
A princípio eu discordei de tal afirmação. É sem dúvida o maior jogo da história da Argentina, o que não implica em ser a maior do continente exatamente por não representa-lo.
A final continental mais emblemática não pode ser entre clubes do mesmo país. A representação de um torneio continental é o confronto dentro do continente entre países, logo, não faz sentido pra mim.
Mas acabou que eu estava errado. Foi sim a maior final da história da Libertadores.
E sei que não aconteceu. Exatamente isso o torna a mais emblemática e representativa final da história de um torneio corrompido, sujo, mal administrado e escandalosamente suspeito de mil fatores extra campo.
Não poderia ser melhor. A polícia argentina erra a estratégia, porque é o que ela sempre faz com quem vai lá. A torcida de um deles agride com pedras, porque é também o que acontece em todo jogo lá e ninguém faz nada.
Os jogadores se machucam. A Conmebol manda eles jogarem mesmo assim. Várzea.
Os dois clubes chegaram a essa decisão por meios irregulares. E o jogo não merece acontecer de forma incrível e brilhante. Merece que termine assim: manchado, nojento, lamentável e se depender da minha torcida, no tapetão.
O que seria mais perfeito para a Libertadores do que uma final com violência, pressão política, nenhuma preocupação com segurança e decidida na caneta e não na bola?
Sim, Boca e River fizeram a maior final da história da Libertadores. Ontem. Hoje, se a bola rolar, será só mais um jogão.
RicaPerrone
Poucas coisas no futebol são tão prazeirosas quanto fazer um gol num time argentino, lá, numa decisão, quase aos 40 do segundo tempo.