paulistao 2019

Roteiro adaptado

Quando São Paulo e Corinthians decidem nós conhecemos o final provável. Muda-se a forma, o herói, o minuto do gol e até os estádios. Mas a história se repete e o Corinthians acaba eliminando o São Paulo.

Há no futebol doses cavalares e inexplicáveis do sobrenatural que costumam não apenas se repetir no evento como pro mesmo lado.

O Corinthians é mais seguro contra o São Paulo. Começa a ganhar na véspera, tem uma dose de “fé”  misturada com fatos que o leva à confirmação de ambos.

Aos 41 o goleiro do São Paulo se jogou porque queria pênaltis. O Corinthians, que nada vem jogando, tentava ainda ganhar o jogo. Sem pressão, mas ainda não havia optado pela cera.

E então, neste caso, o futebol premiou o lado certo.

São meninos no Morumbi. Carregando nas costas anos e anos sem títulos e tendo que enfrentar justo o maior dos fantasmas. Não dá pra culpa-los, condena-los ou cobrar-los.

Dá pra fazer o que o Carille fez após o jogo, que é algo raro: ao invés de meter que “é contra tudo e todos!”, “cade o time que joga mal?”, ele foi calmo, parabenizou, disse que tem méritos (e tem!) e que o time está muito abaixo do que pode.

Não precisou nem tapar sol com a peneira e nem se fazer de gênio. No ponto.

O Corinthians não joga bem, não convence nem a seu treinador. Mas um tricampeão tem que ter algo que os outros não tenham. Hoje, no caso, foi apenas mais vontade de ganhar e mais maturidade.

Ano passado foi com raiva. No outro, futebol.  E assim, ano após ano, mudam-se os “porquês”, só não muda o campeão.

RicaPerrone

Não , não pode

Futebol é resultado. Essa frase é antiga, justa, real mas ao mesmo tempo nociva.  A classificação do Corinthians é justa. Foi na bola, dentro da regra, o goleiro é deles, recebe do clube. Logo, não há como distorcer os fatos.

O que dá e deve ser discutido é a forma. E não porque a forma de usar o regulamento seja novidade ou um absurdo, mas porque já é hora de rejeitarmos algumas apresentações.

O que o Corinthians fez ontem lembra o que o Santos fez contra o Barcelona. Foi assistir a uma decisão de dentro do campo sendo surrado e não reagindo nem emocionalmente.

“Saber sofrer”  é o cacete. O Bragantino pode saber sofrer e não disputar uma partida apenas pra se defender. O Corinthians não.

Se revoltar com uma atuação dessas é um sintoma de respeito. A vaga é motivo de festa, a partida em si de preocupação.

Não vamos também meter essa de “justo” ou “injusto” porque o Santos não completou o processo que é fazer o gol. Então sua competência também é discutível.  Mas não jogar é inaceitável.

É o estilo do Carille? Não concordo.  Mas desde o Tite o Corinthians é um time consciente e que controla o jogo. O que vimos ontem é diferente disso. Não houve controle algum. Foi um massacre.

Dizer que chegaram na final os dois “piores” times também não é muito razoável.  O Santos não tem um timaço, o Palmeiras tem outro foco. Os dois foram pelos pênaltis. Eu não vejo esse drama todo.

Mas não. O Corinthians não pode atuar dessa forma. Ainda mais diante de um grande rival.

RicaPerrone

Cenários

O Paulistão chegou às semifinais com um cenário encantador. Embora o campeonato em si seja ruim como todo estadual, a reta de chegada criou dois jogos muito interessantes.

Se o Corinthians vinha mal e se classificou nos o pênaltis contra a Ferroviária em casa, o Santos fez com campeonato e tem o badalado Sampaoli. Esse jogo coloca, portanto, o Santos como o grande favorito.

Só que existe uma linha tênue entre ser favorito e ser obrigado a vencer. Essa linha torna as semifinais interessantíssimas.

O cenário do outro lado é parecido. Até sábado passado o São Paulo não tinha a menor chance. Agora enfrenta o Palmeiras, que pela teoria, tem todas as chances por ter disparado o melhor elenco do país.

Na medida em que o São Paulo e o Corinthians vão chegando pra semifinal mais enfraquecidos, maior se torna o “problema” para Santos e Palmeiras.

O futebol é covarde. Se São Paulo ou Corinthians passarem cobrarão Palmeiras e Santos pelos times e campanhas. Se for o contrário, pouco farão por considerarem “lógico”.

Há um “confortável” cenário para São Paulo e Corinthians neste momento em virtude de sua própria incompetencia.

RicaPerrone

Vale? Vale.

Eu tenho alguma dificuldade em gostar de vitórias independente da forma. Não sei separar o placar do jogo e por isso não haverá aqui uma exaltação a vitória do Corinthians que, embora grandiosa na casa do rival e em má fase, não me causa vontade de aplaudir.

O Palmeiras jogou muito? Não. Também não. Mas jogou. O Corinthians não teve o menor pudor em abrir mão do jogo, fazer cera, enfiar 11 atrás da bola e impedir que houvesse um grande clássico.

Vale? Vale.

Vale a pena? Sim, neste caso, sim. O Corinthians precisava vencer de toda maneira pra aliviar o ambiente e o começo de temporada. Não havia nada melhor neste momento do que ganhar do Palmeiras na casa do rival.

No final dos 90 minutos, embora vencedor, quem sai mais preocupado?  Quem não mostrou nenhuma jogada, sequer chutou no gol na segunda etapa ou quem tentou e não conseguiu fazer o gol num melancólico ataque x defesa?

Repito: vale? Vale.

Há algo a ser analisado após 90 minutos de um jogo onde um não consegue jogar e o outro não quer?

Não muito.  Que pena.

Mas vale.

RicaPerrone