e repense o Botafogo dentro de suas possibilidades, traçando uma meta, um perfil que possa realmente “negociar” retorno com essa gente que hoje pouco se importa.

Não fazendo propagandas na tv de “Seedorf dizendo que veio por causa da torcida”, pois nem a agencia da Dolly faria algo tão vazio e clichê.

O Botafogo não é como os outros clubes. E ele vai retomar seu tamanho quando entender isso e passar a encontrar internamente uma forma de ser grande.

Não venderão como o Flamengo, nem para o tipo de torcedor do Fluminense. Não terão a estrutura de um São Paulo, nem a regularidade de um Cruzeiro.

Não haverá 100 mil sócios torcedores em 2 anos. E a TV não vai pagar pra ele nem metade do que paga ao Corinthians.

Então, qual a solução?

Você.

Enquanto houver um número significativo de botafoguenses esperando por um motivo para consumi-lo novamente, ele terá o seu lugar entre os grandes reservado.

O que não significa que vá sempre fazer bom uso dele. Como não fez em 2014.

A queda menos dolorida é aquela que você tem muito tempo entre o erro e o chão. Essa nem doeu.

Mas humilhou.

Eu vou assistir o Botafogo campeão da Libertadores. Vocês também.

E se for impossível acreditar nisso nesta noite de domingo, assista ao Atlético x Cruzeiro na quarta e lembre-se que o Galo tinha, até maio de 2013,  o mesmo rótulo, o mesmo descrédito, a mesma cabeça baixa e uma diferença: a fé.

Não abandonem o Botafogo.

abs,
RicaPerrone

O último ato

Mauricio Assumpção está a 2 meses de encerrar um ciclo que começou promissor, chegou a ser bem sucedido e termina catastrófico. Não vou entrar nos méritos de cada ponto questionável de sua gestão, mas devo reconhecer que cheguei a vislumbrar um Botafogo campeão brasileiro há 1 ano.

Hoje, vislumbro um rebaixado. Que tal qual o campeão, pode não acontecer.

A dispensa de Sheik, Edilson, J. Cesar e Bolivar não é clara, talvez nunca seja. Vai virar lenda urbana rodeada por mil histórias criadas nos botecos do Rio de Janeiro pela madrugada.  Tanto faz. Fato é que houve uma canetada do presidente bastante radical, e que haverá consequências.

Em dezembro de 2014 Mauricio estará se explicando ou sendo um cara de visão.

Por algum motivo ele demitiu os 4. O coro “ele quer foder o Botafogo” não faz sentido algum, é coisa de torcedor.  Ele quer achar uma forma de salvar o rebaixamento e entendeu ser esta uma medida radical, impactante e que possa virar o jogo.

Eu, de fora, não acredito. Mas você acreditou no Fluminense 2009 quando os meninos entraram pra jogar no lugar dos medalhões? Então…

A princípio, como você, acho que ele “enlouqueceu”.  Mas como ele não é louco, prefiro imaginar que existam motivos que não sabemos aqui de fora mas que justifiquem, ao menos, a opção.

Ficou mais difícil.  O Botafogo ficou mais frágil.  E vai precisar de muito cuidado pra não quebrar.

O Maurício vai sair de lá.  Você não.

Então, botafoguense, se quiser assistir a isso da televisão é um direito bem justificável. Se quiser tentar evitar, é no Maracanã gritando.

“Não merecem!”. Foda-se. Eles passam, o Botafogo fica.

abs,
RicaPerrone

Entrevista: Mauricio Assumpção

Segunda-feira, 4 de novembro de 2013. Cheguei ao Botafogo para conversar com o presidente Mauricio Assumpção após uma derrota para o Goiás.

O primeiro impacto foi o mesmo de quando fui ao Flu.  Ver que a sede ainda é a mesma, que não destruiram em troca de um novo palácio de vidro mais moderno. E eu acho isso do caralho.

Andei pelo clube e junto de Carlo Carrion e conheci mais da história do glorioso Botafogo.

O papo rendeu ótimos 40 minutos onde, entre outros, Mauricio fala sobre:

– 4 jogadores que o Botafogo quase contratou
– O dia inesquecível de sua gestão
– O pior momento desde 2009
– A promessa do elenco em classificar pra Libertadores
– Os bastidores da vinda de Loco Abreu
– Se Seedorf fica para 2014
– O voto do Fogão na briga Pontos Corridos x Mata Mata
– A relação torcida x Clube

Ouça, Botafoguense! Vale a pena. E obrigado ao Botafogo pela ótima recepção e pelo “tour” que me fez ainda mais simpático a este grande clube do Brasil e do mundo.

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Ou, download aqui.

abs,
RicaPerrone