Olimpico

Parabéns, saudades e obrigado!

Oi pai.  Hoje você faz aniversário e eu queria te dizer algumas palavras.

Você é o tipo de pai que não morre, mas infelizmente eu sou o filho que deixa de existir. E por isso preciso te dizer enquanto posso tudo que gostaria.

Primeiro agradecer. Porque não fosse por ti eu não existiria. E mais do que isso, não fosse por teu sucesso eu jamais seria reconhecido.  Sim, eu sei que sou o filho do famoso. Que lhe devo tudo que sou. Mas não me envergonho disso, ao contrário, muito me orgulha.

Ter estado ao seu lado todo esse tempo me fez temido, gigante, referência. Eu sou o resultado do seu suor, da sua grandeza e fruto da sua ambição.

Não nos vemos há alguns anos já. Eu sinto muita saudades, mas sei que você também. E sei que é por algo justo, melhor pra todos nós. Mas mesmo daqui, hoje sem função na sua vida, eu quero que você saiba que torço por ti como fizeram comigo por décadas.

Morri de ciúmes quando tu teve outro filho. Mas o moleque é bom, mais novo, merece sua atenção e de alguma forma “o meu lugar” na sua vida.

Pai, semana que vem tem Copa de novo. Tu adora, imagino como deva estar ansioso. Vou assistir daqui, de longe, mas com a certeza que meu irmão mais novo vai te ajudar nessa missão.

As vezes nossa familia passa por mim e olha sorrindo. Alguns até param na rua e ficam me olhando, mas quase ninguém chega pra conversar. Fotos eles tiram. Sempre! Acho que fomos inesquecíveis juntos, né Pai?

Enfim. Vou te deixar trabalhar. Só quero te parabenizar pela data, dizer que me sinto sim representado pelo seu mais novo e que mesmo morrendo de saudades de ti, eu sigo firme torcendo pra que tu faça do meu irmão o que fez de mim um dia.

Sucesso, pai! Obrigado por tudo.

Te amo,
Estádio Olímpico

Não sei, não quero…

Adoro tecnologia, botões, aparelhos de última geração.  Odeio churrasco temperado ou na churrasqueira elétrica. Não suporto o desconforto da cadeira de um cinema, mas me recuso a querer ver uma poltrona num estádio de futebol.

Adoro a minha escola de samba, entendo todos os motivos que fizeram ela sair de uma rua escura em Padre Miguel e ir pra Avenida Brasil numa mega quadra. Mas não gostei dela.

Eu sei que a Copa vai chegar, os estádios vão mudar e nossa forma de torcer será distorcida pelas normas européias de conduta dentro dos estádios. Talvez até passemos a ser racistas, não sei.

Sei que não vou gostar, mesmo que eu goste.

Achei linda a Arena do Grêmio, mas prometo nunca olhar pra ela com metade da boa vontade que sempre olhei pro Olímpico.

Não por ter um argumento inteligente pra isso, mas por me proibir de aceitar certas novidades.

Meu churrasco só vai carvão e sal grosso. Mesmo que você me prove ter um tempero mais saboroso e uma forma nova de grelhar a picanha, eu não vou achar melhor do que a tradicional.

Se um dia Messi for melhor que o Zico, eu não vou reconhecer. Como ele não será,  mesmo se for, não é um assunto que me incomoda.

O Maracanã novo deve ser muito melhor que o antigo, mas eu não acho.  Não porque eu tenha ido lá experimentar, mas porque não acho e pronto.

Pelé vai terminar sendo o maior, mesmo que o superem.

Ninguém pilotará mais do que Senna, mesmo que pilote. E não, nem pense em procurar especificações técnicas para encontrar um carro melhor que a Ferrari.

Ele pode até existir de fato. Mas só de fato.

E o Olímpico será sempre o mais importante e melhor estádio que o Grêmio já teve. Mesmo que isso seja mentira.

E se for, parabéns pela Arena.

É linda, perfeita, um sonho.  Mas é real, coisa que o Olímpico deixará de ser.

Assim sendo, “eternizado pelo fim”, será sempre “a casa do Grêmio”.

Mesmo que agora ele more em outro lugar.

abs,
RicaPerrone