nordeste

Blá, blá, blá

Nós, jornalistas, falamos muita coisas das quais não temos o menor conhecimento. Uma delas é avaliar um time menor que não nos compete no dia a dia.  E quando digo isso me refiro a times grandes mas que não estão entre os 12 gigantes e portanto levam nossa mínima atenção.

Basta um time do interior ou do nordeste vencer 10 jogos para irmos na TV dizer que “grande trabalho faz a diretoria”.  Falamos merda atrás de merda, como as mil referências ao futebol alemão desde 2014, sem saber exatamente o que estamos dizendo. Mas precisamos dizer.

Então o São Caetano é a nova potência do futebol brasileiro. Gestão, visão, trabalho.  Sumiu.

Como ele cito facilmente um por ano nos últimos 100 anos.  E mais recentemente o Santa Cruz, time que todo país adora e respeita pela sua massa comovente.  Da série C para a A, o surto no começo de 2016, os mil comentários sobre chance de título, surpresa, “puta trabalho”, “mentalidade nova”, blá, blá, blá.

Sabe quantos jornalistas do eixo foram lá ver de fato o tal trabalho?

Nenhum.

Mas temos que falar algo. E na falta do que falar, blá, blá, blá. E colocamos tudo no alto quando vence, tudo na lama quando perde.

Hoje o Santa Cruz voltou pra serie C do Brasileirão.

E muitos de nós, que jurávamos ver ali um trabalho diferenciado e sério, vamos fazer uma semana de silêncio em respeito a falta de compromisso com o que se jura poder avaliar.

abs,
RicaPerrone

Mimimi, ôxente!

O mimimi não pode parar. Hoje, é sustento de muita gente, motivo de mídia pra muito artista falido e de voto pra uma centena de políticos em busca da sua minoria de retaguarda.

Neymar teria chamado um jogador nordestino de “Paraíba”. E eles se ofenderam.

O “gordinho” aqui, chamado de “alemão” em rodas de samba, não tem sofrido preconceito.  Mas o “paraíba” tem.

O pagodeiro, o funkeiro, nenhum destes sofre com esse tipo de “rótulo”.

Não existe movimento algum contra preconceito, meus caros. Existe uma vontade do cacete de aparecer as custas de um fato qualquer que possa posicionar meia duzia de pessoas como “defensores de alguma coisa”.

Isso dá moral, voto, seguidor no twitter, audiência, carinha de cult e fama de “famoso engajadinho”.

Se Neymar o chamou de Paraíba, não vejo problema pois “paraíba” até onde sei não é algo ruim. Ou é assim que os “paraibas” interpretam?

Se eu disser pra um gaúcho: “E ai carioca?!”, ele não vai me processar, nem ficar ofendido. Vai no máximo corrigir.

Só tem uma coisa mais irritante que o preconceito. O complexo de perseguição.

“Prestenção” numa coisa, caro baiano, paraíba, alagoano ou sei lá mais o que.  Não chamamos vocês de “paraíba” porque achamos a “Paraíba” uma merda. É meramente por não decoramos os nomes de cada capital e cada estado nordestino, então juntamos, como fazemos com “japones”, com “funkeiro”, “pagodeiro”, “boleiro”, “gringo”, etc.

Eu não posso achar que todo mundo “menospreza” um lugar que juntam dinheiro o ano todo pra ir nas férias. Não faz sentido.

Existe preconceito? Claro! Como existe comigo, com você, com o que for.

Mas quanto mais existir mimimi, mais viadagem a cada meia discussão de campo, maior será a distância entre as pessoas e maior será o tal preconceito.

Se eu discutir com você e chama-lo de “paraíba de merda”, acredite: A ofensa foi o “merda”, não o paraíba.

Antes de lutar contra o preconceito dos outros acho interessante lutar contra nossos próprios complexos.

E que saudades do tempo que o “Paraíba” mandava o filho sentar a porrada quando ofendido e não procurar uma ong no twitter…

Volta a arder, Merthiolate!

abs,
RicaPerrone